PESQUISAR ESTE BLOGUE

30.9.12

ARTE MORTA À MOSTRA NOS MAUSOLÉUS DA AV. PAULISTA

Apesar da superioridade artística de Caravaggio ...
No sábado ensolarado, fui ao chamado  vão do Masp  para gravar uma última imagem para a eleição 2012: candidatos do PSOL balançando os braços ao som do jingle de campanha.

Fizeram umas 30 tomadas para depois escolherem a melhor, com a câmara percorrendo, de extremo a extremo, a fileira de companheiros.

Não sei se na que aproveitarem estarei sendo focalizado no instante final, quando emendei no gesto de "vem pra cá!" a saudação do Poder Negro e do dr. Sócrates.

Foi inspiração de momento. Deu vontade de fazer, fiz, para deixar bem claro qual o tipo de chamamento que estou fazendo. É para a luta que eu chamo as pessoas, sempre...

Embora fosse de manhã, dividimos espaço com centenas de interessados na exposição  Caravaggio e seus seguidores, pelo último dia em cartaz.

Não sou nenhum obtuso insensível às artes plásticas; admiro muitas obras e já divulguei pintores e galerias. Mas, nunca ficaria tanto tempo numa fila para ver o original de uma tela que está ao alcance de uns cliques no computador.

Talvez porque não me sinta à vontade em museus e pinacotecas. Há veneração respeitosa no ar, como nas igrejas. Jamais pertenci a esse time.

Num daqueles ridículos questionários para fins eleitorais, taquei  umbandista  como minha religião. Verdadeiramente não tenho nenhuma, nem certeza aboluta da existência ou inexistência de Deus.

Mas, como os cultos afrobrasileiros sofrem frequentes ataques dos hitlerzinhos zumbis  e sempre curti os pontos de umbanda como música, resolvi não ficar em cima do muro. Mesmo porque, se eu decidisse adotar alguma religião, seria alegre, cheia de ritmos e de cores, jamais uma das soturnas. Sou chegado à vida, não à morte.

Enquanto esperava que a tropa se reunisse, resolvi distribuir meus folhetos para os que esperavam que a bilheteria abrisse.

...os Delacroix são melhor inspiração para nós.
Encontrei um nariz empinado atrás do outro, como se estivesse tentando entregar-lhes um verme.

E mentiam: "Não voto aqui". Ninguém votava em São Paulo. Mas, como eu não vira nenhum ônibus de excursão despejando estetas, desconfiei.

Tirei a prova dos nove: a alguns que recusavam, expliquei que não era nenhum tarefeiro de partido, mas sim o próprio candidato, defensor dos direitos humanos há 45 anos. Aí pegavam.

Irritado, deixei escapar da mão um folheto que veio rasgado; tive preguiça de o apanhar. Veio um chato atrás e ironicamente me devolveu com um "o senhor deixou cair".

Ah, bom! O perfil ficou completo.

São pessoas que descreem da política e da própria possibilidade de mudarmos as relações de poder no mundo; não movem uma palha para tornarmos realidade as utopias; querem apenas fazer parte da torre de marfim de uma sociedade desigual e desumana; ter seus êxtases em público para serem admirados pelos iguais; e aliviar a consciência com besteirinhas como a separação de vidros e plásticos nas lixeiras, como se dependesse dessas miudezas a salvação do planeta.

Meu maior sonho é ver outra primavera como a de 1968, quando a arte estava nas ruas e nós a tomávamos nas mãos, empunhando-a como bandeira.

Com uma pontinha de esperança de que ainda terei a chance de entrar no Masp e fazer o que Godard fez naquele Festival de Cannes que coincidiu com a  primavera de Paris: "derrubar as prateleiras/ as estátuas, as estantes,/ as vidraças, louças, livros, sim!"

Até lá, procurarei minha turma nos saraus da periferia, que é onde a arte está viva e fervilhante. Não nos mausoléus da avenida Paulista.

29.9.12

QUEM CHOCOU O OVO DA SERPENTE?

O trabalho de conclusão de curso da minha esposa foi sobre a Igreja Universal.

As informações que ela coletou e algumas que nâo pôde utilizar por motivos vários --principalmente para evitar retaliações contra suas fontes, pois se trata de gente perigosa-- me chocaram. Ofereci-o até, como livro, a duas editoras católicas, que não quiseram comprar a briga.

Também me incomoda que as evidências gritantes de crimes, contidas nas denúncias de promotores e numa série de reportagens irrefutáveis que O Estado de S. Paulo publicou em meados da década retrasada, não tenham desembocado em condenações e em medidas efetivas para proteger as vítimas --as que são privadas até do último centavo e as que perdem a saúde ou a vida por acreditarem em orientação médica de quem não é médico.

Pude, ainda, constatar que Edir Macedo é muito eficiente naquilo a que se propôs, o que o torna personagem das mais temíveis ao estender seus tentáculos para a política.

Então, fiquei estarrecido e indignado ao ler a notícia abaixo da Folha de S. Paulo, confirmando que, independentemente do  efeito Russomanno, o PT continuará favorecendo o crescimento do  partido da Igreja Universal, cuja criação foi estimulada pelo Lula.


É o que nunca me passou pela garganta no caso do ex-presidente: ele raciocina unicamente em função de conveniências políticas imediatas e menores. Quer que o PT vença eleições, pouco ligando para o fato de que um partideco reacionário por ele estimulado poderá um dia se tornar um partidão de características nazistóides e com influência extremamente nefasta na política brasileira.

Muitos colocam Lula nas alturas porque conduziu o PT à Presidência da República e colocou algumas migalhas a mais na mesa dos pobres.

Omitem, no entanto, que seu pragmatismo tosco levou à desideologização e descaracterização do PT, privando o Brasil de um partido revolucionário que poderia torná-lo um país igualitário, ao invés de um dos mais desiguais do planeta; e um país que oferecesse qualidade de vida ao seu povo, ao invés do que ostenta Índice de Desenvolvimento Humano tão ínfimo.

Governando numa conjuntura internacional extremamente favorável ao Brasil, Lula fez bem menos do que poderia, pois cumpriu religiosamente o pacto firmado com o grande capital em 2002, no sentido de manter as linhas mestras da política econômica neoliberal de FHC.

Está na hora de tomarmos dos capitalistas para distribuirmos ao povo, ao invés de apenas distribuirmos ao povo a merreca de que os capitalistas admitam abrir mão.

Delfim Netto, outro que Lula jamais deveria aceitar como companheiro de jornada, dizia, no tempo da ditadura, que era preciso esperarmos pacientemente o bolo crescer, para que depois pudesse ser dividido. 

Já cresceu, mas continuamos vendo a divisão por um binóculo. Enquanto permanecermos de braços cruzados, esperando a boa vontade dos que usurpam os frutos do trabalho alheio, não passaremos de pobres coitados.

Revolucionário existe para tornar o povo o sujeito da História. A diferença é enorme com os que querem mantê-lo na eterna dependência de homens providenciais, votando no partido que lhe oferece um tiquinho a mais do que as outras forças políticas, ao invés de exigir tudo a que tem direito.

Eis o esclarecedor texto do repórter Bernardo Mello Franco:


O PT pretende poupar a Igreja Universal de ataques caso Fernando Haddad passe ao segundo turno contra o líder Celso Russomanno (PRB), cujo partido é controlado pela denominação.

Os petistas temem uma retaliação da TV Record ao governo Dilma Rousseff e devem usar o ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB), para negociar um pacto de não agressão na disputa.

Além disso, o ex-presidente Lula costurou a aproximação entre o PT e a igreja do bispo Edir Macedo e incentivou a criação da sigla aliada.

O vínculo do partido de Russomanno com a igreja do bispo Edir Macedo tem sido usado por José Serra (PSDB) e Gabriel Chalita (PMDB) como principal arma contra o líder das pesquisas.

Haddad, no entanto, tem evitado a polêmica. Limita-se a criticar, de forma genérica, o uso de máquinas religiosas em campanhas rivais.

"Nossa linha será desconstruir Russomanno pela ausência de propostas, sem entrar nessa coisa de igreja", diz o deputado estadual Simão Pedro, que integra a coordenação da campanha petista.

Bispo licenciado da Universal e ex-executivo da Record, o presidente do PRB, Marcos Pereira, diz estar "certo" de que o PT não usará a igreja contra seu candidato.

"Eles já optaram por não fazer isso", afirma. "Se o PT tentar dizer que as nossas propostas são falhas, é aceitável. O que não pode é levar essa questão da religião."

27.9.12

FOLHETO SECUNDÁRIO


FOLHETO PRINCIPAL


ENCAIXOTANDO RUSSOMANNO

O bom jornalista Gilberto Dimenstein tocou num ponto interessante em seu artigo Russomanno está debochando?. Mas, nossas conclusões diferem um pouco.

Comecemos pelo Dimenstein:
"Geralmente (quase sempre, aliás) planos de governo e promessas de campanha quase se confundem em sua inutilidade. São apenas peças para atrair votos. Muitas das 'propostas' são elaboradas não por técnicos, mas por marqueteiros.

Uma vez eleito, o candidato é limitado pela realidade dos números --e os eleitores logo esquecem, afinal, resignam-se, 'todos os políticos são iguais'. Celso Russomanno, porém, parece estar conseguindo debochar ainda mais o que já é debochado.

Cobrado nos debates por não ter um programa, requentou (isso para ser generoso) um programa que entregou, por obrigação, ao tribunal eleitoral. Nenhuma --e nenhuma aqui não é força de expressão-- meta detalhada em números.
Algumas possibilidades, todas complicadas para quem se diz defensor dos direitos do consumidor:
  1. Ele não imaginava que iria tão longe na disputa eleitoral e que seria cobrado nos debates;
  2. Não acha plano de governo importante;
  3. Não acha que o eleitor ache plano de governo importante. E, portanto, tanta faz como tanto fez;
  4. Não dispõe de gente qualificada para, no mínimo, inventar um plano de governo.
Deveríamos inventar um Código de Defesa do Eleitor".
Russomanno deve mesmo ser combatido como o pior dos candidatos à Prefeitura paulitana, nem tanto pelo que é --não passa de um oportunistazinho que, por si só, nunca voaria alto--, mas por servir como  cavalo de Tróia  para Edir Macedo, este sim um vilão considerável, daqueles que constroem impérios do mal. Versão brasileira do  satânico Dr. Moon.

Todos os alarmes já deveriam ter soado quando se verificou a união de algumas empresas religiosas que, via de regra, competem encarniçadamente pelos otários a serem depenados. 

Se os vendilhões do templo somarem permanentemente as forças, como já fazem suas bancadas no Congresso, muita coisa ruim poderá acontecer. Afinal, têm um exército de zumbis para colocar nas ruas, o que hoje falta a quase todos os partidos, inclusive os de esquerda.

Hitler também era insignificante quando começou a discursar em cervejarias, daí ter sido tão subestimado. Deu no que deu.

Intolerância: o príncipio...
E alguns de seus truques estão sendo bisados, como a demonização de qualquer grupo como espantalho contra o qual unir o rebanho. Naquele tempo eram os judeus, agora são os devotos do cultos afrobrasileiros, os gays, os defensores do direito das mulheres ao aborto, etc. Nada se cria, tudo se copia.

Mesmo assim, sou obrigado, por minhas convicções, a fazer uma meia-defesa do Russomanno: plano de governo não tem mesmo importância nenhuma!

Trata-se de uma das muitas imposturas que a indústria cultural martela na cabeça dos eleitores, no sentido de reduzir as eleições a um mero cotejo de bonequinhos de ventríloquos a recitarem o blablablá dos marqueteiros, propostas mirabolantes e miudezas paroquiais.

O governador Geraldo Alckmin, evidentemente, não colocou na sua proposta de governo que detonaria os coitadezas da cracolândia e do Pinheirinho, nem que concederia à PM  licença para matar  (salvo no período eleitoral, quando, para salvar as aparências, age como acaba de agir: substituiu sofregamente um comandante da Rota que ele mesmo empossara e de cujos antecedentes --envolvimento no Massacre do Carandiru-- tinha a obrigação de estar ciente, não podendo alegar surpresa quando ocorre um mais do que previsível aumento da taxa de  homicídios oficializados).

O que deveria realmente ser considerado pelos eleitores é o programa do partido. Havendo um comprometimento com valores políticos e ideológicos bem definidos, o papel do eleito seria esforçar-se ao máximo para traduzir tais princípios na prática administrativa.

...e o fim.
Mas, claro, não interessa ao sistema fortalecer os partidos, pois os de esquerda teriam consistência muito maior. Então, a lavagem cerebral midiática é toda ela no sentido de  personalizar  a escolha.

O que vem ao encontro da cultura consumista: assim como se opta por uma marca de sabão, opta-se por um candidato. E ambos são embalados e promovidos da mesmíssima forma.

Então, melhor do que cobrar um plano de governo do Russomanno seria cobrar-lhe uma explicação pormenorizada sobre o que o atraiu no programa do PFL, no do PSDB, no do PPB/PP e no do PRB, já que são partidos com diretrizes e ideologias bem diferentes; por que saiu de um e ingressou no outro; se o atual é definitivo ou será trocado ao sabor das conveniências, etc.

Duvido que ele conseguisse encontrar alguma argumentação plausível para justificar sua ziguezagueante trajetória, típica de quem é movido pela ambição e por convicções.

25.9.12

SAMPA QUER ELEGER UM NOVO CONSERVADOR. ARGH!

O jornalista Paulo Francis estava certíssimo ao qualificar a sociedade de consumo de  inferno pamonha, ou  bocó. Acertou na mosca.

Até a segunda metade do século passado, as criticadas elites procuravam, pelo menos, tornar o cidadão comum melhor do que era. Podia-se, claro, discordar do tipo de melhora que tinham em mente, mas não do conceito de que nossa jornada na Terra deva ser evolutiva. Não nascemos prontos, construímo-nos ao longo da vida.

A sociedade de consumo modificou para pior, bem pior, tal equação.

Os homens deixaram de ser tratados como cidadãos. Passaram a ser encarados, isto sim, como  consumidores. Não são mais  gente, são  mercado.

Então, não se questionam mais seus desejos. Se alguém estiver querendo comprar, haverá alguém disposto a vender. Literalmente  tudo, seja às escâncaras ou por baixo do pano.

Em termos psicológicos, isto significa, simplesmente, que as pessoas são mantidas numa eterna infância. Não superam mais o narcisismo inicial. Não encontram mais a justa medida entre o que querem e o que podem. Não aprendem que sua felicidade depende da felicidade dos outros, que sua satisfação e seu prazer serão muito mais completos se compartilhados.

Ao mesmo tempo, os objetos de consumo pelos quais tanto anseiam nunca são plenamente satisfatórios. E as vítimas da engrenagem infernal do sistema passam a vida inteira correndo atrás do que jamais obtêm, adquirindo o que não precisam e trabalhando sofregamente sem que haja justificativa real para tanto estresse e tanto enfarte.

Este é o motivo maior do declínio da esquerda nas últimas décadas. O que oferecíamos era uma perspectiva de sociedade melhor, na qual as pessoas se tornariam melhores: era o ideal do homem novo. 

Os consumistas passam a vida apaixonados pelo próprio umbigo e querendo ter o mundo como espelho, pois anseiam pateticamente por verem-se nele refletidos. Não o pretendem melhorar, o que gostariam é de melhorar a própria posição numa sociedade desumana e injusta. Vai daí que hoje são bem poucos os que se dispõem a dedicar a vida aos grandes ideais.

Há meio século a Escola de Frankfurt previu que chegaríamos exatamente a este  inferno pamonha, no qual os indivíduos perderiam o controle sobre suas próprias vidas, sem nem mesmo atinarem com os motivos de sua infelicidade, mesmerizadas pela influência atordoante da indústria cultural.

O que fazer? --indagaria Lênin.

Herbert Marcuse apostava que tal manipulação cientificamente implementada seria capaz de evitar que a maioria formasse uma consciência crítica, mas não que acontecessem, em determinadas circuntâncias, explosões espontâneas de revolta. Não dá para represar-se tudo. E as contradições insolúveis do capitalismo estão aí para fornecerem os estopins de tais explosões espontâneas; caso da crise econômica global.

Como nós, da esquerda, devemos nos comportar nos  intervalos  entre tais explosões espontâneas, nas marés vazantes, quando as massas não estiverem dispostas a nos acompanharem em voos mais altos?

É uma questão crucial.

Podemos manter a coerência com nossos ideais e, mesmo não influindo decisivamente nos acontecimentos políticos, continuarmos contestando as injustiças sociais, as formas mais sofisticadas de exploração do homem pelo homem que hoje predominam, a desumanização que o capitalismo promove e barbárie à qual nos conduz. Assim, estaremos nos qualificando para liderar contingentes mais amplos quando estes acordarem do coma induzido pelo sistema.

Há os que preferem combater o monstro com as armas do monstro, acreditando que não se tornarão monstruosos. No entanto, acabam é igualando-se ao que combatem. Não mudam o mundo; são mudados pelo mundo.

CANDIDATURAS IDEOLÓGICAS x CANDIDATURAS DE CONSUMO

Se o que os eleitores
queriam era um monstro...
É chocante, p. ex., vermos as eleições se tornarem uma disputa de quem melhor se encaixa no perfil de candidato identificado exatamente pelos métodos que as empresas utilizam para avaliar a viabilidade de  produtos: pesquisas qualitativas e as inferências dela extraídas pelos analistas.

Na eleição paulistana, o  produto  assim determinado como o de maior aceitação potencial no mercado seria um candidato ao mesmo tempo  novo  e  conservador.

Isto explica o empenho do Lula em impor o Fernando Haddad, que nem de longe tem a  cara do PT, mas se encaixa na imagem do  novo.

O PMDB também apostou numa figura de galã de telenovela, Gabriel Chalita.

O PSDB pensou que desse para maquilar o (hoje) conservador José Serra, fazendo-o parecer bem mais novo do que é. Botou-o para pedalar, para subir em skates, para bater pênaltis, etc., mas a mágica besta não funcionou: ele quase caiu do skate,  isolou  o sapato e mergulhou o ridículo, tornando-se o alívio cômico da campanha na internet.

Como já tinha a preferência  de cabresto  dos evangélicos zumbificados e dos videotas acostumados a vê-lo posar de paladino dos consumidores, o  novo conservador  para o qual o eleitorado está pendendo é Celso Russomanno.

Pior: com parcela substancial de votos tradicionalmente petistas.

Então, é hora de o PT fazer uma profunda reflexão sobre se compensou abandonar as candidaturas ideológicas e aderir às  candidaturas de consumo.

...encontraram:  esta imagem
atesta o acerto da escolha.
Antigamente, quem votava no PT era por acreditar nos ideais e posturas do PT. O partido era o fator decisivo.

Agora, o candidato petista é propagandeado da mesmíssima forma e faz as mesmíssimas promessas mirabolantes dos centristas, direitistas e dos meros fisiológicos. Não tem mais sequer os cabos eleitorais voluntários, precisa contratar tarefeiros.

Então, quando a figura não convence, como o insosso Haddad, o atual eleitorado petista migra insensivelmente para um antípoda ideológico como o Russomanno.

E, se um dia houver crise grave, nestes tristes trópicos em que o golpismo nunca se torna prática definitivamente sepultada, jamais lutará pelo governante que escolheu.

O grande Plínio de Arruda Sampaio certa vez colocou o dedo na ferida: valeu a pena o PT ter chegado à Presidência com o compromisso de manter intocada a política econômica neoliberal, ou seja, limitado a gerenciar os negócios capitalistas como um FHC o faria?

Da mesma forma, não seria melhor, vencendo ou perdendo a eleição, educar o eleitorado, tentando convencê-lo de que precisa, isto sim, de um  contestador, pouco importando se novo ou velho?  Pois, prostrando-nos desta forma aos humores momentâneos das massas, o que faremos quando a maré for fascista? Escolheremos um candidato que seja clone do Mussolini?!

Há dois milênios, Jesus Cristo já dizia que não: "O que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?" (Mateus, 26:16).

24.9.12

O QUE ESTARÁ EM JOGO NO 1º TURNO

Quando decidi disputar minha primeira eleição aos 62 anos --idade que já terei completado no 1º turno--, levei em conta fatores:
  • políticos, principalmente o imperativo de lutarmos contra o processo de fascistização em São Paulo, que tende a servir como modelo para todo o País;
  • pessoais, por tratar-se de uma oportunidade para furar o bloqueio macartista que a grande imprensa me impõe, como profissional e como personagem histórico; e
  • o caráter didático que minha campanha poderia ter, ao resgatar valores essenciais da esquerda da minha geração, hoje quase esquecidos.
Dei, p. ex., máximo destaque a algo que no passado era o óbvio ululante para revolucionários formados na tradição marxista ou anarquista: que nossa participação no Legislativo e Executivo, sob o capitalismo, tem caráter eminentemente tático, servindo para acumularmos forças e prepararmos a transição revolucionária, mas não se constituindo, jamais, num objetivo em si!

Só por ter chamado a atenção para esta postura fundamental, minha campanha terá valido a pena.

Igualmente importante está sendo a ênfase que dou à união da esquerda anticapitalista, pois hoje só conseguiremos exercer uma influência marcante no processo político se atuarmos como bloco. Seria exagero dizer que unidos venceremos, mas, com certeza, somando forças obteremos algumas vitórias, ponto de partida para sairmos da atual condição de coadjuvantes.

Desunidos, pelo contrário, perderemos todas as paradas. Rivalidades clubísticas pertencem ao universo das torcidas de futebol, não ao nosso. O que conta, para nós, é o objetivo maior de transformação da sociedade.

Neste sentido, proponho uma reflexão sobre as três candidaturas que encabeçam as pesquisas eleitorais.

Vencedor, José Serra manteria a parceria fascistizante com o governador Geraldo  Opus Dei  Alckmin. Seria mais do mesmo. Mais tropas de choque na USP, mais Pinheirinhos, mais pobres e doentes sendo escorraçados para favorecer os grandes empreendedores imobiliários (aqueles que financiam  generosamente  a campanha de quase todos os candidatos promissores do  sistema).

Celso Russomanno agregaria um componente ainda mais nefasto ao processo, além dos balões de ensaio totalitários que têm marcado os sucessivos governos dos tucanos e seus aliados: a emergência de um perigosíssimo populismo de direita. É um pesadelo pensarmos no que acontecerá se as más bandeiras estiverem sendo carregadas, na periferia e nos bairros pobres, pelo exército de zumbis cegamente submissos aos pastores eletrônicos.

Os vendilhões do templo, ao menos, limitavam-se a tocar seus negócios. A versão atual vai além, vandalizando templos umbandistas, perseguindo gays, querendo impor à sociedade uma tutela moral medievalista... e hostilizando a esquerda, como fez ao chantagear a presidente Dilma Rousseff. A bancada evangélica condicionou seu apoio ao projeto de criação da Comissão da Verdade à não participação de veteranos da resistência no colegiado. Jesus Cristo e sua vara estão fazendo muita falta...

Quanto a Fernando Haddad, que os companheiros da esquerda petista reflitam friamente: pode-se dele esperar uma firme oposição à escalada autoritária ou ficará no habital meio termo dos governos do PT no século 21? Ele é homem, p. ex., para desmontar o dispositivo de estado policial que Kassab sorrateiramente implantou, começando pela imediata exoneração dos 30 subprefeitos (num total de 31) que são oficiais da reserva da PM?

Então, repito minha exortação do 1º turno de 2010: quem vê no capitalismo o principal entrave à felicidade dos homens e a maior ameaça à sobrevivência da humanidade, tem de ser coerente, prestigiando os candidatos que assumem explicitamente posição contrária à desigualdade capitalista e favorável à transformação revolucionária: Carlos Giannazi (PSOL), Ana Luíza (PSTU) e Anaí Caproni (PCO).

Voto útil pode fazer sentido no 2º turno, para barrar uma candidatura nefasta como o foi a de José Serra e seu vice troglodita na última eleição presidencial, apoiada até pelas  viúvas da ditadura.

Mas, é importante priorizarmos, no 1º turno, o crescimento da esquerda autêntica em São Paulo, até para servir como estímulo à adoção de uma postura mais combativa por parte do próprio PT --o qual, vale lembrar, ficou devendo reações bem mais contundentes às  blitzkriegs  da dupla Alckmin/Kassab.

22.9.12

"F...-SE O MUNDO!" DEIXOU DE SER GRACEJO

Primeiro vieram os alertas de que as alterações climáticas convulsionariam o planeta, ameaçando a própria sobrevivência da espécie humana.

Depois, os que lucram com as práticas causadoras do aquecimento global e da dilapidação de recursos essenciais para continuarmos a existir, contra-atacaram com uma verdadeira blietzkrieg de propaganda enganosa. 

No capitalismo todos se vendem, até cientistas. Então, não foi difícil encontrar quem preferisse um bom saldo bancário do que boas perspectivas para  os pósteros. É a velha história do "eu não me chamo Raimundo". Mesmo quando "f...-se o mundo!" deixou de ser gracejo, tornando-se possibilidade concreta.

Veio Fukushima e poucos notaram que as inundações e terremotos causados pelos distúrbios do clima poderão ter efeito semelhante em qualquer usina nuclear do planeta. São bombas-relógio que armamos para nós mesmos.  Passamos tanto tempo temendo que o fim do mundo viesse com as superpotências iniciando uma guerra atômica e não nos demos conta de que a radiação poderá se abater sobre nós... por acaso.

Mas, os grandes poluidores e os grandes devastadores continuam auferindo grandes lucros. Já as chances de haver um século 22 deixaram de ser grandes e diminuem cada vez mais.

E ainda há quem acredite que uma campanha eleitoral deva centrar-se em miudezas paroquiais, quando deveríamos, isto sim, estar tentando deter a marcha da insanidade, na economia e no clima.

Eis um novo alerta, desta vez do colunista Marcelo Leite, da Folha de S. Paulo. Faz lembrar um filme agourento do mestre Robert Altman, Quinteto (1979), sobre os estertores da humanidade sob uma nova Era Glacial. Leiam e reflitam:
"Seis dias atrás, o oceano Ártico alcançou um recorde notado por pouca gente. A calota de gelo que flutua sobre ele, na região do polo Norte, encolheu para a menor área já registrada: 3,4 milhões de km² (para comparar, o território do Brasil tem 8,5 milhões de km²).
 ...são fortes os indícios (...) de uma tendência para sobrar cada vez menos gelo.
Essa tendência foi prevista por sucessivos relatórios do vilipendiado Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, nos quais se apontava que o aquecimento global seria mais rápido e intenso no hemisfério Norte. Só que as projeções do IPCC indicavam um Ártico livre de gelo no verão ali por 2100, e agora parece cada vez mais provável que esse evento descomunal ocorra já nesta década.

Por trás da aparente aceleração estaria o 'feedback positivo' temido por climatologistas, ou seja, uma tendência que se realimenta de si própria -uma reação em cadeia.

Menos gelo significa uma área menor de superfície branca para refletir a luz do sol, radiação que passa a ser absorvida pela água escura. Mais quente, o oceano forma menos gelo, e assim por diante.

...um Ártico sem gelo tumultuaria o clima no hemisfério Norte. Paradoxalmente, prevê-se que seus invernos fiquem mais rigorosos.

Por isso, se lá por dezembro ou janeiro caírem nevascas gigantes na Europa ou nos EUA, fique esperto com os murmúrios de que o aquecimento global é pura farsa".


TEXTOS RECENTES DO BLOGUE NÁUFRAGO DA UTOPIA (clique p/ abrir): O CANDIDATO MAIS HILÁRIO DE SAMPA: TIRIRICA-COVER
veja QUE IMUNDÍCIE!
É PROIBIDO PROIBIR AS CAÇADAS DO PEDRINHO

21.9.12

UMA CANDIDATURA CONTRA A FASCISTIZAÇÃO

"Agora vou terminar
Agora vou discorrer
Quem sabe tudo e diz logo
Fica sem nada a dizer"
(Gilberto Gil, Roda)

Restando apenas uma quinzena  de campanha eleitoral, chega a hora de dizer exatamente a que venho e por que nela estou. A sinceridade é sempre o melhor caminho.

Eterno otimista, durante o Caso Battisti eu superestimei o papel da internet como ferramenta para o bom combate. Pensei que continuaria obtendo a mesma repercussão nas lutas vindouras.

As decepções se sucederam: a ocupação militar da USP, que representa um retrocesso aos tempos nefandos da ditadura de 1964/85; a higiene social na Cracolândia, desumanidade a serviço da especulação imobiliária; e a barbárie no Pinheirinho, que em qualquer país civilizado acarretaria o impeachment do principal culpado, o governador do estado.

Parte da esquerda  não quis  reagir à altura, nos três episódios. Eu  muito tentei e me esforcei, mas não obtive resultados concretos. E estou com os três entalados na garganta até hoje.

Não só pelo que eles têm de incompatíveis com tudo em que acredito e com todos os valores que prego. Mas, também, por saber que são apenas a ponta de um iceberg. O perigo é muito maior do que a maioria supõe.

Desde o Cansei! venho alertando: São Paulo é o principal laboratório de testes e aprimoramento do totalitarismo que a extrema-direita gostaria de implantar no País.

As  viuvas da ditadura  e os   cuervos   por elas criados haviam participado, como efetivos secundários, da tentativa de impedimento do presidente Lula por conta do escândalo do  mensalão, como forma de evitar sua reeleição.

Quem conduziu o espetáculo, contudo, foram os tucanos, seus aliados e a imprensa que caninamente os serve. E se tratava apenas de  meio-golpe, objetivando não a instalação de uma ditadura, mas apenas a recondução ao poder, na eleição seguinte, dos derrotados em 2002.

Lula, contudo, segurou a onda.  E, logo no início do segundo mandato, a direita troglodita mostrou suas garras, tentando reeditar o figurino golpista de 1964 com uma versão 2007 da  Marcha da família, com Deus, pela liberdade. A partir daí, São Paulo assumiria a vanguarda... da incubação do ovo da serpente.

Do fiasco retumbante do Cansei! os golpistas extraíram a mesma lição de 1961 (quando a resistência do governador gaúcho Leonel Brizola e dos subalternos das Forças Armada frustrou o complô direitista para impedir a posse do vice-presidente João  Goulart): recuaram, reagruparam suas forças e estão se preparando bem melhor para a próxima tentativa.

Então, o que temos visto em São Paulo, nos últimos cinco anos, são sucessivos balões de ensaio para se testar a resistência da sociedade a um novo totalitarismo.

As sucessivas intimidações e vandalizações que os herdeiros de Erasmo Dias promoveram na USP saíram baratas.

O dantesco escorraçamento a pontapés dos dependentes químicos que vegetavam no centro velho, idem.

Mas, a brutal repressão da  Marcha da Maconha   pegou tão mal que os brutamontes fardados se viram obrigados a recuar, saindo moralmente derrotados.

O impacto ainda mais negativo do festival de arbitrariedades no Pinheirinho, culminando no sequestro de um idoso para que a imprensa não constatasse seu estado lastimável após o espancamento sofrido (a ponto de duas semanas depois ele falecer), deve ter feito soar um sinal de alarme no QG golpista. Estão sendo evitadas as ações que possam causar impacto equivalente.

O que não impede a Polícia Militar paulista de continuar atuando como força exterminadora, segundo o modelo sinistro do  mate primeiro e maquile depois!. Com o aval e defesa entusiástica do governador adepto do ideário do Opus Dei.

Os episódios de mortes de suspeitos por  alegada resistência à prisão  se multiplicam, com a cumplicidade da imprensa que não os denuncia como as chacinas que são. Em tiroteios reais há feridos e mortos, não apenas mortos. Quando todas as testemunhas morrem, é porque foram executadas. Simples assim.

O controle  (talvez seja melhor dizer  terror) policial nos bairros pobres chega a abater-se até sobre os inocentes saraus dos jovens, mais uma vez evocando os  anos de chumbo, quando as forças auxiliares da ditadura vandalizavam teatros e agrediam atores. 

E a existência de uma articulação mais ampla, direcionada para o estado policial, evidencia-se na insólita designação de oficiais da reserva da PM para gerirem 30 das 31 subprefeituras da capital paulista.

Quem conhece a cultura dessa corporação, satelizada pelas Forças Armadas durante o período do arbítrio, sabe muito bem o que isto representa. Até recentemente, sua unidade mais truculenta, a Rota, mantinha no portal do Governo paulista um elogio explícito ao golpismo, só o deletando sob vara da ministra de Direitos Humanos.

O dispositivo golpista já está montado em São Paulo, devendo servir como modelo para outras cidades e estados. A oportunidade golpista, contudo, ainda não surgiu.

Pode demorar  anos --foram quase três, entre o fracasso de agosto/1961 e o sucesso em abril/1964-- ou nem sequer se apresentar. A desconstrução da imagem do PT a partir do julgamento do  mensalão  talvez torne desnecessária uma virada de mesa; os grupos cujos interesses estão sendo contrariados poderão, eventualmente, atingir seus objetivos pela via eleitoral.

Mas, não é confortável vivermos com uma lâmina de guilhotina pendente sobre a cabeça.

Então, o sentido maior da minha candidatura é este: tendo a internet sido insuficiente para esmagarmos o ovo de serpente que incumbaram em São Paulo, tanto que o ofídio não só nasceu como se fortalece cada dia mais, resolvi ir à luta em outras frentes. Pois assumo como minha grande missão atuar com eficiência e contundência contra esta ameaça que tenho visto crescer e já fazer bastante mal, além de prenunciar ocorrências muito mais graves. 

Mas, perguntarão os leitores, por que eu? Não sou o candidato de esquerda mais douto, nem o mais enraizado nos movimentos sociais, muito menos o mais popular --admito-o francamente.

No entanto, por um destino insólito, tive de lutar sozinho durante muito tempo e aprendi a travar batalhas de opinião nas circunstâncias mais adversas, seja para salvar em 1986 os  quatro de Salvador  que faziam greve de fome sem o apoio de quase ninguém, seja para obter em 2005 uma anistia à qual tinha pleno direito mas a União teimava em postergar, seja para restabelecer a verdade histórica a meu respeito.

Foi a experiência acumuladas nestas e outras batalhas que me ensinaram a encontrar o foco certo em termos jurídicos e a palavra certa para sensibilizar as pessoas imbuídas de espírito de justiça. 

Quem acompanhou o Caso Battisti deve lembrar-se que eu tinha visão clara do rumo que os acontecimentos tomariam e a utilizava para propor as linhas de ação mais adequadas para nosso comitê de solidariedade.

Acostumado a travar lutas desiguais, rechaçava o sectarismo,  tudo fazendo para agregar todos os bons cidadãos à nossa causa. A união foi essencial para nocautearmos um inimigo do 1º mundo e todos os seus quinta-colunas no Brasil (principalmente na imprensa, cuja tendenciosidade atingiu o paroxismo). Éramos poucos, éramos fracos, mas soubemos nos aglutinar e dar sempre os passos certos.

Não podemos nos associar aos inimigos de classe, mas são admissíveis e justificáveis as alianças táticas com forças pertencentes ao campo da esquerda ou que tenham uma tradição de esquerda, desde que o objetivo do momento seja comum.

Então, como participante de uma bancada de esquerda que tenderá a ser minoritária, acredito poder dar contribuição destacada para estimular a união das forças progressistas, denunciar/atrapalhar as maracutaias dos poderosos, desencavar razões legais para colocar suas políticas em xeque e fazer com que tais questões repercutam na sociedade, trazendo a opinião pública para nosso lado.

O que me manteve vivo, depois da derrota trágica nos anos de chumbo,  foi a esperança de ainda contribuir para que frutificassem os ideais da minha geração, em nome dos quais tantos companheiros imprescindíveis foram martirizados ou destruídos.

Preparei-me durante quatro décadas para o papel que me proponho a desempenhar na luta contra a fascistização; mas, travá-la em melhores condições e com mais visibilidade, dependerá da confiança e do apoio que receber dos companheiros. 

É o último apelo que lanço pois tudo que eu tinha para dizer, está dito.

E a sorte, lançada.

19.9.12

'ENEM' COMO CANDIDATO O HADDAD DEIXA DE SER TRAPALHÃO

O problema do Haddad é ainda não
ter encontrado os parceiros ideais
O PT, quem diria, esqueceu a própria trajetória de partido que cresceu de eleição em eleição embora sua visibilidade na mídia fosse muito menor que a das agremiações de centro e direita.

Por um punhado de segundos a mais no horário eleitoral de São Paulo, o seu símbolo primordial, o ex-presidente Lula, pagou o mico de posar para repulsivas e criticadíssimas fotos na Mansão Maluf.

O candidato Fernando Haddad, por sua vez, além do constrangimento de ser zoado como a  Dona Flor  de dois improváveis  maridos, ainda viu bater asas a vice ideal, Luíza Erundina, que seguiu os ventos da dignidade.

Agora, na tentativa de tirar do ar uma rotineira propaganda adversária, nova catástrofe em termos de comunicação!

A peça tucana vincula Haddad a José Dirceu, Delúbio Soares e Paulo Maluf. "Sabe o que acontece quando você vota no PT? Você vota, ele volta", diz o narrador, a cada foto de  vilão  exibida.

Na política, a falta de perspicácia
produz invariavelmente este resultado
O advogado petista, como um rinoceronte na loja de cristais, produziu um estrago muito maior do que o ganho almejado, ao queixar-se ao TRE nos seguintes termos:
"A publicidade é manifestamente degradante porque promove uma indevida associação entre Fernando Haddad e pessoas envolvidas em processos criminais e ações de improbidade administrativa.

Sempre que [Haddad] teve poder de nomeação [quando era ministro], nunca nomeou Delúbio, Maluf ou Dirceu.

Se tais pessoas jamais foram nomeadas por Fernando Haddad, o que sobra então a intenção dessa propaganda? Sobra a intenção de degradar através da associação da imagem do candidato às pessoas que surgem na tela".
Em termos práticos, o resultado foi ele receber um calaboca do juiz:
"...não se há que falar em degradação e ridicularização quando se estabelece a ligação entre o candidato e outros filiados a seu partido ou a partido coligado, ligação esta de conhecimento público e notório.
Expor-se ao ridículo é crime
sem perdão na era da internet
Da mesma forma que um candidato pode ser beneficiado pelo apoio de correligionários bem avaliados pela população, pode ele ser prejudicado pela associação feita a políticos não tão bem avaliados".
Em termos políticos, a sua patética ingenuidade rendeu uma manchete intriguenta da Folha de S. Paulo, que trombeteou: Haddad diz que associá-lo a Zé Dirceu é degradante.

Isto porque o advogado do PSDB, ao ser comunicado da ação, deve ter corrido a alertar os dirigentes sobre a vacilada; e estes devem ter corrido a oferecer o  furo  à Folha.

Como o  padrinho  Lula terá recebido a informação de que seu  afilhado  jamais nomearia Zé Dirceu e Delúbio (que ele nomeou) e Maluf (cujo apoio ele buscou)? Conhecendo bem o pupilo, deve ter pensado com seus botões que, quem é burro, pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue...

Para os petistas que ignoram como essas coisas se passam, Haddad parecerá um traíra que abandona os companheiros em desgraça.

Para os mais perspicazes, um bobalhão que não controla direito sua campanha, dando trunfos de mão beijada ao inimigo.

O que não passaria de uma reprise das trapalhadas por ele cometidas ao organizar o Enem...

15.9.12

A ELEIÇÃO PAULISTANA ESTÁ SENDO UM TRIÂNGULO DAS BERMUDAS

O quadro eleitoral em São Paulo é desalentador.

O cavalo de Tróia das  empresas  (ou seria melhor dizer  gangues?) que atuam no mercado religioso encaminha-se para o 2º turno, já que as duas máquinas políticas mais poderosas desistiram de o tentarem derrubar desde já.

vira-casaca  e o  bebê de proveta  lançam sua munição mais pesada um contra o outro, apostando nas muitas vulnerabilidades do  explorador da fé acidental. Acreditam que, chegando lá, o vencerão facilmente no confronto final.

É uma aposta arriscada e que, no passado, muitas vezes teve resultados catastróficos --como catastrófica indubitavelmente seria a afirmação dos neopentecostais como força política de primeira grandeza, consequência óbvia se o tiro sair pela culatra.

A última chance de escaparmos deste  triângulo das Bermudas  são os debates eleitorais.

Se algum dos restantes sair-se muito bem, poderá atropelar na reta final, aproveitando a evidente falta de entusiasmo do eleitorado com o  bobo, o  mau  e o  feio  (a identificação com o filme famoso de Sergio Leone só não é total porque nem mesmo na acepção sarcástica do mestre do bangue-bangue à italiana o Fernando Haddad poderia ser considerado  bom, embora caia como uma luva quanto à maldade do Russomanno e à feiúra do Serra...).

Torço para que o companheiro Carlos Giannazi assuma-se como o candidato realmente antípoda do  sistema, a exemplo do Lula dos bons tempos. Assim, na pior das hipóteses, deixará sua marca impressa em cores vivas; e, para nós, a luta não acabará em outubro nem em novembro. Trata-se apenas de uma batalha e o que queremos é ganhar a guerra.

Que Giannazi, enfim, marque a diferença em termos ideológicos, pois jamais vai conseguir grande destaque numa disputa de quem virá a ser o melhor administrador em termos convencionais. Aí prevalecem inevitavelmente os que têm mais tempo no horário eleitoral e maior exposição na mídia.

A chance que lhe resta é uma só: convencer os eleitores de que se trata do único capaz de resgatar São Paulo das garras dos poderosos, evitando que a administração municipal continue priorizando negócios & negociatas em detrimento dos cidadãos.

Para quem sabe das coisas, trata-se do óbvio ululante. Os debates serão a última oportunidade para o Giannazi tornar o eleitorado ciente disto.

13.9.12

AINDA NÃO CONSIDERO CUMPRIDA MINHA MISSÃO

São Paulo, setembro de 2012.

Prezado eleitor,

não estranhe se for eu mesmo, candidato a vereador de São Paulo, que estiver lhe entregando esta mensagem. Minha campanha é humilde e feita com muita dificuldade, como costumam ser as dos candidatos que não se comprometem a, eleitos,  retribuírem  as doações recebidas dos ricos e poderosos.  

Sei que despejam propaganda política demais na vossa cabeça; mas, humildemente, peço uns minutinhos de atenção. Pois o que lerá aqui não são falsas promessas nem frases feitas. É uma história de vida.

Disputo a primeira eleição já sexagenário, mas meus ideais vêm de muito longe: aos 16 anos eu já discutia com meus colegas de escola formas de ajudarmos os melhores brasileiros a resistirem à ditadura mais bestial que este país já conheceu.

Tornei-me líder secundarista e, quando os golpistas de 1964 passaram a responder aos protestos pacíficos com assassinatos e torturas terríveis, não recuei: ao lado de sete jovens companheiros, ingressei no movimento de resistência armada ao despotismo que fora instalado pelas armas.

Mas, o que poderiam fazer uns tantos idealistas destreinados e mal armados contra aqueles que, além de terem as armas como instrumentos do seu ofício, contavam com esmagadora superioridade em efetivos, armamento e recursos? Dos oito que éramos, dois acabaram mortos; cinco, fomos presos e barbaramente torturados; e uma escapou ilesa, mas, traumatizada pela perda do marido e perseguições sofridas, nunca mais seria a mesma.

Quando enfim me libertaram, tive de reconstruir minha vida nas piores condições, com uma lesão permanente e várias sequelas, ameaçado, vigiado, estigmatizado.  

Mesmo assim fiz longa carreira jornalística e continuei sempre defendendo as bandeiras que norteiam minha existência: liberdade e justiça social.

Até que os barões da imprensa, incomodados com minhas verdades, me privaram do direito de trabalhar nas suas redações e até de ser citado em suas publicações. Mas, limitado à internet, minha influência até cresceu e eu pude dar boa contribuição para várias causas; orgulho-me de, como defensor dos direitos humanos, haver evitado graves injustiças e ajudado a salvar pessoas valorosas.

Ainda não considero cumprida minha missão, nem completo o legado que quero deixar às minhas filhas, netos, e ao meu povo.

A São Paulo dos meus sonhos não é esta de qualidade de vida tão ínfima, de transporte tão infernal e de tamanho descaso com as necessidades e direitos mais elementares dos cidadãos -- palco, ademais, de episódios chocantes como o de coitadezas sendo escorraçados a pontapés  (ao invés de civilizadamente tratados da dependência química que os está levando à morte) porque atrapalham grandes empreendimentos imobiliários.

Admito sinceramente que o maior problema paulistano não pode ser solucionado por prefeitos e vereadores: é o fato de que aqui os interesses individuais prevalecem sobre os coletivos. Numa sociedade regida pela ganância em detrimento do bem comum, jamais a população será respeitada como merece.

Mas, a administração pública não precisa ser tão medíocre e desumana como a atual; nem os representantes do povo, tão traidores do povo.

Então, sem demagogia nem planos mirabolantes, eu apenas me proponho a continuar fazendo o que fiz durante toda a minha vida adulta: defender os direitos e os interesses dos humildes, contra a gula insaciável e as infames maquinações dos poderosos.    

Pode parecer pouco, em relação ao que tantos  prometem. No entanto, é bem mais do que eles  entregarão.

Ficarei muito grato se merecer o vosso apoio.

Cordialmente,

Celso Lungaretti

12.9.12

"PALAVRA DE HOMEM RACHA, MAS NÃO VOLTA DIFERENTE"

Consiga ou não eleger-me, a minha campanha deixará o legado de ter colocado em xeque os valores e procedimentos adotados pelos candidatos durante a temporada de caça aos votos, ajudando a definir parâmetros políticos e éticos para as candidaturas progressistas.

Dois dos principais: 
  • defendo que nos vejamos, acima de tudo, como integrantes da esquerda anticapitalista, e não de tal ou qual partido (nossos ideais comuns, que remontam a Marx e Proudhon, estão infinitamente acima da mentalidade clubística); 
  • e que nos apresentemos francamente ao eleitorado como REVOLUCIONÁRIOS que tudo faremos para minorar o sofrimento dos cidadãos sob o capitalismo, mas deixando claro que as soluções reais e as conquistas definitivas só virão com uma transformação maior da sociedade.
Candidaturas e mandatos nos servem, TATICAMENTE, para a acumulação de forças. Não temos o direito moral de igualarmo-nos aos farsantes que prometem mundos e fundos para elegerem-se, como se medidas circunstanciais fossem sanar mazelas estruturais.

O capitalismo está podre até a medula e é o obstáculo primordial à felicidade dos homens. Não será no Executivo e no Legislativo atuais que desataremos esse nó, embora tenhamos a obrigação de honrar nossos mandatos, bem representando e defendendo incansavelmente os trabalhadores, os excluídos, os injustiçados, os humilhados e ofendidos.

Afora estas grandes coordenadas, que nada mais são do que a recolocação de valores assumidos por boa parte da esquerda no tempo em que eu iniciava minha jornada, há as lições que estou extraindo desta campanha.

Nos últimos dias, p. ex., recebi a mensagem de que o movimento Ciclocidade exige que imprimamos, assinemos e lhe enviemos pelo correio um termo de comprometimento com suas metas, como condição para figurarmos na lista de apoiadores e nossas candidaturas serem por ele divulgadas.

Tenho tudo a ver, claro, com as propostas de priorização do transporte alternativo e de restrição do uso egoísta do espaço público. E minha posição já foi publicamente exposta em artigos como este, este e este.

Mas, minha história de vida é a de quem jamais trilhou os caminhos convenientes, sempre preferindo os da consciência. Não será aos 61  anos que vou transigir com imposições desse tipo.

Candidatos do sistema assinam às dúzias tais compromissos e depois dizem que não passavam de um  papelzinho  sem importância --está aí o Serra, que não me deixa mentir.

Como revolucionário, recuso-me a ser colocado nessa vala comum e a concordar com qualquer um que me veja como merecedor da  desconfiança organizada  dos cidadãos.

Também me causa total repugnância a idéia de toma-lá-divulgação-dá-cá-assinatura implícita nesse procedimento. Não faço trocas, defendo ideais. E quem já correu risco de vida e de destruição física/psicológica para os defender merece RESPEITO.

Mas, cansado das querelas sem fim a que os homens de princípio somos arrastados nestes melancólicos tempos presentes, tentei ser flexível na minha resposta.

Primeiramente, como é obrigatório, fixei minha posição: "...considero inadequada a assinatura compulsória de um termo de compromisso. Sou do tempo em que a palavra de um homem valia alguma coisa. E tenho uma história de vida que deve, ou deveria, inspirar credibilidade".

Eis um candidato muito bom p/
assinar termos de compromisso
Depois, deixei uma saída honrosa para ambas as partes: "...peço que me coloquem na lista dos apoiadores independentemente dessa formalidade. Como faço minha campanha sozinho e sou idoso, reivindico alguma compreensão. Já nem me lembro mais da última vez que enfreitei fila de agência de correio".

Ou seja, poderiam, se quisessem, abrir mão da exigência por eu ser idoso e não por concordarem comigo.

Não quiseram: "...realmente temos que exigir esta mínima e simples formalidade da carta assinada e enviada pelos correios. Como ainda estamos com bastante tempo até a data final, não é necessário enfrentar fila, basta selar o envelope e depositar em uma caixa de correios".

Só me restou a via da franqueza:
"...quem é incapaz de abrir exceções a regras burocráticas é igualmente incapaz de construir uma sociedade diferente, em que as necessidades humanas e o bem comum sejam a medida de todas as coisas. Na nossa vida, só a morte é inexorável. Todo o resto podemos mudar.

Não sei se você se sentirá bem deixando de fora de sua relação de apoiadores alguém que é personagem histórico, tem uma vida inteira de lutas nas costas e é um defensor consciente (não oportunístico) de suas bandeiras.

Mas, eu não me sentiria bem curvando-me a uma imposição destas, pois sempre as recuso...

...se, por milagre, for eleito, defenderei melhor do que ninguém as ciclovias... independentemente da postura paradoxal que vocês terão adotado".
Referindo-me ao  papelão  do Serra no episódio do  papelzinho, citei recentemente um verso lapidar do Tom Zé: "Palavra de homem racha, mas não volta diferente".

Palavra de revolucionário, mais ainda.

"ESTAMOS VIAJANDO A GALOPE EM DIREÇÃO À IDADE MÉDIA"

Com indesculpável atraso, acabo de tomar conhecimento da MELHOR análise sobre o fenômeno Russomanno publicada nas  tribunas  conceituadas (avalio a minha como  alternativa): a de Alberto Dines (foto),  lenda  viva da  resistência  jornalística brasileira 
à ditadura militar.

Recomendo com entusiasmo e subscrevo cada palavra.

NINGUÉM TENTA EXPLICAR O 
"MILAGRE" RUSSOMANNO 

É jovem (56 anos), viúvo, razoável pinta, arrumado, verbo solto, experimentado repórter de TV (no popularíssimo Aqui, Agora, do SBT). Já teve votações espetaculares como deputado federal, a primeira em 1994 (pelo PSDB). Depois de tucano experimentou ser corvo de Paulo Maluf, agora é uma águia macedista, alado seguidor do bispo Edir Macedo, imperador do PRB e da Igreja Universal do Reino de Deus.

Celso Russomanno lidera com folga há algumas semanas a disputa pela prefeitura paulistana onde enfrenta simultaneamente, e sem estresse, duas feras eleitorais – José Serra e Lula da Silva.

Opinionistas, politólogos, musas acadêmicas, pesquisólogos e especialistas em eleições acham que o fenômeno não se aguenta nas pernas, e talvez por isso sequer tentam interpretações mais originais para explicá-lo. Já se falou em desgaste da polarização PT-PSDB, em cara nova, neopopulismo, cacarequismo, nova classe média etc., etc. As acusações de corrupção, falsidade ideológica e outras tantas do Código Penal não colam em Russomanno.

Poucos analistas se animam a tocar na explicação fundamental: a formidável politização da religião. Não é a defesa do consumidor que dá robustez à candidatura de Russomanno. É o apoio da maior organização evangélica neopentecostal da América Latina – e talvez a maior do mundo.

Rumo ao passado

A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) é uma potência política, econômica, midiática. Edir Macedo, seu fundador, é incomparavelmente mais poderoso do que foi o reverendo coreano Sun Myung Moon, apóstolo da Igreja da Unificação, falecido há dias.

Mesmo que Mitt Romney seja eleito presidente dos EUA e convertido em líder de uma superpotência mundial, Edir Macedo continuará como papa de uma congregação global articulada pelo fanatismo e pelo fundamentalismo.

Colocar Russomanno no centro de uma guerra santa é temerário, mas talvez seja exatamente este o tríplice sonho de Edir Macedo – ser perseguido pela Santa Madre Igreja, desembaraçar-se de Lula e aniquilar a grande imprensa que tanto o incomoda. Isso explica a superficialidade das análises midiáticas sobre a arrancada de Celso Russomanno. Melhor fingir de avestruz, comer areia, do que enfrentar as manadas das seitas político-religiosas iluminadas por holofotes de neon.

Falar no poder da IURD significa trazer para a ribalta o poder recôndito do Opus Dei, hoje um dos polos do poder político brasileiro que a esquerda teima em ignorar e à direita não interessa badalar.

Estamos viajando a galope em direção à Idade Média. Seu ícone, bem penteado e bem vestido, não precisa de novas mídias nem de redes sociais; sua força está contida numa mensagem de apenas 19 caracteres: votem em Russomanno. (Fonte: Observatório da Imprensa)

11.9.12

KAFKA É AQUI

Quem acompanha minha trajetória, sabe que fui levado à penúria e quase tive minha vida destruída em 2004/5, por conta da INÉPCIA, ARROGÂNCIA, DESCASO e/ou PERSEGUIÇÃO de várias burocracias do Estado.

Seja por minhas convicções políticas, seja por estar sempre contestando consistentemente as decisões de funcionários que acreditam estar acima do Bem e do Mal, seja por coincidências e azares, o certo é que o raio, no meu caso, cai sempre no mesmo lugar.

Quando consegui fazer prevalecer meu direito na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e lancei um livro que me valeu alguma notoriedade, acreditei que tivesse deixado esse passado sofrido  para trás.

Ledo engano! Voltei a ter problemas de todo tipo, sendo, p. ex., INJUSTIÇADO CLAMOROSAMENTE pela Receita Federal, que decidiu contra mim uma pendência em que a outra parte era um ÓBVIO SONEGADOR, o qual me lesara e a muitos outros, fazendo-nos arcar com os tributos que a ele cabiam.

O pior de tudo está sendo a absurda morosidade do processo com que tento obter no STJ um direito LÍQUIDO E CERTO, que já foi reconhecido em vários outros casos idênticos. 

Quando a maratona chegava ao fim, com o único desfecho juridicamente plausível, uma decisão estapafúrdia do novo relator fez os trâmites retroagirem a uma etapa há muito superada, acolhendo argumentação que o titular anterior já havia rechaçado e, no julgamento de mérito, nove ministros, por unanimidade, desconsideraram. Um sozinho, mal acabado de chegar, desfez o que seus colegas fizeram ao longo de quatro anos!

Então, como a atual Lei do Inquilinato é 100% desequilibrada em favor dos locadores, que podem pedir um imóvel apenas porque querem, sem darem justificativa nenhuma e passando por cima do direito de idosos e crianças à moradia, vejo-me diante do imperativo de desocupar meu lar até o último dia do ano e sem ter como o fazer, já que a lentidão do STJ (mandado de segurança inconcluso depois de 68 meses é uma aberração, um estupro do direito do cidadão à Justiça!) priva-me dos recursos de que tanto necessito neste instante.

Mesmo assim, toco adiante minhas lutas, pois elas sempre foram o foco principal da minha existência.

Pois não é que até na campanha eleitoral me choco com barreiras estapafúrdias?!

Por uma questão de princípio, decidi não privar minha família dos recursos tão escassos neste instante. Invisto meu tempo e meus esforços, mais nada.

Pensei em apenas imprimir alguns folhetos e distribuir pela cidade. E, tendo recebido duas pequenas doações de campanha, preparava-me para xerocopiar a primeira leva, no melhor estilo artesanal.

Na semana passada, contudo, trombei com um gerente irredutível da Caixa Econômica Federal: ele acredita que as contas jurídicas eleitorais estejam submetidas às mesmas regras das jurídicas comuns e só admite liberar talão de cheques (único meio admitido de movimentação de uma conta eleitoral) havendo um depósito mínimo de R$ 500!

Apelei várias vezes à ouvidoria da CEF, por e-mails, mensagens no Fale Conosco e telefonema, lembrando o que dispõe a Lei nº 9.504, de 30/09/1997: 
"Art. 22:

§ 1º Os bancos são obrigados a acatar o pedido de abertura de conta de qualquer partido ou candidato escolhido em convenção, destinada à movimentação financeira da campanha, sendo-lhes vedado condicioná-la a depósito mínimo."
A redação do § 1º do Art. 22 foi modificada pela Lei nº 12.034, de 29/09/2009, tornando-se mais explícita ainda:
"Art. 22:

§ 1º Os bancos são obrigados a acatar, em até 3 (três) dias, o pedido de abertura de conta de qualquer comitê financeiro ou candidato escolhido em convenção, sendo-lhes vedado condicioná-la à depósito mínimo e à cobrança de taxas e/ou outras despesas de manutenção."
Ou seja, fica claríssima a intenção do legislador de não colocar nenhum tipo de obstáculo ao pleno exercício da democracia --o que, sem dúvida, ocorrerá se for estabelecida uma diferenciação entre os candidatos com doadores pródigos e os candidatos que recebem as parcas doações dos pobres.

De nada adiantou. A ouvidoria parece disposta a gastar até o último dia, dos 15 (!!!) que se reserva para analisar os casos a ela submetidos. Se não está apta a dar soluções urgentes para questões urgentes, de que serve, afinal?!

Também me queixei ao TSE e a resposta foi patética: aconselharam-me a recorrer à ouvidoria da CEF!

A arraigada tradição autoritária brasileira, expressa no olímpico descaso com que os cidadãos são tratados pelas grandes organizações, serve como combustível para a carreira de espertalhões como Celso Russomanno.

É fácil passar-se por D. Quixote quando os moinhos são mesmo dragões. Um povo indefeso acaba não distinguindo os defensores interesseiros daqueles que realmente se preocupam com ele; fica grato a quem lhe concede, como CARIDADE, o que na verdade é DIREITO.

Sem o beneplácito dos poderosos e sua mídia (muito pelo contrário!), SÓ ME RESTA DAR UM EXEMPLO PESSOAL DE DEFESA DOS DIREITOS QUE TODOS TEMOS, POUCOS CONHECEM E SÃO MENOS AINDA OS QUE SABEM COMO OS EXIGIR. 

Mesmo que várias vezes acabe prejudicado e injustiçado. Mas, eu não saberia viver de outra maneira. 

Num país mais kafkiano ainda do que a Áustria-Hungria de Kafka, escolho ser um Joseph K. que não se resigna à força maior e luta sempre até o fim.

P.S.: na tarde de 4ª feira, 12, a Ouvidoria da CEF me comunicou que o talão estava ao meu dispor.
Related Posts with Thumbnails

Arquivo do blog

NUVEM DE TAGS

: apedrejamento ...memória não morrerá 1968 1ª Guerra Mundial 1º de maio 3º mandato 7 de setembro A Barca do Sol A Marselhesa Abílio Diniz aborto Abradic Abraham Lincoln aburguesamento abuso de poder ACM Adail Ivan de Lemos Adhemar de Barros Adolf Hitler Adriana Tanese Nogueira Adriano Diogo Aécio Neves África do Sul agiotagem AGU Ahmadinejad AI-5 aiatolá Khomeini ajuste recessivo Aladino Felix Albert Einstein Albert Speer Alberto Dines Alberto Goldman Alberto Piovesan Alberto Torregiani Alberto Youssef Alckmin Aldo Rebelo alerta Alexandre Padilha Alexandre Vannuchi Leme Alfredo Stroessner Ali Kamel Alice Cooper ALN Aloysio Nunes alterações climáticas Alvarenga e Ranchinho Alvaro Uribe Ana Luíza Anai Caproni anarquismo André Esteves André Mauro Andre Ristum André Singer Andy Warhol Angela Merkel Angelo Longaretti Angra anistia Anistia Internacional Anita Garibaldi Anita Leocadia ano novo anos de chumbo Antônio Conselheiro Antonio Nogueira da Silva Filho Antonio Palocci Antonio Patriota Antonio Prestes de Paula Antônio Roberto Espinosa Ao Pé do Muro Aparicio Torelly Aparício Torelly apartheid apedrejamento Apollo Natali Apolônio de Carvalho aquecimento global Araguaia arapongas arbítrio Arena Armando Monteiro arrocho fiscal Arthur José Poerner Ary Toledo asilo político Assange atentado do Riocentro atentado do WTC Átila Augusto Boal Augusto Pinochet Auriluz Pires Siqueira autoritarismo Ayres Britto Ayrton Senna Baia dos Porcos Baía dos Porcos bairro da Mooca bairro do Bixiga Banco Santos bancos Barack Obama Bartolomeo Vanzetti Bashar al-Assad basquete Batalha de Itararé Battisti Baú do Celsão BBB beagles Benito Di Paula Benito Mussolini Bento XVI Bertold Brecht Bertold Brecht Bíblia bicicletas Biggs Bill Clinton Billy Wilder biografias não autorizadas black blocs blogues BNDES Bob Dylan Bobby Sands bolchevismo Bolívia bolsa-agronegócio bolsa-banqueiro bolsa-empresário bombeiros Boris Casoy boxe Bradesco Bradley Manning Brasil: Nunca Mais Brigadas Vermelhas Brilhante Ustra Bruce Lee Bund Cabo Anselmo cabo Povorelli caça às bruxas Caco Barcellos Caetano Veloso Caio Túlio Costa Câmara Federal Camboja Campo Salles Cansei Canudos Capinam capitalismo Capitão Guimarães Caravaggio Carlinhos Cachoeira Carlos Brickmann Carlos Drummond de Andrade Carlos Franklin Paixão de Araújo Carlos Gardel Carlos Giannazi Carlos Heitor Cony Carlos Lacerda Carlos Lamarca Carlos Lungarzo Carlos Marighella carnaval Carrefour Carta Capital CartaCapital Carvalho Pinto Casa da Morte de Petrópolis Casal Nardoni casamento civil igualitário Caso Dreyfus Caso Isabella Caso Santo André cassação Cássio Castello Branco Castro Alves CBF CCC CDDPH CDHM celibato Celso Amorim Celso Bandeira de Mello Celso Daniel Celso Luiz Pinho Celso Lungaretti Celso Russomanno censura Cesar Benjamin César Roldão Vieira Cesare Battisti cesárea Cezar Peluso Chael Charles Schreier Charles De Gaulle Charles Dickens Charles Elbrick Charles Gordon Charles Manson Charlie Hebdo Che Guervara Che Guevara Chernobil Chico Buarque Chico de Assis Chico Mendes Chico Whitaker Chile China CIA Cícero Araújo cinema cinemas de bairro Cisjordânia Claudio Abramo Cláudio Antônio Guerra Cláudio Humberto Cláudio Marques cláusula de barreira Clécio Luís Clint Eastwood Clive Barker Clóvis Rossi Clube Militar colégios militares Colina Colômbia Comissão da Verdade Comissão de Anistia Comissão de Direitos Humanos Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos Comuna de Paris comunismo Conare Congresso Nacional contestação Copa das Confederações Copa do Mundo Coréia do Norte Corinthians Coronel Telhada corrupção Corte Interamericana de Direitos Humanos cotas raciais CPEM CPI CPMF cracolândia crime contra a humanidade Criméia Almeida crise dos mísseis cubanos Cristiano Machado Cristina Kirchner Crivella Cuba Cunha Lima curandeirismo Curió CUT D. Flávio Cappio D. Helder Câmara D. Paulo Evaristo Arns D. Pedro I D.Flavio Cappio Dª Solange Dalmo Dallari Dalmo de Abreu Dallari Dalton Rosado Daniel Dantas Dante de Oliveira Darcy Rodrigues David Goodis Delcídio do Amaral Delfim Netto Delúbio Soares DEM Demétrio Magnoli democracia democracia burguesa deportação Desafia o Nosso Peito desemprego desigualdade econômica desigualdade social Devanir de Carvalho Dia das Mães Dia dos Pais Dia Mundial do Rock Dilma Dilma Rousseff Diógenes Carvalho Diogo Mainardi Diogo Salles Direito à Memória e à Verdade direito ao trabalho direitos humanos direitos previdenciários direitos trabalhistas diretas-já dissidentes cubanos ditabranda ditadura ditadura argentina Django DOI-Codi Dolores Ibarruri dominicanos dona Solange Donald Trump Dulce Maia Dunga Edemar Cid Ferreira Eder Jofre Edgar Allan Poe Edifício Joelma Edir Macedo Ednardo D'Ávila Melo Edu Lobo Eduard Bernstein Eduardo Campos Eduardo Cunha Eduardo Gomes Eduardo Leite Eduardo Sabóia Eduardo Suplicy educação religiosa Edward Snowden eleições eleições 2010 Eleições 2012 eleições 2014 eleições 2016 Eleonora Menicucci de Oliveira Eliane Cantanhêde Eliane Cantenhêde Elio Gaspari Elis Regina Eliseu de Castro Leão embargo econômico emenda fiscal Emerson Emerson Fittipaldi Emílio Médici Emir Sader Enéas Carneiro ensino entulho autoritário Enzo Peri episódio algoz e vítima Epoca Época Equador Erasmo Carlos Eremias Delizoicov Eric Hobsbawm Ernesto Geisel Ernst Jünger Escola Base escracho escravidão Espanha espionagem espontaneísmo esporte estado Estado Islâmico Estado Novo Estatuto do Idoso estelionato ETA etanol Ethel Rosenberg EUA Eurico Gaspar Dutra eutanásia Evo Morales ex-presos políticos execuções exército extradição Fabiana Leibl Fábio Konder Comparato Fábio Konder Comparato Fabrício Chaves Facebook Falha de S. Paulo fanatismo fanatismo religioso Farc fascismo fator previdenciário Fausto De Sanctis Fausto Silva favelas FBI Federico Fellini Feira do Livro de Frankfurt Felipão Fernando Claro Fernando Collor Fernando Gabeira Fernando Haddad Fernando Henrique Cardoso Fernando Lugo Ferreira Gullar festivais de MPB FHC FIC Fidel Castro Fiesp Filinto Muller Fino da Bossa Florestan Fernandes flotilha FMI Folha de S. Paulo Força Pública Foro de São Paulo Francis Ford Coppola Francis Fukuyama Francisco 1º Francisco Foot Hardman Francisco Franco Franco Nero François Mitterrand Franz Kafka Fred Vargas Fred Zinneman Friedrich Engeles Friedrich Engels Friedrich Nietzche Fukushima Fukuyama futebol Gabeira gabinete de crise Gabriel Chalita Gal Costa Garrincha Gastone Righi gay gays Gaza General Maynard Gengis Khan genocídio George Harrison George Hilton George Orwell George W. Bush Geraldo Alckmin Geraldo Vandré Gerlaod Alckmin Gerson Theodoro de Oliveira Getúlio Vargas Gianfrancesco Guarnieri Giannazi Gilberto Carvalho Gilberto Dimenstein Gilberto Freyre Gilberto Gil Gilberto Kassab Gilmar Mendes Gilmar Rinaldi Gilson Dipp Giocondo Dias Giordano Bruno Giuseppe Lampedusa Glauber Rocha globalização Glória Kreinz Goethe Golbery do Couto Silva Goldman Goldstone goleiro Bruno golpe de 1964 golpe de 1964 x 50 anos golpismo governo de união nacional Grace Mendonça Grécia Gregório Bezerra Gregório Duvivier Gregório Fortunato greve de fome greve geral de 1917 Grigori Zinoviev Guantánamo Guarda Civil guerra civil guerra da lagosta Guerra do Vietnã Guerreiro da Utopia guerrilha guerrilha do Araguaia guerrilha do Vale do Ribeira guerrilha urbana Guilherme Boulos Guilherme Fariñas hackers Harry Shibata Heleny Guariba Hélio Bicudo Helleny Guariba Henfil Henning Boilesen Henrique Lott Henrique Meirelles Henrique Pizzolatto Henry Sobel Heraldo Pereira Herbert Marcuse Hino da Independência Hino Nacional Hiroshima História homofobia Honduras Hugo Chávez Iara Iavelberg Igor Tamasauskas Igreja Católica Igreja Renascer Igreja Universal imigração italiana imigrantes impeachment Império Romano imprensa Inconfidência Inconfidência Mineira indenizações Índia indignados Indio da Costa Índio da Costa indústria cultural Inês Etienne Romeu inflação Inquisição Instituto Royal insubmissão militar Intentona Comunista Internacional Comunista Internacional Socialista internacionalismo revolucionário intolerância Irã Israel IstoÉ Itália Itamar Franco Itamaraty Itaú Ivan Seixas Ivan Valente Ives Gandra Martins Ivo Herzog Jacob Gorender Jader Barbalho Jaguar Jair Bolsonaro Jair Rodrigues James Wright Jânio de Freitas Jânio Quadros Janis Joplin Jaques Wagner Jarbas Passarinho Jari José Evangelista Jean Wyllys Jean-Luc Godard Jean-Paul Sartre Jean-Pierre Melville jesuítas Jesus Cristo Jethro Tull Jimi Hendrix Jimmy Carter Joan Baez João Amazonas João Baptista Figueiredo João Cabral do Melo Neto João Goulart João Grandino Rodas João Paulo Cunha João Pereira Coutinho João Santana Joaquim Barbosa Joaquim Câmara Ferreira Joaquim Cerveira Joaquim Levy Joaquin Pérez Becerra Jobim Joe Cocker Joe Hill Joe Louis John Kennedy John Lennon Jorge Kajuru jornada de trabalho jornalismo José Campos Barreto José Eduardo Cardozo José Genoíno Jose Giovanni José Lavecchia José Maria Marin José Martí José Mujica José Padilha José Raimundo da Costa José Roberto Arruda José Sarney José Serra José Tóffoli José Vicente Contatore José Wellington Diógenes Joseba Gotzon Joseíta Ustra Joseph Goebbels Joseph Stalin Juarez Guimarães de Brito Juca Chaves Juca Kfouri Judas Iscariotes juiz Sérgio Moro julgamento de Nuremberg Julian Assange Julius Martov Julius Rosenberg Juscelino Kubitschek Karl Leibknecht Karl Marx Kátia Abreu Kevin kibbutz kibutz Kim Jong-il Kim Kataguiri Kirk Douglas Ladislau Dowbor Laerte Braga Lamarca lavagem cerebral lavoura cafeeira Lawrence da Arábia LDO Leandro Fortes Lecy Brandão Lei da Anistia Lei da Ficha Limpa Lei Falcão Lênin Leon Trotsky Leonel Brizola Leonel Mello Leônidas de Esparta Leopoldo Paulino LER-QI Lev Kamenev Levy Fidélis LGBT liberdade de expressão Líbia Lilian Celiberti lio Gaspari Livro dos Heróis da Pátria Lourenço Diaféria LSN Luc Ferry Luciana Genro Luís Alberto de Abreu Luís Carlos Trabuco Luís Nassif Luís Roberto Barroso Luiz Aparecido Luiz Carlos Prestes Luiz Eduardo Greenhalgh Luiz Eduardo Merlino Luiz Eduardo Soares Luiz Fux Luiz Maklouf Luiz Ruffato Luiz Vieira Luíza Erundina Lula luta armada luta de classes Lyndon Johnson macartismo maconha Mafia Máfia máfia dos ingressos Magalhães Pinto Mahatma Gandhi Mahmoud Ahmadinejad Mais Médicos Major Cerveira Major Curió Manoel Henrique Ferreira Manuel Fiel Filho Manuel Zelaya Mao Tsé-Tung Mappin Maquiavel mar de lama maracutaia Marcello Mastroianni Marcelo Crivella Marcelo Freixo Marcelo Paiva Marcelo Roque Marcha da Família Marcha da Maconha Márcio Leite de Toledo Márcio Moreira Alves Marco Antonio Villa Marco Antonio Zago Marco Aurélio Garcia Marco Aurélio Mello Marco Feliciano Marco Polo Del Nero Marcos Nunes Filho Marcos Valério Marcos Wilson Lemos Marcus André Melo Margaret Thatcher Margareth Thatcher Maria Alice Setubal Maria Bethânia Maria do Carmo Brito Maria do Rosário Maria Esther Bueno Maria Vitória Benevides Marighella Marina Marina Silva Marinha Mário Alves Mário Faustino Mario Monicelli Mário Sérgio Conti Mario Vargas Llosa Marta Suplicy Martin Luther King Martin Scorcese marxismo Mary Shelley massacre de My Lay Massacre do Carandiru Massafumi Yoshinaga Maurício Costa Mauricio Hernandez Norambuena Mauro Santayana Max Horkheimer MDB médicos cubanos Megaupload Memorial da Resistência Memórias de uma guerra suja mensalão mercantilização Michael Burawoy Michel Temer Michelangelo Buonarroti Michelle Bachelet Miguel Arraes Mikhail Bakunin Milton Friedman Milton Nascimento Ministério dos Esportes Mino Carta mísseis cubanos Molina Dias Mônica Bergamo monopolização Monteiro Lobato Morro da Providência Mortos e Desaparecidos Políticos movimento estudantil movimento negro Movimento Passe Livre MPB MR-8 MR8 MTST Muammar Gaddafi Muhammad Ali Mundial de 2014 muro de Berlim muro de Berlin Nagasaki Nara Leão Nasser Natal Natan Donadon Náufrago da Utopia nazismo Neil Young Nelson Jobim Nelson Mandela Nelson Piquet neo-pentecostais neofascismo neoliberalismo Nestor Cerveró Nestor Kirchner Neusah Cerveira Newton Cruz Nicola Sacco Nicolau Maquiavel Nikita Kruschev Nikolai Bukharin No Nukes Norman Mailer Norman O. Brown Noruega Nova York O Estado de S. Paulo O Globo O Gobo O Pasquim OAB Oban Occupy ocupação da reitoria Odilon Guedes odotonlogia OEA Olavo de Carvalho Olavo Hanssen Olavo Setubal Olga Benário Olimpíadas Olímpio Mourão Filho Olívia Byington ombudsman ONU Operação Condor Operação Lava-Jato Operação Satiagraha Opportunity Opus Dei Orestes Quercia Orlando Lovecchio Filho Orlando Yorio Orlando Zapata Os Miseráveis Osama Bin Laden Oscar Schmidt Osmir Nunes ossadas de Perus Osvaldo Peralva Otávio Frias Filho Pablo Escobar Pacto Hitler-Stalin país basco palestinos Palmares Pan Pão de Açúcar papa Francisco Paquistão Paraguai Parlamento Europeu parto humanizado parto normal Passe Livre passeata dos 100 mil pastor Feliciano Paul Simon Paul Singer Paulinho da Força Paulo Cesar Pinheiro Paulo César Saraceni Paulo de Tarso Venceslau Paulo Francis Paulo Freire Paulo Henrique Amorim Paulo Lacerda Paulo Malhães Paulo Maluf Paulo Roberto Costa Paulo Sérgio Pinheiro Paulo Skaf Paulo Teixeira Paulo Vannuchi Paulo Vanzolini PC Farias PCB PCBR PCI PCO PDS PDT pedaladas fiscais pedofilia Pedro Pomar Pelé perseguidos políticos Pérsio Arida pesquisas de opinião Pete Townshend Petrobrás petrolão petróleo PF PFL Pierre-Joseph Proudhon Pietro Mutti Pimenta Neves Pinheirinho Pink Floyd Pio XII Plínio de Arruda Sampaio Plínio Marcos PM PMDB PNDH-3 Poder Negro Pol Pol Pot Polícia Federal politicamente correto Pôncio Pilatos Porfirio Lobo Pot pré-sal preconceito pregações golpistas Primavera de Paris Primavera de Praga privataria privatizações procurações forjadas profissão de fé Pronatec propaganda enganosa propinoduto Protógenes Queiroz Providência PSB PSDB PSOL PSTU PT PUC pugilistas cubanos PV quatro de Salvador queda da Bastilha Queen Quentin Tarantino queremismo quilombolas racionamento de água racismo Rafael Braga Vieira Rafael Correa Randolfe Rodrigues Raul Amaro Nin Ferreira Raul Castro Raul Salles Raul Seixas Raymundo Araujo RDD Receita Federal recessão Rede Globo redemocratização reformismo refugio refúgio refundação da esquerda Reinaldo Azevedo Reino Unido Renan Calheiros renúncia repressão República de Weimar resistência retroativo retrospectiva reverendo Moon revista Piauí revolta árabe revolução revolução cubana Revolução Francesa revolução internacional Revolução Soviética Reynaldo Lungaretti Richard Nixon Rio de Janeiro Rio São Francisco Robert Louis Stevenson Roberto Carlos Roberto Gurgel Roberto Macarini Roberto Micheletti Roberto Romano Roberto Setúbal Roberto Teixeira rock Roger Federer Roger Pinto Roger Waters rolezinhos Roman Polanski Romário Romeu Tuma Ronald Reagan Ronaldo Fenômeno Rosa Luxemburgo Rota Rubens Lemos Rubens Paiva Rui Falcão Rui Martins Sacco e Vanzetti Saddam Hussein Sakineh salário-mínimo Salvador Allende Samuel Wainer Santiago Andrade Santo Dias São Francisco Sean Goldman sectarismo Seleção Brasileira Sérgio Cabral Sergio Corbucci Sergio Fleury Sérgio Fleury Sergio Leone Sergio Porto Sérgio Porto Sérgio Ricardo Serra Sharon Tate Sigmund Freud Silvio Berlusconi Sílvio Frota Sílvio Tendler símbolos religiosos Simon Bolivar sinalizador Síndrome da China Sintusp Síria sites fascistas SNI socialismo socialismo num só país sociedade alternativa Sócrates Sofia Loren Soledad Viedma solidariedade Sônia Amorim Soninha Francine Spartacus Stalin stalinismo Stephen King STF STF. Aparício Torelly STJ STM Stroessner Stuart Angel sucessão Suely Vilela Sampaio Suzana Singer T. E. Lawrence Tancredo Neves Tarso Genro TCU. reparações teatro Teatro de Arena Tempo de Resistencia Tempo de Resistência tênis Teologia da Libertação Teori Zavascki terceirização Teresa Lajolo Tereza Cruvinel Ternuma terrorismo TFP The Animals The Who Theodor Adorno Thomas Morus Thomas Piketty Three Mile Island Tim Jackson Tim Maia Tiradentes Tite Tom Zé Tomasso Buscetta Torquato Neto Torquemada Tortura Tortura Nunca Mais torturadores torturas Tostão trabalho escravo trabalho forçado traficantes tragédias transposição Tribunal de Haia Tropa de Elite tropicalismo TSE TSE. TCU underground UNE Unesco Universidade da Califórnia Universindo Dias UOL URSS usineiros USP Vannuchi VAR-Palmares Vaticano Veja vemprarua Venezuela Victor Hugo Victor Jara vida artificial Vinícius de Moraes Vinícius Torres Freire violência violência policial Virgílio Gomes da Silva Vitor Nuzzi Vladimir Arras Vladimir Herzog Vladimir Lênin Vladimir Safatle VPR Walt Disney Walter Maierovitch Walter Silva Washington Olivetto Wellington Menezes western Wikileaks William Shakespeare Winston Churchill Woodstock Yeda Crusius Yoani Sánchez Zé Celso Zé Dirceu Ziraldo Zumbi Zuzu Angel