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1.5.10

PROLETÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES...

Chicago, 1886: as jornadas de protesto que deram origem ao Dia do Trabalho.
O Dia do Trabalho passou a ser data importante no calendário político brasileiro durante o getulismo.

Era no 1º de maio que o ditador Vargas, seguindo as pegadas do fascista Mussolini, anunciava as medidas benéficas aos trabalhadores, que tinham o efeito colateral de satelizar o sindicalismo ao governo e reduzir a influência comunista nas fábricas.

Medidas como a instituição do salário-mínimo, seu reajuste anual, a redução da jornada de trabalho para oito horas, a promulgação das leis que garantiram direito de férias e aposentadoria, etc.

Um 1º de maio raivoso foi o de 1968, quando os opositores moderados da ditadura convenceram o governador paulista Abreu Sodré de que ele seria bem recebido na manifestação dos trabalhadores na Praça da Sé. Os sindicalistas do ABC e de Osasco não concordaram e, quando Sua Excelência começou a discursar, uma nuvem de pedras voou em sua direção.

Com um filete de sangue escorrendo pela testa, Sodré escafedeu-se para a Catedral da Sé, sem o mínimo respeito pela dignidade do cargo (o presidente francês Charles De Gaulle, quando caçado pelos terríveis terroristas da OAS, mantinha-se imperturbável enquanto os disparos zumbiam a seu lado, deixando a tarefa de salvá-lo inteiramente a cargo dos seguranças).

Veio o AI-5 e o terrorismo de estado inviabilizou as manifestações de protesto de trabalhadores até 1978, quando mais de 3 mil metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP) fizeram do 1º de maio uma comemoração do renascimento do movimento sindical independente.

Dois anos depois, já eram 100 mil os trabalhadores que se reuniam no estádio da Vila Euclides, para manifestar apoio aos diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo que haviam sido presos por organizarem uma greve. Um deles se chamava Luiz Inácio da Silva.

É emblemática a diferença existente entre o aguerrido companheiro Lula de então, tão contundente e verdadeiro nas críticas ao FMI, e o presidente que consideraria uma proeza o Brasil emprestar dinheiro ao Fundo.

Tanto quanto a própria perda de conteúdo e simbolismo do Dia do Trabalho, desde aquele longínquo 1º de maio de 1886, quando oito líderes trabalhistas de Chicago (EUA) organizaram manifestações de protesto contra os baixos salários e condições aviltantes, que incluíam jornadas de trabalho de até 17 horas diárias.

Eles foram presos, submetidos a julgamento sumário e enforcados, o que gerou enorme indignação no mundo inteiro e acabou consagrando essa data como o dia de luta dos trabalhadores.

O que mudou?

Primeiramente, claro, as características do processo produtivo. As enormes fábricas em que trabalhavam milhares de operários deixaram de existir, a mecanização atingiu um grau tal que muitas máquinas são operadas por pouquíssimos homens, o desemprego crônico se tornou uma guilhotina suspensa sobre a cabeça de quem ainda tem vaga (e, quiçá, carteira assinada), a terceirização se alastrou como uma praga que dissolve direitos e mina a solidariedade entre os iguais (pois eles passam a ver-se como competidores), as categorias enfraqueceram-se, os sindicatos passaram a ser quase irrelevantes.

O 1º de maio nasceu com o operariado industrial e esteve sempre tão identificado com ele que o esvaziamento de ambos se deu simultaneamente. É lamentável, entretanto, que os dias de luto e de luta não tenham deixado de existir por terem se tornado desnecessários.

Pelo contrário, “nunca antes neste país” (como costuma dizer o Lula) os trabalhadores viveram tão mal e com tanta insegurança. A distância entre o lar respeitável e o colchão embaixo da ponte hoje é mínima, tanto em tempos normais como quando as traquinagens dos grandes capitalistas colocam o mundo inteiro em recessão. Boa parte das garantias trabalhistas foi para o espaço e a grande maioria da mão-de-obra está relegada à terceirização e à informalidade.

Quem quer manter-se à tona no abominável mundo novo, é obrigado a longas jornadas de trabalho (cujas horas extras, no caso de quem ainda tem carteira assinada, dificilmente são pagas) e à reciclagem constante, obsessiva. Acaba mais vivendo para trabalhar do que trabalhando para viver.

O 1º de maio institucionalizou-se e definhou. As centrais sindicais só conseguem público para suas festas contratando artistas famosos e sorteando carros ou casas.

Mas, ainda há uma função a ser preenchida pelos dias de luto e de luta – na verdade, importantíssima. Há que resgatar este espírito combativo!

A História não terá fim enquanto o homem não levar a bom termo sua busca da felicidade. Então, para cada bandeira que tombar, outra deverá ser erguida.

É um desafio colocado para todos nós, neste século 21 que, em termos de lutas sociais e políticas, a bem dizer ainda nem começou...


Momento culminante do clássico "Os Companheiros", de Mario Monicelli (1963):
o discurso com o qual o professor comunista (Marcello Mastroianni)
consegue evitar que os operários desistam da greve.

...UNI-VOS!

De pé, ó vítimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da idéia, a chama já consome
A crosta bruta que a soterra!

Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé não mais senhores!
Se nada somos em tal mundo,
Sejamos tudo, ó produtores!

Senhores, patrões, chefes supremos,
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!

Para não ter protestos vãos,
Para sair desse antro estreito,
Façamos nós com nossas mãos
Tudo o que a nós nos diz respeito!

O crime do rico a lei o cobre,
O estado esmaga o oprimido,
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.

À opressão não mais sujeitos,
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!

Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!



Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Queremos que nos restituam.
O povo quer só o que é seu!

Nós fomos de fumo embriagados.

Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados,
Somos irmãos trabalhadores!

Se a raça vil cheia de galas

Nos quer à força canibais,
Logo verás que as nossas balas
São para os nossos generais!

Pois somos, do povo, os ativos,

Trabalhador forte e fecundo.
Pertence a terra aos produtivos.
Ó parasita, deixa o mundo!

Ó parasita que te nutres

Do nosso sangue a gotejar:
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol te fulgurar.

Bem unidos façamos,

Nesta luta final,
Uma terra sem amos:
A internacional!

Bem unidos façamos,

Nesta luta final,
Uma terra sem amos:
A internacional!
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