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31.1.12

"SÓ ACREDITO NO EMPREGO DA VIOLÊNCIA EM CIRCUNSTÂNCIAS MUITO ESPECIAIS"

A mensagem que recebi do companheiro Plínio de Arruda Sampaio, em resposta ao meu artigo Nossas melhores armas são o espírito de justiça e a superioridade moral, foi exatamente a que dele esperava.

Nunca duvidei de suas convicções, mas temia que o artigo publicado na Folha de S. Paulo (ver íntegra aqui) servisse como estímulo a uma radicalização que, neste momento, só interessa à direita golpista. Houve, inclusive, quem o divulgasse euforicamente nas redes sociais, destacando e aplaudindo o apelo às armas.

Então, é-me muito gratificante ter proporcionado ao nosso imprescindível Plínio a oportunidade de esclarecer melhor sua posição.

Segue a íntegra da mensagem:

"Prezado Celso

Pelo respeito que tenho pela sua militância, venho dar-lhe uma explicação a respeito do artigo sobre o massacre do Pinheirinho.

A proposta de emprego da violência não se referia aos ocupantes daquela área mas à necessidade de que a massa trabalhadora estivesse preparada para enfrentar a burguesia.

Não ficou claro e deu essa impressão equivocada, que causou estranheza a você, à Marietta e, imagino, a muito mais gente.

Na verdade, cometi o erro de tratar de um assunto complexo como este sem o espaço requerido para uma exposição adequada. Até porque, defensor, como sou, do socialismo democrático, só acredito no emprego da violência em circunstancias muito especiais e qualificadas.

Quero agradecer-lhe pelos comentários, que me fizeram ver o erro cometido, e agradecer as elogiosas referencias à minha pessoa.

Seu amigo e admirador, Plinio"

29.1.12

DEFENDER OCUPAÇÕES COM ARMAS É A MELHOR SOLUÇÃO?

Convidado pela Folha de S. Paulo a expressar a posição contrária à  blietzkrieg sobre Pinheirinho, como contraponto à defesa do cumprimento cego de decisões errôneas e desumanas da Justiça feita por um tal de João Antonio Wiegerinck, o grande Plínio de Arruda Sampaio produziu uma análise corretíssima da doença, mas receitou um remédio letal para o paciente que pretende curar e para muitos mais: a defesa das ocupações pela via armada (ver íntegra aqui). Eis sua argumentação:
"Pacífica, despolitizada e sem organização, essa população tem aceitado a situação intolerável sem recorrer à violência. Até quando?

Isso vai continuar acontecendo enquanto os partidos de esquerda deixarem de cumprir seu papel de conscientizar e organizar essa massa, para que ela resista a esses ataques de armas na mão.

Na hora em que isto for uma realidade, não haverá violência, porque a consciência dessa realidade será suficiente para manter os cassetetes na cintura".
A revolta do Plínio é pra lá de justificada e compreensível. Seu impecável relato dos acontecimentos mostra mesmo uma situação inaceitável numa democracia. Mas, se a esquerda conscientizar e organizar a massa das ocupações, para que resista aos jagunços fardados com armas na mão, vai se tornar ela própria parte do confronto.

Aí, as hipóteses serão apenas duas:
"Há soldados armados, amados ou não,
quase todos perdidos de armas na mão"
  • organizando tão somente os ocupantes, não os explorados e excluídos em geral, as lições do passado apontam para um quadro bem diferente do sonhado por Plínio, com os cassetetes permanecendo, sim, na cintura, mas porque substituídos por fuzis e lança-chamas --ou seja, a esquerda e os ocupantes acabariam esmagados pelos efetivos a serviço da propriedade, cujo poder de fogo, claro, é infinitamente superior;
  • se a esquerda partir para a organização dos trabalhadores e excluídos em geral, no sentido de respaldarem a resistência de armas na mão aos crimes consentidos pelo Executivo e avalizados pelo Judiciário (como foi o caso do Pinheirinho), a radicalização de parte a parte inevitavelmente desembocará numa luta armada como a que foi travada contra a ditadura de 1964/85.
Nada indica que o desfecho seria diferente hoje.

Daquela vez, estavam bloqueados todos os caminhos democrátivos para a contestação do regime implantado mediante golpe e sustentado por meio do terrorismo de estado. Entre resignarmo-nos à lei do mais forte ou lutarmos contra o arbítrio, alguns milhares fizemos a opção mais digna, pegando em armas a despeito de estarmos plenamente conscientes do quanto a correlação de forças nos era desfavorável.

Fomos heróis. Fomos mártires. Fomos massacrados.

"Nos quartéis lhes ensinam antigas lições
de morrer pela pátria e viver sem razões"
Atualmente, embora a democracia formal sirva como biombo para a ditadura do capital, ela pelo menos nos garante a possibilidade de tocarmos os corações e esclarecermos as mentes. Graças, principalmente, à quebra do monopólio da formação de opinião que a internet nos possibilitou, estamos pouco a pouco, com trabalho de formiguinha, estimulando em novos contingentes o desenvolvimento de uma consciência crítica e antagônica ao capitalismo. Ampliamos e rejuvenescemos nossos efetivos a olhos vistos.

Já predominamos na web e isto nos deu fôlego suficiente para vitórias antes improváveis, como a que obtivemos no Caso Battisti e ao rechaçarmos o atentado à liberdade de expressão perpetrado em São Paulo, quando a Marcha da Maconha foi reprimida.

Mas, a mídia a serviço das más causas ainda consegue fazer com que 82% dos paulistanos aprovem uma resposta policial para um problema social, como foi o caso na cracolândia. E isto apesar das evidências gritantes de que, além de desumana, a operação fracassou rotundamente, a ponto de a própria Polícia Militar admitir que os usuários de drogas foram apenas esparramados por, pelo menos, 27 outros pontos da cidade (ver aqui). 

Então, com todo o respeito que Plínio de Arruda Sampaio, com sua exemplar trajetória de lutas, merece dos que travamos o bom combate, desta vez ele foi traído pela emoção. A análise serena nos recomenda que:
  • continuemos levando sempre em conta a correlação de forças --ou seja, que não radicalizemos as lutas além de nossa capacidade real;
  • não forneçamos trunfos e pretextos para a direita golpista que mostrou suas garras na USP, na cracolândia e no Pinheirinho;
  • prossigamos disseminando nossas idéias em escala cada vez mais ampla e resistindo às investidas autoritárias com as armas do espírito de justiça e da superioridade moral, não com armas de fogo.
O que faltou em Pinheirinho não foram necessariamente armamentos. Se, posicionados ao lado dos coitadezas da ocupação, lá estivessem, digamos, 50 mil cidadãos pacíficos e determinados, provavelmente isto teria sido "suficiente para manter os cassetetes na cintura".

28.1.12

VIÚVAS DA DITADURA DEITAM E ROLAM NA POLÍCIA PAULISTA

"Em 31 de março de 1964 iniciou-se a Revolução, desencadeada para combater a política sindicalista de João Goulart. Força Pública e Guarda Civil puseram-se solidárias às autoridades e ao povo."

Este parágrafo aberrante, tratando a quartelada de 1964 como Revolução (com inicial maiúscula!) e justificando a participação da Força Pública e da Guarda Civil no golpe contra o presidente constitucional do País, constava até esta 6ª feira (27) da página virtual da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, alojada no portal do Governo paulista.

Ilustrando-o, havia uma imagem apoteótica da Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade, a maior arregimentação da classe média lograda pelos conspiradores durante a preparação do cenário para a derrubada de Goulart. Em primeiro plano, um oficial fardado.

Como a permanência deste entulho autoritário veio à tona exatamente no momento em que a escalada autoritária do Governo Alckmin recebe críticas generalizadas, a SSP correu a deletar texto e foto. O ano de 1964 foi apagado da linha do tempo, que agora salta diretamente da criação da Polícia Científica em 1956 para a instituição do Departamento de Trânsito em 1967.

Ao portal Terra foi encaminhada nota afirmando o seguinte:
"O texto relacionado ao ano de 1964 não reflete o pensamento da Secretaria da Segurança Pública e foi retirado do site. A SSP agradece a observação, sempre atenta, da imprensa".
A última atualização da página havia sido efetuada em 2010 --ou seja, 25 anos depois da virada dessa página infame da nossa História, a SSP continuava exaltando o arbítrio e o totalitarismo... à custa dos impostos dos contribuintes de São Paulo!

NA DERRUBADA DE GOULART, A ROTA
ESTAVA "APOIANDO A SOCIEDADE"?!

E não se tratou de caso isolado: também a unidade mais truculenta da Polícia Militar paulista, a Rota, vangloriava-se no seu site da seguinte  campanha de guerra
"Revolução de 1964, quando participou da derrubada do então Presidente da República João Goulart, apoiando a sociedade e as Forças Armadas, dando início ao regime militar com o Presidente Castelo Branco" (o grifo é meu).
Indignado com esta exaltação do golpismo e, noutro trecho, com os autoelogios da Rota ao seu papel de coadjuvante das Forças Armadas na repressão aos cidadãos que pegaram em armas contra a ditadura militar, enderecei carta aberta ao então governador José Serra em outubro de 2008.

Tive de repetir a dose com os governadores Alberto Goldman e Geraldo Alckmin, escrever mais de duas dezenas de textos (ver balanço aqui) e esperar quase três anos para ver suprimida, pelo menos, a referência à derrubada de Goulart.

Até então, a PM descumprira promessa feita ao portal Brasil de Fato, de eliminar tais absurdos; e Serra, respondendo a uma pergunta que lhe enderecei na sabatina da Folha de S. Paulo, admitira publicamente que tal retórica era despropositada, sem que Goldman (o vice a quem transmitira o cargo para disputar a eleição presidencial) tomasse qualquer providência.

Até que Ivan Seixas --também ex-preso político e meu companheiro nesta denúncia-- cientificou a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, cujo firme posicionamento finalmente demoveu Alckmin da intransigência que ele e os outros governadores tucanos vinham mantendo. Em  setembro de 2011!

Salta aos olhos que o ranço totalitário ainda não foi extirpado da polícia paulista, daí o papel chocante que vem desempenhado ultimamente, com tanta  convicção: na USP, na cracolândia e no Pinheirinho, foram os brucutus da ditadura que atuaram --prendendo, batendo, arrebentando e expulsando.

27.1.12

DILMA QUALIFICA A AÇÃO DA PM EM PINHEIRINHO DE "BARBÁRIE"

A presidente Dilma Rousseff, no Fórum Social 2012, somou sua voz à indignação nacional contra a truculência mais uma vez desencadeada pela Polícia Militar paulista contra os excluídos.

O que aconteceu em Pinheirinho foi "barbárie", disse ela.

Foi barbárie, dizemos todos os que penamos 21 anos sob uma brutal ditadura e não assistiremos passivamente às sorrateiras tentativas de restabelecerem o primado da repressão como resposta aos problemas sociais --mais um passo de uma caminhada que poderá conduzir a novo estupro da nossa liberdade, se não esmagarmos o ovo da serpente enquanto é tempo.

Dilma está certa quanto aos limites da atuação do governo federal no caso. Mas, o PT não tem tal inibição e precisa colocar a militância protestando na rua, até para honrar os seus princípios, sua história e sua mística: É UM PARTIDO QUE NÃO TEM O DIREITO DE OMITIR-SE DIANTE DA BARBÁRIE! 

Eis o relato do enviado da Folha de S. Paulo a Porto Alegre, Felipe Bächtold:

"Em reunião fechada ontem com movimentos sociais em Porto Alegre, a presidente Dilma Rousseff fez críticas contundentes à reintegração de posse na área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos (a 97 km de São Paulo).
A Folha ouviu seis participantes do encontro. Segundo eles, Dilma se referiu à operação da Polícia Militar paulista como 'barbárie' e disse que não esperava que ocorresse dessa maneira.

Falou ainda que o modelo usado na reintegração, realizada no domingo passado, nunca será adotado pelo governo federal.

Mas, ainda segundo os espectadores da reunião, a presidente disse que o país é uma federação e que o caso estava sob responsabilidade de um Estado e do Judiciário, o que limita a atuação do governo federal".

25.1.12

GIANNAZI VAI DENUNCIAR À OEA A PARCIALIDADE DA JUSTIÇA PAULISTA

O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL-SP) vai pedir ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Comissão de Direitos Humanos da OEA "uma profunda investigação dos atos da juíza da 6a. vara de São José dos Campos, Márcia Faria Loureiro, e da presidência do Tribunal de Justiça que avalizou a decisão de retirar mais de 6 mil moradores do bairro do Pinheirinho, causando uma grande tragédia humanitária que afrontou e violou a dignidade da pessoa humana e os direitos humanos elementares, inclusive de crianças, mulheres grávidas e idosos".

A intenção foi anunciada no site de Giannazi (ver aqui), que está finalizando o dossiê a ser encaminhado ao CNJ e à OEA.

Participante das negociações para que o episódio tivesse desfecho pacífico, ele estranhou "o comportamento da juíza em manter a todo o custo a execução da liminar, mesmo com a suspensão por 15 dias do processo da massa falida, acordado no dia 18 de janeiro".

A suspensão visava exatamente dar tempo aos governos federal, estadual e municipal para encontrarem outra solução que não fosse a transformação do Pinheirinho numa "praça de guerra", conforme bem definiu o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República.

"Qual o motivo que levou ao apressamento da retirada dos moradores se a massa falida, responsável pelo pedido de reintegração de posse estava suspendendo o processo na perspectiva de uma saída negociada e pacifica?" --indaga Giannazi. 

Ele também levanta um ponto que me causara idêntica estranheza: a desobediência à liminar do Tribunal Federal de Recursos, suspendendo a desapropriação. Havendo conflito entre a Justiça estadual e federal, cabia ao Governo Alckmin aguardar que o Superior Tribunal de Justiça o dirimisse.

Na minha opinião, a pressa em criar-se um fato consumado foi suspeitíssima.

ESTRATÉGIA DE TENSÃO

O jornalista Hélio Gaspari, em sua coluna desta 4a. feira (25), também veio ao encontro de uma afirmação que eu faço desde o primeiro momento: a de que o Governo Alckmin buscou e forçou o confronto (Gaspari responsabiliza também os organizadores da ocupação e a a Prefeitura de São José):
"Na operação militar que desalojou 1.600 famílias da área ocupada do Pinheirinho, em São José dos Campos, ganhou quem jogou na tensão. Conseguiram mobilizar 1,8 mil PMs, numa operação que resultou em dois dias de choques, no desabrigo de 2.000 pessoas, dez veículos destruídos, quatro propriedades incendiadas e 34 presos.
A gleba foi invadida em 2004 e está avaliada R$ 180 milhões. É o caso de se perguntar o que poderia ter sido feito ao longo de sete anos para evitar que o maior beneficiado pelo espetáculo fosse a massa falida de uma empresa do financista Naji Nahas, que deve R$ 17 milhões à prefeitura".
Faltou Gaspari acrescentar que a mesma estratégia da tensão está sendo adotada na USP e na cracolândia, o que caracteriza algo maior e mais perigoso: um processo de fascistização, que eu vejo como balão de ensaio e ponta de lança do golpismo em escala nacional. Se não for detido, vai se radicalizar cada vez mais e servir como modelo para os reacionários de outros Estados.

Finalmente, repito um alerta que já lancei: o reinício das aulas na USP se dará sob os piores augúrios, depois da provocativa expulsão de seis estudantes durante as férias, reeditando os tempos nefandos da ditadura militar e seu decreto 477. 

Se a tropa de ocupação e o reitor imposto não saírem até lá, haverá graves turbulências e talvez até vítimas fatais. A contagem regressiva está em curso.

23.1.12

O AVANÇO DA FASCISTIZAÇÃO EM SP E A OMISSÃO DO PT

Passando por cima de uma decisão da Justiça e antecipando-se à solução negociada que estava bem encaminhada e possibilitaria um desfecho pacífico, o Governo Alckmin novamente deu demonstração estúpida de força, desta vez contra os coitadezas escorraçados da Ocupação Pinheirinho.

Tudo que havia a ser dito sobre a fascistização em curso no estado de São Paulo, balão de ensaio e ponta de lança do golpismo em escala nacional, eu já disse no recente artigo Terrorismo na USP: tentaram mandar o Sintusp pelos ares.

O novo episódio vem exatamente na esteira dos anteriores, intensificando a escalada de agressões aos movimentos organizados e aos sacos de pancada de sempre, os excluídos.

Só me resta renovar o alerta aos petistas: seu partido, como bem notou o colunista Melchiades Filho (vide aqui), está acomodatício e condescendente diante da sucessão de descalabros autoritários da dupla Alckmin-Kassab. Age segundo as conveniências da política menor, sem perceber que está em jogo algo muito maior e extremamente preocupante.

Os versos de Brecht caem como uma luva nesta situação:
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.


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22.1.12

PRESSÕES DE BASTIDORES NA DEFINIÇÃO DA COMISSÃO DA VERDADE

Esta na Folha de S. Paulo deste domingo (22): Dilma deve ouvir Lula para definir Comissão da Verdade (ver íntegra aqui). Eis os trechos principais:
"A presidente Dilma Rousseff deve consultar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de escolher quem serão os integrantes da Comissão da Verdade.

Lula (...) será um dos poucos interlocutores cuja opinião terá peso na escolha dos sete conselheiros, segundo membros do governo envolvidos nas tratativas da instalação da comissão.

Inicialmente, a presidente havia assinalado a assessores que queria definir a comissão ainda neste mês. Mas dentro do governo já se trabalha com março como o mês limite da escolha.

Nos bastidores, ao menos quatro grupos se movimentam para conseguir emplacar conselheiros, que poderão convocar testemunhas e requisitar qualquer documento.

Organizados no ano passado, por meio de comitês estaduais, para pressionar pela aprovação da comissão no Congresso, esses grupos enviaram ao governo diversas listas, nas quais constam cerca de cem nomes.

Nelas, destacam-se acadêmicos e de dois membros da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil): Cezar Britto, ex-presidente da entidade, e Wadih Damou, que comanda a ordem no Rio de Janeiro.

Tucanos de São Paulo tentam emplacar José Gregori ou Paulo Sérgio Pinheiro, ambos ministros do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Ao mesmo tempo, o Ministério Público Federal trabalha para que um procurador seja escolhido. O nome mais cotado em Brasília é o de Marlon Weichert, da Procuradoria em São Paulo.

Senadores de oposição também desejam indicar o titular de uma das vagas".
Talvez agora os companheiros percebam melhor porque eu me apresentei como anticandidato, dispondo-me a lutar pela CONQUISTA da verdade (ver aqui), já que nada nos é dado de graça.

Estava careca de saber que haveria uma enxurrada de mobilizações, pressões e lobbies dos que são luminares ou PARTICIPAM, duma ou doutra maneira, DO SISTEMA.

Então, para marcar posição, ofereci-me como uma ALTERNATIVA VINDA DE FORA DO SISTEMA. Alguém que chegaria à Comissão com o compromisso único de resgatar e revelar a verdade, fazendo justiça às vítimas dos  anos de chumbo.

É claro que, assim como as vozes das ruas dificilmente são ouvidas na tomada das grandes decisões nacionais, também as ruas virtuais não estarão representadas na Comissão. A escolha se dará no universo claustrofóbico do  stablishment  político, incidindo sobre os notáveis de sempre e sempre sobre nomes  respeitáveis  aos olhos da grande imprensa.

Continuarei priorizando as ruas onde está o povo e a praça que é do povo como o céu é do condor; e também as ruas virtuais, que aos poucos vão se tornando o embrião de uma alternativa de poder.

É delas que quero ser porta-voz: se algum dia conseguir invadir uma praia do sistema, não será para fazer parte do sistema, mas sim para, a partir de uma tribuna que atinge público diferente do que atinjo agora, amplificar as vozes dos que lutam contra o sistema.

20.1.12

O EMPASTELAMENTO DO MEGAUPLOAD: PROUDHON EXPLICA

O FBI tirou o Megaupload do ar, prendeu e indiciou funcionários, pretende queimar todos os arquivos.

Faz tempo que eu vi esse filme: é de 1966 e se chama Fahreinheit 451.

E houve outros mais antigos, com uns tais Adolf Hitler e Tomás  de Torquemada como protagonistas.

Têm motivos de sobra para inquietarem-se os paladinos da propriedade: quem compartilha arte e cultura, acaba percebendo que todas as criações dos seres humanos poderiam ser igualmente compartilhadas.

Queima de livros durante o nazismo.
A História se repetirá?
Que o mundo ficaria muito melhor assim.

Que, somando esforços pelo bem comum, os homens hoje têm plenas condições de implantarem o paraíso na Terra.

Que a propriedade é o roubo, enfim: ela rouba o nosso direito à felicidade.

Então, como a compreensão destas obviedades é fatal para os poderosos, há que acionar-se a repressão e cortar o mal pela raiz.

Nem que seja recorrendo às soluções medievais: masmorras e fogueiras.

Assim caminha a desumanidade.

17.1.12

ALERTA VERMELHO: RADICALIZAÇÃO E TERRORISMO NA USP

Já não é mais uma escalada autoritária o que se vê na Universidade de São Paulo: agora se trata de um processo de fascistização plenamente configurado, cada vez mais agressivo e de consequências imprevisíveis.

As ocupações militares da USP e da cracolândia são as duas faces da mesma moeda: a tentativa de reabilitarem o recurso abusivo à força como solução para tudo e dissuasivo a ser empregado contra todos.

Não foi por acaso que um herdeiro espiritual da ditadura militar completou a chapa de José Serra na última eleição presidencial. Nem é por acaso que a identidade política do novo governo de Geraldo Alckmin esteja sendo dada... pela Polícia Militar!

Como nos antecedentes da última quartelada, a oposição começa a rondar as portas de quartéis. Três derrotas acachapantes e a possibilidade de uma quarta em 2014 estão enlouquecendo os tucanos, que cada vez mais se transformam em corvos.

Se não reagirmos de imediato e com máxima firmeza, as consequências, adiante, serão as mais nefastas. O ovo da serpente já eclodiu, mas ainda estamos em tempo de esmagar o réptil.

DA HORDA DE INVASORES DO SERRA 
À TROPA DE OCUPAÇÃO DO ALCKMIN

Na USP, o quadro veio se agravando ano a ano, mês a mês, dia a dia, até chegar-se ao quadro atual, que é assustador. O reinício das aulas ocorrerá sob os piores augúrios..

Em 2007 (vejam aqui), o ex-governador José Serra tentou impor-lhe quatro decretos autoritários e foi obrigado a recuar pela vigorosa defesa da autonomia universitária por parte de estudantes, professores e funcionários.
Atentado ao Riocentro, em 1981:
o feitiço virou contra o feiticeiro

A gestão de Serra foi também marcada pela volta da repressão mais brutal contra manifestantes e pela permissão para  invadir e agredir, concedida a contingentes policiais extremamente identificados com a ditadura de 1964/85. É patético que, ex-presidente da UNE, ele tenha agido exatamente como os inimigos que então o perseguiam e por causa dos quais teve de procurar o exílio.

Como legado, Serra deixou a USP entregue a quem os membros do Conselho Universitário e dos Conselhos Centrais não queriam como reitor, tanto que o preteriram na lista tríplice, por saberem muito bem que lhe faltavam méritos acadêmicos e sobravam convicções ultradireitistas: João Grandino Rodas. Desde o notório Paulo Maluf, nenhum governador de São Paulo afrontava a posição dos Conselhos, deixando de escolher o primeiro colocado da lista.

Tido como integrante da medievalista e anticomunista Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, Rodas desconversou ao ser indagado sobre isto numa entrevista. Foi membro da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, quando conseguiu encontrar pretextos até para negar a responsabilidade dos carrascos da ditadura em casos notórios e indiscutíveis como os de Stuart Angel e Edson Souto. E, ao dirigir a Faculdade de Direito da USP, requereu o assalto da Polícia Militar àquela unidade e perseguiu de forma tão atrabiliária seus desafetos que acabou sendo declarado  persona non grata  pelos acadêmicos.

Coerentemente, Rodas aproveitou a primeira chance que teve (o assalto e morte de um estudante) para completar a obra de Serra, concedendo à PM, desta vez, permissão para  ocupar e provocar.

A sucessão de intimidações e humilhações a que a tropa de ocupação submeteu os universitários causou uma revolta espontânea contra a PM, seguida de mais repressão, mais abusos de poder e mais reincidências nas práticas ditatoriais: em dezembro foi o famigerado decreto 477 que se reeditou na prática, ao expulsarem-se sumariamente seis estudantes.

E, como o terrorismo oficial vem sempre acompanhado do oficioso, ecos do frustrado atentado ao Riocentro ressoam na denúncia do Sindicato dos Trabalhadores da USP, de que acaba de ocorrer uma "criminosa tentativa de sabotagem no Sintusp": quando os funcionários chegaram para trabalhar no dia 12, encontraram pastas e documentos revirados e todos os botões do fogão industrial abertos, sem que tivessem sido violados os cadeados de entrada nem as fechaduras das portas que dão acesso à entidade e salas internas.

Funcionários e estudantes se recordam de terem visto, na véspera, vigilantes da empresa Evik e policiais à paisana rondando o sindicato.

SNI DO RODAS ESPIONA ATÉ OS
DIRETORES DE UNIDADES DA USP

Em sua nota, o Sintusp destaca que a ação terrorista ocorreu na sequência dos seguintes episódios recentes:
  • dia 6 - uma estudante grávida foi agredida por integrantes da Guarda Universitária na presença de PM's;
  • dia 9 - diretores do Sintusp discutiram com guardas universitários e PM's, ao defenderem o estudante Nicolas Menezes Barreto da agressão do sargento André Ferreira;
  • dia 9 – a revista Fórum publica (veja aqui) relatórios da espionagem a que estão sendo submetidos sindicalistas, professores, estudantes e até diretores de unidades da USP (o que, por si só, já é motivo mais do que suficiente para Rodas ser afastado do cargo).
Termina assim a nota da diretoria colegiada plena do Sintusp sobre o ato terrorista:
"Este é o último capitulo de uma tragédia anunciada pela assinatura de um convênio que perpetua a PM em nossa universidade, como parte de uma verdadeira ofensiva repressiva feita por parte da reitoria e do governo, que se dá através de processos administrativos, criminais e ações de espionagem contra os diretores e ativistas do sindicato e estudantes que lutam em defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos.

Assim, denunciamos esta criminosa atitude de ataque ao Sintusp e responsabilizamos a reitoria e o governo pela integridade física de todos.

Finalmente, pedimos as entidades sindicais, populares, estudantis, intelectuais e parlamentares a manifestarem repudio a mais essa ação criminosa e devida apuração dos fatos, conseqüentemente, a responsabilização de seus autores".
A entidade sugere o envio de mensagens às seguintes autoridades:
  • secretário Estadual de Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto (seguranca@sp.gov.br);
  • reitor João Grandino Rodas (gr@usp.br);
  • procurador-geral de justiça Fernando Grella Vieira (pgj@mp.sp.gov.br); e
  • presidente da Assembleia Legislativa, deputado Barros Munhoz (barrossmunhoz@yahoo.com.br).

13.1.12

FOI O MOSSAD QUE MATOU O CIENTISTA NO IRÃ?

Serei sempre contra o autoritarismo, em todo e qualquer país.
Considerarei sempre os estados teocráticos um medievalismo sem lugar no século 21.

Lutarei sempre contra aberrações como a execução de uma mulher apenas e tão somente por ser adúltera (o resto, no caso de Sakineh Ashtiani, foram invencionices acrescentadas depois que o mundo inteiro condenou a sentença bestial).
São princípios dos quais jamais abrirei mão, pois os tenho como indissociáveis de minha opção revolucionária.

Mas, não sou maniqueísta --até porque ninguém que leu e absorveu os clássicos do marxismo o pode ser.

Então, coloco-me inteiramente ao lado do Irã quando ameaçado ou atingido pela imposição da  lei do mais forte  nas relações internacionais.

Como, desde meados do século passado, Israel vem sendo o pior estado transgressor das normas civilizadas e aquele que mais vezes teve suas práticas repudiadas pela ONU --só se salvando de punições concretas graças aos vetos estadunidenses no Conselho de Segurança--, não faz nenhum sentido impedir-se o Irã de ter a bomba atômica, já que os desequilibrados israelenses a possuem.
Que confiança merecem quem foi capaz de desencadear um genocídio tão escabroso quanto o da faixa (gueto?) de Gaza, na virada de 2008 para 2009? E de lançar ataque pirata contra uma embarcação de auxílio humanitário, assassinando pacifistas? E de, em 1975, oferecer petardos nucleares ao execrável regime do apartheid sul-africano?
Desarmamento, sim. Unilateral, não. Fanáticos por fanáticos, o arsenal nuclear de Israel representa perigo tão grande para a humanidade quanto o que alegadamente o Irã estaria tentando criar. É, sem sombra de dúvida, a primeira nação em qualquer relação honesta das que precisam ser desarmadas, pois se trata da que massacra sistematicamente os vizinhos.

O genocídio de Gaza jamais será esquecido
Quanto aos assassinatos de cientistas e técnicos que tocam o programa nuclear iraniano, merece o meu mais veemente repúdio.
Tudo leva a crer que o culpado seja mesmo o mordomo. A tradição israelense de desrespeito à soberania alheia vem de muito longe --quem não se lembra, p. ex., do ultrajante sequestro de Adolf Eichmann na Argentina, em 1960? Ou da Operação Entebbe, em 1976?
É um estado que prima por agir, na vida real, como a  Spectre  das fantasias de James Bond. E, pior, seu serviço secreto (o Mossad) é muito mais eficiente do que a CIA na implementação dessas ações piratas.
Então, são mais do que justificadas as suspeitas de que provenha de Israel o atentado que matou, na última 4ª feira (11), o cientista Mostafa Ahmadi-Roshan, o quinto funcionário importante do programa nuclear iraniano assassinado desde 2007.
Além das matanças seletivas, direcionadas contra alvos específicos, houve também a carnificina indiscriminada na instalação nuclear de Isfahan, explosão cujo saldo foi um general e 16 pessoas dizimadas, em novembro último.
Já se passaram alguns anos desde que qualifiquei Israel de IV Reich. Infelizmente, continua fazendo por merecer a  láurea.

Quanto ao Irã, tem minha total solidariedade com relação a tais atentados terroristas, o que não me impedirá de continuar repudiando incisivamente suas violações de direitos humanos e direitos civis. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Em ambos os casos sigo meus princípios, que não distinguem países e regimes, aplicando-se a qualquer um que incorra em práticas condenáveis. Não há nenhuma justificativa admissível para a barbárie e revolucionários de verdade jamais devem  aliviar   para os que nela incidam.

11.1.12

EX-RESISTENTES DEVEM FICAR FORA DA COMISSÃO DA VERDADE?

No meu artigo Comissão da Verdade: por que parou, parou por quê?, afirmei que "mais do que a mim mesmo, gostaria de ver na Comissão o companheiro Ivan Seixas, por sua atuação incansável contra os carrascos da ditadura e pelo magnífico papel que desempenhou no episódio das ossadas de Perus".

A companheira Tânia Veiga, participante destacada de fóruns de discussão da internet como o Portal Luis Nassif, levantou, nos comentários, uma objeção que deu ensejo à troca de idéias abaixo sobre a participação de ex-resistentes e figuras ligadas à ditadura na Comissão Nacional da Verdade.

Acredito que, no mínimo, sirva para lançar algumas luzes sobre o assunto --o que já justifica sua reprodução.

TÂNIA: IVAN SEIXAS NÃO 
PODE, POR SER ATINGIDO

Ivan Seixas não pode, por ser atingido. Mas há muitos outros nomes interessantes.


CELSO: UM GOVERNANTE PRECISA 
MOSTRAR CORAGEM POLÍTICA

Eu discordo totalmente do critério de que vítimas não possam participar. Carrascos, sim, têm de ser impedidos.

É uma daquelas ocasiões em que um governante precisa mostrar coragem política --como o Lula, quando não se vergou às pressões italianas no Caso Battisti.

E eram pressões bem maiores do que as de parlamentares reacionários.


TÂNIA: DEVEMOS ENTENDER AS 
REGRAS DA JUSTIÇA DE TRANSIÇÃO

Justiça de Transição é uma área do direito recente, mas muito bem sedimentada, nascida no Tribunal de Nuremberg.

Se queremos que a Comissão da Verdade seja respeitada por que podemos vetar a participação dos carrascos e podemos aceitar a participação das vítimas? Essas devem relatar suas histórias e não participar das decisões. Isso que se deve entender! Como podemos pedir isenção se um dos participantes for atingido?

Se queremos que toda a sociedade aceite e respeite as decisões da Comissão devemos entender essas regras da Justiça de Transição!


CELSO: JAMAIS SERÍAMOS CAPAZES 
DE LINCHAR MORALMENTE ALGUÉM

Não se pode igualar carrascos e vítimas, nem dar aos primeiros os direitos de réus.

Por um motivo óbvio: não se trata de um julgamento, mas sim de uma investigação histórica, para produzir um veredicto oficial sobre o período de exceção.

E não há hipótese nenhuma de que as autoridades e os agentes da ditadura sejam inocentes: são, de antemão, culpados. Conspiraram e derrubaram um governo legítimo, governaram sob terrorismo de estado e cometeram atrocidades de todo tipo.

A própria instituição das comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos Políticos já implicou o reconhecimento de que houve arbítrio, houve vítimas do arbítrio e, consequentemente, culpados do arbítrio.

O que está agora em pauta é definir-se exatamente o que foi cometido e por quem, com finalidades históricas e não punitivas.

Neste sentido, cabe, sim, a participação de antigos resistentes, insuspeitos de tendenciosidade ou ânimo linchador.

P. ex., existe qualquer dúvida quanto à imparcialidade e espírito de justiça de Jacob Gorender, ex-dirigente do PCBR?

Você colocaria em dúvida minha imparcialidade e espírito de justiça?

Evidentemente, nós dois condenaremos esses carrascos, EM BLOCO, até o dia da nossa morte.

Mas, quanto às responsabilidades individuais, jamais seríamos capazes de linchar moralmente alguém. Talvez até lhes concedêssemos mais o benefício da dúvida do que quem não foi resistente.

E por que nós poderíamos participar da Comissão e não eles?

Pelo mesmo motivo que os nazistas foram julgados por seus inimigos em Nuremberg: em razão da monstruosidade dos crimes que cometeram.

Sendo que, lá, produziram-se condenações à morte.

Aqui se produzirá apenas um relatório.

Por tudo isto, eu repudio enfaticamente a falácia de parlamentares direitistas, viúvas da ditadura ou  corvos  que ela criou --pois foram eles que primeiramente impugnaram a participação de antigos resistentes na Comissão.

Faz sentido na lógica deles, de considerarem que os dois lados cometeram crimes.

Não faz sentido na lógica da civilização, que condena os crimes dos déspotas, mas reconhece o direito dos cidadãos de resistirem à tirania, inclusive pela via armada.

Então, faço um veemente apelo à presidente Dilma, que num dia longínquo de 1969 conheci como  companheira Vanda: não cooneste tal falácia dos inimigos de ontem, de hoje e de sempre.

Sabendo que as práticas ditatoriais são indefensáveis numa democracia, já desistiram de eximir-se de suas culpas.

Tentam, isto sim, igualar-nos a eles, puxar-nos para baixo, para seu esgoto moral e para a lixeira da História.

9.1.12

SEM PROCESSO, NÃO SE PODE NEGAR A NINGUÉM O DIREITO DE VIAJAR


"Liberdade é sempre, fundamentalmente, a liberdade de quem discorda de nós."

A máxima de Rosa Luxemburgo jamais deve ser esquecida. É a vacina e o antídoto contra o despotismo.

Então, peço aos dirigentes cubanos que reconsiderem sua decisão sobre a blogueira dissidente Yoani Sánchez.

Como ela não está sob prisão domiciliar, tem o direito de viajar ao Brasil e para onde mais quiser, quando quiser.

É totalmente inconcebível e inaceitável que ela haja pedido autorização para deixar Cuba 18 vezes, e nas 18 vezes a tenham negado.

De resto, eu prefiro que a pressão seja de esquerdistas autênticos (sem vezo autoritário) sobre o governo cubano. Não da presidente Dilma, do Senado, nem mesmo de parlamentares bem (Suplicy) ou mal intencionados.

Não é uma questão entre nações, mas sim de visões diferentes sobre como deve ser exercido o poder popular. Então, revolucionários devem se posicionar como revolucionários, não em nome de seus países.

Só em casos extremos --impedir uma execução grotesca e bestial como a de Sakineh Ashtiani, p. ex.-- é que se justifica a intervenção de governos.

Acredito que a justiça social possa coexistir com a liberdade e com o respeito aos direitos humanos. Os que pensam como eu, que enderecem suas mensagens aos governantes cubanos. São eles os destinatários corretos.

ISTO É YOANI SÁNCHEZ

"O rumor de que amanhã, sexta-feira, Raúl Castro poderia anunciar uma flexibilização a estas restrições de entrada e saída não me deixa dormir. Em quatro anos meu passaporte se encheu de vistos para outras nações, porém carece de uma só permissão para que eu possa transpor essa insularidade. Dezoito negativas de viagem é demais; parece mais uma vingança pessoal do que o exercício de alguma regulamentação burocrática. 


Tenho minha bagagem preparada desde há muito. A roupa que contém foi amarelando com o tempo, os presentes que levaria para os amigos caducaram ou passaram de moda, as comunicações que iria ler ao vivo em certos eventos perderam a atualidade. Porém a maleta continua me olhando de um canto da casa. 


Quando viajamos? Imagino que suas rodas gastas me interrogam. E só atino em lhe responder que talvez esta sexta-feira num parlamento – sem poder real – alguém decrete a devolução de um direito de que sempre deveria desfrutar.

No caso de que a esperada 'reforma migratória' seja anunciada, provarei seus limites no aeroporto, em frente à guarita que tantos temem. Minha maleta e eu estamos prontas. Dispostas a comprovar se o guarda apertará o botão que abre a porta para a sala de espera ou se chamará a segurança para que me tirem do lugar".

Estes são os parágrafos finais do post de 22/12/2001, Com a maleta preparada, segundo a tradução publicada no blogue Geração Y. Ela escreve bem.

E, pelo menos quanto ao direito de viajar para onde quiser, não há como negar que está coberta de razão. Quem quiser realmente ajudar Cuba, que tente convencer seus governantes a abandonarem estas práticas indefensáveis aos olhos das pessoas civilizadas. Elas dão péssima imagem à revolução.

OUTROS TEXTOS P/ LER, PUBLICAR E REPASSAR (clique p/ abrir):
COMISSÃO DA VERDADE: POR QUE PAROU, PAROU POR QUÊ?
A "SOLUÇÃO FINAL" PARA A CRACOLÂNDIA E OUTROS FACTÓIDES
CONFIRMADO: FOI MESMO UMA OPERAÇÃO POLICIALESCA E DE AFOGADILHO
OS 120 MELHORES TEXTOS DO BLOGUE "NÁUFRAGO DA UTOPIA"

1.1.12

UMA CRÔNICA (AMARGA) DE ANO NOVO

Esta é a ameaça...
Depois da consagração com "Disparada" no Festival da Record de 1966, Geraldo Vandré tentou repetir a dose no ano seguinte: na mesma linha do épico do boiadeiro, inscreveu um épico... do chofer de caminhão.

A estrutura era idêntica, havia também uma introdução ("Meu senhor, minha senhora/ vou falar com precisão/ não me negue nesta hora/ seu calor, sua atenção") bem nas pegadas da anterior ("Prepare o seu coração/ pras coisas que eu vou contar/ Eu venho lá do sertão/ e posso não lhe agradar"), letra longa descrevendo a   jornada do imbecil até o entendimento, etc.

E, como rendera boa divulgação prévia a utilização de uma queixada de burro como instrumento musical, ele levou novamente uma atração bizarra para o palco: uma possante buzina, que soou os acordes iniciais de "De como um homem perdeu seu cavalo e continuou andando" (ou, simplesmente, "Ventania").

A repetição de fórmula não colou, mas não era uma composição descartável. Gosto até hoje desta estrofe:
"Andei pelo mundo afora
querendo tanto encontrar
um lugar pra ser contente
onde eu pudesse ficar.
Mas a vida não mudava
mudando só de lugar"
É também meu sentimento em relação à virada da folhinha.

A vida não muda mudando só de ano, embora queiramos sempre acreditar que o seguinte será melhor... apenas porque já não suportávamos mais o outro.

...estes, os principais ameaçados...
Só que há razões bem determinadas para nossos anos serem ruins. Dá para enfeixá-las numa única palavra: capitalismo.

Assim, p. ex., existem duas bombas-relógios em nosso futuro, por  cortesia  dessa entidade que verdadeiramente já morreu, mas deixamos continuar nos desgraçando, ao invés de cravar-lhe a estaca que a reduzirá a pó.

A primeira é a grande depressão que, mais dia, menos dia, desabará sobre nós, como consequência do represamento das crises cíclicas capitalistas --elas antes eram periódicas e relativamente mais brandas, agora o sistema consegue postergá-las, empurrando-as mais e mais para a frente, o que não impedirá o elástico de acabar arrebentando. E aí a crise iniciada com o  crack   de 1929 parecerá, provavelmente, brinquedo de criança.

Será em 2012 o  apocalypse now? Ou continuaremos nessa lenta agonia que já tragou Grécia, Espanha, Itália? As pedras do dominó continuarão tombando uma por vez ou vão cair todas de uma vez?

A outra incognita são as consequências do aquecimento global. Vimos em Fukushima o trailer do que está por vir: a conjugação de sismo e tsunami com a insegurança nuclear quase completou a obra estadunidense de agosto/1945, tornando o Japão uma ilha bem mais nua que a do filme do Kaneto Shindô.

Catástrofes naturais continuarão ocorrendo, mesmo se tomarmos as medidas necessárias para impedir que a indústria automobilística e outros focos de poluição atmosférica extingam a espécie humana. Já não se trata mais de evitá-las, e sim de minorar sua intensidade e  período de duração  (nosso  período de provação).

E nem isto estamos, realmente, fazendo. Parece que as coisas ainda terão de piorar, antes de começarem a melhorar.

...e este, o motivo da ameaça.
É certo que a fúria da natureza vai aumentar neste ano, como veio aumentando nos últimos. Mas, não dá para prevermos se haverá ocorrências de extrema gravidade em 2012 ou vamos ser poupados. Elas estão sendo incubadas e os ovos vão eclodir, cedo ou tarde.

O que fazer?

Iludir-se com a desconversa dos pistoleiros de aluguel acadêmicos e midiáticos do capitalismo?

Deixar-se tomar pelo pessimismo, arrancando os cabelos?

Resignar-se à vontade divina?

Aproveitar ao máximo os últimos dias de Pompéia, e que se dane o mundo?

No fundo é questão de temperamento --além do dever de legarmos vida a quem demos vida.

Mas, como dizem os zen-budistas, o dever só obriga quem acredita que o tem. E o capitalismo insufla ao máximo o egoísmo e a indiferença pela sorte dos outros --quaisquer outros, até filhos e netos, salvo no que tange aos gastos para aplacar a consciência culpada por não lhes dar a atenção que merecem...

Falo por mim, e sei que meus leitores são afins: lutarei com todas as minhas forças, nos anos que me restam, para que minhas filhas e netos não vivam e morram num planeta devastado.

E também porque lutar é sempre minha primeira reação face aos poderosos, suas injustiças sem perdão e seus crimes sem castigo.

Foi o grande motivo de eu ter entrado no caminho das lutas políticas sociais aos 16 anos; continua sendo um forte motivo aos 61.

Somos o que somos, traçando nossos caminhos pelo mundo a partir do que somos --ou seja, de como nos construímos pela vivência pessoal do eterno conflito entre o cosmo sangrento e a alma pura (grande Mário Faustino!).

O calendário nada tem a ver com isto.
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