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31.3.13

TOTALITARISMO NUNCA MAIS!

"Morte vela, sentinela sou
do corpo desse meu irmão 
que já se foi.
Revejo nesta hora 
tudo que aprendi, 
memória não morrerá!

Longe, longe ouço essa voz
que o tempo não vai levar!"
(Sentinela, Fernando Brant
e Milton Nascimento)

Neste 1º de abril, ao se completarem 49 anos da pior mentira já enfiada goela dos brasileiros adentro --a quebra da normalidade institucional, mergulhando o País nas trevas e barbárie durante duas décadas--, é oportuno lembrarmos o que realmente foi a nada branda ditadura de 1964/85, ainda louvada por seus carrascos impunes, reverenciada por suas repulsivas viúvas e defendida pelos  cuervos  que o totalitarismo criou. 

Como frisou a bela canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, cabe a nós, sobreviventes do pesadelo, o papel de sentinelas do corpo e do sacrifício dos nossos irmãos que já se foram, assegurando-nos de que a memória não morra – mas, pelo contrário, sirva de vacina contra novos surtos da infestação virulenta do despotismo.

Nessa efeméride negativa, o primeiro ponto a se destacar é que a quartelada de 1964 foi o coroamento de uma longa série de articulações e tentativas golpistas, nada tendo de espontâneo nem sendo decorrente de situações conjunturais; estas foram apenas pretextos, não causa.

Há controvérsias sobre se a articulação da UDN com setores das Forças Armadas para derrubar o presidente Getúlio em 1954 desembocaria numa ditadura, caso o suicídio e a carta de Vargas não tivessem virado o jogo. Mas, é incontestável que a ultra-direita vinha há muito tempo tentando usurpar o poder.

Em novembro/1955, uma conspiração de políticos udenistas e militares extremistas tentou contestar o triunfo eleitoral de Juscelino Kubitscheck, mas foi derrotada graças, principalmente, à posição legalista que Teixeira Lott, o ministro da Guerra, assumiu. Um dos golpistas presos: o então tenente-coronel Golbery do Couto e Silva, que viria a ser o formulador da doutrina de Segurança Nacional e eminência parda do ditador Geisel.

Em fevereiro de 1956, duas semanas após a posse de JK, os militares já se insubordinavam contra o governo constitucional, na revolta de Jacareacanga.

Os oficiais da FAB repetiram a dose em outubro de 1959, com a também fracassada revolta de Aragarças.

E, em agosto de 1961, quando da renúncia de Jânio Quadros, as Forças Armadas vetaram a posse do vice-presidente João Goulart e iniciaram, juntamente com os conspiradores civis, a constituição de um governo ilegítimo, só voltando atrás diante da resistência do governador Leonel Brizola (RS) e do apoio por ele recebido do comandante do III Exército, gerando a ameaça de uma guerra civil.

Apesar das bravatas de Luiz Carlos Prestes e dos chamados   grupos dos 11  brizolistas, inexistia em 1964 uma possibilidade real de revolução socialista. Não houve o alegado "contragolpe preventivo", mas, pura e simplesmente, um golpe para usurpação do poder, meticulosamente tramado e executado com apoio dos EUA, como hoje está mais do que comprovado. Derrubou-se um governo democraticamente constituído, fechou-se o Congresso Nacional, cassaram-se mandatos legítimos, extinguiram-se entidades da sociedade civil, prenderam-se e barbarizaram-se cidadãos.

A esquerda só voltou para valer às ruas em 1968, mas as manifestações de massa foram respondidas com o uso cada vez mais brutal da força, por parte de instâncias da ditadura e dos efetivos paramilitares que atuavam sem freios de nenhuma espécie, promovendo atentados e intimidações.

Até que, com a edição do dantesco AI-5 (que fez do Legislativo e o Judiciário Poderes-fantoches do Executivo, suprimindo os mais elementares direitos dos cidadãos), em dezembro de 1968, a resistência pacífica se tornou inviável. Foi quando a vanguarda armada, insignificante até então, ascendeu ao primeiro plano, acolhendo os militantes que antes se dedicavam aos movimentos de massa.

As organizações guerrilheiras conseguiram surpreender a ditadura no 1º semestre de 1969, mas já no 2º semestre as Forças Armadas começaram a levar vantagem no plano militar, introduzindo novos métodos repressivos e maximizando a prática da tortura, a partir de lições recebidas de oficiais estadunidenses.

Em 1970 os militares assumiram a dianteira também no plano político, aproveitando o boom econômico e a euforia da conquista do tricampeonato mundial de futebol, que lhes trouxeram o apoio da classe média.

Nos anos seguintes, com a guerrilha nos estertores, as Forças Armadas partiram para o extermínio premeditado dos militantes, que, mesmo quando capturados com vida, eram friamente executados.

A Casa da Morte de Petrópolis (RJ) e o assassinato sistemático dos combatentes do Araguaia estão entre as páginas mais vergonhosas da História brasileira – daí a obstinação dos carrascos envergonhados em darem sumiço nos restos mortais de suas vítimas, acrescentando ao genocídio a ocultação de cadáveres.

O milagre brasileiro, fruto da reorganização econômica empreendida pelos ministros Roberto Campos e Octávio Gouveia de Bulhões, bem como de uma enxurrada de investimentos estadunidenses em 1970 (quando aqui entraram tantos dólares quanto nos 10 anos anteriores somados), teve vida curta e em 1974 a maré já virou, ficando muitas contas para as gerações seguintes pagarem.

As ciências, as artes e o pensamento eram cerceados por meio de censura, perseguições policiais e administrativas, pressões políticas e econômicas, bem como dos atentados e espancamentos praticados pelos grupos paramilitares consentidos pela ditadura.

Corrupção, havia tanta quanto agora, mas a imprensa era impedida de noticiar o que acontecia, p. ex., nos projetos faraônicos como a Transamazônica, Ferrovia do Aço, Itaipu e Paulipetro (muitos dos quais malograram).

A arrogância e impunidade com que agiam as forças de segurança causou muitas vítimas inocentes, como o motorista baleado em 1969 apenas por estar passando em alta velocidade diante de um quartel, na madrugada paulistana (o comandante da unidade ainda elogiou o recruta assassino, por ter cumprido fielmente as ordens recebidas!).

Longe de garantirem a segurança da população, os integrantes dos efetivos policiais chegavam até a acumpliciar-se com traficantes, executando seus rivais a pretexto de justiçar bandidos (Esquadrões da Morte).

O aparato repressivo criado para combater a guerrilha propiciava a seus integrantes uma situação privilegiadíssima. Não só recebiam de empresários direitistas vultosas recompensas por cada "subversivo" preso ou morto, como se apossavam de tudo que encontravam de valor com os resistentes. Acostumaram-se a um padrão de vida muito superior ao que sua remuneração normal lhes proporcionaria.

Daí terem resistido encarniçadamente à disposição do ditador Geisel, de desmontar essa engrenagem de terrorismo de estado, no momento em que ela se tornou desnecessária. Mataram pessoas inofensivas como Vladimir Herzog, promoveram atentados contra pessoas e instituições (inclusive o do Riocentro, que, se não tivesse falhado, provocaria um morticínio em larga escala) e chegaram a conspirar contra o próprio Geisel, que foi obrigado a destituir sucessivamente o comandante do II Exército e o ministro do Exército.

A ditadura terminou melancolicamente em 1985, com a economia marcando passo e os cidadãos cada vez mais avessos ao autoritarismo sufocante. Seu último espasmo foi frustrar a vontade popular, negando aos brasileiros o direito de elegerem livremente o presidente da República, ao conseguir evitar a aprovação da emenda das diretas-já.


29.3.13

OVOS DE SERPENTE DEVEM SER ESMAGADOS ANTES QUE ECLODAM

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal foi criada em 1995. Até agora, sua presidência tinha sido ocupada 13 vezes pelo PT, três pelo PDT, uma pelo PCdoB e uma pelo PPB.

Chegada a hora de substituir o deputado maranhense Domingos Dutra, o PT abdicou de continuar presidindo-a e preferiu ficar com comissões que lhe garantissem maior poder real (mandando às urtigas seus ideais históricos):
  • Seguridade Social e Família;
  • Relações Exteriores e Comércio; e
  • Constituição e Justiça.
O Partido Social Cristão, que não tinha direito a ocupar nenhuma vaga no colegiado, passou a contar com cinco deputados na comissão. Cederam vagas para a legenda o PMDB e o PTB. PSDB e PR também perderam espaço para parlamentares da bancada evangélica.

Ou seja, o monstro Feliciano não teve geração espontânea. Nasceu da irresponsabilidade dos partidos progressistas (ou tidos como tais) que mostraram considerar irrelevantes os direitos humanos e os direitos das minorias, e agora tentam destrambelhadamente reparar o imenso mal cometido: o de terem permitido que a incumbência de defender direitos coubesse a quem se caracteriza por agredir direitos, inclusive a liberdade de expressão (a atitude de mandar prender manifestantes escancarou sua índole inquisitorial!).

Quem equipara a relação sexual a um ato de
violência precisa é de um bom psicanalista...
De resto, Feliciano, um  rato que ruge  sem a simpatia de Peter Sellers, resolveu peitar até Dilma Rousseff, ao afirmar que a resistência atual do PT ao seu nome não passaria de "jogo político", com o risco de a presidente e o governo estarem "jogando fora o apoio dos evangélicos, que não é pequeno, para uma eleição do ano que vem". E completou, exagerando: "São quase 70 milhões de evangélicos”.

O líder do PSC, deputado André Moura (SE), também investiu na estragégia de confrontar os petistas, ao afirmar:
"Por que não pegar um espelho e olhar para si mesmo e perguntar: por que o PT indica para a Comissão de Constituição e Justiça dois mensaleiros condenados pela mais alta Corte deste país, o STF? Será que julgar a indicação do Feliciano, pelo PSC, é correto para um partido como o PT, que, volto a repetir, indicou dois mensaleiros condenados?"
É sempre bom lembrar: o bom senso nos manda esmagar os ovos de serpente antes que eclodam. 

Se nanicos fascistóides começarem a desafiar o PT com tamanha desfaçatez e não receberem resposta à altura, estará aberto o caminho para a gestação de um ameaçador populismo de extrema-direita. 

Feliciano é caricato e não parece destinado a grandes voos... mas detém hoje muito mais poder do que um certo austríaco com bigodinho engraçado tinha, quando começou a discursar em cervejarias.

26.3.13

QUE TAL UMA SALVA DE PRATA PARA A GESTAPO?!

"Bandido bom é bandido morto", diz Telhada,
que já esteve envolvido em várias mortes.
O vereador tucano Paulo Telhada propôs a concessão da Salva de Prata, uma das comendas mais importantes da capital paulista, ao batalhão Tobias de Aguiar, que existe há mais de um século e, a partir dos anos de chumbo, passou a ser mais conhecido como Rota, pois suas rondas ostensivas acabaram definindo-lhe a identidade e a imagem: trata-se da unidade mais truculenta da Polícia Militar paulista.

A Rota tem sido, nas últimas décadas, acusada de um sem-número de execuções covardes de marginais já subjugados e que não estavam resistindo à prisão.

Sua chacina mais famosa motivou o jornalista Caco Barcellos a passar um pente-fino em episódios anteriores, daí concluindo que os assassinatos a sangue-frio constituíam norma (jamais uma exceção!), só não atraindo o mesmo interesse porque as vítimas eram coitadezas dos bairros pobres. Merecidamente, Rota 66 - a história da polícia que mata ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro-reportagem de 1993.

E foi sempre a menina dos olhos do ex-governador Paulo Maluf que, nas campanhas eleitorais, prometia "botar a Rota nas ruas" para intimidar os criminosos com a  lei do cão --ou seja, igualando-se a eles.

Quanto ao coronel da reserva Paulo Telhada, que comandou a Rota entre 2009 e 2012, é um símbolo dos excessos por ela cometidos, tanto que tinha como bordão "bandido bom é bandido morto". Sua trajetória na PM, segundo a Carta Capital (vide aqui), foi marcada "pelas mortes que acumulava em ações policiais, por transferências recordes de batalhões e até prisões por descumprimento do regulamento interno". Em 1992, p. ex., foi afastado do policiamento da Rota por desentendimentos com superiores da Polícia.

Num artigo candente (vide aqui), o justamente indignado Carlos Lungarzo põe o dedo na ferida:
"...a Rota é também um símbolo, como o é o Bope no Rio, daquele setor policial que é uma verdadeira máquina de extermínio e que serve às políticas das elites brasileiras de reduzir à sua mínima expressão aqueles setores que, exatamente nos mesmos termos que o fascismo utilizava em 1938, elas acham que não têm direito de existir.

Agora, uma homenagem à sua colaboração com a ditadura e com o extermínio de setores que pretendiam voltar à democracia, é um absurdo! É uma grave provocação!".
SUSTENTÁCULOS DE UMA DITADURA BESTIAL
 
Este é, sem dúvida, o aspecto mais importante a ser considerado: o destaque que Telhada dá, no seu projeto, à participação da Rota "no combate à guerrilha urbana que atormentava o povo paulista".

Copia na íntegra trechos do tópico A História dos boinas pretas (ver aqui), que o portal do governo paulista mantém no ar 28 anos depois de o Brasil ter saído das trevas, despachando a ditadura militar para o local a que pertence: a lixeira da História, na qual hoje não passa de sórdida lembrança, tanto quanto o nazismo alemão, o fascismo italiano, o franquismo e outras abominações.

Como Telhada andou escrevendo um livro sobre a Rota, é provável que seja ele próprio o autor das pessimamente traçadas linhas que enaltecem o terrorismo de Estado no portal do Geraldo Alckmin. Lutei contra tal ignomínia de 2008 até 2011 (vide aqui), até que, sob vara da ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário, o governador ordenou a retirada, pelo menos, do trecho em que a Rota parabenizava a si própria por ter ajudado as Forças Armadas a darem uma quartelada contra o governo legítimo do presidente João Goulart (vide aqui).

A tarefa ficou pela metade e o resultado aí está: novamente teremos de nos empenhar para que o direito de resistência à tirania seja tão respeitado no Brasil quanto o é em todo o mundo civilizado. E para que as loas ao arbítrio ditatorial recebam aqui o mesmo tratamento que recebem, p. ex., nos países europeus, onde elogiar o Holocausto é crime punível com prisão (na Suécia, aliás, político que faça propaganda do nazismo pode ser alvo imediato de impeachment, como bem lembrou o Lungarzo).

Inacreditavelmente, o projeto de Telhada foi aprovado na semana passada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal; mas, precisa passar por duas outras comissões antes da votação em plenário.

Ou seja, os vereadores paulistanos ainda têm três chances para evitar um desgaste equivalente ao da Câmara Federal no episódio Feliciano.

E nós podemos esclarecê-los sobre a história recente deste país, a qual, lamentavelmente, parecem ignorar.

Aliás, há um papel a ser cumprido, neste trabalho didático, pela Comissão da Verdade e pelos defensores dos Direitos Humanos em geral. Mãos à obra, pois!

É o mínimo que a cidadania pode fazer pelos resistentes massacrados numa luta tão desigual e travada de forma tão hedionda que só mesmo desinformados ou indignos podem se orgulhar do vergonhoso  papel que nela desempenharam, de sustentáculos de uma ditadura bestial.
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19.3.13

PAPA É PEGO NA MENTIRA

É contundente e conclusivo o artigo ‘Falta de memória’ do papa em depoimento irritou interrogadores, de autoria do correspondente do Valor Econômico em Buenos Aires, César Felício, cuja íntegra pode ser acessada aqui. 

Agora não me resta dúvida nenhuma: Jorge Mario Bergoglio é mesmo indigno de usar as sandálias do pescador. Sua eleição foi um dos piores erros cometidos pela Igreja católica em todos os tempos.

Como poderão os fiéis confiar num papa que, em passado recente (2010), refugiou-se em evasivas, envolveu um morto em suas lorotas e mentiu descaradamente para tentar salvar sua reputação em frangalhos? 

Pois foi isso que Bergoglio fez, chegando ao cúmulo de fingir que procurou ajudar um padre perseguido pela ditadura argentina a renovar seu passaporte no exterior, quando, na verdade, recomendou aos tiranos que lhe negassem o passaporte (!!!). 

Eis os trechos principais (os grifos são meus):

A sequência de frases iniciadas com “não sei”, “não me lembro” e “não me consta” exasperou os interrogadores do então cardeal de Buenos Aires, Jorge Bergoglio, que fez um depoimento à Justiça em 2010 sobre o sequestro de dois padres jesuítas durante a ditadura argentina (1976-1983). A íntegra das palavras do hoje papa Francisco está disponível na página na internet da entidade “Avós da Praça de Maio”.

O então cardeal depôs na condição de testemunha sobre o desaparecimento por seis meses em 1976 dos padres Orlando Yorio e Francisco Jalics, que estavam em processo de desligamento da Ordem Jesuíta. Bergoglio era à época o provincial (chefe) jesuíta na Argentina.

Bergoglio não revelou quem eram as pessoas que, ainda antes da prisão de Yorio e Jalics, o procuravam para se queixar das ligações com a esquerda dos padres que atuavam em favelas. Também disse não se lembrar se tratou dessas denúncias com os padres, no momento em que decidiu dissolver a comunidade em que atuavam.

O hoje papa disse que não procurou saber quem foi a pessoa que telefonou a ele no dia seguinte ao sequestro para dizer que Yorio e Jalics haviam sido sequestrados. Insistentemente perguntado, Bergoglio foi evasivo ao explicar como soube que os dois padres estavam sob custódia da Marinha, e não do Exército ou da Aeronáutica. “Era Vox Populi”, limitou-se a dizer. Revelou apenas o nome de um informante, o padre Federico Storni, já falecido. “Já falecido? Que curioso!”, exclamou um dos interrogadores, sem esconder a ironia.

O então cardeal relatou com detalhes as gestões que fez para tentar a libertação de Yorio e Jalics, como as audiências com o comandante da Marinha, Emilio Massera. Na última, a conversa entre o almirante e o jesuíta teria terminado de maneira áspera, com Bergoglio se retirando do gabinete sem se despedir.

“Coisas passadas”

Para ter acesso ao comandante da Junta Militar, o presidente Jorge Videla, o cardeal Bergoglio relatou que tomou o lugar do capelão que oficiava a missa na residência de Olivos. Após a cerimônia, teria abordado Videla e exposto o caso.

Bergoglio disse que semanas depois recebeu um telefonema do próprio Yorio, relatando que haviam sido libertados nos arredores da capital. O cardeal detalhou então como informou ao então cardeal de Buenos Aires e ao superior geral dos jesuítas sobre o fato e da gestão que fez para que o núncio apostólico acompanhasse os dois padres na chancelaria, para conseguir retirar os dois do país em segurança.

O cardeal voltou ao tom hesitante quando perguntado sobre a sua participação no episódio em que a chancelaria argentina recusou-se a renovar o passaporte de Jalics. O padre Jalics já estava na Alemanha e havia pedido o apoio de Bergoglio para poder renovar o passaporte no exterior, já que não se sentia seguro para voltar a Buenos Aires. O cardeal disse não se lembrar com quem tratou sobre o caso na chancelaria ou se fez algum documento por escrito.

No domingo, o principal impulsionador das denúncias contra Bergoglio, o jornalista Horacio Verbitsky, divulgou em matéria no jornal governista Página 12 um fac-simile de um documento assinado pelo Diretor de Culto da chancelaria no governo Videla, Anselmo Orcoyen. No texto, Orcoyen menciona que Bergoglio teria assinado um documento solicitando que o governo não concedesse novo passaporte a Jalics.

18.3.13

QUEM PECOU FOI A IGREJA ARGENTINA, BERGOGLIO OU AMBOS?

Tenha Bergoglio se acumpliciado à ditadura argentina...
Não tenho como chegar a uma conclusão definitiva sobre o papel desempenhado por Jorge Mario Bergoglio durante a ditadura argentina, mas só sinto firmeza em duas hipóteses:
  • a de que tenha realmente dedurado seus desafetos da ordem dos jesuítas, como sustenta Graciela Yorio, referindo-se a seu irmão Orlando;
  • ou a de que haja sido apenas pusilânime e omisso, avaliação do Premio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel (“A Bergoglio se lo cuestiona porque se dice que no hizo lo necesario para sacar de la prisión a dos sacerdotes, siendo él el superior de la congregación de los Jesuitas”).
Enfim, tirando a óbvia desconversa de quem quer preservar a imagem de um sumo-pontífice pessimamente escolhido, o que resta estatelecer é se Bergoglio foi cúmplice ou covarde. Permito-me desconsiderar o papo furado do Vaticano, CNBB, etc., pois é o que qualquer RP minimamente competente lança quando seu cliente está na berlinda.

Já o Roberto Romano eu respeito. Não por ser professor de ética e filosofia na Unicamp e doutor em filosofia pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, pois, nas pegadas de Marx, sempre considerei mais importante transformar o mundo do que interpretá-lo de tal ou qual maneira. Mas por ter ele sido resistente, um dos dominicanos presos e torturados por ajudarem o comandante Marighella.

...ou apenas se acovardado...
Então, para dar espaço ao  outro lado, reproduzo a interessante digressão do Romano, parte de uma entrevista publicada na Folha de S. Paulo desta 2ª feira, na qual ele apresenta outro ângulo da questão e aconselha que se investigue melhor o assunto:
"Se existe um problema gravíssimo é o fato de a igreja argentina ter colaborado ativamente com a repressão. Foi muito mais do que uma simples omissão.

A Argentina presenciou uma unidade da igreja com o regime ditatorial que é espelho do que já havia acontecido na Europa -na Espanha franquista, na Itália fascista, na Alemanha nazista.

Não é por acaso que, depois da ditadura, a igreja perdeu um número imenso de fiéis na Argentina.

Aliás, quem mais colaborou com a repressão ditatorial na Argentina não foram os jesuítas. Foram os dominicanos, a mesma ordem que, no Brasil, abrigou Carlos Marighella, o inimigo número um do regime militar.

Como é possível?

Essas ordens têm várias tendências internas. No caso dos jesuítas, essas tendências são mais disciplinadas.

No caso dos dominicanos, as tendências transbordam em público porque a ordem tem origens históricas e ideológicas muito diferentes.
...não serve para papa.
Quando os dominicanos quiseram trazer a ordem para o Brasil, dom Pedro 2º disse que jamais deixaria que inquisidores entrassem.
Mas aí contaram-lhe que eram os dominicanos franceses, de tendência socialista, e ele permitiu. Eram dominicanos diferentes dos que foram para a Argentina, herdeiros do ramo espanhol, ligados à tradição inquisitorial e, mais tarde, ao franquismo.
Para mim, o papa Francisco pode estar pagando pelos pecados da igreja argentina como um todo.

Até porque acho muito esquisito que um superior jesuíta colaborasse ou mesmo abandonasse à morte ou para a tortura dois 'soldados' da sua própria ordem. Não se esqueça de que a Companhia tem a organização de um Exército.

É preciso investigar melhor. É contra o espírito de disciplina da ordem".

16.3.13

VEJAM O QUE DIZ A IRMÃ DE UM JESUÍTA DEDURADO PELO PAPA

O digno delatado...
Entrevistada por Silvana Arantes, enviada especial da Folha de S. Paulo a Buenos Aires, Graciela Yorio afirmou que seu irmão Orlando foi delatado à bestial repressão da ditadura argentina pelo agora papa Francisco e, até a morte por enfarte aos 67 anos, permaneceu convicto da culpa de Jorge Mario Bergoglio. "Meu irmão não tinha dúvidas sobre isso. E eu acredito em meu irmão", afirma Graciela.

Em 1976, Orlando Yorio passou cinco meses em poder dos militares na Escola de Mecânica da Marinha (o principal centro clandestino de torturas de Buenos Aires), tendo sido encapuzado, ameaçado de fuzilamento, amarrado a uma cama, privado de alimentação e do uso do banheiro.
...e o vil delator.

Também jesuíta, ele havia sido professor de teologia de Bergoglio, o que não impediu o antigo discípulo de apontá-lo aos militares e até de exagerar seu envolvimento com a esquerda, ao rotulá-lo de "guerrilheiro".

São Francisco de Assis deve estar se revirando na cova...

14.3.13

O papa Francisco herdou as sandálias do PESCADOR...ou do PECADOR?

Este foi conivente com a ditadura argentina...
Radicado há décadas no Brasil, Carlos Lungarzo, incansável defensor dos direitos humanos, é argentino de nascimento e conhecedor profundo da trajetória do jesuíta Jorge Bergoglio, agora papa Francisco, outro sumo pontífice conservador de uma Igreja que, qual avestruz, enterra cada vez mais a cabeça na areia para alhear-se dos desafios da atualidade.

Os segredos do santo padre (clique p/ abrir) é um artigo obrigatório. Nele, Lungarzo traça o perfil de um religioso que, por identificação ideológica com a ditadura argentina, oportunismo ou pusilaminidade, recusou ajuda a um membro da sua Ordem, permitindo que ele caísse nas garras dos esquadrões da morte militares; e não moveu uma palha para encontrar uma criança recém-nascida sequestrada pela repressão, indiferente às súplicas da família.

O que ele tem em comum com Pedro é já haver negado Cristo... e muito mais do que três vezes!

...e este, com o nazismo.
O paralelo mais  apropriado, contudo, é com o papa Pio XII, aquele que ficou em cima do muro enquanto grassava a barbárie nazista.

Destaco os trechos principais:

"A Argentina voltou à normalidade democrática em 1983 quando o então padre Bergoglio estava com 47 anos. Nessa época, o atual papa era reitor do (...) maior seminário de formação de sacerdotes da Argentina (...), após ter sido, entre 1973 e 1979, o principal chefe (...) da poderosa e influente ordem dos jesuítas...

Em 1983, Jorge Bergoglio, uma figura austera, silenciosa, alheia a chamar a atenção, não tinha nenhuma influ'ncia política evidente, mas acumulava muita influência invisível. Ele utilizou essa influência para tentar mostrar um rosto 'moderno' da Igreja, modificando a imagem desta como cúmplice qualificada e ativa dos genocídios e torturas generalizadas, que foram comuns na Argentina...

Como é bem conhecido, a Igreja Católica apoiou intensa e devotadamente os crimes da ditadura, não apenas encobrindo ou justificando-os, mas também dando apoio psicológico e propagandístico, colocando a seu serviço seu aparato internacional (incluída a máfia italiana e o grupo P2), abençoando as máquinas de choque e os instrumentos usados para mutilação, e até, em vários casos, aplicando tortura com suas próprias mãos.

Há pelo menos 40 livros em espanhol e pelo menos 15 em inglês, dedicados de maneira total ou parcial à cumplicidade da Igreja Católica com os crimes de Estado na Argentina nos anos 1976-1983, e milhares de páginas de Internet.

Como em muitos outros países, uma minoria de padres apoiou a causa dos direitos humanos e teve certa militância no que foi chamado 'Teologia da Libertação'.

Dois deles foram os jesuítas Orlando Dorio e Francisco Jalic que propagavam uma visão social do cristianismo em favelas e bairros populares. Estes padres foram capturados pelos esquadrões da morte dos militares e submetidos a tortura, mas conseguiram sobreviver. Enquanto Jalic se fechou num mosteiro alemão e nunca mais falou de seu passado (e possivelmente, nunca voltou a Argentina), Dorio acusou explicitamente a Bergoglio, que era a máxima autoridade de jesuítas, de ter negado proteção e haver permitido que ele fosse capturado.

Bergoglio usou por duas vezes os privilégios de não acatar as decisões da justiça, privilégio que a Argentina concede aos bispos, que têm um fórum privilegiado equivalente ao dos deputados, senadores e presidentes. Em função disso, recusou dar depoimento aos tribunais que julgaram os crimes contra a humanidade na época da ditadura.

Bergoglio aceitou, porém, comparecer a uma terceira intimação, quando a pressão dos milhares de vítimas se tornou muito intensa.

Segundo a advogada Myriam Bregman que trabalha em direitos humanos, as afirmações de Bergoglio, quando aceitou ir aos tribunais, mostram que ele e outros padres eram coniventes com os atos praticados pela ditadura. Ele, porém, não foi indiciado, também com base na 'falta' de provas.

Em 1977, a família De la Cuadra (...) teve sequestrados cinco de seus membros, dos quais apenas um reapareceu muito depois.

O padre Bergoglio se recusou a indagar onde eles estavam e até a ajudar a procurar uma criança recém nascida, filha de uma das mulheres desaparecidas.

Em algumas ocasiões, o Santo Padre não pôde refutar que a ditadura argentina tinha cometido numerosas atrocidades, mas argumentou que isso foi uma resposta provocada pela esquerda, que, segundo ele, também teria usado o terror. Este infame argumento, como todos sabem, foi fortemente repudiado em todos os países que tiveram ditaduras recentemente.

Durante o governo de Néstor Kirchner e, após, o de sua esposa, Cristina Fernández, o atual papa, mantendo seu estilo 'sutil' aproveitou para criticar muitas vezes o governo (...), acusando-o de ditatorial, de gerar o caos, de defender pessoas de vida sexual 'abominável', etc.

Com seu estilo aparentemente moderado, Bergoglio teve certo sucesso onde outros padres, que pregaram abertamente a tortura e o genocídio dos ateus e marxistas, fracassaram. Com efeito, apesar de ser unanimemente repudiado pelos defensores de direitos humanos, inclusive os católicos, ele nunca foi processado, como aconteceu com o padre Wernich, e até conseguiu forjar uma máscara de tolerância".

12.3.13

TORCEDORES CORINTHIANOS SÃO INJUSTIÇADOS E BRASIL SE OMITE

Torcidas organizadas de futebol são execráveis, ponto final.

Seria ocioso enumerar os motivos, conhecidos por todos os leitores: desde sua truculência, tão brutal quanto boçal, até o sórdido papel que desempenham, de serviçais dos   cartolas  nas manobras imundas da politicalha clubística, para deles obterem pequenas regalias.

Em São Paulo, com seu   fogo amigo, os torcedores desmiolados contribuiram significativamente para o Palmeiras ser rebaixado no Brasileirão, ao darem motivo para o clube ser punido com a perda de mandos de jogos num momento decisivo.

E suas constantes agressões aos próprios jogadores fazem com que os atletas mais valorizados no mercado pensem duas vezes antes de aceitarem uma oferta palmeirense. Não querem aparar arremessos de xícaras com a cara, como aconteceu com o digno goleiro Fernando Prass ao proteger um colega.

Eu não quereria conviver com os 12 gaviões da Fiel detidos na Bolívia em função da morte do garoto Kevin, nem mesmo tomar uma cervejinha com eles.

Mesmo assim, sendo um cidadão dotado de espírito de Justiça, considero ARBITRÁRIO, INCONCEBÍVEL e INACEITÁVEL que, por conta do homicídio culposo cometido por UM torcedor, DOZE estejam presos há 20 DIAS. Juridicamente, não faz nenhum sentido considerá-los como cúmplices do que não passou do ATO ISOLADO DE UM DEBILÓIDE.

Podem, talvez, ter infringido a lei anteriormente e serem merecedores da prisão por muitos motivos, MAS NÃO NO CASO DO JOVEM BOLIVIANO VITIMADO PELO SINALIZADOR

Estão servindo de BODES EXPIATÓRIOS para as autoridades de lá, PRINCIPAIS CULPADAS PELO OCORRIDO, já que aquele apetrecho naval jamais poderia ter entrado na Bolívia nem no estádio. 

É melhor para elas que a ira popular esteja sendo direcionada contra os detidos e ninguém se lembre de perguntar por que não houve revista policial na fronteira e, sequer, na catraca. Desde quando se admite o ingresso com ARMA numa competição esportiva?! Granadas também podem? E metralhadoras?

As autoridades de cá estão agindo com tibieza vergonhosa, ao não defenderem da forma mais enérgica BRASILEIROS FLAGRANTEMENTE INJUSTIÇADOS NOUTRO PAÍS.

Já passou da hora de mostrarem algum serviço, pois suas frouxas gestões não tiveram resultado prático nenhum e vêm sendo olimpicamente ignoradas pelos bolivianos.

10.3.13

PETIÇÕES "FORA FELICIANO!": A DO AVAAZ ATINGE 100 MIL ADESÕES

Companheiros, amigos e cidadãos com espírito de Justiça,
 
conforme vocês puderam constatar no meu artigo PASTOR RACISTA E HOMOFÓBICO PRESIDE A CDHM. QUEM CRIOU ESTE MONSTRO? (título alternativo: O PT ESTÁ SE LIXANDO PARA OS DIREITOS HUMANOS E AS MINORIAS), sou totalmente contrário à permanência do deputado Marco Feliciano como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal. 

É inaceitável que tal posição seja ocupada por quem não preza os direitos humanos e já manifestou várias vezes seus preconceitos contra minorias. Daí eu concordar em gênero, número e grau com os seguintes abaixo-assinados:
Recomendo que vocês os firmem e enviem ao máximo de amigos, conhecidos e companheiros de ideais.

Um forte abraço a todos!

8.3.13

PASTOR RACISTA E HOMOFÓBICO PRESIDE A CDHM. QUEM CRIOU ESTE MONSTRO?

O deputado federal Marco Feliciano se diz pastor, mas nem de longe tem o perfil de quem zela por seu rebanho; apenas o tosquia. Nos tempos bíblicos, decerto seria um dos mercadores que Cristo expulsou do templo. Seu deus é o bezerro de ouro.

Um vídeo divulgado na internet (acesse aqui) escancara a sua devoção suprema pelo vil metal.

Exorta os extorquidos a doarem R$ 1 mil cada, mas, magnânimo, abre exceção para os mais pobres, impossibilitados de jogarem tanto dinheiro no lixo. Aconselha-os a queimarem R$ 500.  

Pede que façam a "oferta" em dinheiro, cheque, cartão, depósito bancário ou, mesmo, moto! Até cheques pré-datados para 90 dias são aceitos. E repreende uma vítima distraída, por ter esquecido um pequeno detalhe:
"Samuel de Souza doou o cartão, mas não doou a senha. Aí não vale. Depois vai pedir o milagre para Deus e Deus não vai dar. E vai falar que Deus é ruim..."
Pelo contrário, Deus é bom até demais. Tanto que ainda não fulminou Feliciano com um raio.

Ele é, ainda, alvo de uma ação penal em função dos R$ 13,3 mil que recebeu adiantados para realizar dois cultos religiosos no Rio Grande do Sul: não compareceu, nem devolveu a grana.

E o Supremo Tribunal Federal abriu inquérito para apurar se são criminosas as afirmações racistas e homofóbicas difundidas por Feliciano nas redes sociais.

Frases como a de que "africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé" e a de que "a podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime, à rejeição".

Coerentemente, Feliciano é autor de projetos que pretendem revogar decisões do próprio STF, como a que reconhece a união civil de pessoas do mesmo sexo. Além de ser um dos defensores da imposição da castração química aos estupradores.

Mais chocante ainda do que a posse de parlamentar tão inadequado, verdadeiro antípoda, para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, foi a maneira como se consumou tal aberração.

No rateio informal das comissões entre os partidos, o PT fazia questão de obter a CDHM, por ter tudo a ver com sua história e suas bandeiras originais.

Ahora no más!  Optou por dela abrir mão, deixando que caísse no colo do Partido Social Cristão. Quis ficar com alguma de mais valia para o exercício da politicalha.

Aquela politicalha em relação à qual o PT se apresentava como alternativa.

Então, como na obra famosa de Mary Shelley, é inteiramente justificada a execração da criatura, mas o criador merece repúdio ainda maior. O monstro --Feliciano como presidente da CDHM-- não existiria se um dr. Frankenstein não lhe tivesse dado vida. 

E, convenhamos, o paralelo é bem pertinente: o caminho percorrido pelo médico ficcional até se tornar fabricante de  monstros é o mesmo que o partido real percorreu até se tornar parceiro e cúmplice da pior escória da política brasileira.

7.3.13

O DESAFIO É RECOLOCARMOS A REVOLUÇÃO NOS TRILHOS

Um velho amigo me cobrou um  artigo desmistificador  a respeito de Hugo Chávez.

Ficou frustrado quando respondi que não pretendia entrar no assunto, por estar contaminado demais pelo fanatismo e consequente intolerância em relação às visões alternativas.

Os que o execravam como tirano, não aceitam meio termo. Idem, os que o endeusavam como grande revolucionário, a ponto de quererem vê-lo sepultado ao lado de Simon Bolivar. E eu estou cansado desses exacerbados tiroteios virtuais que não levam a lugar nenhum, nem fazem a revolução avançar um milímetro.

Contudo, omisso não sou.

Então, quero deixar claro que nunca considerarei viável, nem defensável, nem justificável, nem elogiável, nem aceitável, nem nada, o  socialismo num só país.

Que, para mim, são favas contadas o esvaziamento, a aniquilação ou o desvirtuamento de toda revolução tentada em pequena escala.

E nem sequer encaro como  revolução  a mera conquista do governo, desacompanhada de uma efetiva tomada de poder. Inimigo que continua detendo o poder econômico está longe de haver sido derrotado; apenas espera o momento propício para recuperar a hegemonia política.

Então, independentemente dos méritos e deméritos de Chávez, temo que o chavismo não venha a sobreviver à morte de Chávez, assim como o lulismo morrerá com Lula e o castrismo só durou até a aposentadoria de Fidel.

As duas nações mais importantes que tentaram chegar ao comunismo pela via do socialismo num só país, Rússia e China, acabaram não indo além, sequer, do capitalismo de estado, antes de darem marcha à ré.

Então, nosso verdadeiro desafio é o de recolocarmos a revolução nos trilhos (leia mais sobre isto aqui).

O inimigo a ser vencido é o capitalismo, em todo o planeta.

E só conseguiremos vencê-lo quando finalmente engendrarmos uma onda revolucionária que varra todo o planeta.


Aquela que um dia foi augurada por Karl Marx e Friedrich Engels.

5.3.13

COMO ERAM AS AULAS DE TIRO DO PROFESSOR LAMARCA

Ainda como capitão do Exército,
ensinando bancárias a atirarem.
Minha mulher e duas amigas foram dar seus tirinhos no sábado, aproveitando uma oferta que encontraram na internet.

Depois de tanto tempo distante das armas, lembrei-me de que elas faziam parte do meu dia a dia quando lutava contra a ditadura militar. Aprendi a manejá-las e a fazer a limpeza. Atirava razoavelmente.

Não que isto haja me servido de algo. Quando fui preso, não tive tempo de sacar o .38 que trazia na cintura. Ingenuamente, não me passou pela cabeça que certo aliado com quem me encontrara à noite, dez horas antes, poderia ter  caído  nesse meio tempo, aberto o  ponto  que tínhamos acertado para a manhã seguinte e se prontificado a identificar-me para a repressão. 

Então, ao entrar numa padaria da pça. Sáenz Peña (no bairro carioca da Tijuca) e pedir o café matinal, fui surpreendido e imobilizado por vários  gorilas, principalmente o cabo Polvorelli, um judoca de 140 quilos. Daquele  abraço de urso  não havia como escapar.

Cerca de um ano antes, em 1969, estivera a pique de utilizar meu revólver --então um velho e impreciso .32. Levara um recruta para ministrar-lhe um treinamento básico de tiro e, na volta, topamos com barreira policial logo depois de uma curva da estrada.

O que me interpelou, teve suas suspeitas despertadas por eu desconhecer o nome do proprietário do veículo. [Fora emprestado pelo companheiro  Moraes  --Samuel Iavelberg--, com a recomendação de só olhar os documentos do carro em último caso, pois me revelariam sua identidade real. Só que, pego de surpresa, não o pude fazer.]

Eram uns cinco soldados e eu não teria a menor chance de abatê-los com meus seis cartuchos. Mesmo assim, pareceu-me a única coisa a fazer: morrer heroicamente (ou estupidamente).

O companheiro, entretanto, era mais vivido do que eu e soube livrar-nos do apuro apenas na base do diálogo, depois de me mandar esconder a arma embaixo do banco. Impingiu-lhes a lorota de que eu tomara emprestado o automóvel para viajar em função de uma morte em família, e estaria bêbado de sono.  Colou; nossas aparências respeitáveis ajudaram.

Senti-me como se tivesse vencido a partida de xadrez com a Morte que o Max Von Sidow perdeu em O sétimo selo (1957), uma obra-prima de Ingmar Bergman.

Mas, o que eu quero contar é como eram as lições de tiro que nós, paisanos, recebíamos do ex-capitão e comandante nacional da VPR, Carlos Lamarca. Para quem gosta de conhecer reminiscências dos grandes personagens históricos (outras das minhas lembranças sobre Lamarca estão alinhavadas  neste artigo).

Basicamente, ele orientava a nos posicionarmos de lado, para oferecermos menos superfície corpórea aos inimigos que estivessem atirando em nós.

A levarmos o revólver atrás da cabeça e, na volta, o engatilharmos com a outra mão.

A começarmos a apertar o gatilho à medida que o alvo despontasse na mira.

Tão logo estivesse enquadrado, daríamos o aperto final, suavemente, evitando o movimento brusco que arruinaria a pontaria.

O difícil, dizia ele, era mantermos o sangue frio com o inimigo atirando em nós. Mas, ele garantiu que teríamos muito mais chance com um disparo preciso do que dando vários tiros a esmo.

Então, treinávamos para automatizar a sequência acima e executá-la com presteza. E a instrução que ele dava era a de procedermos exatamente da mesma maneira na  hora H, confiando no que aprendêramos e tentando esquecer que também estaríamos sob fogo.

Aconselhou, ainda, que não mirássemos na cabeça (embora aí a possibilidade de não haver reação fosse maior), optando pelo corpo, mais fácil de atingirmos; o impacto da bala jogaria o inimigo no chão e o colocaria à nossa mercê, mesmo se o disparo não fosse fatal. Mas, nunca deveríamos esquecer que o ferido ainda poderia ter forças para nos alvejar de volta. Todo cuidado era pouco.

Na primeira vez em que precisou atirar pra valer, o Lamarca não seguiu o próprio conselho. Vendo um guarda de trânsito colocar-se na porta de um banco que a VPR estava expropriando, pronto para balear o primeiro companheiro que saísse, ele confiou na sua habilidade de atirador de elite: mirou na cabeça... de uma distância de cerca de 40 metros!

Supôs, contudo, que tivesse errado. E disparou um segundo tiro. Depois, pelos jornais, ficou sabendo que acertara na mosca os dois disparos. 

Foi o bastante para a repressão perceber imediatamente quem fora o autor da façanha, tanto que a relatou aos jornais --negativamente, claro-- antes mesmo de obter a confirmação de algum militante torturado.

4.3.13

JUDICIÁRIO QUER EXERCER A CENSURA ARTÍSTICA

Agora coube a um togado revirar as imundícies da lixeira da História em busca de tesoura de Torquemada --a mesma que, durante a ditadura militar, foi empunhada por um bando de indivíduos inescrupulosos, dispostos a tudo por dinheiro.

Naquele período infame,    o paradigma dos castradores de intelectos foi Solange Teixeira Hernandes, diretora do Departamento de Censura Federal.

Mas, ao que se saiba, dona Solange & cia. não se voluntariaram para a vil, repulsiva e degradante função de censores. Foram escolhidos e não tiveram a dignidade de recusar, exatamente como os oficiais nazistas que atentaram contra a humanidade e depois alegaram ter cumprido ordens superiores -o que não os eximiu de receberem punições exemplares, merecidíssimas, do tribunal de Nuremberg.

Já o desembargador Marcelo Fortes Barbosa Filho, da 6ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, só obedeceu à própria (in)consciência ao proibir a dramatização de um acontecimento trombeteado  ad nauseam  no noticiário jornalístico, a ponto de ficar conhecido por dezenas de milhões de brasileiros.

À  imprensa abutre  é permitido derivar folhetins oportunistas do Caso Nardoni e que tais, martelando-os dia e noite, de forma a extrair o máximo de ganhos de episódios trágicos que jamais deveriam ser expostos com tanta crueza e tamanha leviandade. O teatro, contudo, é impedido até de evocar tais acontecimentos para deles extrair conclusões mais gerais sobre a nossa sociedade e o nosso tempo, estimulando a reflexão.

Trata-se de um atentado contra a democracia brasileira. É um acinte à nossa Constituição, cujo artigo 5º fulmina as pretensões das  otoridades   atrabiliárias e obscurantistas, ao estabelecer que "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença".

O diretor da peça Edifício London, Lucas Arantes, enfocou a morte da menina Isabella com a pretensão de dela derivar "uma mitologia universal".

O desembargador Solange, sem evidenciar a mais remota afinidade com a manifestação artística, sentenciou que a peça da companhia Os Satyros configuraria "violação à imagem" de Isabella e "efetiva agressão à sua pessoa".

Consultou, pelo menos, algum crítico teatral, que lhe explicasse didaticamente as ferramentas dessa arte? Não. Como o mais desinformado aldeão do mais distante grotão, o meretíssimo ficou escandalizado com o fato de a morte de Isabella ter sido representada pelo lançamento de "uma boneca decapitada por uma janela".

O que ele queria, que arremessassem uma atriz com marcas de agressão e ela se esborrachasse no palco?!

Fico imaginando qual seria a reação do melindroso desembargador à interpretação de "Dead Babies", música/performance de 40 anos atrás (veja vídeo abaixo), tolerada pela sociedade em nome da liberdade de expressão artística, que deve proteger inclusive os espetáculos de mau gosto. Provavelmente condenaria Alice Cooper ao esquartejamento ou ao garrote vil...

1.3.13

RECUERDOS DE UMA GUERRA TRÁGICA

Ainda como capitão do Exército,
ensinando bancárias a atirarem.
Minha mulher e uma amiga vão dar seus tirinhos no sábado, aproveitando uma oferta que encontraram na internet.

Depois de tanto tempo distante das armas, lembrei-me de que elas faziam parte do meu dia a dia quando lutava contra a ditadura militar. Aprendi a manejá-las e a fazer a limpeza. Atirava razoavelmente.

Não que isto haja me servido de algo. Quando fui preso, não tive tempo de sacar o .38 que trazia na cintura. Ingenuamente, não me passou pela cabeça que certo aliado com quem me encontrara à noite, dez horas antes, poderia ter  caído  nesse meio tempo, aberto o  ponto  que tínhamos acertado para a manhã seguinte e se prontificado a identificar-me para a repressão. 

Então, ao entrar numa padaria da pça. Sáenz Peña (no bairro carioca da Tijuca) e pedir o café matinal, fui surpreendido e imobilizado por vários  gorilas, principalmente o cabo Polvorelli, um judoca de 140 quilos. Daquele  abraço de urso  não havia como escapar.

Cerca de um ano antes, em 1969, estivera a pique de utilizar meu revólver --então um velho e impreciso .32. Levara um recruta para ministrar-lhe um treinamento básico de tiro e, na volta, topamos com barreira policial logo depois de uma curva da estrada.

O que me interpelou, teve suas suspeitas despertadas por eu desconhecer o nome do proprietário do veículo. [Fora emprestado pelo companheiro  Moraes  --Samuel Iavelberg--, com a recomendação de só olhar os documentos do carro em último caso, pois me revelariam sua identidade real. Só que, pego de surpresa, não o pude fazer.]

Eram uns cinco soldados e eu não teria a menor chance de abatê-los com meus seis cartuchos. Mesmo assim, pareceu-me a única coisa a fazer: morrer heroicamente (ou estupidamente).

O companheiro, entretanto, era mais vivido do que eu e soube livrar-nos do apuro apenas na base do diálogo, depois de me mandar esconder a arma embaixo do banco. Impingiu-lhes a lorota de que eu tomara emprestado o automóvel para viajar em função de uma morte em família, e estaria bêbado de sono.  Colou; nossas aparências respeitáveis ajudaram.

Senti-me como se tivesse vencido a partida de xadrez com a Morte que o Max Von Sidow perdeu em O sétimo selo (1957), uma obra-prima de Ingmar Bergman.

Mas, o que eu quero contar é como eram as lições de tiro que nós, paisanos, recebíamos do ex-capitão e comandante nacional da VPR, Carlos Lamarca. Para quem gosta de conhecer reminiscências dos grandes personagens históricos (outras das minhas lembranças sobre Lamarca estão alinhavadas  neste artigo).

Basicamente, ele orientava a nos posicionarmos de lado, para oferecermos menos superfície corpórea aos inimigos que estivessem atirando em nós.

A levarmos o revólver atrás da cabeça e, na volta, o engatilharmos com a outra mão.

A começarmos a apertar o gatilho à medida que o alvo despontasse na mira.

Tão logo estivesse enquadrado, daríamos o aperto final, suavemente, evitando o movimento brusco que arruinaria a pontaria.

O difícil, dizia ele, era mantermos o sangue frio com o inimigo atirando em nós. Mas, ele garantiu que teríamos muito mais chance com um disparo preciso do que dando vários tiros a esmo.

Então, treinávamos para automatizar a sequência acima e executá-la com presteza. E a instrução que ele dava era a de procedermos exatamente da mesma maneira na  hora H, confiando no que aprendêramos e tentando esquecer que também estaríamos sob fogo.

Aconselhou, ainda, que não mirássemos na cabeça (embora aí a possibilidade de não haver reação fosse maior), optando pelo corpo, mais fácil de atingirmos; o impacto da bala jogaria o inimigo no chão e o colocaria à nossa mercê, mesmo se o disparo não fosse fatal. Mas, nunca deveríamos esquecer que o ferido ainda poderia ter forças para nos alvejar de volta. Todo cuidado era pouco.

Na primeira vez em que precisou atirar pra valer, o Lamarca não seguiu o próprio conselho. Vendo um guarda de trânsito colocar-se na porta de um banco que a VPR estava expropriando, pronto para balear o primeiro companheiro que saísse, ele confiou na sua habilidade de atirador de elite: mirou na cabeça... de uma distância de cerca de 40 metros!

Supôs, contudo, que tivesse errado. E disparou um segundo tiro. Depois, pelos jornais, ficou sabendo que acertara na mosca os dois disparos. 

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