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28.2.07

ANOS REBELDES x DÉCADAS APÁTICAS

Estudantes politizados de ontem e de hoje olham com desalento o movimento estudantil da atualidade, procurando os motivos de tamanha perda de consistência e representatividade, desde as jornadas gloriosas de 1968.

A partir de então, a maioria conclui, só houve picos de mobilização em algumas situações concretas, como as diretas-já e os protestos contra Collor. Em seguida, entretanto, voltou-se à apatia anterior, como se nada tivesse acontecido.

A dificuldade para avaliar essa trajetória aumenta em função da nostalgia com que os contemporâneos olham para trás e da visão romantizada que foi passada aos que vieram depois por produtos da indústria cultural como a minissérie "Anos Rebeldes". Então, vale a pena tentarmos discutir com mais profundidade o ontem e o hoje.

O final da década de 1960 marca a transição da sociedade rígida e patriarcal característica da fase da industrialização para o amoralismo da sociedade de consumo, em que tudo e todos devem estar disponíveis para o mercado.

Então, de certa forma, a contestação à autoridade de reitores, sacerdotes, "doutores" disso e daquilo, dos luminares da sociedade em geral, convinha ao próprio capitalismo, que estava passando da fase das grandes individualidades para a da "liderança participativa". O foco passaria a ser "o consumidor", o cidadão comum, em lugar do "grande homem", o expoente da elite.

Respirava-se anti-autoritarismo. As artes passavam por um momento de ousadias e experimentalismo no mundo inteiro, a imprensa se modernizava a olhos vistos, a liberalização de costumes e a liberação sexual entravam com força total.O movimento estudantil, estimulado pelos ventos de mudança, foi fundo na tarefa de "derrubar as prateleiras, as estátuas, as estantes, as vidraças" (como pediu Caetano Veloso em "É Proibido Proibir").

E, no hiato entre a etapa capitalista que terminava e a que ia começar, muitos jovens sonharam com algo maior: uma sociedade sem classes, em que não existisse a exploração do homem pelo homem e na qual a economia se voltasse para a satisfação das necessidades humanas em vez de ser regida pela ganância.

As três bandeiras principais do ME em 1968 foram:

* a rejeição do acordo firmado pelas autoridades educacionais brasileiras e estadunidenses (o Acordo MEC-Usaid), que, na avaliação das lideranças estudantis, levaria à tecnicização e privatização do ensino, colocando-o inteiramente a serviço das empresas;

* a exigência de participação dos estudantes na definição dos rumos do ensino universitário, por meio de comissões paritárias;

* a solidariedade aos movimentos contestatórios que aconteciam no Brasil e no mundo, com ênfase no repúdio à Guerra do Vietnã.Essa conjugação de fatores fez com que o ME fosse tão expressivo em 1968.

Mas, a repressão brutal desencadeada pela ditadura, principalmente após a assinatura do AI-5, inviabilizou a mudança maior que muitos pretendiam. Então, sobre a terra arrasada, o que brotou foi mesmo a sociedade de consumo.

A classe média, eufórica com o milagre brasileiro, tratou é de enriquecer. E a esquerda estava tão debilitada pela perda de seus melhores quadros que pouco pôde fazer contra a conjugação de boom econômico e terrorismo de estado.

O ME de 1968 foi, portanto, resultado de circunstâncias especiais e únicas. Não pode ser comparado com o de hoje, quando os jovens, ademais, têm de esforçar-se no limite de suas forças para começarem bem uma carreira, daí acabarem desinteressando-se por quase todo o resto.

No entanto, essa própria dificuldade insana que encontram para afirmar-se profissionalmente deveria levá-los a refletir sobre as distorções da sociedade atual. A competição canibalesca que aborta talentos e condena tanta gente a não desenvolver seu potencial é um dos horrores do capitalismo globalizado, em que há sempre mais postulantes do que vagas no mercado.

Talvez seja o momento dos estudantes se indagarem sobre a validade de se continuar nesse funil perverso, passando por cima dos despojos dos que tombarem no caminho.

Lembrando mais uma canção marcante dos festivais de MPB de outrora ("A Estrada e o Violeiro"), a alternativa é a postura altaneira que Sidney Miller pregou: "Se esse rumo assim foi feito,/ sem aprumo e sem destino,/ saio fora desse leito,/ desafio e desafino./ Mudo a sorte do meu canto,/ mudo o norte desta estrada,/ que, em meu povo, não há santo,/ não há força e não há forte,/ não há morte nem há nada/ que me faça sofrer tanto".

27.2.07

A EXTREMA-DIREITA TENTA RENASCER

(respondendo à pergunta de um internauta na comunidade "Palpiteiros do Orkut")


O reagrupamento da extrema-direita é visível, em sites como o Terrorismo Nunca Mais, o Usina de Letras e o Mídia Sem Máscara; na campanha pelo "não" no plebiscito sobre o comércio de armas; na enxurrada de artigos e matérias negativas plantadas na mídia quando do 25º aniversário da Lei da Anistia; nas manifestações de apoio ao torturador Brilhante Ustra, etc.

O mar-de-lama petista deu um forte argumento a essa gente. E a esquerda ficou no pior dos mundos possíveis: não tem mais qualquer ascendência sobre o PT, mas acaba levando a fama por tudo que o partido faz de errado (ou supostamente errado). Acusam Lula de querer transformar o Brasil numa nova Cuba... imaginem!

Depois que a resistência popular, encabeçada pelo Brizola, frustrou o ensaio-geral do golpe militar em 1961, a esquerda subestimou o inimigo e deixou de destruir o ovo da serpente enquanto isso era possível. O resultado foi trágico.

A serpente está novamente sendo engendrada. E o perigo está sendo novamente subestimado.

Os bem-pensantes avaliam que, sendo o Governo Lula tão submisso ao grande capital, por que os poderosos haveriam de apoiar um golpe de remanescentes do DOI-Codi e da TFP, mais os novos extremistas que eles formaram?

Ocorre que, exatamente por ser incapaz de corresponder às esperanças que despertou (o "espetáculo do crescimento" e tantas outras), Lula acabará perdendo o controle dos "aloprados", como o MST.

E chegará o momento em que a falta de autoridade do governo e o esfacelamento social poderão levar os poderosos a repetirem a opção de 1964. Todo cuidado é pouco.

RETROSPECTIVA: ROCK GERMÂNICO NO BRASIL

(ao buscar qualquer informação no Google, descobri, por acaso, que um fã havia copiado e colocado nas Geocities este artigo da minha fase como crítico de rock -- 1980/84 --, assinado a quatro mãos por mim e pelo Valdir Montanari, com nossos pseudônimos de então, André Mauro e Breno Ninini)

O rock n’roll, coroamento de uma longa evolução musical na terra de Tio Sam, dificilmente poderia gerar desdobramentos criativos no continente europeu.No inicio dos '60, entretanto, os jovens músicos ingleses perceberam que havia grande identidade entre o protesto candente do rhythm’ blues e a angústia que eles próprios sentiam. Assim, mergulhando na raiz negra do rock, os Beatles, Stones, Animals, etc., começaram a sua aclimatação na Europa.

A Alemanha não participou sequer dessa evolução. Só foi tocada, mesmo, com a eclosão do rock progressivo. Por quê? Ora, devemos lembrar, antes de mais nada, que a Alemanha e o Japão foram os grandes derrotados da 2ª Guerra Mundial. As feridas custaram a cicatrizar. Ambos se atiraram compulsivamente ao trabalho - os japoneses para exorcizarem os horrores atômicos, os boches para esquecerem os genocídios nazistas - afinal, em seu caso, a humilhação do fracasso somou-se à vergonha pelos crimes contra a humanidade.

Além disso, a Alemanha emergiu do conflito dividida, como um dos palcos principais da Guerra Fria. Nena (cantora pop), em "99 Luftballons", dá uma idéia do que significava o muro de Berlim para os germânicos - símbolo tangível da derrota, obstáculo ao congraçamento de irmãos e, pior, farol que iluminava os temores/presságios de uma nova e definitiva contenda entre as potências nucleares (pois é lá que capitalismo e comunismo se encontravam frente a frente; é lá que os riscos eram mais evidentes e que por várias vezes já se pensou estar iniciando o duelo apocalíptico).

Que tal ser jovem num país que vive em ritmo de usina e se assemelha a um paiol, onde o fósforo aceso descuidadosamente pode mandar tudo pelos ares? Os alemães respondem com sua arte: discos e filmes, o que mais nos chega,têm como ponto comum uma frieza de enregelar. A sociedade que se adivinha por trás deles é extremamente tecnológica, espantosamente robotizada e miseravelmente desumana. Neles nâo há piadas. Há uma total falta de perspectivas, mitigada pelas drogas e por remotos sonhos de evasão. A estrada é um símbolo primordial - escapar para longe, onde não existem fronteiras nem muros (vide os filmes de Wim Wenders; vide o LP Autobahn, que popularizou o Kraftwerk).

Vias de escape

Entende-se então porque os alemães só curtiram o rock dos anos 70, o rock da raiva e do desencanto. Antes havia alegria demais, e todos aqueles projetos de mudança do "flower power". Se o psicodelismo assumiu nos EUA e Inglaterra as feições risonhas do "paz e amor", na Alemanha tudo foram bad trips. A distância entre ambos é a que vai de Woodstock a Christiane F. E, não por acaso, a primeira leva de expoentes mais notórios do rock alemão veio na esteira dos LPs de 1969 do Pink Floyd e King Crimson ("Ummagumma" e "In The Court of The Crimson King"), discos-manifestos do rock espacial.

Seus atrativos: ofereciam também via de escape, já não através das prosaicas estradas de asfalto, mas sim pelas lisérgicas rotas do firmamento: e começavam a desvelar o mundo moderno como palco de dominação tecnológica (enfoque familiar aos germânicos, que já haviam vivenciado o sutil totalitarismo da sociedade regida pelo deus computador).

Um dos traços mais característicos do rock progressivo alemão seria exatamente a denúncia da tecnologia. E, bons estrategistas, eles voltariam contra o inimigo as armas do mesmo: abusariam ao extremo da parafernália eletrônica, como a enfatizar a artificialidade do ambiente transfigurado pela tecnologia. Nunca se ouviu tanto sintetizador, mas também nunca os sintetizadores foram acionados para produzir sons tão desagradáveis: estática, goteiras, serrotes, o diabo. Herdeiros de grandes experimentadores como Stockhausen e Kagel, os alemães criariam uma música destinada quase que exclusivamente ao cérebro, e que na melhor das hipóteses servia para embalar viagens por paisagens etéreas,- na maioria dos casos, parece trilha sonora de pesadelos ou de bizarros filmes undergrounds.

Os boches estão chegando

No Brasil, o rock alemão despontou em meados da década de 70 e obteve considerável impacto, apesar de distribuido por pequenas gravadoras (a "One Way", através do selo "Sábado Som" e a "Basf") ou por uma companhia sem tradição roqueira (a "Copacabana"). Com recursos e experiência superiores, a EMI-Odeon alçou ao sucesso três grupos que lançou: Triumvirat, Eloy e Kraftwerk.

A invasão foi repentina e maciça. Com pouquíssima informação prévia, foram chegando o Omega, Emergency, Thirsty Moon, Kollektiv, Wolfgang Douner Group, Harmonia, Cluster, Yatha Sidhra, Neu, Nine Days Wonder, Gila, Embryo e
tantos outros, obrigando os curtidores da "head music" a verdadeiras maratonas de avaliação.

Um esporte praticado à época era identificar o conjunto norte-americano ou britânico que cada grupo alemão copiava. Além de tardia, a aclimatação do rock na Alemanha foi meio precária, dando ensejo à existência de muitas bandas-xerox: a Jane era o Procol Harum sem tirar nem pôr; o Amon Dull II lembrava demais o Jefferson Airplane e o Starship; o Triumvirat tinha tudo
do Emerson, Lake & Palmer.

(seguiam-se tópicos sobre o Nektar, Triumvirtat, Guru-Guru, Amon Düll I e II, Can, Tangerine Dream, Eloy e Kraftwerk, detalhando suas trajetórias e características musicais, que não vêm ao caso neste contexto)

A IMPRENSA NA RESISTÊNCIA À DITADURA

(resposta à pergunta de um internauta na comunidade "Palpiteiros do Orkut")


É um tema muito amplo e eu confesso não dispor de todas as informações a esse respeito. Então, sem pretender esgotar o assunto e me desculpando desde já pelas possíveis omissões, vou citar algumas experiências que acompanhei com mais atenção e carinho.

O Correio da Manhã (RJ) foi o primeiro veículo da grande imprensa a manter uma posição firme contra o golpe militar. Tinha uma constelação de grandes jornalistas de esquerda, como Otto Maria Carpeaux, Paulo Francis, Antonio Callado, Jânio de Freitas, Sérgio Augusto, Márcio Moreira Alves e Hermano Alves. Os artigos que Carlos Heitor Cony escreveu sobre os primeiros tempos da ditadura, sarcásticos e combativos, foram depois por ele reunidos em livro: "O Ato e o Fato".

Longe de serem de esquerda, O Estado de S. Paulo e o Jornal da Tarde foram os dois jornais que mais resistiram à censura ditatorial na primeira metade da década de 1970. Ao contrário de outros veículos, que publicavam as matérias sem os trechos cortados e aceitavam substituir as matérias integralmente vetadas por outras "inofensivas", o Estadão preenchia esses espaços vagos com poesias e o Jornal da Tarde com receitas culinárias. Assim, os leitores podiam saber exatamente qual era o espaço ocupado pelos textos tesourados e até adivinhar a que se referiam.

Em meados da mesma década, a Folha de S. Paulo reuniu um elenco de primeira linha de esquerda: Paulo Francis, Alberto Dines, Samuel Wainer, Tarso de Castro, Plínio Marcos, Osvaldo Peralva, João Batista Natali e outros, com o trotskista Cláudio Abramo dirigindo a redação.

Em termos jornalísticos, nunca a Folha teve ou teria depois tanta qualidade. O suplemento especial sobre os 60 anos da revolução soviética, p. ex., é inesquecível, com cada um dos grandes jornalistas tendo uma página inteira para preencher com seu artigo.

Mas, uma crônica inconsequente do Lourenço Diaféria, dizendo que a estátua do Duque de Caxias só servia para os mendigos urinarem, deu pretexto para uma intervenção do II Exército, que exigiu a cabeça de Cláudio Abramo (deixou de ser diretor de redação e virou correspondente em Londres) e outros. A "primavera da Folha" terminou.

O semanário Pasquim foi o grande respiradouro da imprensa na virada dos anos 60 para os 70, com Paulo Francis pontificando nos comentários políticos e humoristas como o Millôr Fernandes, Jaguar, Ziraldo e Henfil soltando suas farpas na área de costumes, além de fazerem também suas alusões ao arbítrio e à burrice institucionalizada. Outros destaques eram Ivan Lessa, Tarso de Castro e o guru da nova esquerda Luís Carlos Maciel. Havia, ainda, colaboradores de peso como Glauber Rocha, Chico Buarque, Caetano Veloso e Carlos Heitor Cony.

Anárquico, irreverente, difundindo o "jeito carioca de ser" num Brasil ainda provinciano, atraiu um público jovem e não necessariamente politizado. Chegou a vender mais de 200 mil exemplares, tiragem superior à de muitos veículos da grande imprensa.

Finalmente, mais na linha da esquerda convencional, os alternativos Opinião, Movimento, Em Tempo e Coojornal foram outros respiradouros importantes, ao longo da década de 1970. Atingiam um público bem menor que o do Pasquim, de pessoas que já pertenciam à esquerda ou com ela simpatizavam, a maioria do meio estudantil. Conseguiam passar a esse pequeno universo informações importantes que a grande imprensa preferia não revelar (ou era impedida de fazê-lo).

22.2.07

A BARBÁRIE NOS RONDA

Cada vez que acontece um episódio policial mais chocante ou que uma organização criminosa coloca as autoridades em xeque, a coletividade passa alguns dias discutindo quais medidas poderiam ser adotadas para um combate mais eficiente à criminalidade.

É sempre uma espécie de catarse, que dura apenas até uma nova ocorrência qualquer dominar o noticiário. E pouquíssima coisa se aproveita das propostas apresentadas com tamanho estardalhaço e debatidas com tanto furor retórico.

O que fazer, afinal, contra os cães danados que dilaceram crianças e contra as máfias que colocam grandes cidades em polvorosa?

Muitos cidadãos gostariam de ver aplicadas aqui as punições drásticas dos países muçulmanos: que se cortassem as mãos dos ladrões, o pênis dos estupradores e a vida dos assassinos. Olho por olho, dente por dente.

Outros pedem mais policiais nas ruas, de preferência atirando primeiro e perguntando depois... nos bairros pobres ou quando os suspeitos são negros, pardos ou malvestidos, é claro.

E há os que defendem a maioridade penal a partir dos 14 ou 16 anos, o que somente fará os bandidos diminuírem proporcionalmente a idade do recrutamento de seus serviçais, até que tenhamos crianças empunhando fuzis e metralhadoras. O velho chavão moralista mudará de “hoje mocinho, amanhã bandido” para “hoje bandido, amanhã defunto”.

No fundo, tudo isso são paliativos. Inexiste forma ideal de se lidar com aqueles que já se tornaram bestas-feras, nocivos para si próprios e para a sociedade. Pode-se, quanto muito, controlá-los – e a um custo dos mais elevados para um país de tantas e tão dramáticas carências.
Exterminá-los, jamais! Isso levaria a violência a patamares apocalípticos, pois os bandidos não teriam mais nada a perder. Nós, sim, perderíamos, ao abrirmos mão da civilização arduamente construída nos milênios que nos separam da horda primitiva, voltando à estaca zero.

O xis do problema, no entanto, nunca é discutido: o fato de que a criminalidade é intrínseca ao capitalismo e subsistirá enquanto não substituirmos o primado da ganância e da competição pelo da solidariedade e da cooperação.

Vivemos numa sociedade que desperdiça o potencial já existente para se proporcionar uma existência digna a cada habitante do planeta; que faz as pessoas trabalharem muito mais do que seria necessário para a produção do necessário e útil; que condena parcela substancial da população economicamente ativa ao desemprego, à informalidade e à mendicância; que estimula ao máximo a compulsão consumista sem dar à maioria a condição de adquirir seus objetos de desejo; que retirou do trabalho qualquer atrativo como realização individual, tornando-o apenas um meio para obtenção do vil metal (ou seja, uma nova forma de escravidão).

Então, os que ainda têm emprego e os empreendedores continuarão irrealizados, esforçando-se demais para nunca obterem as gratificações almejadas, pois a lógica do capitalismo é perpetuar a insatisfação e mitigá-la com o consumo (a cenoura colocada à frente do asno para que ele continue puxando a carroça). Um círculo vicioso perverso que faz a fortuna dos analistas, dos farsantes religiosos e dos picaretas da auto-ajuda.

Alguns excluídos continuarão vivendo das esmolas dos programas oficiais e vão ajudar a eleger aqueles a quem convém mantê-los em eterna dependência.

Outros tentarão obter pela força aquilo que jamais alcançarão pela competência. E servirão de espantalho para intimidar as classes superiores, fazendo-as crer que uma sociedade policial seria a solução.

É paradoxal que, em nossa época, formidáveis avanços científicos e tecnológicos coexistam com uma regressão ao ambiente medieval, com os nobres entrincheirados em condomínios de alto padrão, circulando em veículos brindados e só podendo levar vida social em shopping centers, não ousando mais exporem-se fora de suas fortalezas. No exterior desses espaços fortificados e vigiados, os bárbaros estão sempre à espreita, prontos para desferir seus golpes.

Uma previsão terrível de Friedrich Engels, um dos pais do marxismo: quando uma sociedade consegue aniquilar as forças progressistas que poderiam levá-la a um estágio superior de civilização, acaba sendo destruída pela barbárie. O paralelo é com Roma, que venceu os gladiadores de Spartacus mas sucumbiu aos povos atrasados, condenando o mundo a séculos de trevas.

Resta saber se, no século 21, a ameaça maior à civilização se corporifica nos criminosos cada vez mais abusados e no surto de populismo autoritário no 3º mundo, nos fanáticos religiosos que derrubam torres gêmeas ou na fúria com que a natureza começa a reagir às agressões sofridas.

POST SCRIPTUM:
DETALHAMENTO DA MATÉRIA A PARTIR
DAS DISCUSSÕES QUE SUSCITOU NO ORKUT
Na ótica marxista, o capitalismo representou um estágio superior de civilização em relação ao feudalismo. No entanto, às vezes o "sistema" que já esgotou sua contribuição positiva é bem-sucedido em bloquear as forças de mudança. Foi o caso de Roma e está sendo o do capitalismo hoje.
Quanto a Roma, o que "pegava" era a escravidão. O passo seguinte seria reestruturar o Império a partir do trabalho de homens livres. E era a isso que levaria uma eventual vitória de Spartacus e seus gladiadores. Quando Spartacus foi derrotado, Roma e a escravidão entraram em lenta decadência, até que os bárbaros derrotaram o Império e o retalharam.
Então, voltou-se a um modo de produção bem primitivo: uma economia de base rural, um patamar há muito superado. Só a partir do mercantilismo se alcançou o estágio de desenvolvimento que a urbana Roma atingira. E a História passou a caminhar de novo para a frente.
Tanto o escravagismo quanto o capitalismo foram pujantes durante seus primórdios, para depois esgotarem sua contribuição e passarem a travar o desenvolvimento das forças produtivas. E atualmente é o capitalismo que cumpre esse papel de deter o progresso.
P. ex., se hoje o aparato produtivo se voltasse para o atendimento das necessidades sociais, ganharia um impulso formidável. Já pensaram em tudo que teríamos de fazer para compatibilizar nossas atividades econômicas com o meio-ambiente? No direcionamento das pesquisas médicas para a cura das moléstias e a descoberta de vacinas eficazes, em vez de investir-se prioritariamente em medicamentos que apenas prolongam a vida dos pacientes e amenizam seu sofrimento? No monumental esforço de educação em massa que teria de ser empreendido para que todos os cidadãos, sem exceção, se tornassem realmente civilizados?
Bem vistas as coisas, a história da humanidade foi até agora a história da luta contra a necessidade. Só no século 20 passaram a existir condições científicas e tecnológicas de se produzir o suficiente para garantir uma sobrevivência digna a cada habitante do planeta. A possibilidade de atingirmos um estágio superior de civilização atualmente, é enorme. O problema deixou de ser a escassez, mas sim a adoção de prioridades erradas.
Ultrapassamos a barreira da necessidade e estamos prontos para ingressarmos no reino da liberdade. Só falta direcionarmos o potencial produtivo para o que é realmente necessário e útil: habitação, alimentação, vestuário, saúde, cultura, esporte, lazer.
Os homens poderiam trabalhar muito menos, viver muito bem e desenvolverem plenamente suas potencialidades. É tudo questão de mudarmos o foco. Para que precisamos de bancos, afinal? Das várias burocracias? Da propaganda que exacerba o consumo?
Escravidão e feudalismo não surgiram por mandamentos divinos. Resultaram de circunstâncias históricas e foram descartados quando as circunstâncias mudaram. O capitalismo também pode ser substituído por uma organização diferente da vida econômica e social.
É ultrajante que ainda exista tanta gente passando fome, tantos desempregados e subempregados. E que presidentes se elejam à custa dos currais eleitorais do assistencialismo mais retrógrado. Quanta sordidez e quanto sofrimento inútil!

9.2.07

CONTAGEM REGRESSIVA PARA A HUMANIDADE

Não será como o místico Antônio Conselheiro previu. O sertão não vai virar mar, nem o mar virar sertão. Pelo contrário, o sertão ficará ainda mais árido e o mar vai encorpar-se com o derretimento de geleiras. Tempestades, tufões, furacões, maremotos e tsunamis se tornarão bem mais devastadores. A desertificação de outras áreas avançará. Safras vão ser destruídas e a fome aumentará. A água que estará sobrando em alguns quadrantes, vai faltar em outros. Imensos contingentes humanos terão de deixar seus lares e buscar a sobrevivência alhures. Como uma amarga ironia, podemos dizer que o Brasil finalmente se igualará aos países desenvolvidos: haverá retirantes também no 1º Mundo.

Isto é o que se pode concluir da parte já divulgada do quarto relatório de avaliação da saúde da atmosfera produzido pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), órgão da ONU que congrega especialistas de 40 países. Uma novidade é que agora existe uma quase certeza científica de que as alterações climáticas provêm mesmo da insensatez humana, causadora de uma concentração inédita dos gases que provocam o efeito estufa na atmosfera. Fabricamos demasiados automóveis e queimamos demasiadas florestas. A conta está chegando.

Esse relatório, que sintetiza as contribuições de 600 autoridades no assunto, permite antever que a escalada catastrófica virá num crescendo, intensificando-se sobretudo na segunda metade do nosso século. E nada há a fazer para impedi-la, pois os danos causados já são irreversíveis. Nem que todos os veículos motorizados do planeta parassem imediatamente de circular, a temperatura deixaria de subir. Vêm tempos difíceis e a humanidade terá de passar por eles.

Mas, para que haja um século 22, teremos de corrigir a partir de agora nosso modelo econômico, deixando de priorizar o lucro em detrimento do meio ambiente. O atendimento das expectativas de cada consumidor não é um mandamento divino nem o planeta está aí para se sujeitar eternamente à faina predadora dos humanos. Teremos de aprender a respeitá-lo, a conviver harmoniosamente com ele. Somos seus locatários, não seus donos. Se continuarmos dilapidando insensivelmente a propriedade, o senhorio nos expulsará. É simples assim.

A grande questão é: o capitalismo comporta uma mudança radical das prioridades humanas? Existe alguma conciliação possível entre o direcionamento obsessivo dos esforços humanos para a obtenção do lucro e o imperativo de os homens trocarem a competição pela cooperação, fundamental para a travessia das próximas décadas e para a correção de rumos que se impõe?

A resposta é óbvia: não. O alerta lançado na década de 1960 por filósofos como Herbert Marcuse e Norman O. Brown está sendo confirmado da maneira mais dramática. O capitalismo, com a prevalência dos interesses individuais sobre as necessidades coletivas, leva à destruição da humanidade, num quadro em que os recursos indispensáveis à sobrevivência da espécie humana são finitos e têm de ser aproveitados de forma racional e compartilhada.

A contagem regressiva está em curso. Resta saber se seremos capazes de transcender nossas limitações e nossa cegueira, passando a colocar em primeiro plano “nós” e “os que virão depois”. Pois o mundo do egoísmo e da ganância deixará de existir, de um jeito ou de outro.

1.2.07

HOUVE UMA VEZ UM PAULO FRANCIS

Foi um tanto melancólico o material produzido pela imprensa produziu para marcar a passagem dos 10 anos da morte do mais influente jornalista brasileiro do final do século passado: o analista político e crítico de cultura Franz Paul Trannin da Matta Heilborn, mais conhecido como Paulo Francis, que morreu no dia 4 de fevereiro de 1997, de enfarte, aos 66 anos de idade.

Mesmos os veículos em que ele pontificava com uma página dominical, a Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, não lhe dedicaram espaço condizente com a importância a ele conferida enquanto vivo, nem foram capazes de criar textos com abrangência e espírito crítico à altura dos que o próprio Francis escrevia.

Ele, que sempre lamentou a derrubada de árvores para a fabricação do papel-jornal desperdiçado com tolices e bajulações, talvez franzisse a testa diante de alguns disparates, como a desproporcional relevância que o Estadão acabou dando à participação do Francis na nada lendária revista Diners, em detrimento, por exemplo, do fenômeno Pasquim. Talvez repetisse uma daquelas inesquecíveis frases ferinas, características do seu jeito carioca de ser. Por exemplo: "A sociedade de massas é, por definição, o fim da civilização. Bolsões de vida inteligente sobrevivem a duras penas."

Depois de estudar em colégios de jesuítas e beneditinos, Francis cursou por uns tempos a Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, trocada por uma pós-graduação em Literatura Dramática na Universidade de Columbia (Nova York), que também não concluiu.

Chegou a ser ator e diretor teatral, mas acabou no nicho tradicional dos que são melhores para escrever sobre suas paixões artísticas do que para personificá-las: a crítica, a partir de 1959, no Diário Carioca. Paralelamente, colaborava com a revista Senhor (que mais tarde viria a editar) e escrevia sobre política no jornal Última Hora, de Samuel Wainer.

Relatou, mais tarde, um episódio pitoresco do seu noviciado. Entregou uma crítica teatral toda pomposa, repleta de termos pernósticos, ao seu editor. Ao recebê-la de volta, viu um grosso traço vermelho circundando a expressão “via de regra”. E o comentário: “Via de regra é a vagina”. [Para os jovens que desconhecem o linguajar de outrora, esclareço que “regras” era um eufemismo para menstruação. E, claro, a palavra usada para designar o órgão genital feminino foi outra, chula.]

Francis disse que essa foi a primeira e única lição aproveitável de jornalismo que recebeu: escrever com simplicidade e clareza, em vez de pavonear-se com exibições desnecessárias de erudição. Também comentou que tudo que há para se aprender de jornalismo, aprende-se em 15 dias numa redação. Daí sua avaliação de que o fundamental para o exercício dessa profissão é uma formação cultural sólida, humanística e universalizante. Quanto às técnicas, poderiam ser ensinadas em meros liceus de artes e ofícios. [Concordo plenamente: se a especialização é castradora em outras atividades, muito mais no jornalismo, que tem tudo a ver com história, sociologia, psicologia, antropologia, política, economia, literatura. Quem não consegue refletir sobre o mundo em que vive, melhor faria direcionando-se para administração de empresas.]

NA TRINCHEIRA DAS PALAVRAS – Embora não deixasse de perceber os erros e limitações das esquerdas brasileiras, tão distantes da grandeza histórica e intelectual do seu ídolo de então – Trotsky, o teórico da revolução permanente e mártir da oposição de esquerda ao stalinismo –, Francis considerava que a prioridade era combater as forças de direita. Foi o que fez no conturbado período da renúncia de Jânio Quadros, da tentativa de golpe para impedir a posse do vice-presidente eleito e do ziguezagueante governo de João Goulart.

Não desistiu depois do golpe militar. No Correio da Manhã, na Tribuna da Imprensa e na revista Realidade, continuou manifestando seu inconformismo com o país da ordem unida.

O lançamento do semanário O Pasquim, em junho de 1969, lhe deu projeção nacional. A Senhor e a Realidade já o haviam tornado conhecido em outros estados, mas num circulo restrito de intelectuais e pessoas sofisticadas. O Pasquim sensibilizou o público jovem, atingindo tiragens mirabolantes para um veículo alternativo. E o Francis era o guru da turma em todos os assuntos referentes à política nacional e internacional, bem como à visão de esquerda da cultura. Com seus conhecimentos vastíssimos, dominava qualquer discussão.

Leitor assíduo de um sem-número de publicações estrangeiras, tinha sempre algo novo a dizer sobre a intervenção estadunidense no Vietnã, um dos grandes temas da época; era também um crítico implacável da postura israelense de impor sua vontade pela força no Oriente Médio. Disponibilizava as informações que a grande imprensa, por ideologia, covardia ou incompetência, sonegava dos leitores.

E, sendo um dos críticos mais contundentes do reacionarismo dos EUA, também não poupava a URSS, que colocava praticamente no mesmo plano, como grande potência que priorizava sempre seus interesses (e não os da revolução). Isso só fazia aumentar o seu prestígio aos olhos de uma geração que se decepcionara terrivelmente com o esmagamento da Primavera de Praga.

Cansado de ser preso e censurado pela ditadura, mudou em 1971 para Nova York, de onde mandava seus textos para o próprio Pasquim, a Tribuna da Imprensa, a revista Status e a Folha de S. Paulo (à qual chegou pelas mãos do diretor de redação Cláudio Abramo, também de formação trotskista).

Continuava, basicamente, um homem de esquerda, mas travava polêmicas azedas com o que ele considerava “esquerdistas de salão”, como a feminista Irede Cardoso. [Ela sofreu um dos maiores massacres intelectuais a que já assisti.]

SOB OS HOLOFOTES GLOBAIS – Paulo Francis está entre os muitos intelectuais brasileiros que foram perdendo o pique à medida que a ditadura ia deixando de exibir suas garras.

A partir de seu posto de observação privilegiado, captou bem a tendência desestatizante do final do século passado, ajudando a impulsioná-la com seus escritos em O Estado de S. Paulo e suas participações no jornalismo da Rede Globo, bem como no programa de TV a cabo Manhattan Connection.

Mas, se estava certo quanto à falta de pujança da economia soviética e o parasitismo das estatais brasileiras, não percebeu que o mundo engendrado pela globalização viria a ser uma versão mais desumanizada ainda do capitalismo selvagem. Mesmo porque todos aqueles avanços científicos e tecnológicos que estavam ocorrendo simultaneamente (informática, biotecnologia, engenharia genética, novos materiais e processos) pareciam augurar um futuro bem melhor.

Acabou como um daqueles medalhões midiáticos que antes ridicularizava, aclamado mais por ter se tornado celebridade do sistema do que pela real qualidade do seu trabalho – como suas incursões pela literatura, em que a racionalidade e a mordacidade excessivas deixam tudo com um jeitão artificial, de tramas concebidas para provar teses e ridicularizar comportamentos e desafetos.

Morreu na hora certa, antes que o admirável mundo novo erguido sobre os escombros do muro de Berlim mostrasse suas feições mais monstruosas.

Ou, pelo contrário, talvez tenha perdido a chance de constatar que o fim do socialismo real não significava o fim da História, com o status quo se tornando tão opressivo que os homens estão sendo obrigados a buscar uma nova utopia.

O certo é que, independentemente de haver caído numa armadilha do destino em sua última fase, foi um intelectual articulado e consistente como dificilmente se vê nestes tristes trópicos, deixando o legado de uma atuação memorável na segunda metade dos anos 60 e ao longo de toda a década de 1970.

Talvez o melhor epitáfio para Paulo Francis seja outra de suas frases célebres: "Não há quem não cometa erros e grandes homens cometem grandes erros".

* Celso Lungaretti é jornalista e escritor
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