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24.7.13

COMÉDIA DE ERROS BOLIVIANA ACABA EM PASTELÃO

No dia 20 de fevereiro o jovem boliviano Kevin Espada morreu, atingido por um sinalizador naval a respeito do qual, até hoje, existe uma única certeza: a de que jamais deveria ter passado pela catraca de um estádio de futebol.

Passaram-se três semanas e, por esnobismo, preconceito contra as torcidas organizadas, simpatia (neste caso) equivocada pelo governo de Evo Morales ou mera indiferença em relação ao destino dos injustiçados em geral, quase ninguém havia se posicionado, na imprensa brasileira ou mesmo na internet, contra a prisão abusiva dos 12 corinthianos laçados pelas  otoridades  bolivianas para aplacarem a indignação popular.  

Foi quando lancei o artigo Vergonha: Bolívia faz 12 brasileiros de bodes expiatórios (11/03).   

Ao qual seguiram-se Os 12 torcedores sequestrados na Bolívia e a tibieza brasileira (08/05), IstoÉ desmascara a farsa e expõe a chantagem boliviana. E agora, Dilma? (20/05) e Bolívia passa recibo de que prendeu os torcedores corinthianos a esmo (07/06). Este último, quando os sete iniciais foram reconhecidos inocentes das falsas acusações e colocados em liberdade.

A diplomacia do Patriota rima com letargia
Nesta 4ª feira (24/07), os cinco  gaviões da Fiel  restantes foram soltos, a partir de gestões mantidas pelo chanceler Antônio Patriota, por orientação (declarou ele) da presidenta Dilma Rousseff.

Dilma merece meus sinceros cumprimentos. Fez o seu papel.

Já Patriota... não deveria ter se mexido para resgatar os coitadezas muito, mas MMMUUIIITTTOOO antes?! Precisava que a presidenta lhe recordasse qual era o seu dever? Como teria procedido se fossem seus entes queridos a mofarem numa masmorra estrangeira, sem culpa, por cinco intermináveis meses?

De minha parte, também posso considerar o dever cumprido. 

Já para os que não estiveram à altura de suas responsabilidades, deixo o lembrete: ficaram devendo e têm a obrigação de atuarem bem melhor da próxima vez.

O TROGLODITA DO PALÁCIO LARANJEIRAS ATACA DE NOVO

Cara de um....
O desgovernador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, criou por decreto uma Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas.  

Para os verdadeiros democratas, muito piores, mais graves e inaceitáveis são os atos de truculência perpetrados pela Polícia estadual ao barbarizar as mesmas manifestações; jamais a violência estúpida de particulares terá o mesmo peso da violência iníqua dos agentes do Estado, que existem para manter a ordem e não para a estuprar.

...focinho de outro
Pior: em seus delírios totalitários, Cabral acredita que basta seu papelucho de berdamerda para obrigar as empresas de telefonia e provedores de internet a fornecerem informações sobre os participantes dos protestos. 

Confirma o que já suspeitávamos: ele não passa de um brucutu cabal. E pensar que o Rio de Janeiro um dia foi cantado em prosa e verso como a terra dos brasileiros cordiais!

A inconstitucionalidade da medida é tão gritante que a intervenção saneadora do Judiciário constitui uma certeza, favas contadas e caçapa cantada. Assim que acionado, ensinará ao troglodita do Palácio Laranjeiras que o sigilo das comunicações só pode ser quebrado com autorização judicial.
OUTROS DESTAQUES DO BLOGUE "NÁUFRAGO DA UTOPIA" (clique p/ abrir): O PAPA FRANCISCO É UM DEMÔNIO? / O CANTOR QUE TERIA SIDO PUNIDO POR REVELAR OS MISTÉRIOS DO ALÉM / "DEVEMOS EXIGIR DO GOVERNO QUE FORNEÇA ASILO A SNOWDEN" / QUEM NASCE PARA REINALDO AZEVEDO NUNCA CHEGA A CARLOS LACERDA

13.7.13

O ROCK E EU

"Foi o primeiro, foi o único sonho."

É uma das frases mais marcantes de um filme cheio delas: Pierrot Le Fou (1965), de Jean-Luc Godard, que aqui recebeu o estapafúrdio nome de O demônio das 11 horas (como os boçais da companhia distribuidora não entenderam nada de nada, acharam que qualquer título bizarro serviria...).

Meu primeiro sonho foi, claro, a revolução. E nenhum dos subsequentes viria a ser tão importante para mim.

Mas, sobrevivi à grande derrota dos anos de chumbo. E, too young to die (1), só me restou seguir em frente,  living in the material world (2).

Fui juntar meus cacos nas esperançosas comunidades em que os jovens tentavam escapar, ao mesmo tempo, dos tentáculos do sistema e das tenazes da ditadura. Faço um balanço das experiências que vivenciei em Reflexões sobre a sociedade alternativa (3).

Nossa  comuna  também soçobrou ao baixo astral dominante, seguindo a avassaladora tendência brasileira da primeira metade dos anos 70:  out of the blue, into the black (4).

Aí, resignei-me a vegetar durante o dia, quando era obrigado a vender minha força de trabalho intelectual, para só ser eu mesmo à noite, com minha companheira e meus discos, numa quitinete da av. Nove de Julho. Um flash desta fase está em Memórias de um roqueiro pobre.

No final da década, não pensei mais que a cabeça aguentaria se eu parasse (5). Resolvi, portanto, abandonar a comunicação empresarial que no íntimo detestava, mas até então suportara estoicamente; e fui à luta por uma carreira mais gratificante. 

Acabei crítico de rock, redator e editor de várias revistas musicais, numa simpática editorazinha que, talvez por me remunerar parcamente, dava toda liberdade para eu escrever o que me desse na telha.

A transição do roqueiro tardio para o  crítico acidental  é detalhada em Hoje é dia de rock.

Foi quando tive uma breve amizade com o Raul Seixas, consequência da satisfação que sentiu ao ler o meu texto sobre sua primeira coletiva na CBS e o primeiro porre que tomamos juntos (outros viriam):  A teimosia braba do guerreiro

E criei um estilo algo diferente de abordar o rock, que até me valeu uma pequena legião de fãs --a ponto de, três décadas depois, encontrar um dos meus antigos artigos disponibilizados na internet, por alguém que se deu ao trabalho de o digitar e postar: Rock germânico no Brasil

A bagagem de informações roqueiras e avaliações críticas que então acumulei pode ser aferida num dos meus escritos mais ambiciosos, o comemorativo dos 20 anos do festival de Woodstock: Éramos crianças, brincando no paraíso

Mas, acabei também me sentindo  too old to rock'n roll (6). E, no final de 1984, a crise do papel me deu o empurrão final, ao tornar inviável minha subsistência  meio dentro e meio fora do sistema

Muito a contragosto, tive de ir buscar um espacinho na grande imprensa. Com o único consolo de que não perdia muito, pois o rock visceral que tanto me empolgara estava sendo substituído pelas megaproduções sem alma. É o que conto em O divisor de águas: de 'Born to be wild' para 'We are the champions'... 

Finalmente, na década passada dei nova guinada na minha vida e, por caminhos tortuosos e sofridos, acabei voltando ao palco revolucionário, ou seja, à minha verdadeira praia, onde sempre quis estar e de onde jamais deveria ter saído. 

Curiosamente, uma revista de rock me pediu que iniciasse uma colaboração, bem naquele momento em que caía para alguns internautas a ficha de que o sumido crítico André Mauro e o Celso Lungaretti atuante na defesa do Cesare Battisti eram a mesma pessoa.

Aproveitando a deixa, dissequei minha trajetória pouco convencional no artigo Still crazy after all these years.  

O título, eu tomei emprestado de uma canção pungente do Paul Simon. Mas, creio ter adquirido o direito de o utilizar, até por jamais haver perdido a esperança de que os fios da História seriam reatados e novos inconformistas levariam adiante a luta contra o inferno pamonha (7) do capitalismo, partindo do ponto exato em que  fomos tão rudemente interrompidos (8).

Neste 2013 em que as pedras voltaram a rolar, o Dia Mundial do Rock não está mais na TV, nos palcos e em nenhum espetáculo programado. Está nas ruas. Até porque  há mais no quadro do que os olhos podem ver (9)...

Observações:
  1. Too old to rock'n roll, too young to die é a faixa-título do álbum de 1976 do Jethro Tull;
  2. Nome da faixa-título de um álbum de 1973 do George Harrison;
  3. Os trechos em vermelho são todos links, clique para abrir o artigo citado;
  4. Verso da canção My my, hey hey (out of the blue), do Neil Young;
  5. Referência à canção Tente outra vez, do Raul Seixas;
  6. Vide, acima, a observação 1;
  7. Expressão que o Paulo Francis criou para qualificar o capitalismo de imbecilizante, afora desumano;
  8. Before We Were So Rudely Interrupted é o título do ábum de reagrupamento do The Animals;
  9. Outros versos do hino roqueiro My my, hey hey (out of the blue).

5.7.13

AS RINHAS ENTRE CELEBRIDADES DA IMPRENSA: LAMENTÁVEIS!

Leio no Portal Imprensa que o jornalista Paulo Henrique Amorim foi condenado a 20 meses de prisão por "injúria preconceituosa" de cunho racista contra o colega Heraldo Pereira (veja aqui), podendo, contudo, a pena ser substituída por alguma restrição de direito a ser definida; e que Boris Casoy e Jorge Kajuru trocaram pesadas acusações pelo Youtube (veja aqui), o primeiro tratando o segundo como um "pobre coitado" que teria telefonado ao bicheiro Jorginho Cachoeira para pedir-lhe dinheiro (veja aqui) e o Kajuru retrucando que Casoy seria "elitista", "racista", "fascista" e "pedófilo" (veja aqui).

Os leitores podem tirar suas conclusões clicando nos quatro links acima. Eu apenas destaco que a catilinária de Kajuru contra Casoy foi a mais ofensiva de que já tomei conhecimento numa refrega entre jornalistas, daí eu estranhar que "o Boris não irá se manifestar sobre esse assunto", segundo a assessoria de imprensa da Band.

Como alguma resposta ele terá de dar em função da gravidade das imputações, presumo que vá novamente acionar a Justiça.

Então, quero deixar registrado meu inconformismo com a estranha prática de jornalistas recorrerem aos tribunais, quando o instrumentos e armas do nosso ofício são o teclado e o microfone. Heraldo, Boris e todos os outros que assim têm procedido, deveriam confiar mais nos próprios tacos do que nas togas.

O Paulo Francis, p. ex., sempre encontrava o que responder, mesmo quando um Caetano Veloso da vida o qualificava de "bicha amarga", "boneca travada", etc. Na minha opinião, ao esnobar Caetano como mero "fabricante de ruídos populares", ele causou mais danos ao ego do adversário do que conseguiria infligir-lhe se também apelasse para baixarias.

3.7.13

VERGONHA!!!!!!!!!!

A notícia é da Folha de S. Paulo e tem como título Brasil ignora solicitação de asilo de delator americano.

Começa errada, pois rotular Edward Snowden de delator é alinhar-se com a infame posição do governo estadunidense, colaborando com a estigmatização de um justo.

Se um governo comete flagrantes ilegalidades, como a de espionar em massa seus próprios cidadãos, qualquer homem digno que  tome conhecimento deste delito, funcionário ou não, tem o direito e até o dever de denunciar a ilicitude. Snowden, portanto, é DENUNCIANTE, não delator. Nada fez que justificasse prisão; merecia, isto sim, medalhas, porque HERÓI ele é. 

Assim como Julian Assange e Bradley Manning também são incontestáveis HERÓIS da luta pela transparência das ações governamentais. Os três colocaram sua liberdade e sua sanidade em risco para exporem os terríveis abusos de poder cometidos por altas autoridades dos EUA. 

Quem deveria ser processado é, para começar, o diretor da Agência de Segurança Nacional dos EUA, general Keith Alexander. E todos os funcionários que obedeceram a suas ordens arbitrárias. E o próprio presidente Barack Obama, se ficar provado que teve conhecimento prévio desta arapongagem em larga escala e a autorizou.

Em fuga pelo mundo, Snowden ora se encontra num aeroporto de Moscou. A Rússia se recusa a entregá-lo aos EUA e até admite sua permanência, desde que se sujeite a uma imposição para ele inaceitável: a de nada fazer que venha a  prejudicar  o governo estadunidense. Ou seja, que aceite ser manietado em benefício da tranquilidade de terroristas de estado.

Tentando conseguir um asilo sem tal condicionante, ele mandou carta a 21 países, inclusive o nosso.

Segundo a Folha, o porta-voz do Itamaraty, Tovar Mendes declarou o seguinte:
"O Brasil não vai reagir à carta com pedido de asilo. Nem sequer considerará seu mérito, pois ele circulou em carta genérica. A concessão de asilo não é feita de modo automático. O cidadão sequer está em uma embaixada do Brasil".
Trata-se de uma repulsiva evasiva burocrática para não honrar a tradição brasileira de acolher perseguidos políticos de todos os quadrantes e de todas as ideologias. Conforme lembrou o combativo jornalista Laerte Braga, alguns dos piores vilões da extrema-direita, como George Bidault, Marcelo Caetano e Alfredo Stroessner, "foram recebidos com loas e protegidos enquanto viveram".

Para o Laerte, "a diferença entre Dilma Roussef e FHC é apenas a saia". Eu não iria tão longe, mas deixo registrada minha mais profunda indignação com esta  saída pela tangente, uma maneira enviesada de fugir às responsabilidades que nossa dignidade nacional impõe. Teremos voltado, em pleno governo do PT, a ser quintal dos EUA?!

1.7.13

ELIO GASPARI REPETE AS FALÁCIAS DAS VIÚVAS DA DITADURA

De vez em quando o Elio Gaspari toma emprestado o chapéu do Reinaldo Azevedo ...
Elio Gaspari, napolitano radicado no Brasil há quase sete décadas, é um homem de esquerda que, em 1968 e anos seguintes, abominava os movimentos contestatórios que sacudiam o mundo. 

Assim como o genovês Mino Carta, mantinha-se devoto do comunismo desvirtuado e burocratizado que  se desmanchava no ar, esfarelando-se sob o impacto das duas grandes primaveras, a de Paris e a de Praga. Virou as costas à juventude mais combativa que o Brasil já produziu e está resmungando até hoje contra quem verdadeiramente lutou, enquanto seus camaradas se omitiam e até sabotavam a resistência heroica que uns poucos Davis opúnhamos à legião de Golias da ditadura militar.

Nunca esquecerei o desgosto que nos causava receber notícias de morte ou torturas de companheiros queridos, simultaneamente com relatos dos esforços mesquinhos da direção do PCB para convencer seus militantes a não nos apoiarem em nenhuma circunstância, a não nos darem abrigo, a dificultarem o acesso a jornalistas de esquerda que poderiam fornecer-nos informações vitais, a não nos disponibilizarem médicos nas emergências, etc.

Chegou até a fazer publicar no principal jornal do partido (Voz Operária, se bem me lembro) a calúnia de que o comandante Carlos Lamarca seria instrumento da CIA. Sentíamo-nos esfaqueados nas costas pelos velhos stalinistas --que, como os leopardos, não perdiam as pintas, hostilizando os adversários pertencentes ao seu próprio campo com virulência muito maior do que a dedicada aos inimigos de classe.

Do ponto de vista moral, nosso martírio significou, para os Minos e os Gasparis, uma fragorosa e contundente derrota, com a qual não se conformam até hoje.  Por mais que eles nos tentem diminuir, somos muito respeitados pelas novas gerações, como os filhos do Brasil que não fugiram à luta.

Eu acrescentaria: salvando a honra do nosso país como os resistentes franceses salvaram a da nação deles. Nem uns nem outros fomos realmente vitoriosos, mas Jean Moulin e seus valorosos companheiros evitaram que a França ficasse para sempre identificada com o colaboracionismo do Marechal Pétain; e nós, que o Brasil ficasse identificado com os especuladores favorecidos pelo  milagre  econômico, tão escandalosamente eufóricos com sua prosperidade repentina quanto indiferentes ao festival de horrores que transcorria sob seus narizes.

Uma dor de cotovelo que atravessou as décadas explica a rancorosa cruzada movida em passado recente pelo Mino contra o perseguido político Cesare Battisti, sem nunca haver tido a dignidade de reconhecer que sua motivação real eram as antigas desavenças entre o (por ele) tão estimado Partido Comunista Italiano e os agrupamentos mais à esquerda.
A perseguição desmedida a Battisti só serviu para desmoralizar Mino 

No fundo, Mino continua até hoje furibundo com os revolucionários que confrontavam verdadeiramente a burguesia, enquanto o PCI traía suas bandeiras históricas, firmando um compromisso podre com a Democracia Cristã e ajudando a salvar o capitalismo.

Battisti era, para ele, um símbolo daquele repúdio generalizado ao aburguesamento do PCI. Incapaz de autocrítica, Mino não admite até hoje que o fracasso e decadência do  partidão  de lá se deveram exatamente aos conluios com os inimigos de classe, não à atuação dos  autênticos  que acertadamente repudiavam tais conluios (mas, levados ao desespero, acabaram incorrendo em excessos nefastos como o assassinato de Aldo Moro).

Gaspari, por sua vez, continua (tanto tempo depois!) furibundo com os  autênticos  de cá, por não nos termos resignado à impotência enquanto o PCB tentava  civilizar  a ditadura. 

Longe demais das ruas e próximo demais dos gabinetes palacianos, o  partidão  brasileiro sonhava com os militares abdicando do poder em benefício de lideranças paisanas como o governador de São Paulo, Abreu Sodré.

Daí ter convencido Sodré a comparecer e até a discursar nas festividades do 1º de maio de 1968, quando acabou sendo escorraçado do palanque a pedradas pelos trabalhadores do ABC e Osasco, com o apoio do movimento estudantil.

O historiador  vacilão  não nos perdoa por termos atrapalhado os planos conciliatórios do PCB, na verdade quiméricos; naquele tempestuoso 1968, a  linha dura militar acabaria prevalecendo de qualquer maneira sobre a turma do deixa disso!, nem que tivesse de forjar outras farsas como os atentados terroristas do guru maluco Aladino Felix (por ela controlado -- vide aqui).

Vale lembrarmos, p. ex., que o principal pretexto para a imposição do AI-5 adveio de um discurso sem a mínima importância que Márcio Moreira Alves proferiu, apenas para constar nos anais, numa sessão da Câmara Federal transcorrida às moscas. Sua diatribe inócua passaria totalmente despercebida se um jornalista de direita não a tivesse divulgado. E foi pra lá de exagerado o empenho da ditadura em cassar seu mandato. Tudo não passou de uma crise fabricada, enfim. 

Mas Gaspari quer porque quer culpar-nos pela radicalização do regime, nem que tenha de fazer eco às mais imundas falácias das viúvas da ditadura. Os velhos rancores o desnorteiam.

O EPISÓDIO 'ALGOZ E VÍTIMA'
Gaspari teve de indenizar Dulce Maia por falsa acusação 

Foi assim que, em 2008, Gaspari assumiu as mágoas da vítima casual de um atentado contra o consulado estadunidense em São Paulo, ocorrido quatro décadas antes: Orlando Lovecchio Filho teve o azar de estar estacionando seu carro no Conjunto Nacional, em plena madrugada, quando explodiu um petardo lá deixado.  

Indignado com a reparação que a Comissão de Anistia acabava de conceder a um suposto partícipe do atentado, Gaspari escreveu um folhetim lacrimoso sobre a diferença entre o montante a ele outorgado e o valor (inferior) recebido por sua suposta vítima. 

A polêmica provocada por Gaspari terminou miseravelmente para ele (veja mais detalhes aqui):
  • ficou esclarecido que o dito algoz  (Diógenes Carvalho) não era algoz, pois acusado falsamente;
  • Dulce Maia, também inocente da acusação que Gaspari lhe fez, processou-o e obteve vitória exemplar na Justiça;
  • constatou-se que, além de errar a identidade de dois dos quatro autores do atentado, Gaspari também o imputara à organização errada (tinha sido uma ação da ALN, e não da VPR); e
  • o único dos quatro ainda vivo lembrou haver sido processado por Lovecchio, vencendo a batalha jurídica por ter provado documentalmente que a perna do dito cujo não fora amputada em função do ferimento em si, mas sim porque a repressão ditatorial interrompera seu tratamento de emergência para interrogá-lo, só o devolvendo aos médicos quando a gangrena se estabelecera irreversivelmente.
Gaspari tinha duas opções:
  • desqualificar resistentes que, em extrema inferioridade de forças, confrontavam uma ditadura atroz e, no caso específico, não pretenderam atingir ninguém, tanto que programaram o atentado para horário inóspito; ou
  • soltar os cachorros contra um regime que arrancava um cidadão gravemente ferido de uma UTI  por mera suspeita de que fossem um militante atingido pela própria bomba. 
Ter escolhido o primeiro alvo diz muito sobre seu caráter.

Pior: omitiu a informação jornalisticamente mais importante de todo o episódio, aquela que comprovava a negação de socorro por parte de agentes do Estado. A responsabilidade das autoridades é sempre maior que a de particulares.

AGORA, UM DESCALABRO HISTÓRICO
Foi deplorável contrapor à passeata dos 100 mil um episódio tão menor  

O tiro pela culatra de 2008 não lhe bastou como lição: neste domingo (30), Gaspari voltou à carga, recriminando o esquecimento de um episódio menor (talvez por já ter saturado a todos, de tanto que foi explorado pela rede de propaganda ultradireitista) e contrapondo-o a outro infinitamente maior:
"No dia 26 de junho de 1968 aconteceram duas coisas. Às 4h30, de madrugada, o soldado Mario Kozel Filho, de 18 anos, estava na guarita de sentinela do QG do 2º Exército, no parque do Ibirapuera, e viu uma caminhonete C-14 vindo em direção ao portão do quartel. Desgovernada, ela parou num muro. O soldado foi ver o que era, e a C-14, com 50 quilos de dinamite, explodiu e matou-o. Horas depois, numa bela tarde do Rio, a passeata [dos 100 mil] saiu pela avenida.
Seis meses depois o governo baixou o AI-5, ninguém foi para a rua, e o Brasil entrou no seu pior período ditatorial. Não foi a passeata que levou a isso. Ela era o fim de um ciclo. A bomba e o interesse do governo em subverter a precária ordem constitucional da época foram o início de outro.
...Festejando-se a memória da passeata, varreu-se para baixo do tapete a lembrança de um erro catastrófico. Passaram-se 45 anos e centenas de pessoas que participaram de atos terroristas se maquiaram como combatentes da causa democrática. Lutavam contra uma ditadura, em busca de outra, delas".
Esta ação, sim, foi da VPR. E no Congresso de Mongaguá, em abril/1969, a organização decidiu nunca mais reagir de forma tão pueril às provocações do inimigo (um comandante militar, em declarações à imprensa, qualificara os resistentes de  covardes, desafiando-os a irem enfrentá-lo  como homens  no seu quartel). 

Tais demonstrações de força foram, dali em diante, vetadas, tanto que a VPR se negou a fornecer a um grupo menor a dinamite por ele solicitada para mandar pelos ares a estátua do Duque de Caxias no Dia do Soldado de 1969.

A morte de Kozel constituiu-se mesmo num  erro catastrófico, até porque o recruta incidentalmente atingido não passava de um pobre coitado. Mas, nem de longe teve a importância que Gaspari lhe atribui, praticamente colocando-a no mesmo plano da maior e mais emblemática manifestação de protesto contra a ditadura dos generais.

Quando os cidadãos pegam em armas para confrontar tiranias, invariavelmente ocorrem incidentes deste tipo. A Resistência Francesa, p. ex., errou muito mais do que a brasileira, sem que a ninguém ocorra jogar-lhe isto na cara. Os franceses são gratos a quem correu riscos e se martirizou por eles.
Outro pretexto para o AI-5

Quanto à  presunção de que a ditadura  entrou no seu pior período  por causa de uns poucos atentados que passavam quase batidos quando as massas contestavam o arbítrio nas ruas, trata-se de uma falácia que Gaspari tomou emprestada das  viúvas da ditadura, sempre à procura de atenuantes para os massacres e atrocidades do regime militar.

A ordem, na verdade, foi inversa: a partir do  interesse do governo em subverter a precária ordem constitucional da época, foram pinçados, aqui e ali, pretextos para submeter o país ao totalitarismo absoluto. Tudo serviu: os atentados realmente cometidos pela esquerda, os que a própria ditadura forjou, o discurso incauto de Márcio Moreira Alves e a recusa do Congresso em entregar sua cabeça, uma reportagem de capa famosa da revista Veja denunciando as torturas, etc.

E, com o Brasil praticamente sob estado de sítio, só restou aos resistentes o caminho da luta armada, cujas fileiras, até então numericamente insignificantes, foram em muito ampliadas, recebendo centenas de militantes antes dedicados ao trabalho de massas. Consequentemente, o que era secundário, quase irrelevante, em 1968, passou para o primeiro plano em 1969.

Outra falácia que Gaspari tomou emprestada dos Ternumas da vida  é a de que os resistentes lutávamos por outra ditadura. Historiador relapso, ele  esquece  que havia de tudo entre nós, inclusive católicos indignados com os  pecados  da repressão e dignos defensores da legalidade constitucional, passando por um sem-número de tendências da esquerda. O único ponto em comum era o repúdio à ditadura. 

Nós, da VPR, acreditávamos que, no  day after, seria criado um parlamento com a participação de todos os agrupamentos que haviam combatido o regime militar, para a definição das politicas a serem adotadas. Tínhamos clara consciência de que, inexistindo uma força dominante, as decisões deveriam ser consensuais,  jamais impostas, para não haver o risco de cedermos a tentações autoritárias.

Finalmente, as perguntas que não querem calar:
  • por que Gaspari nos execra tanto por supostas e não concretizadas intenções, havendo uma infinidade de crimes efetivamente cometidos e provados, um número tão elevado de ações genocidas e hediondas da ditadura para ele deplorar?
  • por que Gaspari se escandalizou tanto com dois episódios infelizes que para nós representaram exceções, se as torturas foram sempre  regra  para a ditadura e as execuções de prisioneiros indefesos também viraram  regra, a partir de 1971? Uma ou outra situação que fugiu do controle deve ser mais recriminada do que massacres sistemáticos, levados a cabo como uma política de Estado?
Guiado por suas frustrações, Mino Carta fez patética figura durante o Caso Battisti; e Elio Gaspari se desmoraliza cada vez que lança suas catilinárias contra os resistentes que pegaram em armas, invariavelmente acabando por ecoar, como papagaio, a mais rançosa retórica da extrema-direita. 

Ambos deveriam procurar catarse no divã do analista, não no teclado.
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