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13.4.10

MAIS UMA PISADA DE BOLA DO VATICANO. DEVERIA FECHAR PARA BALANÇO...

O Vaticano está enredando-se cada vez mais nas suas contradições.

Sem conseguir justificar o fato de que muitos sacerdotes eram pedófilos, nem a omissão da alta hierarquia católica face a essa prática, agora resolveu abrir outra frente na batalha de opinião pública (que está perdendo de goleada!).

Parece que relações públicas não são o forte da Igreja, hoje em dia. Que idéia de jerico, já estando vulnerabilizado, comprar briga com um dos lobbies mais poderosos que existem!

Falando à imprensa em Santiago, o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, zurrou:

"Muitos psicólogos e psiquiatras demonstraram que não há relação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros demonstraram que há entre homossexualidade e pedofilia".

Sendo ele o número dois da Igreja, não se trata de uma declaração impensada de quem estava num mato sem cachorro. É pior ainda.

Como sou um mero articulista que a grande imprensa discrimina, não me vejo na obrigação de ficar diplomaticamente pisando em ovos. Vou pegar o touro pelos chifres.

O celibato dos sacerdotes não tem nada a ver com os ensinamentos de Cristo.

Começou a ser instituído a partir do ano 300, quando o Concílio de Elvira, na Espanha, determinou sua obrigatoriedade para os padres e bispos da província. Depois, foi se generalizando.

Mas, naquele tempo a hipocrisia não ia tão longe a ponto de exigir-se que homens se comportassem como eunucos. Simplesmente, os varões de batina transavam à vontade, fecundavam as moças e deixavam crescer e multiplicarem-se os bastardos.

Pois a restrição aberrante, contrária à natureza, tinha o único e exclusivo objetivo de impedir que os filhos de sacerdotes reivindicassem bens da Igreja como herança paterna. O resto era conversa pra boi dormir.

Papas chegavam a ser temidos guerreiros. Clérigos chegavam a ser insaciáveis garanhões. Tudo era bem diferente.

Corte para nossa época.

Um amigo espanhol me garante que, durante a Guerra Civil no seu país, os republicanos andaram invadindo conventos e encontrando muitos fetos enterrados.

Isto foi por eles interpretado como uma confirmação de que, em plena década de 1930, padres e freiras não fossem tão dóceis assim às imposições descabidas. Mas, pode ter também outras explicações.

E a Igreja acabou se tornando um refúgio para homossexuais latentes ou sem coragem para assumir a opção já feita.

O celibato tem algo a ver com isto? É óbvio que sim. Tem TUDO a ver.

Qual o melhor ambiente para homossexuais no pré-1968, aqueles tempos de zombarias, perseguições e discriminação, do que um agrupamento de homens privados do envolvimento amoroso com as mulheres? Onde poderiam encontrar com mais facilidade os congêneres e oportunidades para exercer discretamente sua orientação sexual?

Quanto à grita escandalizada contra a pedofilia sacerdotal, nem tanto ao céu, nem tanto à Terra.

Freud cansou de provar que a inocência angelical das crianças é um mito. Para quem quiser aprofundar-se no assunto, recomendo seus Três ensaios sobre a sexualidade infantil (1905).

No entanto, deve ser severamente punida a intromissão de adultos nessas primícias do erotismo, pois pode causar traumas terríveis. Os impúberes têm mesmo de ficar circunscritos a seu próprio universo. E as invasões desse universo têm mesmo de ser coibidas a todo custo.

A partir da puberdade, entretanto, a coisa muda de figura.

Muitas culturas admitem que moçoilas casem logo após a primeira menstruação. Geralmente não há problemas; vez por outra o resultado é ruim, como num caso recente de hemorragia fatal.

Quanto aos adolescentes, Freud também explica que neles coexistem os impulsos heterossexuais e homossexuais. Então, nesse período de indefinição, o assédio de um sacerdote pode mesmo ser um fator decisivo para que se inclinem na segunda direção.

Se este resultado é bom ou ruim, depende dos olhos de quem vê. No nosso planeta superpovoado, os conceitos mudaram um pouco desde aquele passado no qual prole numerosa era desejada pelas famílias e pelas nações, de forma que o desvio dessa obrigação constituía praticamente um crime. O preconceito mascarava uma conveniência.

Enfim, é tudo ambíguo e ambivalente, difícil de se destrinchar, um cipoal de ideologias e interesses.

Vai daí que só chegaríamos realmente à verdade analisando em profundidade cada caso de pedofilia sacerdotal. Extrair conclusões simplistas e genéricas, como está se fazendo, constitui postura das mais irresponsáveis, tendente à demagogia.

E é aqui que entram outras iniquidades atuais: o sensacionalismo e a avidez.

Folhetim medíocre é prato cheio para uma indústria cultural que, cada vez mais, serve para desviar as atenções do fundamental, superdimensionando as ninharias.

E salta aos olhos que a grande maioria dos queixosos superou essas experiências remotas e levava vida perfeitamente normal, até vislumbrar a chance de arrancar uma grana fácil da Igreja.

Causa-me extrema repulsa perceber que há pessoas expondo-se dessa forma por um punhado de notas.

Dá para simpatizarmos com os que se apresentaram na esperança de ver castigados os sacerdotes corruptores.

Mas, aqueles para quem um cheque apaga o passado e compensa o constrangimento de fazer tais revelações, não passam de oportunistas da pior espécie.

12.4.10

A CAVALARIA PREPARA O ATAQUE AOS PELES VERMELHAS

Entra presidente, sai presidente, os Estados Unidos continuam um país prepotente.

Hoje (12/04) e amanhã estarão reunidos em Washington representantes de 47 nações, na chamada Cúpula de Segurança Nuclear. Quem rege a orquestra, claro, são os anfitriães.

Segundo um alto funcionário do Governo Obama, "a cúpula é focada na cooperação para prevenir o contrabando nuclear, de forma a reduzir tanto quanto possível o perigo de que grupos de terror ou gangues de criminosos coloquem as mãos em materiais nucleares".

Até aí, tudo bem. Bombas atômicas não são mesmo brinquedos para bandos de tresloucados.

A coisa pega quando se percebe nas entrelinhas que o verdadeiro motivo da reunião é concertar sanções (quiçá ações, no sentido intervencionista do termo...) contra o Irã, o resto não passando de conversa pra boi dormir.

Israel, p. ex., não é signatário do Tratado Não-Proliferação Nuclear e cogitou até ficar fora da cúpula, por temer que o fossem pressionar nesse sentido.

A hilária esposa do ex-presidente Clinton correu a tranquilizar os falcões israelenses: "Israel compartilha conosco uma preocupação profunda com as ambições nucleares do Irã e também sobre a ameaça de terrorismo nuclear", afirmou a secretária de Estado dos EUA.

Ou seja, Israel não admite controle internacional de nenhuma espécie sobre seus programas nucleares, e tudo bem.

O Irã almeja ser tratado da mesma maneira, e tudo mal.

Esses dois países representam ameaças à humanidade?

A resposta é sim.

O Irã, por ser um estado teocrático, cujos condutores supõem ter (ou fingem que têm) linha direta com seu Deus, de quem receberiam as determinações mais cruéis e desumanas, como a de assassinar mais de uma centena de cidadãos que protestaram pacificamente contra uma fraude eleitoral.

Que garantia os demais países têm de que gente desse tipo não recorrerá a armas nucleares contra nações inimigas, iniciando a derrubada das peças de dominó que poderá levar à extinção da espécie humana? Realmente, nenhuma.

Israel, por sua vez, é um estado pirata, que descumpre sistematicamente as resoluções da ONU e é capaz de promover massacres terríveis como o da virada de 2008 para 2009, quando dizimou velhos, mulheres e crianças palestinos da faixa de Gaza, repetindo as práticas infames dos nazistas: se algum soldado de Hitler era emboscado nos territórios ocupados e não havia como punir os verdadeiros responsáveis, matavam moradores escolhidos a esmo.

Quem trata os civis como reféns sobre os quais é lícito retaliarem-se as ações dos combatentes também não oferece garantia nenhuma aos demais países de que seja nuclearmente correto.

A única forma de convivência de Israel com seus vizinhos tem sido a intimidação. Usa e abusa da sua condição de mais forte. Não é contido por escrúpulos de nenhuma espécie. Sua inclemência faz lembrar Átila, Gengis Khan e Vlad Dracul.

Só não foi derrotado até agora porque, na verdade, o inimigo que os senhores feudais e/ou tiranos do Oriente Médio mais temem é o seu próprio povo, que deve ser mantido sempre submisso; em segundo lugar, seus congêneres dos países vizinhos; e Israel vem só em terceiro lugar.

Mais dia, menos dia, esses déspotas serão derrubados e os novos governos vão conseguir unir-se contra Israel, como até agora nunca fizeram (quanto muito enfrentaram-no simultaneamente, só que sem obedecerem a uma estratégia conjunta nem unificarem seu comando pra valer).

Quando Israel tiver sua existência ameaçada, hesitará em usar as armas atômicas?

Por tudo que dele sabemos e por tudo que fez nas últimas seis décadas, só há uma resposta plausível: não.

Pelo contrário, os precedentes sugerem que, numa eventual iminência de extinção, arriscará tranquilamente levar consigo o resto da humanidade.

Então, se o Irã for enquadrado mas Israel mantiver sua licença para matar, continuaremos sem segurança nuclear nenhuma.

Recordando o velho Freud, que associava a agressividade ao déficit sexual, talvez fosse melhor uma cópula do que essa cúpula ridícula...
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