PESQUISAR ESTE BLOGUE

27.12.07

A ITÁLIA QUER PUNIR A OPERAÇÃO CONDOR. O BRASIL, NÃO.

Celso Lungaretti (*)

“Às 18 horas do dia cinco de dezembro de 1973, meu pai
Joaquim Pires Cerveira (...) se dirigiu a um encontro com seu
companheiro de Organização (...) João Batista de Rita Pereda.

“Atropelado e seqüestrado com Pereda no centro de Buenos
Aires pela Operação Condor, foram entregues à ditadura brasileira.

“Foi assassinado em 13 de janeiro de 1974 no DOI-Codi da
Barão de Mesquita (RJ), tornando-se um desaparecido político.

“Dali para frente, a vida se resumiu na busca da verdade e dos
seus restos mortais.”

(Neusah Cerveira, jornalista, economista e geógrafa)


A Justiça italiana acaba de pedir ao governo do Brasil que colabore no interrogatório, prisão e extradição de brasileiros envolvidos na Operação Condor, um esquema de colaboração informal que sete ditaduras sul-americanas mantiveram durante o período 1973/1980 para perseguir, aprisionar e atentar contra opositores que, exilados, estavam teoricamente fora do alcance de suas garras.

Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai foram as nações que facilitaram a atuação extraterritorial de agentes da repressão, na maioria das vezes capturando “subversivos” para serem secretamente recambiados a seus países de origem, supliciados em centros clandestinos de tortura e depois executados.

A ocultação dos cadáveres, para que não restassem indícios dos crimes cometidos, era o desfecho habitual dessas operações. Um documento secreto da Força Aérea Brasileira, datado de 1977, revela que se chegou a lançarem corpos no Rio La Prata, mas essa prática teve de ser abandonada porque estava “criando problemas para o Uruguai, como a aparição de cadáveres mutilados nas praias”, passando-se então a utilizar “fornos crematórios dos hospitais do Estado (...) para a incineração de subversivos capturados”.

Foi, enfim, uma alternativa hedionda a que as ditaduras recorreram para evitar os trâmites demorados dos processos de extradição e as garantias que o Direito internacional prescreve para os extraditados.

Um caso célebre no Brasil foi o seqüestro, em 1978, dos uruguaios Lilian Celiberti e Universindo Díaz, vindos a Porto Alegre, com seus dois filhos, para denunciar os crimes da ditadura do seu país. Os quatro foram capturados e entregues às autoridades do Uruguai. Se a revista Veja não noticiasse, dificilmente teriam sobrevivido.

Só no ano 2000 Universindo Díaz sentiu-se suficientemente seguro para relatar o ocorrido. Segundo ele, os espancamentos começaram já no apartamento em que ele foi capturado e prosseguiram na sede do DOPS: "Nos bateram brutalmente. Nos colocaram no que chamam no Brasil de 'pau-de-arara' – dependurados do teto, pelados, nos deram choques elétricos, água fria, golpes, e assim nos foram interrogando durante horas e horas. Havia uma espécie de divisão internacional de trabalho – os brasileiros golpeavam e os uruguaios nos interrogaram".

O episódio de maior repercussão internacional foi a explosão de uma bomba no carro do ex-embaixador chileno Orlando Letelier, em pleno bairro diplomático de Washington, no ano de 1978. O atentado cometido por agentes da repressão política do Chile, a Dina, resultou na morte de Letelier e de sua secretária, causando tanta indignação nos EUA que o país deixou de apoiar a ditadura andina.

ATRASO, TIMIDEZ, IMPUNIDADE – A punição dos responsáveis por esse período negro da história sul-americana está acontecendo com atraso e timidez, face à enormidade dos crimes cometidos. Muitos carrascos morreram antes de responderem por suas atrocidades. Mas, pelo menos, sinaliza para os pósteros que nem sempre as regressões à barbárie ficam impunes.

O Uruguai condenou à prisão o ex-ditador Gregório Alvarez, em cujo governo “desapareceram” 20 cidadãos uruguaios aprisionados na Argentina e repatriados ilegalmente, não aceitando sua alegação de que desconhecia a existência da Operação Condor.

A morte livrou o antigo ditador chileno Augusto Pinochet de cumprir a merecida pena de prisão pela autoria de nove seqüestros e um homicídio, mas seu ex-chefe de Inteligência Manuel Contreras não escapou: foi condenado a 15 anos de detenção por ter planejado o assassinato de Letelier e está preso.

A Argentina também está prestes a julgar o ex-ditador Rafael Videla e 16 cúmplices, por crimes contra a humanidade.

E, agora, a juíza italiana Luisanna Figliolia expediu um mandado de prisão contra 140pessoas suspeitas de participação na Operação Condor, dentre elas 11 brasileiros, 61 argentinos, 32 uruguaios e 22 chilenos. O caso tramita desde 1999, a partir de denúncias apresentadas por parentes de 25 italianos que desapareceram sob regimes militares na América Latina.

O ministro da Justiça Tarso Genro logo descartou a extradição, por considera-la “inconstitucional”, dos acusados brasileiros. Ficou implícito que, na opinião do ministro, dificilmente eles serão punidos, embora Tarso vá tomar as providências burocráticas rotineiras, ao receber o pedido das autoridades italianas.

O Exército, por sua vez, informou ao UOL que não vai se pronunciar oficialmente sobre o caso, que está sob tutela do ministério da Justiça por envolver "a soberania brasileira". Essa preocupação com a soberania aparentemente não existia quando se franqueava o território nacional para a caçada a casais inofensivos e suas crianças.

Então, para nosso opróbrio, só nos resta concordar com o procurador da República italiano Giancarlo Capaldo: "Esse processo nasceu na Itália porque os países unidos em torno da Operação Condor decidiram não abrir investigações sobre o assunto. A Itália está fazendo o possível para evitar a impunidade e para que operações como essa não voltem a acontecer”.

* Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

====== POST SCRIPTUM: VÍTIMAS E ALGOZES ======

A nova edição do "Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a partir de 1964", organizado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, lista pelo menos seis brasileiros que desapareceram na Argentina como possíveis alvos da Operação Condor: Francisco Tenório Cerqueira Júnior (1976), Roberto Rascardo Rodrigues (1977), Luiz Renato do Lago Faria (1980), Maria Regina Marcondes Pinto de Espinosa (1976), Sidney Fix Marques dos Santos (1976) e Walter Kenneth Nelson Fleury (1976).

Os argentinos sumidos no Brasil são Norberto Armando Habegger (1978), Lorenzo Ismael Viñas (1980), Horacio Domingo Campiglia (1980), Mónica Susana Pinus de Binstock (1980), Jose Oscar Adur (1980), Liliana Inês Goldemberg (1980) e Eduardo Gonzalo Escabosa (1980). Os casos de Viñas e Campiglia passaram a ser investigados pela Justiça italiana no final dos anos 90 porque eles tinham dupla cidadania.

O primeiro desapareceu ao cruzar a fronteira da Argentina com o Brasil, de ônibus, perto de Uruguaiana (RS), e o segundo foi seqüestrado no aeroporto do Galeão, no Rio, junto com a guerrilheira Mónica Binstock. O processo na Itália resultou, no dia 24, em ordens de captura internacional emitidas pela Justiça italiana contra pelo menos 11 militares e policiais brasileiros. Os outros casos de argentinos desaparecidos no contexto da Operação Condor são investigados pela Justiça argentina. No Brasil, não há registro de processo criminal sobre o assunto.

"Pré-Condor", outras atividades conjuntas de países sob ditadura já haviam eliminado brasileiros no exterior. Documentos liberados recentemente citam, por exemplo, uma "Operação Mercúrio", que estaria por trás do desaparecimento, em janeiro de 1974, dos guerrilheiros brasileiros João Batista Rita Pereda e Joaquim Pires Cerveira. Nessa fase pré-Condor, outros seis brasileiros desapareceram no Chile entre 1973 e 1974: Antenor Machado dos Santos (1973), Jane Vanini (1974), Luis Carlos de Almeida (1973), Nelson Souza Kohl (1973), Túlio Roberto Cardoso Quintiliano (1973) e Wânio José de Matos (1973). Outro brasileiro, Luiz Renato Pires de Almeida, desapareceu na Bolívia em outubro de 1970.

Quanto aos 11 brasileiros cujo mandado de prisão foi expedido pela Justiça italiana, a relação é a seguinte:
1) Carlos Alberto Ponzi - ex-chefe do SNI em Porto Alegre
2) Agnello de Araújo Britto - ex-superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro
3) Antônio Bandeira - ex-comandante do 3º Exército
4) Henrique Domingues - ex-comandante do Estado Maior do 3º Exército
5) Luís Macksen de Castro Rodrigues - ex-superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul
6) João Leivas Job - ex-secretário de Segurança no Rio Grande do Sul
7) Átila Rohrsetzer - ex-diretor da Divisão Central de Informações
8) Marco Aurélio da Silva Reis - ex-diretor do Dops no Rio Grande do Sul
9) Octávio de Medeiros - ex-ministro do Serviço Nacional de Informações
10) Euclydes de Oliveira Figueiredo Filho - ex-diretor e comandante da Escola Superior de Guerra e irmão do ex-presidente Figueiredo
11) Edmundo Murgel - ex-secretário de Segurança no Rio de Janeiro

21.12.07

O RESCALDO DA GREVE DE FOME

Celso Lungaretti (*)

O bispo Luiz Flávio Cappio encerrou melancolicamente sua greve de fome contra o projeto de interligação das águas do rio São Francisco, no 23º dia, após sofrer um desmaio e ser hospitalizado.

Não obteve concessão nenhuma do Governo Federal, cuja intransigência acabou recompensada com uma vitória de Pirro. Impôs sua vontade, sim, mas de forma tão brutal como Margareth Thatcher, ao deixar Bobby Sands e outros nove militantes irlandeses morrerem em 1981.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, evidentemente, não quer ser lembrando como uma versão masculina da Thatcher, embora também siga a ortodoxia econômica neoliberal. Prefere comparar-se, p. ex., a Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas.

A primeira pretensão é risível, pois nada tem do estadista visionário (no bom sentido), civilizado e cordial que foi JK.

Também passa longe do Vargas dos anos 50, que confrontou o imperialismo e teve a grandeza de sacrificar a vida para impedir um golpe de estado direitista.

Quanto ao ditador de 1930/45, que tinha o carrasco Filinto Müller como sustentáculo e entregou Olga Benário para morrer num campo de concentração nazista, Lula ainda não possui currículo desumano equivalente, embora haja manchado em 2007 sua biografia com a deportação dos pugilistas cubanos e a postura inflexível face ao protesto do bispo de Barra (BA).

Dom Cappio não saiu da greve de fome tão vexatoriamente como Anthony Garotinho em 2006 e o próprio Lula em 1980. O primeiro, aos 46 anos, agüentou o jejum por 11 dias. Lula, no vigor de seus 34 anos, suportou míseros seis dias. Comparado a esses dois, o frei foi um herói, resistindo durante 23 dias aos 61 anos de idade.

Ninguém esperava que ele igualasse os 65 dias de Bobby Sands ou os 74 dias do também irlandês Terence MacSwiney (1920). Mas, se Dom Cappio perseverasse após ser liberado do hospital, o governo logo lhe ofereceria algum acordo – até porque a possível morte do bispo em pleno Natal seria politicamente catastrófica para o Planalto.

Combalido, Dom Cappio não percebeu que Lula e o ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima blefavam, ao rejeitarem tão enfaticamente a negociação. Por questão de dias, deixou escapar o que seria (ou passaria por) uma vitória.

No fundo, Lula, Garotinho e Dom Cappio fizeram opções equivocadas, ao iniciarem greves de fome que não estavam dispostos a levar até o fim. Trata-se do trunfo derradeiro das batalhas políticas e de defesa dos direitos humanos, a ser utilizado apenas em circunstâncias extremas, quando o cidadão avalia que, sem atingir seu objetivo, não compensa continuar vivo.

Greves de fome que terminam sem vitória e sem morte fazem com que a opinião pública deixe de levá-las a sério. Então, como o governo saiu-se aparentemente bem pagando para ver, agirá da mesmíssima forma na ocasião seguinte. Alguém terá de morrer para reabilitar essa forma de luta.

Mas, em sua aparente derrota, Dom Cappio conseguiu uma vitória importante, ao recolocar o projeto oficial em discussão pública. Salta aos olhos que a interligação não é a opção ideal para saciar a sede dos nordestinos, nem a de melhor relação custo/benefício e muito menos a recomendável em termos ecológicos, devendo os motivos de sua adoção ser buscado alhures.

Ou seja, ficaram fortíssimas as suspeitas de que novamente os interesses privados estão sendo priorizados na destinação de recursos públicos. É a chamada crônica da CPI anunciada.

Dom Cappio ainda poderá rir por último.


* Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

19.12.07

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE LULA

Exmo. Sr. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva,

há momentos decisivos na vida dos homens e das nações. Passamos por um deles agora.

Está em suas mãos garantir que os brasileiros tenhamos um Natal e um país do qual nos orgulharmos. Mas, se lhe faltar grandeza para tomar a decisão certa, seremos todos amaldiçoados. Pois nada de bom brotará no solo que recebeu o sangue de um mártir.

Governos e obras faraônicas passam, viram pó. Mas, exemplos de idealismo e desprendimento como o de Dom Luiz Flávio Cappio serão lembrados até o fim dos tempos.

Não se iluda. Quando a humanidade sair de sua pré-história e a desumanidade das últimas décadas representar um motivo de vergonha para todos os homens civilizados, Margareth Thatcher figurará nos livros de História como a primeira-ministra que deixou morrer Bobby Sands. Cabe-lhe decidir se quer ser lembrado como o presidente que deixou morrer Dom Cappio.

A relutância extrema do seu governo em discutir a interligação das águas do rio São Francisco é evidência gritante de que tal projeto não sobreviveria a um debate franco. E reforça as suspeitas de que haja interesses escusos envolvidos.

Cidadãos de reconhecida competência e credibilidade apontam falhas de todo tipo: concepção equivocada, relação custo/benefício muitíssimo pior que a de projetos alternativos, danos ecológicos que podem se tornar catastróficos. Por que tanta insistência, a ponto de tocar a obra com soldados, evocando os tempos sinistros da ditadura militar?

Erguer uma obra tão contestada sobre o cadáver de um homem justo será um crime inominável.

Mas, V. Exa ainda pode escapar dessa armadilha para a qual os maus auxiliares o conduzem. Basta ouvir a voz da militância, daqueles seres humanos sofridos e esperançosos que iniciaram a jornada consigo. E voltar a ser para eles, como Salvador Allende o era para os melhores chilenos, o “companheiro presidente”.

Estamos aguardando sua decisão, Sr. Presidente, para sabermos se vamos comemorar o Natal ou colocar luto por quem, guardadas as proporções, estará repetindo o sacrifício de Cristo.

Este é meu apelo desesperado: aja como um verdadeiro cristão. Dom Cappio não pode morrer!

Respeitosamente,

CELSO LUNGARETTI
19/12/2007

11.12.07

SENHOR DEUS DOS DESGRAÇADOS

“Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!”
(“Navio Negreiro”, Castro Alves)

Celso Lungaretti (*)


A greve de fome de dom Luiz Flávio Cappio não admite meio-termo. Ou nos posicionamos com a dignidade de verdadeiros cidadãos ou nos igualamos aos seres abjetos que outrora compactuaram com a escravidão e hoje ignoram as súplicas de uma menina barbarizada à sombra do poder.

Passamos a vida recriminando a sordidez da política oficial e as negociatas que colocam recursos públicos a serviço de interesses privados. Como procedemos, no entanto, quando um bispo sexagenário ousa confrontar os abutres que saqueiam uma das regiões mais miseráveis do País e arrisca a vida em defesa do seu rebanho? O que estamos fazendo para apoiar esse altaneiro desafio às práticas viciadas e viciosas de nossa democracia? Pouco, quase nada.

De quantos outros escândalos e mares de lama precisamos para aprendermos a desconfiar de empreendimentos que governos tentam enfiar pela goela da comunidade adentro? Desta vez, até o Exército foi requisitado, para reforçar ainda mais a semelhança com os projetos faraônicos e as práticas totalitárias da ditadura militar...

Há fundadas suspeitas de que essa interligação das águas do rio São Francisco seja uma péssima aplicação dos recursos públicos, perdendo de longe para opções de menor custo e maior benefício, além de poder causar enorme dano ecológico.

A arrogância com que o Governo Federal trata as vozes dissonantes é uma confissão involuntária de que seu projeto não sobreviveria a um debate franco – aquele com que acenaram a dom Cappio para que encerrasse sua greve de fome de 2005, esquivando-se, depois, de cumprirem a promessa.

É uma falácia a pretensão do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, de que a vitória nas urnas equivalha a um cheque em branco para o Governo agir como bem entender durante quatro anos, sem prestar contas à comunidade.

E chega a ser risível sua afirmação de que “o diálogo não pode impedir que políticas públicas sejam implementadas”. Ou seja, dom Cappio poderia passar o tempo que quisesse dialogando com Geddel, enquanto os soldados estivessem tocando o projeto em ritmo de marcha acelerada, para torná-lo irreversível em proveito daquelas elites que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tanto vitupera na retórica e tão bem atende na prática.

É claro que o gesto extremo de dom Cappio seria desnecessário se o TCU e o Congresso Nacional cumprissem realmente sua missão de defender os interesses dos cidadãos. Mas, sabemos todos, há muito a cidadania está órfã.

Então, à luz dos ensinamentos cristãos, o bispo de Barra (BA) tem todos os motivos para tentar evitar que as verbas destinadas à região sejam novamente mal empregadas. Pois, em última análise, a vida dos humildes está colocada na balança e, na ótica oficiosa das autoridades oficiais, pesa muito menos do que os lucros dos poderosos.

Finalmente, aos áulicos e fariseus que invocam a Bíblia para proteger os vendilhões do templo, lembro que jamais Gandhi, dom Cappio e nem mesmo Bobby Sands buscaram o suicídio. Sua aposta foi sempre em despertar o senso de justiça que, diz Platão, é inerente ao ser humano.

Se o nosso senso de justiça continuar embotado e deixarmos dom Cappio morrer, nem mesmo o Deus dos desgraçados nos perdoará.

* Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

5.12.07

LULA VAI MIRAR-SE EM CRISTO OU PILATOS?

Celso Lungaretti (*)

Qualquer semelhança entre as frases abaixo NÃO é mera coincidência:

“Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo. Considerai isso.” (Mateus 27:24)

“Eu tenho de escolher entre ele, que está fazendo uma greve de fome premeditada, e 12 milhões de nordestinos (...) que precisam da água para sobreviver. E não tenha dúvida que eu ficarei com os pobres." (presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lavando as mãos diante do novo protesto de dom Luiz Flávio Cappio contra o projeto da transposição das águas do rio São Francisco, iniciado no último dia 27)

Resta sempre a esperança de que Lula ponha a mão na consciência e faça a opção correta: não a de repetir Pilatos, que, mesmo não vendo culpa nenhuma em Cristo, foi responsável por seu açoitamento e crucificação; mas sim a de repetir Cristo, que expulsou os vendilhões do templo para evitar que continuasse servindo de covil a ladrões.

O bravo bispo de Barra (BA), que já ficara 11 dias sem alimentar-se em 2005, sustenta que “essa água não é para 12 milhões de pessoas, é para pequenos grupos do capital”, acusando o Governo Federal de difundir “propaganda falsa” e Lula, de desrespeitar o acordo que pôs fim à greve de fome anterior:

– Nós só suspendemos o jejum lá em Cabrobó porque houve um compromisso para que fossem paralisadas as obras e houvesse negociações. Nós confiamos na palavra do governo. O diálogo teve início, mas logo se acabou. Nós acreditávamos que fosse devido ao ano eleitoral. Quando Lula foi reeleito, nós o procuramos, pedindo a reabertura do diálogo. A resposta do presidente foi o início das obras de transposição, usando o Exército. O governo manteve-se surdo. As coisas ficaram piores. Este é o motivo pelo qual retomei o jejum.

Segundo os opositores, a transposição vai ter impacto extremamente negativo sobre o rio São Francisco (que já está fragilizado e necessitando de urgente revitalização) ao levar suas águas para os grandes açudes do Nordeste, com a principal finalidade de favorecer empreendimentos privados.

Alegam que, pela metade do custo, poderia ser implementados projetos como o da Agência Nacional de Águas, para beneficiar os 32 milhões de habitantes de mais de mil municípios; e as obras da Articulação do Semi-árido Brasileiro, voltadas para outros 10 milhões.

Então, tanto em termos ambientais quanto econômicos, seria uma péssima destinação dos recursos públicos. "O governo se tornou a voz de um pequeno grupo da elite e, infelizmente, o presidente Lula se tornou refém do capital internacional", afirma dom Cappio, que desta vez se diz disposto a levar seu protesto até a morte, se não for retirado o Exército e arquivado o projeto. “O rio e o povo merecem.”

Ele também rebateu as críticas dos que o acusam de suicida, como o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, para quem “essa postura fundamentalista do bispo vai contra ensinamentos da igreja, como saber que é pecado atentar contra a vida”:

– Eu recomendaria que conhecessem um pouquinho mais a pessoa de Jesus Cristo e a sua doutrina. Que lessem o Evangelho de João 10:10, onde Jesus diz que ele é o bom pastor, que veio pra doar a vida às suas ovelhas. A história da Igreja é uma história de mártires, de homens e mulheres que deram a vida por amor à sua fé, por amor a seus irmãos.

Finalmente, vale lembrar que personagens históricos da grandeza do Mahatma Gandhi também consideraram válida uma “greve de fome premeditada”, como recurso extremo para tentarem fazer com que a justiça prevalecesse, quando todos os outros caminhos estavam bloqueados.

* Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/
Related Posts with Thumbnails

Arquivo do blog

NUVEM DE TAGS

: apedrejamento ...memória não morrerá 1968 1ª Guerra Mundial 1º de maio 3º mandato 7 de setembro A Barca do Sol A Marselhesa Abílio Diniz aborto Abradic Abraham Lincoln aburguesamento abuso de poder ACM Adail Ivan de Lemos Adhemar de Barros Adolf Hitler Adriana Tanese Nogueira Adriano Diogo Aécio Neves África do Sul agiotagem AGU Ahmadinejad AI-5 aiatolá Khomeini ajuste recessivo Aladino Felix Albert Einstein Albert Speer Alberto Dines Alberto Goldman Alberto Piovesan Alberto Torregiani Alberto Youssef Alckmin Aldo Rebelo alerta Alexandre Padilha Alexandre Vannuchi Leme Alfredo Stroessner Ali Kamel Alice Cooper ALN Aloysio Nunes alterações climáticas Alvarenga e Ranchinho Alvaro Uribe Ana Luíza Anai Caproni anarquismo André Esteves André Mauro Andre Ristum André Singer Andy Warhol Angela Merkel Angelo Longaretti Angra anistia Anistia Internacional Anita Garibaldi Anita Leocadia ano novo anos de chumbo Antônio Conselheiro Antonio Nogueira da Silva Filho Antonio Palocci Antonio Patriota Antonio Prestes de Paula Antônio Roberto Espinosa Ao Pé do Muro Aparicio Torelly Aparício Torelly apartheid apedrejamento Apollo Natali Apolônio de Carvalho aquecimento global Araguaia arapongas arbítrio Arena Armando Monteiro arrocho fiscal Arthur José Poerner Ary Toledo asilo político Assange atentado do Riocentro atentado do WTC Átila Augusto Boal Augusto Pinochet Auriluz Pires Siqueira autoritarismo Ayres Britto Ayrton Senna Baia dos Porcos Baía dos Porcos bairro da Mooca bairro do Bixiga Banco Santos bancos Barack Obama Bartolomeo Vanzetti Bashar al-Assad basquete Batalha de Itararé Battisti Baú do Celsão BBB beagles Benito Di Paula Benito Mussolini Bento XVI Bertold Brecht Bertold Brecht Bíblia bicicletas Biggs Bill Clinton Billy Wilder biografias não autorizadas black blocs blogue de resistência blogues BNDES Bob Dylan Bobby Sands bolchevismo Bolívia bolsa-agronegócio bolsa-banqueiro bolsa-empresário bombeiros Boris Casoy boxe Bradesco Bradley Manning Brasil: Nunca Mais Brigadas Vermelhas Brilhante Ustra Bruce Lee Bund Cabo Anselmo cabo Povorelli caça às bruxas Caco Barcellos Caetano Veloso Caio Túlio Costa Câmara Federal Camboja Campo Salles Cansei Canudos Capinam capitalismo Capitão Guimarães Caravaggio Carla Jiménez Carlinhos Cachoeira Carlos Brickmann Carlos Drummond de Andrade Carlos Franklin Paixão de Araújo Carlos Gardel Carlos Giannazi Carlos Heitor Cony Carlos Lacerda Carlos Lamarca Carlos Lungarzo Carlos Marighella carnaval Carrefour Carta Capital CartaCapital Carvalho Pinto Casa da Morte de Petrópolis Casal Nardoni casamento civil igualitário Caso Dreyfus Caso Isabella Caso Santo André cassação Cássio Castello Branco Castro Alves CBF CCC CDDPH CDHM celibato Celso Amorim Celso Bandeira de Mello Celso Daniel Celso Luiz Pinho Celso Lungaretti Celso Russomanno censura Cesar Benjamin César Roldão Vieira Cesare Battisti cesárea Cezar Peluso Chael Charles Schreier Charles De Gaulle Charles Dickens Charles Elbrick Charles Gordon Charles Manson Charlie Hebdo Che Guervara Che Guevara Chernobil Chico Buarque Chico de Assis Chico Mendes Chico Whitaker Chile China CIA Cícero Araújo cinema cinemas de bairro Cisjordânia Claudio Abramo Cláudio Antônio Guerra Cláudio Humberto Cláudio Marques cláusula de barreira Clécio Luís Clint Eastwood Clive Barker Clóvis Rossi Clube Militar colégios militares Colina Colômbia Comissão da Verdade Comissão de Anistia Comissão de Direitos Humanos Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos Comuna de Paris comunismo Conare Congresso Nacional contestação Copa das Confederações Copa do Mundo Coréia do Norte Corinthians Coronel Telhada corrupção Corte Interamericana de Direitos Humanos cotas raciais CPEM CPI CPMF cracolândia crime contra a humanidade Criméia Almeida crise dos mísseis cubanos Cristiano Machado Cristina Kirchner Crivella Cuba Cunha Lima curandeirismo Curió CUT D. Flávio Cappio D. Helder Câmara D. Paulo Evaristo Arns D. Pedro I D.Flavio Cappio Dª Solange Dalmo Dallari Dalmo de Abreu Dallari Dalton Rosado Daniel Dantas Dante de Oliveira Darcy Rodrigues David Goodis delação premiada Delcídio do Amaral Delfim Netto Delúbio Soares DEM Demétrio Magnoli democracia democracia burguesa deportação Desafia o Nosso Peito desemprego desigualdade econômica desigualdade social Devanir de Carvalho Dia das Mães Dia dos Pais Dia Mundial do Rock Dilma Dilma Rousseff Diógenes Carvalho Diogo Mainardi Diogo Salles Direito à Memória e à Verdade direito ao trabalho direitos humanos direitos previdenciários direitos trabalhistas diretas-já dissidentes cubanos ditabranda ditadura ditadura argentina Django DOI-Codi Dolores Ibarruri dominicanos dona Solange Donald Trump Dulce Maia Dunga Edemar Cid Ferreira Eder Jofre Edgar Allan Poe Edifício Joelma Edir Macedo Ednardo D'Ávila Melo Edson Fachin Edu Lobo Eduard Bernstein Eduardo Campos Eduardo Cunha Eduardo Gomes Eduardo Leite Eduardo Sabóia Eduardo Suplicy educação religiosa Edward Snowden El País eleições eleições 2010 Eleições 2012 eleições 2014 eleições 2016 Eleonora Menicucci de Oliveira Eliane Cantanhêde Eliane Cantenhêde Elio Gaspari Elis Regina Eliseu de Castro Leão embargo econômico emenda fiscal Emerson Emerson Fittipaldi Emílio Médici Emir Sader Enéas Carneiro ensino entulho autoritário Enzo Peri episódio algoz e vítima Epoca Época Equador Erasmo Carlos Eremias Delizoicov Eric Hobsbawm Ernesto Geisel Ernst Jünger Escola Base escracho escravidão Espanha espionagem espontaneísmo esporte estado Estado Islâmico Estado Novo Estatuto do Idoso estelionato ETA etanol Ethel Rosenberg EUA Eurico Gaspar Dutra eutanásia Evo Morales ex-presos políticos execuções exército extradição Fabiana Leibl Fábio Konder Comparato Fábio Konder Comparato Fabrício Chaves Facebook Falha de S. Paulo fanatismo fanatismo religioso Farc fascismo fator previdenciário Fausto De Sanctis Fausto Silva favelas FBI Federico Fellini Feira do Livro de Frankfurt Felipão Fernando Claro Fernando Collor Fernando Gabeira Fernando Haddad Fernando Henrique Cardoso Fernando Lugo Ferreira Gullar festivais de MPB FHC FIC Fidel Castro Fiesp Filinto Muller Fino da Bossa Florestan Fernandes flotilha FMI Folha de S. Paulo Força Pública Foro de São Paulo Francis Ford Coppola Francis Fukuyama Francisco 1º Francisco Foot Hardman Francisco Franco Franco Nero François Mitterrand Franz Kafka Fred Vargas Fred Zinneman Friedrich Engeles Friedrich Engels Friedrich Nietzche Fukushima Fukuyama futebol Gabeira gabinete de crise Gabriel Chalita Gal Costa Garrincha Gastone Righi gay gays Gaza General Maynard Gengis Khan genocídio George Harrison George Hilton George Orwell George W. Bush Geraldo Alckmin Geraldo Vandré Gerlaod Alckmin Gerson Theodoro de Oliveira Getúlio Vargas Gianfrancesco Guarnieri Giannazi Gilberto Carvalho Gilberto Dimenstein Gilberto Freyre Gilberto Gil Gilberto Kassab Gilmar Mendes Gilmar Rinaldi Gilson Dipp Giocondo Dias Giordano Bruno Giuseppe Lampedusa Glauber Rocha globalização Glória Kreinz Goethe Golbery do Couto Silva Goldman Goldstone goleiro Bruno golpe de 1964 golpe de 1964 x 50 anos golpismo governo de união nacional Grace Mendonça Grécia Gregório Bezerra Gregório Duvivier Gregório Fortunato greve de fome greve geral de 1917 Grigori Zinoviev Guantánamo Guarda Civil guerra civil guerra da lagosta Guerra do Vietnã Guerreiro da Utopia guerrilha guerrilha do Araguaia guerrilha do Vale do Ribeira guerrilha urbana Guilherme Boulos Guilherme Fariñas hackers Harry Shibata Heleny Guariba Hélio Bicudo Helleny Guariba Henfil Henning Boilesen Henrique Lott Henrique Meirelles Henrique Pizzolatto Henry Sobel Heraldo Pereira Herbert Marcuse Hino da Independência Hino Nacional Hiroshima História homofobia Honduras Hugo Chávez Iara Iavelberg Igor Tamasauskas Igreja Católica Igreja Renascer Igreja Universal imigração italiana imigrantes impeachment Império Romano imprensa Inconfidência Inconfidência Mineira indenizações Índia indignados Indio da Costa Índio da Costa indústria cultural Inês Etienne Romeu inflação Inquisição Instituto Royal insubmissão militar Intentona Comunista Internacional Comunista Internacional Socialista internacionalismo revolucionário intolerância Irã Israel IstoÉ Itália Itamar Franco Itamaraty Itaú Ivan Seixas Ivan Valente Ives Gandra Martins Ivo Herzog Jacob Gorender jacobinismo Jader Barbalho Jaguar Jair Bolsonaro Jair Rodrigues James Wright Jânio de Freitas Jânio Quadros Janis Joplin Jaques Wagner Jarbas Passarinho Jari José Evangelista Jean Wyllys Jean-Luc Godard Jean-Paul Sartre Jean-Pierre Melville jesuítas Jesus Cristo Jethro Tull Jimi Hendrix Jimmy Carter Joan Baez João Amazonas João Baptista Figueiredo João Cabral do Melo Neto João Dória Jr. João Goulart João Grandino Rodas João Paulo Cunha João Pereira Coutinho João Santana Joaquim Barbosa Joaquim Câmara Ferreira Joaquim Cerveira Joaquim Levy Joaquin Pérez Becerra Jobim Joe Cocker Joe Hill Joe Louis Joesley Batista John Kennedy John Lennon Jorge Kajuru jornada de trabalho jornalismo José Campos Barreto José Eduardo Cardozo José Genoíno Jose Giovanni José Lavecchia José Maria Marin José Martí José Mujica José Padilha José Raimundo da Costa José Roberto Arruda José Sarney José Serra José Tóffoli José Vicente Contatore José Wellington Diógenes Joseba Gotzon Joseíta Ustra Joseph Goebbels Joseph Stalin Juarez Guimarães de Brito Juca Chaves Juca Kfouri Judas Iscariotes juiz Sérgio Moro julgamento de Nuremberg Julian Assange Julius Martov Julius Rosenberg Juscelino Kubitschek Karl Leibknecht Karl Marx Kátia Abreu Kevin kibbutz kibutz Kim Jong-il Kim Kataguiri Kirk Douglas Ladislau Dowbor Laerte Braga Lamarca lavagem cerebral lavoura cafeeira Lawrence da Arábia LDO Leandro Fortes Lecy Brandão Lei Antiterrorismo Lei da Anistia Lei da Ficha Limpa Lei Falcão Lênin Leon Trotsky Leonel Brizola Leonel Mello Leônidas de Esparta Leopoldo Paulino LER-QI Lev Kamenev Levy Fidélis LGBT liberdade de expressão Líbia Lilian Celiberti lio Gaspari Livro dos Heróis da Pátria Lourenço Diaféria LSN Luc Ferry Luciana Genro Luís Alberto de Abreu Luís Carlos Trabuco Luís Nassif Luís Roberto Barroso Luiz Aparecido Luiz Carlos Prestes Luiz Eduardo Greenhalgh Luiz Eduardo Merlino Luiz Eduardo Soares Luiz Fux Luiz Maklouf Luiz Ruffato Luiz Vieira Luíza Erundina Lula luta armada luta de classes Lyndon Johnson macartismo maconha Mafia Máfia máfia dos ingressos Magalhães Pinto Mahatma Gandhi Mahmoud Ahmadinejad Mais Médicos Major Cerveira Major Curió Manoel Henrique Ferreira Manuel Fiel Filho Manuel Zelaya Mao Tsé-Tung Mappin Maquiavel mar de lama maracutaia Marcello Mastroianni Marcelo Crivella Marcelo Freixo Marcelo Paiva Marcelo Roque Marcha da Família Marcha da Maconha Márcio Leite de Toledo Márcio Moreira Alves Marco Antonio Villa Marco Antonio Zago Marco Aurélio Garcia Marco Aurélio Mello Marco Feliciano Marco Polo Del Nero Marcos Nunes Filho Marcos Valério Marcos Wilson Lemos Marcus André Melo Margaret Thatcher Margareth Thatcher Maria Alice Setubal Maria Bethânia Maria do Carmo Brito Maria do Rosário Maria Esther Bueno Maria Vitória Benevides Marighella Marina Marina Silva Marinha Mário Alves Mário Faustino Mario Monicelli Mário Sérgio Conti Mario Vargas Llosa Marta Suplicy Martin Luther King Martin Scorcese marxismo Mary Shelley massacre de My Lay Massacre do Carandiru Massafumi Yoshinaga Maurício Costa Mauricio Hernandez Norambuena Mauro Santayana Max Horkheimer MDB médicos cubanos Megaupload Memorial da Resistência Memórias de uma guerra suja mensalão mercantilização Michael Burawoy Michel Temer Michelangelo Buonarroti Michelle Bachelet Miguel Arraes Mikhail Bakunin Milton Friedman Milton Nascimento Ministério dos Esportes Mino Carta mísseis cubanos Molina Dias Mônica Bergamo monopolização Monteiro Lobato Morro da Providência Mortos e Desaparecidos Políticos movimento estudantil movimento negro Movimento Passe Livre MPB MR-8 MR8 MTST Muammar Gaddafi Muhammad Ali Mundial de 2014 muro de Berlim muro de Berlin Nagasaki Nara Leão Nasser Natal Natan Donadon Náufrago da Utopia nazismo Neil Young Nelson Jobim Nelson Mandela Nelson Piquet neo-pentecostais neofascismo neoliberalismo Nestor Cerveró Nestor Kirchner Neusah Cerveira Newton Cruz Nicola Sacco Nicolau Maquiavel Nikita Kruschev Nikolai Bukharin No Nukes Norman Mailer Norman O. Brown Noruega Nova York O Estado de S. Paulo O Globo O Gobo O Pasquim OAB Oban Occupy ocupação da reitoria Odebrecht Odilon Guedes odotonlogia OEA Olavo de Carvalho Olavo Hanssen Olavo Setubal Olga Benário Olimpíadas Olímpio Mourão Filho Olívia Byington ombudsman ONU Operação Condor Operação Hashtag Operação Lava-Jato Operação Satiagraha Opportunity Opus Dei Orestes Quercia Orlando Lovecchio Filho Orlando Yorio Orlando Zapata Os Miseráveis Osama Bin Laden Oscar Schmidt Osmir Nunes ossadas de Perus Osvaldo Peralva Otávio Frias Filho Pablo Escobar Pacto Hitler-Stalin país basco palestinos Palmares Pan Pão de Açúcar papa Francisco Paquistão Paraguai Parlamento Europeu parto humanizado parto normal Passe Livre passeata dos 100 mil pastor Feliciano Paul Simon Paul Singer Paulinho da Força Paulo Cesar Pinheiro Paulo César Saraceni Paulo de Tarso Venceslau Paulo Francis Paulo Freire Paulo Henrique Amorim Paulo Lacerda Paulo Malhães Paulo Maluf Paulo Roberto Costa Paulo Sérgio Pinheiro Paulo Skaf Paulo Teixeira Paulo Vannuchi Paulo Vanzolini PC Farias PCB PCBR PCI PCO PDS PDT pedaladas fiscais pedofilia Pedro Pomar Pelé perseguidos políticos Pérsio Arida pesquisas de opinião Pete Townshend Petrobrás petrolão petróleo PF PFL Pierre-Joseph Proudhon Pietro Mutti Pimenta Neves Pinheirinho Pink Floyd Pio XII Plínio de Arruda Sampaio Plínio Marcos PM PMDB PNDH-3 Poder Negro Pol Pol Pot Polícia Federal politicamente correto Pôncio Pilatos Porfirio Lobo Pot pré-sal preconceito pregações golpistas Primavera de Paris Primavera de Praga privataria privatizações procurações forjadas profissão de fé Pronatec propaganda enganosa propinoduto Protógenes Queiroz Providência PSB PSDB PSOL PSTU PT PUC pugilistas cubanos PV quatro de Salvador queda da Bastilha Queen Quentin Tarantino queremismo quilombolas racionamento de água racismo Rafael Braga Vieira Rafael Correa Randolfe Rodrigues Raul Amaro Nin Ferreira Raul Castro Raul Salles Raul Seixas Raymundo Araujo RDD Receita Federal recessão Rede Globo redemocratização reformismo refugio refúgio refundação da esquerda Reinaldo Azevedo Reino Unido Renan Calheiros renúncia repressão República de Weimar resistência retroativo retrospectiva reverendo Moon revista Piauí revolta árabe revolução revolução cubana Revolução Francesa revolução internacional Revolução Soviética Reynaldo Lungaretti Richard Nixon Rio de Janeiro Rio São Francisco Rio-2016 Robert Louis Stevenson Roberto Carlos Roberto Gurgel Roberto Macarini Roberto Micheletti Roberto Romano Roberto Setúbal Roberto Teixeira rock Rodrigo Janot Rodrigo Maia Roger Federer Roger Pinto Roger Waters rolezinhos Roman Polanski Romário Romeu Tuma Ronald Reagan Ronaldo Fenômeno Rosa Luxemburgo Rota Rubens Lemos Rubens Paiva Rui Falcão Rui Martins Sacco e Vanzetti Saddam Hussein Sakineh salário-mínimo Salvador Allende Samuel Wainer Santiago Andrade Santo Dias São Francisco Sean Goldman sectarismo Seleção Brasileira Sérgio Cabral Sergio Corbucci Sergio Fleury Sérgio Fleury Sergio Leone Sergio Porto Sérgio Porto Sérgio Ricardo Serra Sharon Tate Sigmund Freud Silvio Berlusconi Sílvio Frota Sílvio Tendler símbolos religiosos Simon Bolivar sinalizador Síndrome da China Sintusp Síria sites fascistas SNI socialismo socialismo num só país sociedade alternativa Sócrates Sofia Loren Soledad Viedma solidariedade Sônia Amorim Soninha Francine Spartacus Stalin stalinismo Stephen King STF STF. Aparício Torelly STJ STM Stroessner Stuart Angel sucessão Suely Vilela Sampaio Suzana Singer T. E. Lawrence Tancredo Neves Tarso Genro TCU. reparações teatro Teatro de Arena Tempo de Resistencia Tempo de Resistência tenentismo togado tênis Teologia da Libertação Teori Zavascki terceirização Teresa Lajolo Tereza Cruvinel Ternuma terrorismo terrorismo islâmico TFP The Animals The Who Theodor Adorno Thomas Morus Thomas Piketty Three Mile Island Tim Jackson Tim Maia Tiradentes Tite Tom Zé Tomasso Buscetta Torquato Neto Torquemada Tortura Tortura Nunca Mais torturadores torturas Tostão trabalho escravo trabalho forçado traficantes tragédias transposição Tribunal de Haia Tropa de Elite tropicalismo TSE TSE. TCU underground UNE Unesco Universidade da Califórnia Universindo Dias UOL URSS usineiros USP Vannuchi VAR-Palmares Vaticano Veja vemprarua Venezuela Victor Hugo Victor Jara vida artificial Vinícius de Moraes Vinícius Torres Freire violência violência policial Virgílio Gomes da Silva Vitor Nuzzi Vladimir Arras Vladimir Herzog Vladimir Lênin Vladimir Safatle VPR Walt Disney Walter Maierovitch Walter Silva Washington Olivetto Wellington Menezes western Wikileaks William Shakespeare Winston Churchill Woodstock Yeda Crusius Yoani Sánchez Zé Celso Zé Dirceu Ziraldo Zumbi Zuzu Angel