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21.10.09

ISRAEL É O IV REICH

Os judeus criaram os kibutzim.

Para os jovens, explico: tratou-se da experiência temporariamente mais bem sucedida, em todos os tempos, de comunidades coletivas voluntárias, praticantes do igualitarismo -- na linha do que Marx e Engels classificaram como "socialismo utópico".

O verbete da Wikipedia, neste caso, é rigorosamente correto:
"Combinando o socialismo e o sionismo no sionismo trabalhista, os kibutzim são uma experiência única israelita e parte de um um dos maiores movimentos comunais seculares na história. Os kibutzim foram fundados numa altura em que a lavoura individual não era prática. Forçados pela necessidade de uma vida comunal e inspirados pela sua ideologia socialista, os membros do kibutz desenvolveram um modo de vida comunal que atraiu interesse de todo o mundo.

"Enquanto que os kibutzim foram durante várias gerações comunidades utópicas, hoje, eles são pouco diferentes das empresas capitalistas às quais supostamente seriam uma alternativa. Hoje, em alguns kibutzim há uma comunidade comunitária e são adicionalmente contratados trabalhadores que vivem fora da esfera comunitária e que recebem um salário, como em qualquer empresa normal".
O BUND E A REVOLUÇÃO SOVIÉTICA - Os judeus também desempenharam papel relevante no movimento socialista, principalmente por meio do Bund, que existiu entre as décadas de 1890 e 1930 na Europa.

Vale a pena lembrarmos como eles contribuíram para a revolução soviética, aproveitando um excelente artigo de Saul Kirschbaum, responsável pelo Programa de Pós-Graduação em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas da USP :
"A crescente urbanização e proletarização dos judeus, que deixavam para trás suas aldeias empobrecidas em busca de novas perspectivas de vida, fez emergir o movimento socialista judaico na segunda metade da década de 1870. Nos dez anos que se seguiram, desenvolveu-se a luta organizada dos trabalhadores pela melhoria de suas condições. Associações de operários organizaram greves em várias cidades da região de assentamento judaico. Representantes da intelligentsia, em sua maioria estudantes, começaram a formar círculos de trabalhadores para a disseminação de idéias socialistas.

"Aglutinando todos esses esforços, a idéia de que os judeus em geral e os trabalhadores judeus em particular tinham seus próprios interesses, e por isso precisavam de uma organização própria para atingir seus propósitos, disseminou-se rapidamente entre os ativistas. Por fim, representantes dos círculos socialistas reuniram-se em Vilna em outubro de 1897 para fundar a União Geral dos Trabalhadores Judeus na Lituânia, Polônia e Rússia, conhecida em ídiche como Der Bund. O Bund não se via somente como uma organização política, e devotou grande parte de sua atividade à luta sindical. Seu programa, formulado no primeiro encontro, via como objetivo principal a guerra contra a autocracia czarista.

"O Bund também não se considerava um partido separado, mas parte da socialdemocracia russa, que existia na forma de grupos e associações dispersos. Por causa de sua força, o Bund teve papel decisivo na criação, em março de 1898, do Partido Socialdemocrata de toda a Rússia, que viria a tornar-se o Partido Comunista.

"As atividades do Bund cresceram e sua influência sobre o público judeu aumentou depois que começou a organizar unidades de autodefesa no período dos pogroms de 1903 a 1907. Desempenhou papel ativo na revolução de 1905, quando tinha atingido 35 mil membros.

"Mas o Bund não foi o único partido a atuar entre as massas judaicas. A extensa atividade política que se seguiu à fracassada revolução de 1905 permitiu a ação de outros três partidos judaicos: o Partido Sionista Socialista dos Trabalhadores, (...) o Partido Judaico Socialista dos Trabalhadores (...) e finalmente o Partido Socialdemocrata dos Trabalhadores.

"A revolução que irrompeu na Rússia no início de 1917 pôs fim ao regime czarista e implantou uma república chefiada por um governo provisório. O novo governo aboliu as discriminações e outorgou aos judeus plena igualdade de direitos. Os partidos judeus, que tinham restringido ou mesmo totalmente suspendido suas atividades durante o período reacionário que se seguiu a 1907, despertaram para grande atividade. Após a proibição imposta durante os anos de guerra sobre todas as publicações em caracteres hebraicos, as editoras em hebraico e ídiche retomaram suas atividades, e surgiram dúzias de periódicos e jornais.

"...a Revolução Soviética provou ser possível uma abordagem nova e bem-sucedida para os conflitos nacionais, por meio da criação de um estado multinacional - uma nova forma de diferentes povos conviverem num mesmo território sobre uma base de igualdade nacional. Abordagem que, na época em que vivemos, parece ter sido esquecida e negligenciada em toda parte."
DE MÉDICO A MONSTRO - Durante longo tempo, a propaganda reacionária apresentou o movimento socialista internacional como uma conspiração judaica para dominar o mundo.

Na segunda metade do século passado, entretanto, Israel viveu sua transição de Dr. Jeckill para Mr. Hide. Virou ponta-de-lança do imperialismo no Oriente Médio, responsável por genocídios e atrocidades que lhe valeram centenas de condenações inócuas da ONU.

Até chegar ao que é hoje: um estado militarizado, mero bunker, a desempenhar o melancólico papel de vanguarda do retrocesso e do obscurantismo.

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, acaba de determinar ao seu gabinete que estude a possibilidade de propor alterações à legislação de guerra internacional a fim de adaptá-la à necessidade de "conter a expansão do terrorismo no mundo".

Uma tese que conhecemos muito bem, pois martelada dia e noite nos sites e correntes de e-mails das viúvas da ditadura: a de que o combate ao terrorismo justifica violações dos direitos humanos. Eufemismos à parte, esta é a essência da proposta do premiê israelense.

E, se os totalitários daqui tudo fazem para salvar de punições aqueles que cometeram crimes em seu nome, os de lá não ficam atrás: Netanyahu determinou também a criação de uma comissão para defender as autoridades de Israel das acusações de crimes de guerra que lhes possam ser feitas por tribunais internacionais.

Ou seja, face ao repúdio universal dos massacres que perpetrou em Gaza na última virada de ano, Israel se prepara para radicalizar sua posição: defenderá genocidas, ao invés de os punir, como qualquer nação civilizada faria; e quer mudar as leis da guerra, para que passem a considerar lícitas e justificadas campanhas em que morrem 1.400 de um lado e 13 do outro.

Israel não tem mais nada a ver com os ideais que inspiraram os kibutzim e o Bund.

Está mais para um IV Reich. Nazista, como o anterior.

3 comentários:

Rogério Aparecido Clemente disse...

Realmente israel (minúsculo propositalmente) é a reedição da Alemanha nazista.

Não vejo - pela situação atual - possibilidade de paz sem a neutralização de israel. Tem que ser ocupado, subjugado e mantido sob pesadas rédeas. Só assim o Oriente Médio terá paz.

Paulo disse...

Realmente eu vejo muita ignorância por parte de pessoas que sequer ousam pegar em livros e estudar a história com ela é, Israel está estabelecido lá há milhares de anos, o povo árabe é um intruso que usa de terrorismo para acabar com Israel e este impasse persiste a milhares de anos. sou brasileiro e estudo exaustivamente a história da 2ª guerra e pré-história e afirmo que dizer que Israel e uma nova forma de REICH e pura ignorância, antes de afirmar tal fato é preciso verificar na história o que realmente aconteceu. Israel somente reivindica o seu direito de existir como nação, direito este que foi-lhe tirado pelo extinto império romano, e retornou à sua terra de origem somente após às perseguições impostas pela incrível segregação racial e doutrina absurda de um louco desumano que subiu ao poder. Este fez com que milhares de milhões de judeus simplesmente fugissem como se fossem marginais, bandidos. Israel não usa de genocídio para com os palestinos, simplesmente revida atos de verdadeira covardia por parte de alguns extremistas que acham que a religião é uma coisa de se levar ao ponto de uma "guerra santa".

Anônimo disse...

Paulo, para quem critica a ignorância das pessoas desse blog sobre a história de Israel, sua visão está bastante deturpada. De duas uma : ou sua educação foi judia (tendo contato somente com livros tendenciosos), ou você está de brincadeira. Para "um estudioso" de guerras você poderia pesquisar mais sobre o significado da palavra "genocídio". Além disso, o único aspecto histórico que você não deturpou totalmente foi o de que o povo judeu habita desde uns 2000 anos A.C. um pedaço do território que hoje conhecemos por Israel. Um pedaço que, estimam os geólogos, equivale hoje a 34% de todo território do atual estado de Isral. Os outros 64% foram tomados de palestinos. Não sou nem judeu nem palestino, mas não me calarei perante uma asneira como essa postada por esse tal de Paulo.
Israel é um estado colonial que submete o povo palestiniano a formas de "apartheid" mais graves que as que foram infligidas às populações negras pela África do Sul racista pré-Mandela. Esta situação, que dura desde 1948, assumiu nos últimos dois anos proporções inauditas. O Estado de Israel foi longe de mais e não é provável que possa voltar atrás pela ação exclusiva de forças internas. É tempo, pois, de a comunidade internacional dizer: Basta! O holocausto não justifica tudo! E de converter essa exclamação em ações eficazes. Uma delas é o boicote a produtos e cidadãos israelitas. Recordo que no caso da África do Sul esta foi uma das dimensões mais eficazes do boicote. Quando os artistas, os cientistas, os jornalistas sul-africanos verificaram que o apartheid punha em causa de modo muito concreto o normal desenrolar das suas vidas e não apenas o da dos negros, intensificaram muito mais a luta política interna anti-apartheid e aceleraram com isso o fim do odioso regime.
A criação do Estado de Israel envolveu a expulsão de milhões de palestinianos das suas terras ancestrais numa operação com traços de limpeza étnica, como se conclui de passos não censurados das memórias de Yitzhak Rabin. Começou então o "politicídio" dos palestinianos, como lhe chamou o sociólogo israelita Baruch Kimmerling, que passou pela ocupação da faixa de Gaza e da margem ocidental do Jordão, pela política dos colonatos judeus em territórios ocupados, pela construção de uma grelha de estradas destinada a separar as cidades e as aldeias palestinianas, pelas barreiras de estradas e checkpoints, pelos passes em tudo semelhantes aos que os negros sul-africanos tinham de mostrar para entrar nas zonas dos brancos. Por fim, a construção do Muro de Segurança, uma parede de 8 metros de altura que, quando pronta, terá 700 quilometros e se destina a encerrar os palestinianos num enorme campo de concentração, onde só faltarão os fornos de cremação. Já estão construídos 180km. Segundo a Agência das Nações Unidas para a coordenação da ajuda humanitária, já foram abatidas 102.320 árvores. Como este Muro da Vergonha está a ser construído dentro dos territórios palestinianos, já foram confiscados 1.140 hectares. As crianças palestinianas estão a aprender a trepar a parede para não chegarem tão tarde à escola.
Há hoje dois apartheids em Israel. Um dentro do seu território, que atinge cerca de um milhão de palestinianos. O jornal israelita Haarezt da passada sexta-feira descreve o contraste chocante entre as condições sociais no bairro árabe (Rakevet) da cidade de Lod e as dos bairros judeus circundantes. Os habitantes do bairro não podem hoje sair dele sem passar por barreiras policiais. O segundo apartheid é o que está a fechar os palestinianos em territórios sem viabilidade económica, sem controle sobre qualquer dos recursos básicos e donde não se pode sair sem autorização da potência ocupante. E como se isto não bastasse, estão a ser arrasados bairros inteiros na faixa de Gaza, onde a percentagem da população a viver abaixo do nível da pobreza é de 84%.
Creio que sua visão, Paulo é por demais deturpada e afetada. Não ao Sionismo! Não ao Nazismo Judeu!

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