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20.9.08

O POVO VAIA CHICO BUARQUE E TOM JOBIM. É O FIM DE UMA ÉPOCA

Na madrugada de 29 de setembro de 1968, uma vaia de dez minutos foi dirigida, em pleno Maracanãzinho, contra dois dos maiores expoentes de nossa música popular em todos os tempos: Tom Jobim e Chico Buarque.

Mais do que o desfecho infeliz de um evento artístico, esse inesperado e contundente repúdio de 20 mil pessoas àqueles que eram, respectivamente, um dos papas da bossa-nova e a maior revelação da nova MPB, marcou o fim de uma época.

Dois meses e meio depois, no dia 13 de dezembro, desceriam sobre o País as trevas do Ato Institucional nº 5. E, com o esvaziamento imposto às artes, seria exatamente a canção favorita do público daquele festival que se imortalizaria como símbolo da resistência ao totalitarismo: "Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores" (ou, simplesmente, "Caminhando"), de Geraldo Vandré.

Canto do cisne do período de maior efervescência musical que o País já conheceu, o III Festival Internacional da Canção, da Rede Globo, transcorreu em meio a passeatas que degeneravam em batalhas campais, mortes de opositores da ditadura, denúncias de torturas, ações armadas da esquerda, atentados dos grupos para-militares de direita.

O mês já começara mal, pois, logo no dia 2, o deputado federal Márcio Moreira Alves, numa sessão quase deserta do Congresso, proferiu o fatídico discurso que acabaria sendo o pivô da decretação do AI-5.

O então influente Jornal da Tarde (SP), naquele final de 1968, dia após dia dedicava suas manchetes e principais matérias ao “terrorismo”, fazendo alarmismo para enlouquecer a classe média e favorecer a linha dura militar na luta interna em que se decidia o rumo do regime.

Ambiente de festival - Este clima já se refletira na eliminatória paulista, que teve lugar no Tuca - Teatro da Universidade Católica de São Paulo, no dia 15 de setembro. Foi quando os baianos apresentaram composições que faziam uma correção de rumo no tropicalismo. Ao lançarem-no, no ano anterior, pareciam pregar o desengajamento dos jovens da política revolucionária, por que não?

O modelo 1968, entretanto, veio fortemente influenciado pela Primavera de Paris, o movimento neo-anarquista que levou a França às portas da revolução.

Aliás, foi um slogan das barricadas parisienses o ponto-de-partida da composição inscrita por Caetano Veloso no III FIC: “É proibido proibir”. O estribilho já veio pronto, mas os versos que ele criou foram corrosivos, geniais: “Me dê um beijo, meu amor/ Eles estão nos esperando/ Os automóveis ardem em chamas/ Derrubar as prateleiras/ As estantes, as estátuas/ As vidraças, louças, livros, sim/ E eu digo sim/ Eu digo não ao não/ Eu digo, é proibido proibir”.

Gilberto Gil seguiu o mesmo diapasão em “Questão de Ordem”, enfocando situações vividas pelos contestadores agrupados nas comunidades alternativas da Europa: “Se eu ficar em casa/ Fico preparando/ Palavras-de-ordem/ Para os companheiros/ Que esperam nas ruas/ Pelo mundo inteiro/ Em nome do amor”.

A maior parte da esquerda brasileira, entretanto, via com desconfiança esse anarquismo de classe média do 1º mundo; e com franca hostilidade as roupas coloridas, os cabelos desgrenhados, oa utilização das sacrílegas guitarras elétricas. Preferia os ritmos nativos, do samba carioca à riqueza musical nordestina; e o visual bem comportado, com os intérpretes se apresentando discretamente para não atrapalharem a compreensão da mensagem que os versos transmitiam. Era esta a tendência majoritária na eliminatória paulista.

Quando da reapresentação das cinco escolhidas para a final da fase brasileira, marcada para o Rio de Janeiro, Caetano Veloso, que já estava indignado com a não-classificação da música de Gil, explodiu de vez, face às ensurdecedoras vaias que o impediam de reapresentar adequadamente “É Proibido Proibir”.

Então, enquanto os Mutantes continuavam tocando uma trilha musical improvisada, Caetano fez um longo discurso, que foi depois lançado em disco com o título de "Ambiente de Festival". Eis alguns trechos:

– Mas, é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês têm coragem de aplaudir este ano uma música, um tipo de música que não teriam coragem de aplaudir no ano passado. Vocês são a mesma juventude que vai sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem.

– Quem teve a coragem de assumir a estrutura do festival e fazê-la explodir (...) foi o Gilberto Gil e fui eu.

– O problema é o seguinte: vocês estão querendo policiar a música brasileira.

– Gilberto Gil está comigo pra nós acabarmos com o festival e com toda a imbecilidade que reina no Brasil. Nós, eu e ele, tivemos coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas estruturas. E vocês? Se vocês forem em política como são em estética, estamos feitos.

Chico e seu sabiá intemporal - A finalíssima, no Maracanãzinho, iniciada no sábado (28 de setembro) e seguindo pela madrugada de domingo adentro, apresentou algumas músicas de qualidade superior. Como “O Sonho”, estréia daquele que seria um dos maiores nomes da MPB na década seguinte. O Jornal da Tarde (SP) se referiria ao ”menino Egberto Gismonti” como “um talento”, destacando a letra de “O Sonho” como a melhor dentre as inscritas por compositores que não atuavam em São Paulo, além da “muito boa harmonia e um ótimo arranjo”.

Os Mutantes compareceram com um trabalho de qualidade e impacto, “O Caminhante Noturno”, um dos ápices do seu início de carreira, com Rita Lee se apresentando fantasiada de noiva grávida (Arnaldo Dias Baptista foi de cavaleiro medieval e seu Irmão Sérgio, de toureiro). O sexto lugar não lhes fez justiça.

Toquinho e Paulo Vanzolini foram prejudicados pelo clima de festival, com platéia e júri tomados por emoções fortes, sem paciência para apreciar a sutileza e cristalina beleza de “Na Boca da Noite” (“Cheguei na boca da noite, parti de madrugada/ Eu não disse que ficava nem você perguntou nada/ Na hora que eu ia indo, dormia tão descansada/ Respiração tão macia, morena nem parecia/ Que a fronha estava molhada”).

Vista retrospectivamente, a sua classificação em oitavo lugar, atrás de “Andança” (Danilo Caymmi e Edmundo Souto, 3º), “Passacalha” (Edino Krieger, 4º), “Dia da Vitória” (Marcos e Paulo Sérgio Valle, 5º) e “Dança da Rosa” (Maranhão, 7º) nos dá um testemunho eloqüente sobre a incompetência do júri mais vaiado da história dos festivais.

Outras injustiçadas: “Canção do Amor Armado”, concepção grandiosa de Sérgio Ricardo, relegada a um irrisório nono lugar; “Oxalá”, ótima elaboração de uma história de capoeiristas, de autoria de Théo de Barros; e “América, América”, épico com que César Roldão Vieira reverenciou a figura mítica de Che Guevara.

Bela e intemporal, "Sabiá" é de uma safra em que Chico Buarque parecia alheio ao ambiente nublado da política (há quem faça a leitura de que a canção aludia à futura volta dos exilados, mas essa interpretação parece meio forçada, fazendo mais sentido a posteriori do que no momento dos acontecimentos).

Após o sucesso estrondoso de "A Banda", ele insistiu na linha lírica e nostálgica, com "Carolina", "Bom Tempo" (para quem, cara-pálida?) e "Bem-Vinda", tornando-se, nos festivais, uma espécie de antítese da esquerda convencional e também da anarquia tropicalista. Até Nelson Rodrigues, então o próprio arquétipo do reacionário, tinha palavras de elogio para Chico. Isto explica a vaia finalmente por ele recebida, depois de atravessar incólume vários festivais.

Não sem motivo, Chico Buarque se penitenciaria mais tarde, com a autocrítica “Agora Falando Sério” (“Agora falando sério/ Eu queria não mentir/ Não queria enganar/ Driblar, iludir/ Tanto desencanto/ E você que está me ouvindo/ Quer saber o que está havendo/ Com as flores do meu quintal?/ O amor-perfeito, traindo/ A sempre-viva, morrendo/ E a rosa, cheirando mal”).

Vandré e sua profissão de fé - "Caminhando" foi composta numa fase terrível para Geraldo Vandré, que estava rompido com as emissoras de maior audiência junto ao público de MPB (TV Record e rádio Jovem Pan), amargando uma desilusão amorosa, sendo hostilizado e gelado pelos estudantes de esquerda.

Fora-lhe muito danosa a publicação de uma foto no jornal Folha da Tarde (SP), na qual aparecia abraçado a Abreu Sodré, ajudando-o a escafeder-se do palco armado na praça da Sé, após ser apedrejado por manifestantes.

Governador de São Paulo por obra e graça da ditadura, Sodré tentara falar num ato comemorativo do 1º de maio, sendo surpreendido por uma reação organizada pelos movimentos operários do ABC e de Osasco, com o apoio dos estudantes.

Vandré era amigo do governador, que, inclusive, o esconderia mais tarde no próprio Palácio dos Bandeirantes, quando a repressão o perseguia. Mas, claro, preferia que essa ligação perigosa não se tornasse de domínio público. A mim e a alguns companheiros secundaristas, semanas depois, deu uma desculpa esfarrapada: “Estava bêbado. Não me lembro de nada do que fiz naquele dia”.

Devem-se às pressões que ele enfrentava, portanto, a comovente sinceridade com que reafirmou nessa canção os valores nos quais acreditava profundamente, à sua maneira romântica. Foi um Vandré machucado que subiu ao palco para cantar seu hino revolucionário, acompanhado apenas pelo próprio violão.

Talvez nem ele mesmo imaginasse o impacto que a "Caminhando" teria, acarretando-lhe tanta notoriedade quanto sofrimento. O certo é que, tido como artisticamente morto, Vandré enfrentou e venceu o maior desafio de sua carreira. Por conta disto, passou definitivamente à condição de mito, mas foi destruído como pessoa.

A vida não se resume em festivais - “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico, na interpretação de Cynara e Cybele, foi a surpreendente vencedora. O grande repórter Walter Silva, que esquecera um gravador ligado na sala de deliberação, revelou depois na Folha da Tarde (SP) que o presidente do júri, Donatelo Grieco, pressionou os demais jurados, advertindo-os de que os militares não aceitariam a vitória de “músicas que fazem propaganda da guerrilha”, como “Caminhando” e “América, América”.

A ameaça podia ser exagerada, mas o mal-estar causado na caserna por "Caminhando" foi bem real, por causa da estrofe "há soldados armados, amados ou não,/ quase todos perdidos, de armas na mão./ Nos quartéis lhes ensinam antigas lições,/ de morrer pela pátria e viver sem razões". Os militares chegaram a promover entre as tropas um concurso de versos que respondessem à "Caminhando", tendo Samuel Wainer sido pressionado (em troca de um favor recebido) a publicar no jornal Última Hora (SP) uma reportagem paparicando a medíocre poesia vencedora.

Quando a preferida do público foi anunciada em segundo lugar, o Maracanãzinho explodiu numa monumental vaia (a maior da história dos festivais), entremeada de gritos de “Vandré!” e “é marmelada!”. Tom depois comentou com Chico, que escapou da saia justa por estar em viagem pela Europa: "Foi como se o Corcovado tivesse caído sobre mim".

Mesmo distante, Chico sentiu duramente o golpe. Iniciava-se nesse momento a guinada que o levaria a tornar-se o principal expoente artístico da resistência à censura na década seguinte.

Havia motivo para a indignação da platéia. Reprimindo uma manifestação de rua, soldados tinham submetido estudantes a terríveis humilhações (chegaram a urinar sobre os jovens rendidos e a bolinar as moças). Isto despertou indignação generalizada na cordialíssima cidade maravilhosa. O FIC aconteceu logo depois e os cariocas adotaram "Caminhando" como desagravo. Vandré teve muito mais torcida lá do que em São Paulo.

Por mais que tentasse, ele não conseguiu convencer o público a respeitar Chico, Tom e as duas meninas do Quarteto em Cy, direcionando sua ira apenas contra o "júri que ali está". E, com clarividência, proferiu a frase célebre: “A vida não se resume em festivais”. Só não adivinhou que seria uma das primeiras vítimas da vida pós-festivais, quando os holofotes da arte não conseguiriam mais espantar as trevas.

Em alguns bairros da Zona Sul, as pessoas saíram às janelas quando Vandré bisava a “Caminhando” e cantaram junto, a plenos pulmões, descobrindo uma comunhão cimentada pela dor e revolta – que tão cedo não se repetiria, pois logo baixou sobre o País a paz dos cemitérios.

O Fino da Bossa - "Foi um período em que todo mundo estava junto. Aquele corredor da TV Record, aquelas salas de espera. O que pintou de música ali, o que se improvisou, o que se brincou, o que se fez de coisas que ninguém tinha visto! O que se discutiu, o que se chegou a uma conclusão. Era todo mundo segurando a coisa de braços dados e com muito amor." O depoimento de Elis Regina dá bem uma idéia do que foi a época de ouro dos festivais e do programa O Fino da Bossa, entre 1965 e 68.

Depois de a bossa-nova haver irrompido no fim dos anos 50 como a primeira manifestação musical da classe média emergente sob o desenvolvimentismo de JK, houve um refluxo e parte de seus expoentes procuraram dar novo fôlego ao movimento por meio de parcerias com sambistas do morro (Pixinguinha/Vinícius, Carlos Lira/Zé Keti, etc.). Já Sérgio Ricardo, Edu Lobo e Nara Leão tendiam mais para o engajamento político.

Quando houve o golpe militar, a repressão sobre sindicatos, grêmios estudantis e associações civis levou a uma valorização da música como oportunidade de reunião e palco de catarse (nos primeiros tempos não se censuravam shows, discos e até programas de TV). A fermentação musical nessas noitadas de boêmios e estudantes moldou uma extraordinária fornada de novos talentos, os quais, pouco a pouco, foram encontrando espaço para mostrar sua produção.

Primeiramente foram as noitadas de música popular promovidas pelo radialista Walter Silva no Teatro Paramount, no centro de São Paulo. O sucesso desses espetáculos foi notado pelo produtor Solano Ribeiro, que idealizou o 1º Festival da Música Popular, realizado no Guarujá (litoral sul paulista), em abril de 65, pela extinta TV Excelsior. Nele se deu a revelação de Elis Regina (cantora) e Edu Lobo (compositor), vencedores com "Arrastão". Curiosamente, passou despercebida "Sonho de um Carnaval", composição do então desconhecido Chico Buarque, que Vandré defendeu.

A poderosa TV Record imediatamente contratou Elis Regina e lhe entregou o comando do programa O Fino da Bossa (depois só O Fino), que estreou no dia 17 de maio de 1965 e foi apresentado semanalmente até 21 de junho de 1967. A emissora também conseguiu arrancar Solano Ribeiro da concorrente menor, incumbindo-o de organizar seus próprios festivais.

Seria em O Fino da Bossa e nos festivais da Record que se consagrariam Chico Buarque, Geraldo Vandré, Edu Lobo, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Elis Regina, Jair Rodrigues, Nara Lerão, Maria Bethânia, o Zimbo Trio e Milton Nascimento (este, cria do quarto festival, com "Sentinela", também alusiva à morte de Che Guevara, embora já houvesse tido uma participação destacada no II FIC da Globo).

Bandidos contra disparatados - No primeiro festival promovido pela Record, em setembro/outubro de 66, houve o empolgante duelo entre "A Banda" de Chico Buarque e a "Disparada" de Theo de Barros e Vandré, com ambas dividindo o primeiro lugar, para perplexidade das torcidas ruidosas e em número quase idêntico, de bandidos e disparatados. Enquanto isso, Caetano Veloso estreava com "Um Dia" (interpretada por Maria Odete) e recebia o prêmio de melhor letrista.

Em setembro de 67, o festival seguinte da Record serviu para lançar o tropicalismo, com "Domingo no Parque" (de e com Gilberto Gil, acompanhado pelos Mutantes) e "Alegria, Alegria" (que o autor Caetano Veloso cantou junto com os Beach Boys).

Houve, além disso, o 2º festival da TV Excelsior, em junho de 66, vencido por Vandré com "Porta-Estandarte"; os I (66) e II (67) FIC, inexpressivos e que serviram apenas para introduzir Milton Nascimento, que encaixou três composições na final do II FIC: "Travessia" (2º lugar), "Morro Velho" (7º) e "Maria Minha Fé"; e até uma Bienal do Samba, que a TV Record promoveu no início de 68, com a vitória de "Lapinha", de Baden Powell e Paulo César Pinheiro.

O exemplo de O Fino da Bossa fez com que surgissem vários outros programas com artistas do mesmo elenco original, dispersando-os e enfraquecendo o movimento como um todo: Bossaudade, que reunia a velha guarda sob o comando de Elizeth Cardoso; Elza Soares e Germano Mathias; Pra Ver a Banda Passar, com Chico Buarque e Nara Leão; Show em Si-Monal; Disparada, com Geraldo Vandré; Ensaio Geral, com Gil, Bethânia e Marília Medalha; e, já em 68, Divino, Maravilhoso, com os tropicalistas.

Da mesma forma, brotaram festivais como cogumelos: o Universitário da Canção da TV Tupi, que revelou Ivan Lins, Gonzaguinha e Aldir Blanc; o de música carnavalesca, o do violão, etc. Até um festival de presidiários houve...

Ovo de Páscoa da trivialidade moderna - Em 1968, a saturação era inevitável. Aquela geração já cumprira seu processo de afirmação, renovando a estética musical e ajudando a sepultar os valores rígidos da sociedade patriarcal (que cederia lugar à amoral sociedade de consumo, já que a outra possibilidade, de caráter revolucionário, foi contida por um terrorismo de estado que, ninguém se engane, foi tão brutal quanto o do Chile, Argentina e outros países-irmãos).

"Quando os políticos estavam ameaçados - explicou certa vez Chico Buarque - a música ocupou um espaço que não era dela. Depois todo mundo pôde falar novamente, ressurgiram as oposições articuladas, fazendo com que o papel do músico como porta-voz, como messias, diminuísse. Em certo momento, shows substituíram comícios. Hoje, felizmente, há liberdade para todo mundo se manifestar, então o artista não precisa preencher essa função."

Se Chico Buarque gostou de se ter livrado dessa carga, Gilberto Gil já deu declarações em que recordava os velhos tempos com simpatia: "Não vamos mais nos defrontar com aquele talento nu, selvagem, como tribos que invadiram a cidade. Não existirão outras afirmações como a nossa - minha, de Caetano, da Bethânia. Há embriões de talento real nas pessoas que estão aparecendo agora, no meio desse ovo de Páscoa da trivialidade moderna. Mas, a coisa já nasce com características de produto. O que vier daqui pra frente, virá em contêineres, dentro daquelas caixas superarrumadas".

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