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30.7.14

O EXTERMINADOR DO PRESENTE BOMBARDEIA MAIS UMA ESCOLA!

"Não há palavras para expressar adequadamente minha raiva e indignação", disse um comissário da ONU, a respeito de mais um ataque do exército israelense contra escola palestina.

Nem a minha. Nada que eu pudesse escrever superaria o impacto da simples leitura dos dois textos que transcrevo abaixo.

A presidenta Dilma Rousseff foi cautelosa, disse que estamos diante de massacres, não de um genocídio.

Decidam os leitores se trata-se ou não do "extermínio sistemático de pessoas tendo como principal motivação as diferenças de nacionalidade, raça, religião e, principalmente, diferenças étnicas".

Eu não hesito um segundo para afirmar: É GENOCÍDIO, SIM. DOS MAIS BESTIAIS!

"CRIANÇAS FORAM MORTAS ENQUANTO DORMIAM AO LADO DE SEUS PAIS"

O chefe da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNWRA) classificou de "vergonha universal" o ataque israelense nesta quarta-feira (30) contra uma escola mantida pelo organismo no campo de refugiados Jabaliya, na faixa de Gaza, onde centenas de palestinos haviam se refugiado. Ao menos 19 morreram e 90 ficaram feridos no ataque. 

"Ontem à noite, crianças foram mortas enquanto dormiam ao lado de seus pais no chão de uma sala de aula em um abrigo da ONU em Gaza. Crianças mortas enquanto dormiam; isso é uma afronta para todos nós, uma fonte de vergonha. Hoje o mundo está em desgraça", afirmou em nota Pierre Krähenbühl, comissário-geral da UNRWA.

"Não há palavras para expressar adequadamente minha raiva e indignação", afirmou.

Segundo Krähenbühl, este ataque foi o sexto contra uma escola mantida pela UNRWA em Gaza. "Nossos funcionários estão sendo mortos. É um ponto de ruptura."

O Exército de Israel não confirma o ataque contra a escola da ONU -- e diz que militantes estavam disparando do local.

Mas, na nota, a UNRWA afirma não ter dúvidas de que o ataque foi realizado por Israel.

"Visitamos o local e coletamos evidências. Analisamos fragmentos, examinamos as crateras e outros danos. Nossa avaliação inicial é de que foi a artilharia israelense que atingiu nossa escola, em que 3.300 pessoas haviam se refugiado. Acreditamos que houve ao menos três impactos", afirmou. 

Ainda de acordo com a nota, a localização da escola e a informação de que estava sendo ocupada por refugiados foram comunicadas ao Exército israelense 17 vezes, a última delas horas antes do bombardeio

O Exército israelense, em uma primeira resposta à morte de  20 palestinos em uma escola administrada pela ONU em Gaza nesta quarta-feira (30), disse que militantes próximos à instalação atiraram bombas de morteiro e as forças israelenses foram obrigadas a revidar. (UOL, com despachos das agências internacionais)

"NÓS AINDA ESTAMOS ANALISANDO O INCIDENTE"

"Mais cedo nesta manhã, militantes atiraram projéteis de morteiros contra soldados [israelenses] a partir dos arredores da escola da UNWRA em Jabalya [um campo de refugiados]. Em resposta, os soldados atiraram em direção à origem dos disparos, e nós ainda estamos analisando o incidente (!!!)", disse um porta-voz militar israelense. (Agência Reuters) 

29.7.14

VEJA QUANTOS FUROS HÁ NAS INVENCIONES DO REINALDO AZEVEDO CONTRA A DILMA

Não adianta se desculpar, a pisada na bola foi feia.
O Reinaldo Azevedo está na carreira errada. Deveria partir para a literatura, criando enredos de ficção ligeiramente inspirados em acontecimentos reais. Tem talento para isso, mas o desperdiça como propagandista da extrema-direta, tentando fazer suas invencionices serem levadas a sério e quase sempre resvalando para o mais absoluto ridículo.

Escrevendo sobre a sabatina presidencial, ele cravou no título que houve "três momentos patéticos" (vide íntegra aqui). Eis o segundo deles, com meus comentários de testemunha ocular da História em maiúsculas vermelhas:
"Dilma, sob o codinome Estella, foi a mentora de um roubo milionário. Em julho de 1969, três carros com 11 guerrilheiros da VAR-Palmares estacionam em frente à casa no bairro carioca de Santa Teresa, onde morava um irmão de Ana Capriglioni, notória amante do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros. Lá, executando uma operação minuciosamente planejada por 'Estella', que não tomou parte na ação, a VAR-Palmares roubou um cofre de chumbo pesando 300kg, recheado com uma bolada de US$ 2,16 milhões.
DILMA NÃO FOI "MENTORA" NEM "MINUCIOSA PLANEJADORA", POIS TAL PAPEL COUBE AO JUAREZ GUIMARÃES DE BRITO, O MAIOR PLANEJADOR DE OPERAÇÕES DESTE TIPO DURANTE A LUTA ARMADA. ELE TINHA SIDO O CÉREBRO DO GRUPO TÁTICO DO COLINA E CONTINUOU SENDO-O DEPOIS QUE O COLINA SE FUNDIU À VPR, DANDO ORIGEM À VAR-PALMARES. 
Eis o real "mentor"
DILMA NÃO PARTICIPOU DA AÇÃO SIMPLESMENTE PORQUE SUAS FUNÇÕES NA ORGANIZAÇÃO ERAM POLÍTICAS, NADA TENDO A VER COM AS OPERAÇÕES ARMADAS (DAS QUAIS, POR QUESTÕES DE SEGURANÇA E ESPECIALIZAÇÃO, DESINCUMBIAM-SE OUTROS MILITANTES, SEMPRE OS MESMOS), AO CONTRÁRIO DO QUE CONSTA NA FICHA POLICIAL FAJUTA QUE A EXTREMA-DIREITA DISSEMINOU NA INTERNET PARA A CARACTERIZAR COMO "TERRORISTA/ASSALTANTE DE BANCOS". 
AS FANTASIAS MIRABOLANTES DO REINALDO AZEVEDO SÃO IDÊNTICAS ÀS DO TERNUMA: UTILITÁRIAS, E NÃO HISTÓRICAS.
"Pouco tempo depois, a VAR-Palmares se desintegra, por desentendimentos entre 'Estella' e Carlos Lamarca. A maior parte do grupo seguiu a agora presidente — na época, Cláudio, seu primeiro marido, partira para Cuba a bordo de um avião sequestrado, e Dilma já se enamorava de Carlos, o gaúcho da VAR-Palmares — com quem veio a se casar e com quem teve Paula, a única filha, hoje juíza do Trabalho em Porto Alegre — de quem se separou já depois da redemocratização.
A VAR-PALMARES RACHOU NO CONGRESSO DE TERESÓPOLIS (OUTUBRO DE 1969) COMO CONSEQUÊNCIA DO DESCONTAMENTO DOS CHAMADOS MILITARISTAS COM O QUE ACREDITAVAM SER UM DESVIO MASSISTA DOS MILITANTES ORIGINÁRIOS DO COLINA: NÃO ESTARIAM PRIORIZANDO DEVIDAMENTE A MONTAGEM DA COLUNA MÓVEL ESTRATÉGICA NEM AS AÇÕES DE PROPAGANDA ARMADA NAS CIDADES, POR ENTENDEREM SER NECESSÁRIA A MANUTENÇÃO DE ALGUNS ELOS COM OS MOVIMENTOS OPERÁRIO E ESTUDANTIL. 
OU SEJA, OS PRIMEIROS TINHAM EM MENTE UMA VANGUARDA QUE CUMPRIRIA ESTRITAMENTE AS AÇÕES ARMADAS DA RESISTÊNCIA, DEIXANDO AS OUTRAS TAREFAS PARA OUTROS GRUPOS, ENQUANTO OS SEGUNDOS QUERIAM UMA ORGANIZAÇÃO QUE MANTIVESSE ALGUM ENRAIZAMENTO NAS MASSAS.  
 Falsificações pululam 
A IDEIA DE DESFAZER A FUSÃO E RECRIAR A VPR PARTIU DE DOIS COMANDANTES ESTADUAIS DE SÃO PAULO, O JOSÉ RAIMUNDO DA COSTA E EU, TENDO COMO PLATAFORMA TEÓRICA UM DOCUMENTO-PROPOSTA DO LADISLAU DOWBOR INTITULADO "TESES DO JAMIL". 
NO CONGRESSO DE TERESÓPOLIS, OS VERDADEIROS PROTAGONISTAS DA RUPTURA FORAM O LAMARCA, PELO LADO DOS MILITARISTAS; E O CARLOS FRANKLIN PAIXÃO DE ARAÚJO E O ANTÔNIO ROBERTO ESPINOSA, PELOS MASSISTAS. OS TRÊS ERAM COMANDANTES NACIONAIS. O CASAL JUAREZ GUIMARÃES E MARIA DO CARMO BRITO, IGUALMENTE DE PRIMEIRO ESCALÃO, TENTAVA APAZIGUAR OS ÂNIMOS E MANTER A ORGANIZAÇÃO UNIDA. DILMA SECUNDAVA OS LÍDERES MASSISTAS E FOI NESTA CONDIÇÃO QUE CONTESTOU EM ALGUNS MOMENTOS O LAMARCA. 
NO FINAL, A VPR RECRIADA TEVE A ADESÃO DE ALGUNS QUADROS DE ORIGEM COLINA (COMO O CASAL BRITO) E NA VAR-PALMARES PERMANECERAM MILITANTES DE ORIGEM VPR (COMO O ESPINOSA). FOI ENTÃO QUE SE ABRIRAM VAGAS NO COMANDO NACIONAL DA VAR E A DILMA A ELE ASCENDEU.
"Parte do dinheiro — US$ 1 milhão — teria sido doada aos rebeldes argelinos. O resto teria sido usado para financiar a guerrilha. Seja como for, uma das guardiãs da grana era… Dilma! Virá daí a sua fixação por dinheiro em moeda sonante?."
PURO SAMBA DO CRIOULO DOIDO. TUDO LEVA A CRER QUE REINALDO AZEVEDO TENHA SE LEMBRADO VAGAMENTE DESTA ENTREVISTA DE MARIA DO CARMO BRITO, PUBLICADA EM O ESTADO DE S. PAULO.
TÃO OBCECADO ESTAVA EM ATACAR DILMA QUE TROCOU AS BOLAS, ATRIBUINDO-LHE O PAPEL QUE MARIA DO CARMO BRITO AFIRMA TER DESEMPENHADO (HÁ QUEM FAÇA RESTRIÇÕES À SUA VERSÃO), RELATIVO À PARTE DO DINHEIRO QUE FICOU COM A VPR, NÃO À PARTE DA VAR. O REINALDO AZEVEDO OUVIU O GALO CANTAR, MAS NÃO SABE ONDE...
FINALMENTE, O US$ 1 MILHÃO NÃO FOI DOADO AOS REBELDES ARGELINOS, MAS SIM COLOCADO SOB A GUARDA DELES, PARA DEVOLUÇÃO QUANDO FOSSE NECESSÁRIA.
Resumo da opereta: creio ter escancarado a tendenciosidade e absoluta falta de rigor histórico do Reinaldo Azevedo. Que continue acreditando nele quem quiser... ser manipulado!

28.7.14

A TRAGÉDIA DO ORIENTE MÉDIO

Era uma vez o Oestemocinho de branco e bandido de preto.
Os folhetins, o cinema e a TV nos acostumaram a observar os complexos dramas das pessoas, povos e nações a partir de uma ótica simplista: heróis-vilões-vítimas.

Ou, simplificando mais ainda, a acreditarmos que quem causa sofrimento às vítimas são os bandidos e quem as defende, os mocinhos.

No fundo, trata-se do velho e obtuso maniqueísmo, a que os pensadores marxistas contrapuseram a dialética: Bem e Mal não existem como instâncias metafísicas que, desde os píncaros do paraíso celestial ou das profundezas do inferno, teleguiam a práxis humana, mas sim como resultado das decisões e ações adotadas pelos homens em cada situação.

No primeiro caso, alguns encarnam o Bem absoluto e o Mal absoluto, sem nuances: os mocinhos são sempre mocinhos e os bandidos, eternamente bandidos.

Na análise marxista, os papéis vão sendo assumidos a cada instante, de forma que o mocinho de ontem poderá ser o bandido de hoje, e vice-versa.

A esquerda mundial até hoje não se recuperou do pesadelo stalinista, que, como Isaac Deutscher bem assinalou, foi um amálgama do pensamento sofisticado dos revolucionários europeus com a religiosidade primitiva da Santa Mãe Rússia.

A esquerda retrocedeu ao maniqueísmo
E a História, infelizmente, favoreceu essa perda de densidade crítica por parte da esquerda. O nazifascismo parecia mesmo encarnar o Mal absoluto, colocando os que o combatiam na condição de cruzados do Bem absoluto.

Veio a guerra fria e a estreiteza de visão se consolidou definitivamente, de ambos os lados. A política mundial se tornou um mero western daqueles tempos em que os mocinhos se vestiam sempre de branco e os bandidos só usavam trajes negros.

Então, desde a década de 1950, quando os EUA se colocaram como protetores de Israel e os soviéticos se compuseram com o líder egípcio Gamal Abdel Nasser, ficou estabelecido que a única forma progressista de encararmos os conflitos do Oriente Médio era beatificando os árabes e satanizando os judeus.

A questão no Oriente Médio é muito mais complexa.

Em primeiro lugar, temos um povo (o judeu) milenarmente perseguido, não só devido à maldade intrínseca dos poderosos de todos os tempos, mas também a uma certa vocação para o martírio: nunca quis misturar-se aos outros povos e conviver harmoniosamente com eles, fazendo, pelo contrário, questão de preservar sua identidade cultural/religiosa e de ostentá-la aos olhos de todos.

Então, mais do que a outros povos, fazia-lhe imensa falta um território próprio. Constituindo uma colônia minoritária em outros países e segregando-se rigidamente dos naturais desses países, neles despertava previsível hostilidade.

Ademais, os judeus eram invejados pelos gênios da cultura e da ciência que produziam (Marx, Freud, Einstein e tantos outros) e por seu êxito nas finanças, além de despertarem a hostilidade dos governos pela participação marcante que tinham em movimentos libertários/revolucionários.

É sintomático, aliás, que a esquerda hoje esqueça ou omita a importantíssima contribuição do Bund (União Judaica Trabalhista da Lituânia, Polônia e Rússia) para a gestação do movimento revolucionário russo, no início do século passado.

Gueto de Varsóvia: vítimas ontem, algozes hoje em Gaza. 
HOLOCAUSTO – Ao buscar um inimigo comum contra o qual unir a nação alemã, Hitler não precisou pensar muito: os judeus eram a opção óbvia.

Finda a II Guerra Mundial, a indignação que o Holocausto provocou na consciência civilizada fez com que a ideia de um lar para os judeus passasse a ser vista com simpatia generalizada.

Foi quando estes cometeram seu maior erro de todos os tempos: aceitando a liderança espúria de fundamentalistas religiosos/terroristas sanguinários, implantaram seu estado nacional numa região em que se chocariam necessariamente com outros fundamentalistas religiosos/terroristas sanguinários.

A Inglaterra, império decadente, bem que tentou impedir este desvario, em vão. E as pombas desnorteadas, judeus imbuídos dos melhores ideais, acabaram aderindo em massa ao projeto sinistro dos falcões.

Então, uma das experiências socialistas mais avançadas que a humanidade conheceu, a dos kibbutzim (comunidades coletivas voluntárias israelenses), acabou sendo tentada num país que logo viraria campo minado – e, melancolicamente, foi definhando, até quase nada diferir hoje em dia das cooperativas dos países capitalistas.

As nações árabes só não exterminaram até agora o estado judeu porque jamais o enfrentaram juntas e disciplinadas, sob um verdadeiro comando militar. Mesmo quando vários exércitos combateram Israel, como na guerra dos seis dias, atuaram praticamente como unidades independentes, em função das querelas e disputas de poder entre os reis, sheiks, sultões, califas, emires, etc., de países cuja organização política e social ainda é feudal.

Kibbutzim: os belos ideais se foram, o militarismo ficou.
Os israelenses, por enquanto, têm compensado sua inferioridade numérica com a superioridade de seus quadros e equipamentos militares, bem como com a repulsiva prática de promover massacres intimidatórios, reagindo de forma desproporcional e freqüentemente genocida aos ataques que sofre.

Os movimentos fundamentalistas/terroristas árabes agem como provocadores: sabem que jamais conseguirão enfrentar de igual para igual Israel, mas atraem retaliações contra seus povos, na esperança de que isto acabe trazendo as nações para o campo de batalha. Querem ser o estopim de uma guerra santa e não hesitam em sacrificar os seus em nome dos desígnios de Alá.

Os governantes feudais árabes, entretanto, têm mais medo de serem desalojados dos seus palácios do que ódio por Israel. Sabem que, da mobilização contra o inimigo externo, as massas podem evoluir para o questionamento da desigualdade gritante e dos privilégios odiosos dos tiranetes de seus países. Preferem preservar o status quo, ao preço de fecharem os olhos a atrocidades como as cometidas contra os palestinos em Gaza.

Não se trata de nenhum filme de mocinho-e-bandido, pois só há vilões entre os atores políticos; ninguém que mereça nossa simpatia e aplauso.

Hoje, é esta a 'contribuição' de Israel à humanidade...
Quanto às vítimas, estas sim são indiscutíveis: os civis que, desde 1948, têm sido abatidos como moscas, devido à cegueira e (sejamos francos) imoralidade monstruosa desses atores políticos.

No fundo, a solução sensata seria o estabelecimento dos judeus noutro território qualquer – quantos países paupérrimos não lhes cederiam terras e autonomia administrativa, em troca de recursos e cooperação para seu desenvolvimento?

Mas não é a sensatez que rege o mundo e sim, como Edgar Allan Poe notou, o horror e a fatalidade.

Então, os Hamas da vida seguirão semeando ventos e os israelenses desencadeando tempestades. E os civis que não estão em guerra com ninguém, inclusive velhos, mulheres e crianças, deverão continuar sendo os mais atingidos, para horror do mundo civilizado, até que surja um novo T. E. Lawrence e consiga levar à vitória a guerra santa sonhada pelos fundamentalistas/terroristas árabes.

Em sua arrogância míope, cada vez mais desumanizados, os israelenses esquecem a frase lapidar de Napoleão Bonaparte: "Com as baionetas pode-se fazer tudo, menos uma coisa: sentar-se sobre elas". Ao tornarem o estado judeu um bunker, predispuseram-no ao destino habitual dos bunkers. Mais dia, menos dia, acabam sendo tomados pelos inimigos. Quantos morrerão até lá?

O que temos no Oriente Médio é, portanto, uma tragédia: os acontecimentos marcham insensivelmente para o pior desfecho e nada podemos fazer, exceto atenuar, tanto quanto possível, os banhos de sangue.

27.7.14

FEDERAÇÃO ISRAELITA POSTA VÍDEO NO YOUTUBE PARA JUSTIFICAR MASSACRES

A Federação Israelita de São Paulo postou no Youtube um vídeo repulsivo (vocês podem assisti-lo e/ou repassá-lo utilizando este link), no qual compara o estado judeu a um menino mais forte que um espertinho mais fraco provoca sem parar.

Aí, quando o forte dá um murro no fraco, este abre o maior berreiro e todos ficam indignados com o agressor. 

Tem lá sua graça, até porque atirar aviõezinhos de papel é mais ou menos o que o Hamas faz.

O final da animação, contudo, peca pela falta de verossimilhança: o simbolismo mais apropriado seria o forte não somente esmurrar o fraco, mas também o matar, esquartejar o cadáver, jogar gasolina, botar fogo e espalhar as cinzas. Aí, sim, se daria uma boa ideia do quanto a reação é desproporcional à ação.

E a mensagem dos patrocinadores, invocando o direito de defesa, esquece os números, que não mentem jamais: na atual temporada genocida, os óbitos palestinos já passam de mil, civis em sua grande maioria, enquanto Israel admite que 40 de seus soldados e dois civis foram mortos. A proporção macabra, desde o início da carnificina, gira em torno de 25 palestinos para cada israelense. Uma escola e um hospital já sofreram bombardeios de Israel.

Nem em comédias de humor negro os assassinos seriais alegam estarem se defendendo de suas vítimas.

25.7.14

PEGO NA MENTIRA, DUNGA TEM DE SER AFASTADO PELA CBF. JÁ!!!

Até onde ia esta viagem com Mohamadou Fofana?
No exato instante em que a CBF dava o pontapé inicial de mais uma Era Dunga, eu alertei que sua convocação para depor como testemunha no inquérito da máfia dos ingressos levava jeito de ser a ponta de um iceberg (veja texto integral aqui):  
"...a aterrorizante perspectiva de Dunga voltar a ser o técnico da nossa seleção (...) poderá ainda ser afastada caso se constate a prática de algum delito nos encontros que ele manteve recentemente com o franco-argelino Mohamadou Lamine Fofana, acusado pela Polícia Civil do RJ de chefiar a quadrilha internacional de venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo.
...Falta ouvir parte do material de escuta telefônica e há a possibilidade de Fofana vir a colaborar com a Polícia em troca da delação premiada. Sabe-se lá o que ainda virá à tona".
Para Fofana, o fim da linha foi este.
Como cheguei a tal conclusão? Simples: se era só como testemunha que o delegado responsável pelo inquérito (Fábio Barucke) encarava Dunga, não fazia sentido ele acrescentar que o treinador estivera também em contato com outro investigado, o empresário de jogadores Luiz Vianna, por ele qualificado de "suspeito". 

Um recado estava sendo passado nas entrelinhas e a mim, jornalista veterano, não passou despercebido. Ou seja, mesmo não ousando acusar frontalmente Dunga neste estágio das investigações, Barucke insinuou que ele incorrera em ilegalidades.

Até então, tínhamos:
  • Gilmar Rinaldi, agente de jogadores, assume a coordenação-geral da CBF;
  • ele é o principal responsável pela exumação do técnico fracassado no selecionado brasileiro e fracassado no Internacional;
  • Dunga manteve contatos com o chefão da quadrilha de cambistas;
  • Dunga manteve contatos com um agente de jogadores suspeito de participação na mesma quadrilha e é amigo do também agente de jogadores, Gilmar Rinaldi.
ESPN comprova sua denúncia com farta documentação
O círculo se fecha agora com uma brilhante peça de jornalismo investigativo da ESPN: Documentos provam ação como agente que Dunga nega (acesse a íntegra aqui). 

O historiador e jornalista Lúcio de Castro, comentarista do Bate-Bola - 1ª edição, foi fundo na apuração de uma atividade que o técnico desenvolvia na surdina, tudo fazendo para a ocultar do distinto público:
"Dunga manteve por muitos anos um segredo bem guardado: a intermediação de transações em direitos econômicos de jogador de futebol. Quando foi questionado por esta reportagem sobre sua participação na venda do meia Ederson, em 2004, do RS Futebol Clube para o grupo Image Promotion Company (IPC), foi incisivo na negativa. Através da assessoria de imprensa da CBF, afirmou 'não ter participação alguma na venda dos direitos sobre o vínculo do referido jogador'.
Três documentos públicos, porém, mostram o contrário: uma nota fiscal da 'Dunga Empreendimentos, Promoções e Marketing ltda', com a comissão no valor de R$ 407.384,08; o recibo assinado pelo próprio Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga; e o comprovante bancário de transferência do clube para a empresa do treinador, no valor discriminado na nota. Não é o único conflito de interesse com o cargo de comandante da seleção brasileira nessa história: as ligações com os agentes do IPC vão muito além do que um único negócio"".
Máfia dos ingressos: 'negócio' lucrativo, mas desastroso.
Está tudo na reportagem, preto no branco, inclusive as evidências de que Dunga mentiu à justiça gaúcha, ao negar que estivesse associado ao grupo IPC.

Nestes parágrafos da citada reportagem se percebe o quanto ele se envolveu com essa gente:
"Por trás do endereço do IPC, em Mônaco, estão mais revelações sobre as teias de relacionamento de Dunga. O investidor, para quem o treinador da seleção intermediou o atleta do RS Futebol Clube, encontra-se no mesmo endereço da World Champions Club (WCC), na Avenue Princesse Alice. A WCC é uma conhecida empresa de agenciamento no futebol. E entre os gestores está Antônio Caliendo, que representou o IPC na compra dos 75% de Ederson, onde Dunga ganhou comissão por intermediação...
...[No] site da WCC, [Dunga] é uma das estrelas e identificado como 'um dos nossos últimos clientes', ao lado de Ederson e Maicon, convocado por Dunga para a Copa do Mundo de 2010. Não apenas isso: onde consta a relação e fotos dos futebolistas pelos quais respondem pela gestão, Dunga aparece em foto recente e não de quando era jogador.
O inglês Queens Park Rangers também estrela o site. A WCC assumiu a gestão do QPR em 2004. Mesmo sem [alegadamente] 'ter vínculo com a empresa em questão', Dunga assumiu cargo no conselho de gestão do clube, formado por cinco membros. Por ser agente Fifa, Antonio Caliendo não podia figurar oficialmente entre tais conselheiros, e o técnico da seleção era seu rosto".
Enfim, foi como mais um feliz beneficiário das milionárias e frequentemente escusas transações de jogadores que Dunga estreitou os laços com Gilmar Rinaldi e Luiz Vianna. E se o último, como o delegado Barucke suspeita, fazia parte da máfia dos ingressos, não há como descartarmos a hipótese de que Dunga esteja também encalacrado.

Desde já, a CBF está obrigada a remover ele e Gilmar Rinaldi dos cargos que levianamente lhes ofereceu, por total falta de isenção para o desempenho das novas funções -no caso de Dunga, com o agravante de estar mentindo sobre sua real condição há pelo menos uma década, e de ter sido como mentiroso que comandou a seleção brasileira no Mundial de 2010.

24.7.14

CHANCELARIA ISRAELENSE TROCA A DIPLOMACIA PELO INSULTO

"A gente não sabemos
Nem escovar os dente
Tem gringo pensando
que nóis é indigente
Inútil
A gente somos inútil"
(Ultraje a Rigor)

O posicionamento digno que o governo brasileiro assumiu com relação à nova temporada de caça aos palestinos (civis, mulheres, velhos e crianças inclusos) foi respondida pela chancelaria israelense com um insulto: "Seu comportamento nesta questão ilustra a razão por que esse gigante econômico e cultural permanece politicamente irrelevante". 

Depois de apoiar, na reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, a moção que determinou a investigação dos crimes e violações do direito internacional ora perpetrados por Israel em Gaza, o governo brasileiro manifestou seu inconformismo com os massacres, avaliando como "inaceitável" o "uso desproporcional da força". Além disto, convocou seu embaixador em Israel para consultas e chamou o seu congênere israelense para dar-lhe um pito.

Ou seja, foi firme mas se manteve nos limites diplomaticamente aceitáveis: reprovou ações momentâneas mas não emitiu juízos de valor sobre as características permanentes de um governo estrangeiro. Já Israel, como desordeiro de botequim, reagiu com um chute na virilha.

Parece que a proximidade das eleições está fazendo bem ao nosso governo e ao PT. Enquanto o primeiro não contemporizou com as retaliações sanguinárias de Israel, o partido se colocou ao lado das vítimas da escalada repressiva no RJ, repudiando "a grave violação de direitos e das liberdades democráticas" representada pelas prisões arbitrárias.

Faço votos de que este reencontro com as origens não seja fugaz e persista após o 26 de outubro. 

23.7.14

AS BATALHAS DE TORTAS DE LAMA DOS FEIOS, SUJOS E MALVADOS.

A informação é do site Brasil247:
"O Partido dos Trabalhadores acaba de entrar com representação criminal contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), em razão do aeroporto construído em terras que já pertenceram à sua família, no município mineiro de Cláudio; petição ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pede também que se investigue por que o governo mineiro optou pela fazenda de Múcio Tolentino, tio de Aécio; coordenador jurídico da campanha da presidente Dilma, Flávio Caetano diz que denúncia é 'gravíssima', porque 'além de mostrar que há um beneficiamento privado de algo que seja público, também há relação da empresa que fez o aeroporto com doações de campanha ao senador Aécio'."
É óbvio que algo assim precisa mesmo ser investigado e, se for constatada alguma irregularidade, levado à Justiça.

Mas, o tal aeroporto foi entregue em 2010 e o questionamento só ocorre agora, em plena campanha presidencial de 2014, na qual Aécio Neves parece ser a principal ameaça à reeleição da presidenta Dilma Rousseff.

Fica a impressão de que tais práticas só provocam tamanho alvoroço quando servem como munição nas escaramuças eleitoreiras dos políticos. Fora da temporada de caça ao voto, uns não estão nem aí para as (reais ou supostas) maracutaias dos outros.

Pior: logo vem o troco e a campanha se transforma numa batalha de tortas de lama, como se o povo devesse optar não por quem lhe oferece perspectivas mais alvissareiras, mas sim pelo menos sujo dentre os sujos.

Não seria mais apropriado estarmos indagando se o candidato vai ou não colocar o País em recessão aguda, como exigem os grandes capitalistas?

Havia otimismo e alegria em 1985, quando saímos da ditadura. Agora, não há mais. 

Votávamos com orgulho e defendíamos apaixonadamente os candidatos por nós escolhidos. Hoje nosso voto é geralmente uma opção envergonhada pelo que reputamos ser o mal menor.

A militância marcava presença idealista e empolgante nas ruas. Hoje os folhetos são distribuídos por biscateiros tão desanimados quanto aqueles que seguram placas apontando a direção de imóveis.

Não é só no futebol que atualmente perdemos por 7x1. No jogo da democracia a goleada talvez seja ainda pior.

E a culpa é toda nossa, da esquerda, pois somos nós que precisamos convencer o povo de que a sociedade pode ser transformada e vale a pena lutarmos por um mundo melhor.

Para a direita, é lucro avacalhar as eleições e matar as esperanças, fazendo com que todos os candidatos de todas as tendências acabem sendo igualmente vistos pelo cidadão comum como feios, sujos e malvados.

21.7.14

AMEAÇAM-ME COM PROCESSO; OS LEITORES QUE ME JULGUEM.

NUM E-MAIL CURIOSAMENTE INTITULADO "ADAIL IVAN vs CELSO LUNGARETTI", O CIDADÃO ADAIL IVAN DE LEMOS, QUE ASSINA-SE "DOUTOR" E ME TRATA COMO "SENHOR", AMEAÇA-ME COM PROCESSO JUDICIAL POR HAVER RESPONDIDO DE FORMA MODERADA ÀS MENÇÕES ALTAMENTE OFENSIVAS QUE FEZ AO MEU PASSADO MILITANTE NO LIVRO "DESAFIA O NOSSO PEITO", SEM HAVER-ME CONTATADO PARA OUVIR O QUE EU TERIA A DIZER. 

COMO JAMAIS ME DEIXO INTIMIDAR, ESTOU PUBLICANDO TANTO A SUA AMEAÇA QUANTO O TEXTO A QUE ELA SE REFERE. DE QUEBRA, ACRESCENTO OUTRO ARTIGO QUE DEVE TER-LHE PASSADO DESPERCEBIDO, MAS ESCLARECE BEM O MEU POSICIONAMENTO NA QUESTÃO. 

FIEL AOS VALORES QUE NORTEARAM TODA A MINHA VIDA ADULTA, INVOCO O JULGAMENTO DOS LEITORES E DOS HISTORIADORES, POIS É O QUE DEVERIA IMPORTAR PARA QUEM SE PROPÔS  A TRANSFORMAR A SOCIEDADE. 

Senhor Lungaretti,

No seu blog Celso Lungaretti (O Rebate) o senhor postou indevidamente e ilicitamente acusações contra meu livro Desafia Nosso Peito cujo mérito ainda não foi julgado judicialmente. Portanto, a apresentação tendenciosa apresentada pelo seu “rebate” sem o devido direito de defesa implica em um julgamento precipitado e divulgação inidônea, injusta e caluniosa.

Ademais, o senhor usa uma nota do GTNM (cujo questionamento aguarda decisão judicial para ser publicada) como desculpa para ataques pessoais e políticos contra a minha pessoa. Em primeiro lugar, não reconheço em ninguém que se arrependeu e foi a televisão tecer comentários favoráveis a Ditadura credenciais para me criticar (lembre-se que esse vídeo pode ser requisitado judicialmente). Em segundo, não se pode colocar no mesma categoria livros essencialmente diferentes. Um foi o livro de Rubim Aquino Tempo para Não Esquecer. Outro foi o meu livro Desafia o Nosso Peito que em quase tudo difere do primeiro. Tanto em seu conteúdo, metodologia e bibliografia. Em terceiro lugar, o senhor está caluniando uma pessoa já morta como Rubim Aquino que, obviamente, não pode mais se defender de suas acusações. Quarto, o senhor procura esconder suas críticas pessoais citando uma nota divulgada na imprensa pelo GTNM que também está sendo objeto de questionamento judicial. Quinto, não cabe ao senhor e nem ao GTNM decidir quem está com a razão, mas ao Juiz do processo em questão. Sexto, tudo o que foi transcrito em meu livro baseia-se na autocrítica feita por Francisco de Assis Barreto da Rocha Filho em seu livro A Trilha do Labirinto divulgado pela Edições Bagaço ao publico em geral.

A autocrítica de Chico de Assis foi endossada pelo prefácio que o senhor assinou em seu livro. Vale a pena citar o que senhor mesmo diz:
“O inimigo nos havia destruído no campo de batalha. Depois, nós mesmos nos destruímos, acrescentando a derrocada física, também a moral”. Enfatizo que não me considero incluído nesta sua afirmação e, muito menos, concordo com sua ideia de derrocada moral em relação, não apenas a mim, mas a todos os companheiros que lutaram contra a ditadura. Portanto, não comungo com suas ideias autocríticas e não me considero representado em suas reflexões. Peço que o senhor respeite aqueles que discordam do seu ponto de vista e não concordam que a luta contra a ditadura foi um “labirinto sem saída”. Considero que a democracia dos tempos atuais se deve em grande parte a luta de inúmeros companheiros que deram suas vidas para que hoje possamos conviver em um regime democrático. .

Assim sendo, solicito a imediata retirada do meu nome Adail Ivan de Lemos do seu blog e de todas as referências a mim contidas.

Seguindo orientação legal, esse e-mail serve para tentar encontrar uma solução amigável para os improprérios que o senhor vem fazendo injustamente contra mim. Caso o senhor retire meu nome do seu blog, as acusações assacadas contra mim desde maio de 2012 serão desconsideradas.

Caso contrário, se o senhor persistir em manter seus ataques pessoais em seu blog, especialmente após minha solicitação de que o senhor retirasse meu nome de sua lista de companheiros, não restará outra alternativa senão a de preservar o meu nome e minha idoneidade tomando as medidas judiciais cabíveis.

Atenciosamente

Dr. Adail Ivan de Lemos

GTNM/RJ REPUDIA "LÓGICA POLICIALESCA" 
DE LIVROS SOBRE A DITADURA

O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ acaba de lançar uma nota pública de repúdio aos livros Desafia o nosso peito, de Adail Ivan de Lemos, e Um tempo para não esquecer, de Rubim Santos Leão de Aquino, qualificando-os de "tentativas que se fazem de desqualificar e, mesmo, denegrir as histórias de resistência daqueles que, corajosa e generosamente, se opuseram à ditadura civil-militar implantada em nosso país".

Eis as principais críticas que o GTNM/RJ faz a ambos:
"Utilizando-se do mesmo modo de pensar que o Estado ditatorial brasileiro quando classificava os resistentes como inimigos do regime, os autores citados fazem uso de categorias tais como: infilitradosdedos-durosX-9cachorroscolaboradorestraidoresdelatores, dentre outras. Em especial, no livro Desafia o Nosso Peito há tabelas ridículas que nomeiam os presos políticos, muitos já mortos e desaparecidos, que à época abriramdelataramcolaboraramtraíram e  se infiltraram, dentre outras afirmações perigosas e, mesmo, estarrecedoras. Lembram-nos, em muito, os documentos ditos  sigilososconfidenciais e secretos da repressão.
"...tal lógica policialesca em nada se diferencia dos discursos belicistas, acusatórios e difamatórios com os quais nos confrontamos ao longo dos últimos 40 anos, advindos dos setores mais conservadores da sociedade brasileira. Sendo assim, o GTNM/RJ reafirma sua posição de cuidado e respeito ao falar de nossa história, de seus personagens e utopias, do que aconteceu, quando aconteceu, como aconteceu, bem como quanto a identificação dos responsáveis pelas violências então cometidas. Tudo isso implica em pensar a história de um outro modo, como uma postura ético-política, em especial para com aqueles que não estão mais entre nós para testemunhar os horrores pelos quais passaram. 
 "É a ditadura civil-militar e seu terrorismo de Estado que devem ser investigados, esclarecidos, divulgados e responsabilizados!"
A nota informa também ter passado despercebida à presidente do GTNM/RJ, Cecília Coimbra, "a gravidade de tal lógica [policialesca] presente no capítulo Colaboradores, Infiltrados e Informantes do Regime Ditatorial, motivo pelo qual ela agora exigiu a retirada do prefácio que escreveu para Desafia o nosso peito.

SEGUNDO ADAIL LEMOS, GRANDE 
PARTE DOS COMBATENTES 'ABRIU'

A tabela citada pelo GTNM/RJ tem o título de Classificação Cronológica dos Delatores e Grau de Reversäo dos seus Ideais. Nomeia 47 militantes e faz também a acusação genérica de que, no período 1970/74, "grande parte dos combatentes"  abriu.

Conhecedor dessas histórias, posso afirmar que há erros crassos tanto nas inclusões, quanto nas rotulações e também nas omissões; mas, claro, recuso-me a esmiuçar episódios tão sofridos e dolorosos. Quem entrou na luta com sinceridade de propósitos, deu o melhor de si pela causa e, ao ser preso, aguentou quanto e como pôde. Tirando os agentes que a repressão infiltrou na esquerda, ninguém deve ser criticado em função de sua capacidade de resistência física e/ou psicológica haver sido ultrapassada.

Vale lembrar, p. ex., os infames julgamentos de Moscou, quando os mais duros e calejados revolucionários,  que haviam dedicado a vida inteira à causa e suportado torturas de todo tipo, foram finalmente quebrados pelo martírio prolongado a que o stalinismo os submeteu: acabaram comparecendo balbuciantes ao tribunal para confessar os  crimes  mais bizarros e inverossímeis, como o de tentarem envenenar os reservatórios de água da URSS.

Sou mencionado no livro Desafia o nosso peito; embora a busca do Google (nesta 2ª feira, 7) indique 188 mil hits (textos meus ou em que sou citado) e haja dezenas de milhares de menções aos meus dois blogues, Adail Ivan de Lemos parece não ter encontrado nenhuma forma de me contatar, ou lhe faltou vontade de o fazer. Ignorar o  outro lado  facilitou seu trabalho, evidentemente, mas o expôs à acusação de leviandade que lhe faço agora. E leviandade das piores, pois se refere a reputações alheias.

Foi leviano ao me inserir e classificar na tal tabela sem  me dar direito de defesa e, mais ainda, ao escrever asneiras como a de que eu e o Francisco de Assis teríamos desistido de nossas causas e abandonado os ideais do passado.

Nenhum de nós deixou jamais de ser revolucionário. Logo na primeira vez em que a imprensa me procurou em liberdade (IstoÉ, em 1978), relatei minuciosamente as torturas a que havia sido submetido; depois, reiterei a denúncia ao jornal Zero Hora e à revista Veja, em plena ditadura. De resto, creio ser supérfluo relembrar minhas lutas dos seis últimos anos, quando, tendo recuperado minha credibilidade, pude finalmente cumprir o papel para o qual estava qualificado.

E a qualidade do Chico de Assis como escritor e sua integridade como lutador do bom combate evidenciam-se cristalinamente no seu ótimo livro de memórias políticas A trilha do labirinto (Inojosa Editores, 1993, relançado em 2008 pela Editora Bagaço).
Obs. artigo escrito e postado em 07/05/2012
QUEM OLHA PARA TRÁS VIRA ESTÁTUA DE SAL

O companheiro Francisco de Assis também ficou indignado com sua citação como revolucionário que teria abandonado os ideais do passado, no livro Desafia o nosso peito, de Adail Ivan de Lemos, sobre o qual escrevi aqui.

"De onde ele extraiu tamanha ignominia, em qual episódio se baseou, de quais fontes bebeu tanta covardia, nenhuma palavra. (...) Foram 9 anos, 4 meses e 27 dias [de prisão]. Durante todo esse tempo, enfrentei, nos limites máximos das minhas forças, os arreganhos diuturnos da repressão. (...) Eu estou exausto. Emocionalmente esgotado. Esse cara, o Dr. Adail (ops! por um momento me sentí numa sala de torturas, onde os caras costumavam se tratar por doutores!) conseguiu me derrubar de uma forma infinitamente violenta. Pela gratuidade e estupidez das acusações feitas. Pelo ineditismo delas, 42 anos depois dos fatos vividos" --desabafa o Chico.

No longo depoimento que enviou ao grupo Amigos de 68, ele comete, entretanto, o erro de esforçar-se por provar, tintim por tintim, que foi um preso político exemplar.

Essa fase passou, meu caro Chico; e não deixou saudades. 

O que importa para as novas gerações, aquelas que podem levar adiante as nossas lutas, o remoer obsessivo das acusações, justificativas, culpas e remorsos do passado? Isto só nos diminui aos olhos delas.

O certo é que travamos bravamente uma luta impossível de ser vencida, tal a desigualdade de forças. Era o que deveríamos ter concluído desde o primeiro momento, ao invés de infernizarmos a nós mesmos com a lavagem de roupa suja, a interminável discussão sobre como ocorreram as  quedas.

Alguém já levou em conta como o cidadão comum reage a tais esquisitices, começando pelos  quedogramas  elaborados ainda nos presídios? A repulsa que isto causa nos não iniciados?

Fui um dos mais militantes mais injustiçados do período, começando pelo fato de terem atirado nas minhas costas um dos maiores desastres da luta armada, o cerco de Registro, que pôs fim ao sonho guerrilheiro da VPR. Levei 34 anos para provar que a verdade era outra.

E, como eu estava mesmo na berlinda, muitos descarregaram sobre mim a responsabilidade pelas  quedas  que eles próprios haviam causado, apesar do organograma da VPR evidenciar que eu nunca poderia ter provocado o estrago que me atribuíram (coordenava um setor periférico, só mantendo contato orgânico com quatro comandantes, nenhum dos quais caiu por minha causa).

Durante 34 anos, encarei a estigmatização não como uma desonra (já que imerecida), mas sim como um estorvo a me atrapalhar quando estava travando minhas batalhas; ainda assim, consegui em 1986 evitar que a greve de fome dos  quatro de Salvador  terminasse em tragédia.

Quando, finalmente, desconstruí as lendas a meu respeito, dei por definitivamente encerrada a fase de prestação de contas. A minha versão dos acontecimentos está no livro Náufrago da Utopia, e é o que basta. As pessoas isentas e equilibradas tendem a concordar comigo; quanto às preconceituosas, nada as convence.

Desde então, pude fazer e venho fazendo o que mais gosto, o que sempre quis: escrever novas páginas, pois esmiuçar as antigas é tarefa para historiadores. "Deixai os mortos enterrarem seus mortos", disse o Cristo.

A conta que temos a prestar é bem outra: a de não havermos cumprido a promessa de construir um Brasil com justiça social e liberdade plena.

Ainda está em tempo de darmos os primeiros passos nessa direção, se assumirmos integralmente a tarefa e a ela dedicarmos o resto das nossa vidas. 

Revolucionário não pendura as chuteiras, morre. E quem olha para trás vira estátua de sal.
Obs. artigo escrito e postado em 13/05/2012 

13.7.14

VOLTAMOS À DITADURA E NINGUÉM ME AVISOU?

A imprensa noticia a prisão de 19 cidadãos brasileiros não em função de contravenções ou crimes cometidos, mas apenas porque, supostamente, estariam pretendendo melar o encerramento do megaevento da Fifa. A aberrante lista inclui até uma advogada que não participa de atos públicos, apenas defende manifestantes.

Folha de S. Paulo apurou que "a série de prisões temporárias foi uma medida preventiva por causa de protestos marcados para a final da Copa, neste domingo, no Maracanã", conforme se depreende desta declaração do chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Fernando Veloso.
"Temos informações de que essas pessoas planejavam provocar torcedores argentinos para gerar confronto"
Ou seja, como em ditaduras ou nas democracias autoritárias do tempo do Onça, inventaram-se pretextos para encarcerar quem nada havia feito realmente de errado, numa evidente afronta ao artigo 5, inciso XVI, da Constituição Federal, que garante o direito de manifestação:
"Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente".
Mais: as otoridade afirmam possuir "quadro probatório robusto", mas não o mostram aos advogados e à imprensa, alegando que o caso corre em segredo de Justiça. Por qual motivo? O que tornaria determinante o sigilo em algo tão ínfimo? Grande mesmo é o arbítrio, o abuso de poder, o sequestro de brasileiros por mero receio de que viessem a arrombar a festa dos poderosos.

Antonio Sanzi, pai da ativista conhecida como Sininho, desmonta a farsa:
"O mandado de prisão é temporário e por conta de um inquérito em uma delegacia de crimes de informática. (...) A prisão é absolutamente ilegal, ilegítima e desnecessária. Porque a justificativa da prisão é, em tese, para facilitar as investigações. Ora, ela nunca se recusou a prestar depoimento, portanto as prisões são somente para intimidar os que estão sendo presos.
...Os 19 presos aparecem, colocam armas, máscaras, fazem uma espécie de museu dos horrores e concomitantemente informam a prisão de supostos membros de traficantes de quadrilhas de São Paulo para dar a impressão de que tudo é a mesma coisa.
Interessa à mídia desse país, e não só à Globo, a criminalização de qualquer possibilidade de negação do estado de desigualdade e exceção em que nós vivemos... um estado judicial de exceção. As medidas que estão sendo adotadas em função da Copa são absolutamente criminosas".
Marcelo Chalreo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, faz a mesma avaliação: as prisões temporárias "são um absurdo" e visam apenas à intimidação dos ativistas. 

A Anistia Internacional considerou o episódio "preocupante por parecer repetir um padrão de intimidação que já havia sido identificado pela organização antes do início do Mundial".

A ONG Justiça Global avalia que o propósito único é o de "neutralizar, reprimir e amedrontar aqueles e aquelas que têm feito da presença na rua uma das suas formas de expressão e luta por justiça social".

O Instituto de Defesa dos Direitos Humanos não deixa por menos: qualificou, em nota, a decisão do poder Judiciário do RJ de "antidemocrática e arbitrária", pois "nítida é a intenção política de inibir protestos no último dia do evento".

Teremos recuado quatro décadas, voltando à era Médici? Para adquirirmos o direito de sediar a Copa, assumimos algum compromisso de obedecer ao padrão Fifa de direitos humanos? Foi para isto que tantos companheiros valorosos morreram na resistência à ditadura militar e os sobreviventes dela saímos mais mortos do que vivos?

Estou profundamente decepcionado. Deixo registrado meu mais veemente protesto contra este ignóbil retrocesso.
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