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20.11.11

ESTUDANTES DA USP QUEREM APRENDER DEMOCRACIA. O REITOR NÃO ENSINA

A convite do Centro Acadêmico Ruy Barbosa, darei uma aula pública sobre Segurança e Democracia, na Escola de Educação Física e Esporte da USP, a partir das 9h30 desta 2ª feira (21).

Tenho mais a dizer sobre a segunda, claro.

Aliás, conheço o assunto bem melhor do que o reitor atual e a anterior, cuja ignorância é tão crassa a ponto de considerarem tropas de choque compatíveis com templos do saber.

D. Paulo Evaristo Arns, que foi de uma coragem e dignidade ímpares quando vândalos fardados invadiram e depredaram a PUC/SP em 1977, jamais será esquecido.

Já essas duas patéticas figuras só vão ser lembradas como exemplos negativos, de educadores que se comportaram no estado de direito como se atuassem intimidados, pisando em ovos, na Alemanha nazista ou na Espanha fascista.

Ou, pior ainda, como se compartilhassem os valores de Hitler e Franco.

Aliás, a um correligionário do segundo se deveu a palavra de ordem que melhor define os acontecimentos recentes na USP: "Abaixo a inteligência! Viva a morte!".

Por enquanto, a morte é em sentido figurado. Mas, outros truculentos já se assanharam e espalham panfletos prometendo coisa ainda pior. É o que acontece quando não esmagamos logo os ovos de serpente.

Segundo o convite que recebi, os estudantes conscientes e consequentes da USP propõem, como alternativa à intimidação generalizada e às provocações constantes da Polícia Militar (motivo de um episódio menor gerar uma revolta maior, facilitando a manipulação grosseira da mídia reacionária), o seguinte:
"Aprofundar a temática de segurança, estendendo para a temática de democracia no campus, evidenciando a importância de um projeto amplo e perpassando pela proposta do movimento estudantil que reivindica aumento de iluminação, aumento de circulação de pessoas no campus, aumento do número de frotas de ônibus circulares e que passem também pelo metrô, abertura de concursos públicos para guarda universitária com treinamento adequado e efetivo feminino".
Quem quiser trocar idéias conosco, comapareça: av. Prof. Mello de Morais, 65 - Cidade Universitária - São Paulo, capital. 

Cidadãos com espírito aberto são bem-vindos e não existe arame farpado cercando a USP... por enquanto.

13.11.11

CRISE DA USP: "FOLHA DE S. PAULO" CONTINUA SEMEANDO DITABRANDAS

O jornal da  ditabranda, sempre travando o mau combate, mobilizou seus pesquisadores de opinião para dar argumento aos defensoreres da escalada autoritária na Universidade de São Paulo.

Gostou tanto do resultado que o trombeteou na capa: "58% dos alunos da USP apoiam a PM no campus".

Nenhuma novidade. Também em 1968 os estudantes de Exatas e Biológicas, em sua maioria, queriam apenas o diploma, a profissão bem paga, a carreira e o status. Que a cidadania fosse para o diabo. Que o povo continuasse pisoteado pelas botas militares.

A liberdade só era prioridade para os alunos de Humanas, como continua sendo até hoje.

E os reacionários da época usavam o mesmíssimo bordão contra os justos e os idealistas: universidade é lugar para estudar, não para fazer baderna.

Agora acrescentam: nem para se fumar maconha.

Pois bem, não fujo da raia e afirmo com todas as letras: hoje, os que apenas desempenham cegamente suas profissões, sem levarem em conta os efeitos sociais que elas produzem, desprovidos de espírito crítico, alheios à terrível desigualdade que tudo corrompe e a tudo distorce, contribuindo para que o capitalismo continue nos conduzindo a todos para os abismos econômico e ecológico, são mais perniciosos do que os maconheiros.

Não é neste nível que deve ser colocada a discussão, claro! 

Mas, os empedernidos fascistóides não cansam de apelar para a demagogia mais rasteira, distorcendo os reais motivos da crise ao omitirem:
  • que se tratou da consequência inevitável das decisões atrabiliárias de um reitor ultradireitista até a medula; 
  • que o movimento estudantil sempre foi contra a presença de brucutus fardados no campus; e 
  • que a prisão dos três jovens não passou da gota d'água que entornou o copo.
Nesta comédia de erros e de falácias, o mais inaceitável é a miopia e pequenez moral dos velhos e novos esquerdistas que se deixam intimidar pelos rolos compressores midiáticos e se omitem do DEVER de darem integral apoio ao movimento estudantil -- o qual, com todas as limitações atuais, é quem carrega as esperanças de um Brasil melhor.

O outro lado só nos promete injustiças e mais injustiças, alienação e mais alienação, repressão e mais repressão.

11.11.11

SÃO O OPUS DEI E A TFP QUE REGEM O ESPETÁCULO NA USP?

Também em 2007 Rodas chamou
a PM para agredir estudantes
"Isto é apenas uma ação autoritária, típica do espírito neo-fascista, ou é o embrião de um golpe? Não temos suficientes elementos para saber, mas a hipótese deve ser pelo menos considerada."

A ponderação é de Carlos Lungarzo, da Anistia Internacional, no artigo USP: um foco golpista?. Ele também vê com apreensão a escalada autoritária na Universidade de São Paulo e a sequência de medidas visivelmente provocativas do reitor João Grandino Rodas.

Em sua análise -- exaustiva, abrangente e impecável como sempre --, Lungarzo toca num ponto crucial: o atual reitor da USP foi escolhido contra a vontade manifestada pela comunidade acadêmica (que o preteriu na lista tríplice elaborada por votação), nem de longe apresentava méritos acadêmicos que justificassem a escolha, mas é tido e havido como integrante da organização ultradireitista Tradição, Família e Propriedade.

Eis mais alguns detalhes sobre Rodas, segundo Lungarzo:
Saldo da atuação de Rodas como diretor da Faculdade de
Direito da USP: foi por ela declarado persona non grata.
  • "Sendo Diretor da Faculdade de Direito pediu em 22 de agosto de 2007, o assalto da PM àquela faculdade, para expulsar violentamente estudantes e membros dos movimentos sociais";
  • "Devido a sua política de 'terra arrasada' com seus inimigos, aos quais perseguiu incansavelmente dentro da faculdade, foi declarado  persona non grata  pela Faculdade de Direito"; e
  • "[Como representante do Itamaraty na Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos] Grandino Rodas interveio no caso do filho da estilista Zuzu Angel, no qual votou contra a culpabilidade da ditadura no assassinato do rapaz. Além disso, indeferiu outros 45 pedidos com diversos pretextos (falta de provas, esgotamento do prazo, etc.)".
Então, é forte a possibilidade de que esteja mesmo em curso o balão de ensaio golpista a respeito do qual eu lancei o primeiro alerta, num espetáculo regido pelo Opus Dei de Alckmin e a TFP de Rodas.

Lungarzo foi muito feliz ao explicar por que a preparação de cenário golpista estaria se dando de forma mais sutil por parte das autoridades (mas não da grande imprensa, devo acrescentar, pois sua parcialidade está sendo simplesmente grotesca!):
"Em situações de enorme fascistização, um golpe de estado pode ser lançado sem nenhum problema, e ser aplaudido com grande fervor pelas ralés de classe média. Entretanto, quando o país possui, como atualmente o Brasil, uma democracia formal bastante estável, e a situação das classes populares mostra certo progresso em relação com governos anteriores, a necessidade de encontrar consenso para um golpe obriga a estratégias mais refinadas".

10.11.11

PM x USP, AUTORITARISMO E BARBÁRIE

Outros tempos, outro mundo é o título de uma coletânea de contos  sci-fi  de Robert Silverberg, lançada em 1970.

Menos valorizado que Asimov, Bradbury e K. Dick, ele é autor de uma indiscutível obra-prima, Mundos fechados (1973).

Mas, não é propriamente de Silverberg que eu quero falar, mas sim da sensação que tive ao ler a coluna desta 5ª feira (10) de Carlos Heitor Cony, O abuso das algemas, sobre Conrad Murray, o médico que querem jogar numa prisão porque Michael Jackson morreu:
"Ele foi condenado em primeira instância porque estava ausente do quarto onde o cantor, já devidamente dopado, tomou uma overdose do remédio que o matou. Que houve culpa do médico é evidente: sabendo da situação, ele deveria estar junto ao leito do artista ou ter retirado o remédio de seu alcance.

Daí a acusação de homicídio culposo. Tudo bem, a justiça foi feita, pelo menos em sua primeira etapa. O que não compreendi foi o ritual dos guardas logo após a leitura da sentença: algemaram o médico.

Em nenhum momento ele ameaçou fugir, agredir quem quer que fosse, não tinha antecedentes criminais e estava sendo julgado por homicídio não qualificado, com direito a apelação.

Compreende-se a condenação, mas não a violência das algemas. Se mais tarde for absolvido, ele terá sido vítima de um ritual judiciário-policial, completamente desnecessário no caso dele".
Cony é, como eu, de outro tempo e de outro mundo.

Do tempo em que ainda havia brasileiros cordiais e do mundo no qual ninguém considerava justificável virar uma universidade pelo avesso porque três jovens fumavam maconha sem prejudicarem a ninguém exceto, talvez, a eles mesmos.

Hoje, há um clamor popular por repressão e truculência, repulsivamente insuflado e maximizado pela indústria cultural. Não se quer justiça, quer-se linchamento (moral ou real) em público.

Cada telespectador, convenientemente adestrado pelos Big Brothers do pós-1984, sente-se aliviado ao desempenhar, ainda que imaginariamente, o papel de juiz e carrasco. A catarse lhe é provida pela indústria cultural, para que continue funcionando a contento numa sociedade desumanizada.

Então, bem-vindas as vozes que ainda alertam contra a escalada do autoritarismo!

Mesmo que o façam timidamente, pois não é só o uso de algemas que está errado no caso em questão, mas sim o caso inteiro: o médico não pretendeu cometer crime nenhum, foi apenas incompetente. Merece ser privado do direito de exercer a profissão, mas não da liberdade.

Tanto quanto a enfermeira que injetou leite na veia de um recém-nascido e lhe causou a morte. O que mais havia a fazer-se, além de a demitir? Por maior que seja nossa dor, não podemos clamar por vingança quando inexistiu intenção dolosa. 

É outra que jamais vai exercer de novo tal ofício e, espero, sofrerá com a lembrança de como provocou o próprio infortúnio e o de coitadezas obrigados a recorrerem à saúde dos pobres na rica São Paulo.

A devastação que sofremos é outra, mas caem como uma luva as palavras do dirigente esportivo chileno Carlos Dittborn quando, às vésperas do Mundial de 1962, a infra-estrutura com que seu país contava para sediar a Copa do Mundo de 1962 foi seriamente comprometida por forte terremoto: "Porque nada tenemos, lo haremos todo!"

Nosso mundo foi reduzido a nada, neste tempo em que a selvageria do capitalismo está sendo introjetada nos espíritos e devolvida na forma de hostilidade, preconceitos, grosserias, agressões -- várias facetas da barbárie que, paradoxalmente, recrudesce quando estamos no auge de nosso desenvolvimento científico e tecnológico.

O que nos obriga a reconstrui-lo por inteiro, tendo a igualdade, a harmonia e a felicidade dos homens como referenciais e valores supremos.

8.11.11

ESCALADA AUTORITÁRIA NA USP É INÍCIO DE ARTICULAÇÃO GOLPISTA?

Previsivelmente, a ditadura mal extirpada em 1985 insinua-se pelas frestas da democracia.

A presença e a ação da Polícia Militar no campus da USP, como um túnel do tempo, nos remete diretamente aos  anos de chumbo, quando tais demonstrações de força, de uma truculência e de um ridículo atroz, eram amiúde utilizadas para intimidar estudantes, professores e cidadãos.

Pareceu estarmos assisitndo de novo a prisões em massa de universitários como as do congresso da UNE em Ibiúna e ataques a campi como o deflagrado por Erasmo Dias contra a PUC.

Foi o máximo de perda que poderia causar um episódio de absoluta insignificância. E, agora, a exigência de fiança para libertar quem jamais deveria ter sido preso é outra grotesca aberração -- para não dizer evidente provocação.

Este caminho só leva ao acirramento dos ânimos, até se chegar ao que ninguém deveria querer: universitários mortos ou feridos por aqueles a quem compete defender a coletividade de bandidos, não tumultuar ambientes acadêmicos, com a conivência de um reitor sem legitimidade e sob as ordens de um governador que segue as piores cartilhas direitistas.

NÃO vale a pena ver de novo
Só que não vivemos mais debaixo das botas. E homens livres não se resignam a ser tratados a pontapés

Haveremos de protestar, de lutar, de tudo fazermos para que o arbítrio não retorne, pelas mãos dos discípulos da Opus Dei e daquelas viúvas da ditadura que até ontem entoavam loas para a derrubada de um presidente legítimo.

E lanço um alerta à presidente Dilma Rousseff: o primeiro ano de governos petistas tem sido marcado por balões de ensaio golpistas que, sob Lula, não prosperaram -- caso do movimento Cansei!, evidentemente inspirado na Marcha da Família, com Deus, pela liberdade, que se avacalhou ao só levar à Praça da Sé meia dúzia de gatos pingados.

A versão 2011, contudo, causa maior preocupação, pois a articulação se dá num nível mais alto. Daí a necessidade de pronta e incisiva resposta, antes que o mal cresça.

Não passarão!

3.11.11

GRÉCIA DESAFIA O OLIMPO

A submissão canina da grande imprensa à desumanidade capitalista está emblematicamente expressa no editorial desta 5ª feira (3) da Folha de S. Paulo, Drama grego, que começa assim:
"A inoportuna iniciativa grega de convocar um referendo sobre o pacote de ajuda causa turbulência e pode agravar ainda mais a crise europeia

É potencialmente explosiva a decisão do primeiro-ministro grego, George Papandreou, de convocar um referendo sobre o pacote de socorro ao país aprovado pelas principais lideranças da zona do euro.

O plano, embora não resolva de forma imediata e definitiva a insolvência do país, o que seria impossível, pode pelo menos salvá-lo de um calote desordenado, com graves consequências para a economia europeia e mundial".
Ou seja, atendendo à prioridade de evitar "graves consequências para a economia europeia e mundial", o premiê grego deveria enfiar um pacote recessivo goela adentro dos cidadãos de seu país sem sequer consultá-los, salvando bancos e desgraçando pessoas.

Os poderosos do mundo assim exigem, e seus cãezinhos midiáticos obedecem fielmente ao comando dado pela voz do dono.

Crack de 1929: eu sou você amanhã...
A iniciativa de Papandreou vai tornar o povo grego alvo de todos os raios do Olimpo, se outros povos e outros governantes não seguirem o altaneiro exemplo da Grécia, recusando-se também a levar adiante este jogo de cartas marcadas que, ao preço da penúria de homens e nações, apenas adia o inevitável.

As crises cíclicas do capitalismo têm hoje outra aparência, mas a mesma essência: a irracionalidade básica de um sistema fundado na mais-valia, que gera um permanente desequilíbrio entre a oferta e a procura, cujas consequências são apenas postergadas pelos mecanismos de crédito que empurram para a frente o acerto de contas -- o qual, mais dia, menos dia, chegará.

O intervalo entre as ameaças de um novo  crack  e a engenharia financeira que o evita temporariamente está cada vez mais curto. É inimaginável chegarmos ao final desta década sem que o mundo inteiro pague, na forma de uma depressão pior ainda que a da década de 1930, o preço de já não ter se livrado do capitalismo.

Pois, mais apropriada do que a metáfora antiga de parto da revolução, é a de que urge enterrarmos o quanto antes um defunto que já está fedendo.

2.11.11

4 DE SETEMBRO É "DIA DOS MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS" EM SP

Sancionada pelo governador Geraldo Alckmin em 20/10/2011 e publicada pelo Diário Oficial do Estado de São Paulo no dia seguinte, já está em vigência a Lei nº 14.594, reverenciando os resistentes tombados na luta contra a ditadura de 1964/85:
Artigo 1º - Fica instituído o “Dia Estadual em Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos”, a ser celebrado, anualmente, em 4 de setembro.

Parágrafo único - O dia a que se refere o “caput” corresponde a 4 de setembro de 1990, data em que foi aberta a vala clandestina localizada no Cemitério Dom Bosco, no bairro de Perus, na Capital.

Artigo 2º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
O projeto de Lei foi apresentado pelo deputado Carlos Giannazi, que assim o justificou:
"Um desaparecimento forçado consiste em um sequestro conduzido por agentes do Estado, ou por grupos organizados que agem com o apoio ou a tolerância do Estado, em que a vítima 'desaparece'. Desaparecimentos forçados foram usados primeiramente como forma covarde e violenta de repressão política na América Latina durante os anos 1960.
 Estima-se que mais de 90.000 pessoas tenham desaparecido nessa região. No Brasil, durante o período da ditadura militar, o número chega a quase 400 pessoas, dentre as mortas e as desaparecidas. A violência, que ainda hoje assusta o País, menos óbvia, mais ainda presente, tem raízes em nosso passado escravista e paga tributo às duas ditaduras do século 20. Jogar luz no período de sombras e abrir todas as informações sobre violações de Direitos Humanos ocorridas no último ciclo ditatorial são imperativos urgentes de uma nação que se pretende verdadeiramente democrática".
O deputado do PSOL colheu informações para orientar o seu projeto no site Mortos e Desaparecidos Políticos, organizado pelo Centro de Documentação Eremias Delizoicov e a Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos, cuja listagem de vítimas fatais da ditadura militar contém 379 nomes (os já confirmados, embora existam outros):
  1. Abelardo Rausch Alcântara
  2. Abílio Clemente Filho
  3. Aderval Alves Coqueiro
  4. Adriano Fonseca Filho
  5. Afonso Henrique Martins Saldanha
  6. Albertino José de Oliveira
  7. Alberto Aleixo
  8. Alceri Maria Gomes da Silva
  9. Aldo de Sá Brito Souza Neto
  10. Alex de Paula Xavier Pereira
  11. Alexander José Ibsen Voeroes
  12. Alexandre Vannucchi Leme
  13. Alfeu de Alcântara Monteiro
  14. Almir Custódio de Lima
  15. Aluísio Palhano Pedreira Ferreira
  16. Amaro Luíz de Carvalho
  17. Ana Maria Nacinovic Corrêa
  18. Ana Rosa Kucinski Silva
  19. Anatália de Souza Melo Alves
  20. André Grabois
  21. Ângelo Arroyo
  22. Ângelo Cardoso da Silva
  23. Ângelo Pezzuti da Silva
  24. Antogildo Pacoal Vianna
  25. Antônio Alfredo de Lima
  26. Antônio Benetazzo
  27. Antônio Carlos Bicalho Lana
  28. Antônio Carlos Monteiro Teixeira
  29. Antônio Carlos Nogueira Cabral
  30. Antônio Carlos Silveira Alves
  31. Antônio de Pádua Costa
  32. Antônio dos Três Reis Oliveira
  33. Antônio Ferreira Pinto (Alfaiate)
  34. Antônio Guilherme Ribeiro Ribas
  35. Antônio Henrique Pereira Neto (Padre Henrique)
  36. Antônio Joaquim Machado
  37. Antonio Marcos Pinto de Oliveira
  38. Antônio Raymundo Lucena
  39. Antônio Sérgio de Mattos
  40. Antônio Teodoro de Castro
  41. Ari da Rocha Miranda
  42. Ari de Oliveira Mendes Cunha
  43. Arildo Valadão
  44. Armando Teixeira Frutuoso
  45. Arnaldo Cardoso Rocha
  46. Arno Preis
  47. Ary Abreu Lima da Rosa
  48. Augusto Soares da Cunha
  49. Áurea Eliza Pereira Valadão
  50. Aurora Maria Nascimento Furtado
  51. Avelmar Moreira de Barros
  52. Aylton Adalberto Mortati
  53. Benedito Gonçalves
  54. Benedito Pereira Serra
  55. Bergson Gurjão Farias
  56. Bernardino Saraiva
  57. Boanerges de Souza Massa
  58. Caiuby Alves de Castro
  59. Carlos Alberto Soares de Freitas
  60. Carlos Eduardo Pires Fleury
  61. Carlos Lamarca
  62. Carlos Marighella
  63. Carlos Nicolau Danielli
  64. Carlos Roberto Zanirato
  65. Carlos Schirmer
  66. Carmem Jacomini
  67. Cassimiro Luiz de Freitas
  68. Catarina Abi-Eçab
  69. Célio Augusto Guedes
  70. Celso Gilberto de Oliveira
  71. Chael Charles Schreier
  72. Cilon da Cunha Brun
  73. Ciro Flávio Salasar Oliveira
  74. Cloves Dias Amorim
  75. Custódio Saraiva Neto
  76. Daniel José de Carvalho
  77. Daniel Ribeiro Callado
  78. David Capistrano da Costa
  79. David de Souza Meira
  80. Dênis Casemiro
  81. Dermeval da Silva Pereira
  82. Devanir José de Carvalho
  83. Dilermano Melo Nascimento
  84. Dimas Antônio Casemiro
  85. Dinaelza Soares Santana Coqueiro
  86. Dinalva Oliveira Teixeira
  87. Divino Ferreira de Souza
  88. Divo Fernandes de Oliveira
  89. Djalma Carvalho Maranhão
  90. Dorival Ferreira
  91. Durvalino de Souza
  92. Edgard Aquino Duarte
  93. Edmur Péricles Camargo
  94. Edson Luis de Lima Souto
  95. Edson Neves Quaresma
  96. Edu Barreto Leite
  97. Eduardo Antônio da Fonseca
  98. Eduardo Collen Leite (Bacuri)
  99. Eduardo Collier Filho
  100. Eiraldo Palha Freire
  101. Elmo Corrêa
  102. Elson Costa
  103. Elvaristo Alves da Silva
  104. Emanuel Bezerra dos Santos
  105. Enrique Ernesto Ruggia
  106. Epaminondas Gomes de Oliveira
  107. Eremias Delizoicov
  108. Eudaldo Gomes da Silva
  109. Evaldo Luiz Ferreira de Souza
  110. Ezequias Bezerra da Rocha
  111. Félix Escobar Sobrinho
  112. Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira
  113. Fernando Augusto Valente da Fonseca
  114. Fernando Borges de Paula Ferreira
  115. Fernando da Silva Lembo
  116. Flávio Carvalho Molina
  117. Francisco das Chagas Pereira
  118. Francisco Emanoel Penteado
  119. Francisco José de Oliveira
  120. Francisco Manoel Chaves
  121. Francisco Seiko Okama
  122. Francisco Tenório Júnior
  123. Frederico Eduardo Mayr
  124. Gastone Lúcia Carvalho Beltrão
  125. Gelson Reicher
  126. Geraldo Magela Torres Fernandes da Costa
  127. Gerosina Silva Pereira
  128. Gerson Theodoro de Oliveira
  129. Getúlio de Oliveira Cabral
  130. Gilberto Olímpio Maria
  131. Gildo Macedo Lacerda
  132. Grenaldo de Jesus da Silva
  133. Guido Leão
  134. Guilherme Gomes Lund
  135. Hamilton Fernando da Cunha
  136. Helber José Gomes Goulart
  137. Hélcio Pereira Fortes
  138. Helenira Rezende de Souza Nazareth
  139. Heleny Telles Ferreira Guariba
  140. Hélio Luiz Navarro de Magalhães
  141. Henrique Cintra Ferreira de Ornellas
  142. Higino João Pio
  143. Hiran de Lima Pereira
  144. Hiroaki Torigoe
  145. Honestino Monteiro Guimarães
  146. Iara Iavelberg
  147. Idalísio Soares Aranha Filho
  148. Ieda Santos Delgado
  149. Íris Amaral
  150. Ishiro Nagami
  151. Ísis Dias de Oliveira
  152. Ismael Silva de Jesus
  153. Israel Tavares Roque
  154. Issami Nakamura Okano
  155. Itair José Veloso
  156. Iuri Xavier Pereira
  157. Ivan Mota Dias
  158. Ivan Rocha Aguiar
  159. Jaime Petit da Silva
  160. James Allen da Luz
  161. Jana Moroni Barroso
  162. Jane Vanini
  163. Jarbas Pereira Marques
  164. Jayme Amorim Miranda
  165. Jeová Assis Gomes
  166. João Alfredo Dias
  167. João Antônio Abi-Eçab
  168. João Barcellos Martins
  169. João Batista Franco Drummond
  170. João Batista Rita
  171. João Bosco Penido Burnier (Padre)
  172. João Carlos Cavalcanti Reis
  173. João Carlos Haas Sobrinho
  174. João Domingues da Silva
  175. João Gualberto Calatroni
  176. João Leonardo da Silva Rocha
  177. João Lucas Alves
  178. João Massena Melo
  179. João Mendes Araújo
  180. João Roberto Borges de Souza
  181. Joaquim Alencar de Seixas
  182. Joaquim Câmara Ferreira
  183. Joaquim Pires Cerveira
  184. Joaquinzão
  185. Joel José de Carvalho
  186. Joel Vasconcelos Santos
  187. Joelson Crispim
  188. Jonas José Albuquerque Barros
  189. Jorge Alberto Basso
  190. Jorge Aprígio de Paula
  191. Jorge Leal Gonçalves Pereira
  192. Jorge Oscar Adur (Padre)
  193. José Bartolomeu Rodrigues de Souza
  194. José Campos Barreto
  195. José Carlos Novaes da Mata Machado
  196. José de Oliveira
  197. José de Souza
  198. José Ferreira de Almeida
  199. José Gomes Teixeira
  200. José Guimarães
  201. José Huberto Bronca
  202. José Idésio Brianezi
  203. José Inocêncio Pereira
  204. José Júlio de Araújo
  205. José Lavechia
  206. José Lima Piauhy Dourado
  207. José Manoel da Silva
  208. José Maria Ferreira Araújo
  209. José Maurílio Patrício
  210. José Maximino de Andrade Netto
  211. José Mendes de Sá Roriz
  212. José Milton Barbosa
  213. José Montenegro de Lima
  214. José Porfírio de Souza
  215. José Raimundo da Costa
  216. José Roberto Arantes de Almeida
  217. José Roberto Spiegner
  218. José Roman
  219. José Sabino
  220. José Silton Pinheiro
  221. José Soares dos Santos
  222. José Toledo de Oliveira
  223. José Wilson Lessa Sabag
  224. Juarez Guimarães de Brito
  225. Juarez Rodrigues Coelho
  226. Kleber Lemos da Silva
  227. Labib Elias Abduch
  228. Lauriberto José Reyes
  229. Líbero Giancarlo Castiglia
  230. Lígia Maria Salgado Nóbrega
  231. Lincoln Bicalho Roque
  232. Lincoln Cordeiro Oest
  233. Lourdes Maria Wanderley Pontes
  234. Lourenço Camelo de Mesquita
  235. Lourival de Moura Paulino
  236. Lúcia Maria de Souza
  237. Lucimar Brandão
  238. Lúcio Petit da Silva
  239. Luís Alberto Andrade de Sá e Benevides
  240. Luís Almeida Araújo
  241. Luís Antônio Santa Bárbara
  242. Luís Inácio Maranhão Filho
  243. Luis Paulo da Cruz Nunes
  244. Luiz Affonso Miranda da Costa Rodrigues
  245. Luiz Carlos Almeida
  246. Luiz Eduardo da Rocha Merlino
  247. Luiz Eurico Tejera Lisbôa
  248. Luiz Fogaça Balboni
  249. Luiz Gonzaga dos Santos
  250. Luíz Guilhardini
  251. Luiz Hirata
  252. Luiz José da Cunha
  253. Luiz Renato do Lago Faria
  254. Luiz Renato Pires de Almeida
  255. Luiz Renê Silveira e Silva
  256. Luiz Vieira
  257. Luíza Augusta Garlippe
  258. Lyda Monteiro da Silva
  259. Manoel Aleixo da Silva
  260. Manoel Fiel Filho
  261. Manoel José Mendes Nunes de Abreu
  262. Manoel Lisboa de Moura
  263. Manoel Raimundo Soares
  264. Manoel Rodrigues Ferreira
  265. Manuel Alves de Oliveira
  266. Manuel José Nurchis
  267. Márcio Beck Machado
  268. Marco Antônio Brás de Carvalho
  269. Marco Antônio da Silva Lima
  270. Marco Antônio Dias Batista
  271. Marcos José de Lima
  272. Marcos Nonato Fonseca
  273. Margarida Maria Alves
  274. Maria Ângela Ribeiro
  275. Maria Augusta Thomaz
  276. Maria Auxiliadora Lara Barcelos
  277. Maria Célia Corrêa
  278. Maria Lúcia Petit da Silva
  279. Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo
  280. Maria Regina Marcondes Pinto
  281. Mariano Joaquim da Silva
  282. Marilena Villas Boas
  283. Mário Alves de Souza Vieira
  284. Mário de Souza Prata
  285. Maurício Grabois
  286. Maurício Guilherme da Silveira
  287. Merival Araújo
  288. Miguel Pereira dos Santos
  289. Milton Soares de Castro
  290. Míriam Lopes Verbena
  291. Neide Alves dos Santos
  292. Nelson de Souza Kohl
  293. Nelson José de Almeida
  294. Nelson Lima Piauhy Dourado
  295. Nestor Veras
  296. Newton Eduardo de Oliveira
  297. Nilda Carvalho Cunha
  298. Nilton Rosa da Silva (Bonito)
  299. Norberto Armando Habeger
  300. Norberto Nehring
  301. Odijas Carvalho de Souza
  302. Olavo Hansen
  303. Onofre Pinto
  304. Orlando da Silva Rosa Bonfim Júnior
  305. Orlando Momente
  306. Ornalino Cândido da Silva
  307. Orocílio Martins Gonçalves
  308. Osvaldo Orlando da Costa
  309. Otávio Soares da Cunha
  310. Otoniel Campo Barreto
  311. Pauline Reichstul
  312. Paulo César Botelho Massa
  313. Paulo Costa Ribeiro Bastos
  314. Paulo de Tarso Celestino da Silva
  315. Paulo Mendes Rodrigues
  316. Paulo Roberto Pereira Marques
  317. Paulo Stuart Wright
  318. Pedro Alexandrino de Oliveira Filho
  319. Pedro Carretel
  320. Pedro Domiense de Oliveira
  321. Pedro Inácio de Araújo
  322. Pedro Jerônimo de Souza
  323. Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar
  324. Péricles Gusmão Régis
  325. Raimundo Eduardo da Silva
  326. Raimundo Ferreira Lima
  327. Raimundo Gonçalves Figueiredo
  328. Raimundo Nonato Paz
  329. Ramires Maranhão do Vale
  330. Ranúsia Alves Rodrigues
  331. Raul Amaro Nin Ferreira
  332. Reinaldo Silveira Pimenta
  333. Roberto Cieto
  334. Roberto Macarini
  335. Roberto Rascardo Rodrigues
  336. Rodolfo de Carvalho Troiano
  337. Ronaldo Mouth Queiroz
  338. Rosalindo Souza
  339. Rubens Beirodt Paiva
  340. Rui Osvaldo Aguiar Pftzenreuter
  341. Ruy Carlos Vieira Berbert
  342. Ruy Frazão Soares
  343. Santo Dias da Silva
  344. Sebastião Gomes da Silva
  345. Sérgio Correia
  346. Sérgio Landulfo Furtado
  347. Severino Elias de Melo
  348. Severino Viana Colon
  349. Sidney Fix Marques dos Santos
  350. Silvano Soares dos Santos
  351. Soledad Barret Viedma
  352. Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones
  353. Stuart Edgar Angel Jones
  354. Suely Yumiko Kanayama
  355. Telma Regina Cordeiro Corrêa
  356. Therezinha Viana de Assis
  357. Thomaz Antônio da Silva Meirelles Neto
  358. Tito de Alencar Lima (Frei Tito)
  359. Tobias Pereira Júnior
  360. Túlio Roberto Cardoso Quintiliano
  361. Uirassu de Assis Batista
  362. Umberto Albuquerque Câmara Neto
  363. Valdir Sales Saboya
  364. Vandick Reidner Pereira Coqueiro
  365. Victor Carlos Ramos
  366. Virgílio Gomes da Silva
  367. Vítor Luíz Papandreu
  368. Vitorino Alves Moitinho
  369. Vladimir Herzog
  370. Walkíria Afonso Costa
  371. Walter de Souza Ribeiro
  372. Walter Kenneth Nelson Fleury
  373. Walter Ribeiro Novaes
  374. Wânio José de Mattos
  375. Wilson Silva
  376. Wilson Souza Pinheiro
  377. Wilton Ferreira
  378. Yoshitane Fujimori
  379. Zuleika Angel Jones

31.10.11

QUEM TEM MEDO DA REVOLUÇÃO?

Um espectro ronda a esquerda: o  espectro da revolução.

Pelo mundo inteiro pipocam manifestações contra a ganância, essência do capitalismo -- com uma força e abrangência que não se viam desde as primaveras de 1968.

E, quando as rodas da História começam de novo a girar, após quatro décadas de marasmo e consumismo, a esquerda  moldada na fase do refluxo revolucionário  não consegue acompanhar os ventos de mudança.

Continua defendendo com unhas e dentes os regimes híbridos que sustentaram nossa fé nos anos difíceis, sem acordar para a realidade de que estamos ingressando numa época na qual podemos novamente sonhar com -- e devemos novamente lutar por -- uma revolução nos moldes clássicos.

Ou seja, internacional e desencadeada de baixo para cima, tendo os explorados como sujeito e não como objeto. 

Chega de abençoarmos aquelas ditaduras instauradas por quarteladas que, qual fazendas modelos,  cuidavam bem do seu gado enquanto não tugisse nem mugisse! Não são e nunca foram o que, marxistas e anarquistas, tínhamos como meta, mas, aos olhos dos cidadãos despolitizados e manipulado pelas indústria cultural, acabam se identificando conosco, como se fôssemos totalitários e carniceiros. 

O panorama que hoje se vislumbra é muito mais grandioso. Como Vandré cantou em 1968, temos de novo a certeza na frente e a História na mão.

BECO  SEM SAÍDA

Já faz quase um século que os movimentos revolucionários desviaram por atalho que acabou conduzindo a um beco sem saída.

O desvio foi decidido às vésperas da revolução soviética, quando o Partido Bolchevique discutiu dramaticamente se valia a pena tomar-se o poder num país atrasado, contrariando duas premissas marxistas: a da revolução internacional e a da construção do socialismo a partir das nações economicamente mais pujantes (e não o contrário!).

Foi uma avaliação arguta ou um dom profético que levou Marx a pregar uma tomada de poder em escala global?  A História comprovaria ser o capitalismo tão poderoso que, se nações isoladas tentam edificar uma sociedade mais justa, ou são por ele esmagadas, ou sobrevivem ao preço da descaracterização de suas propostas originais..

"...embora a Rússia não estivesse pronta para o
socialismo, serviria como estopim da revolução mundial..."
Em 1917, prevaleceu o argumento de que, embora a Rússia não estivesse pronta para o socialismo, serviria como estopim da revolução mundial, começando pela revolução alemã, prevista para questão de meses. Então, o atraso econômico russo seria contrabalançado pela prosperidade alemã; juntas, efetuariam uma transição mais suave para o socialismo.

Deu tudo errado. A reação venceu na Alemanha, a nova república soviética só pôde depender de si mesma e, após rechaçar bravamente as tropas estrangeiras que tentaram restabelecer o regime antigo, viu-se obrigada a erguer uma economia moderna a partir do nada.

Quando o ardor revolucionário das massas arrefeceu -- não dura indefinidamente, em meio à penúria --, a mobilização de esforços para superação do atraso econômico acabou se dando por meio da ditadura e do culto à personalidade.

A Alemanha nazista era o espantalho que impunha urgência: mais dia, menos dia haveria o grande confronto e a URSS precisava estar preparada. O stalinismo foi engendrado em circunstâncias dramáticas.

A república soviética acabou salvando o mundo do nazismo -- foi ela que quebrou as pernas de Hitler, sem dúvida! --, mas perdeu sua alma: já não eram os trabalhadores que estavam no poder, mas sim uma odiosa  nomenklatura.

Concretizara-se a profecia sinistra de Trotsky: primeiro, o partido substitui o proletariado; depois, o Comitê Central substitui o partido; finalmente, um tirano substitui o Comitê Central.

Com uma ou outra nuance, acabou sendo este o destino das revoluções que tentaram edificar o  socialismo num só país: foram  isoladas, tornaram-se autoritárias e não tiveram pujança econômica para competir com o mundo capitalista, acabando por sucumbir ou por se tornarem modelos híbridos (como o chinês, que mescla capitalismo de estado na economia com despotismo stalinista na política).

E AGORA, JOSÉ?

Agora, só nos resta voltarmos ao princípio de tudo: Marx.

Reassumirmos a tarefa de engendrar  a onda revolucionária que varrerá o mundo.

Esquecermos a heresia de solapar o capitalismo a partir dos seus elos mais fracos, pois o velho barbudo estava certíssimo: as nações economicamente mais poderosas é que determinam a direção para a qual as demais seguirão, e não o contrário.

Isto, claro, se tivermos como meta a condução da humanidade a um estágio superior de civilização. Pois o cerco das nações prósperas pelos rústicos e atrasados já vingou uma vez, quando Roma sucumbiu aos bárbaros... e o resultado foi um milênio de trevas.

Se, pelo contrário, quisermos cumprir as promessas originais do marxismo, as condições hoje são bem propícias do que um século atrás:
"...crises tão agudas que só unidos e 
solidários conseguiremos sobreviver..."
  • o capitalismo já cumpriu seu papel histórico no desenvolvimento das forças produtivas e está tendo sobrevida cada vez mais parasitária, perniciosa e destrutiva -- tanto que mantém a parcela pobre da humanidade sob o jugo da necessidade quando já estão criadas todas as premissas para o  reino da liberdade, e o 1º mundo sob o jugo da competitividade obsessiva, estressante e neurótica, quando já estão criadas todas as premissas para uma existência fraternal, harmoniosa e criativa;
  • os meios de comunicação que ele desenvolveu, como a internet, facilitam a disseminação e coordenação dos movimentos revolucionários em escala mundial, de forma que um novo 1968, p. ex., hoje seria muito mais abrangente (está longe de ser utópica, agora, a possibilidade de uma onda revolucionária varrer o mundo);
  • a necessidade de adotarmos como prioridade máxima a colaboração dos homens para promover o bem comum, em lugar da ganância e da busca de diferenciação e privilégio, será dramatizada pelas consequências das alterações climáticas e da má gestão dos recursos imprescindíveis à vida humana, gerando crises tão agudas que só unidos e solidários conseguiremos sobreviver.
Nem preciso dizer que a forte componente libertária original do marxismo tem de ser reassumida, pois os melhores seres humanos, aqueles dos quais precisamos, jamais nos acompanharão de outra forma (esta é uma das conclusões mais óbvias a serem tiradas dos acontecimentos das últimas décadas).

A bandeira da liberdade deve ser empunhada de novo pelos que realmente a podem concretizar, não pelos que só têm a oferecer um cativeiro com as grades introjetadas, pois a indústria cultural as martela dia e noite na cabeça dos  videotas.

É este o edifício sólido que podemos começar a construir com os tijolos do muro de Berlim e tantos outros muros tombados.

E é esta a postura com que poderemos nos afirmar como o que devemos e temos a obrigação de ser: a vanguarda dos  indignados  de todos os quadrantes.

29.10.11

O REINO DA LIBERDADE E AS FAZENDAS-MODELO

"A praça é do povo!
Como o céu é do condor.
É o antro onde a liberdade
cria águias em seu calor".
(Castro Alves)

Está no noticiário:
"Forças de segurança da Síria atacaram ativistas pró-democracia ontem, deixando mais de 30 mortos.

Os protestos pela saída do ditador Bashar Assad já duram sete meses. O governo tem reagido com truculência. A ONU estima que os conflitos deixaram 3.000 vítimas até agora.

Ativistas afirmam que as forças de segurança perseguiram os manifestantes ontem (6ª, 28), atirando com metralhadoras. As linhas telefônicas e a internet foram suspensas.

Os pontos de maior conflito foram Homs e Hama, na região central do país. São áreas de forte oposição ao regime.

A Síria restringe a entrada de jornalistas no país, o que impede a averiguação independente das informações".
Ao contrário de Muammar Gaddafi, o  açougueiro de Damasco  não é defendido nem mesmo pelo mais tacanho dos esquerdistas autoritários.

O que, entretanto, não tem implicado um posicionamento firme e manifestações de repúdio a este tirano indiscutivelmente cruel e repulsivo.

É chocante e lamentavel: a esquerda parece ter perdido a capacidade de indignar-se contra a bestialidade dos déspotas.

Quando há justificada revolta contra eles, fica com um pé na frente e outro atrás, temendo que seja instigada pelo imperialismo, para colher qualquer vantagem econômica ou política.

Exatamente como fez quando da revolução húngara de 1956 e da  Primavera de Praga  em 1968.

Das duas grandes bandeiras da humanidade através dos tempos -- a justiça social e a liberdade --, estamos, obtusamente, abdicando da segunda.

Com isto, deixaremos de encarnar as esperanças numa sociedade que possibilite a realização plena do ser humano, em termos materiais e espirituais.

O maravilhoso objetivo final de Karl Marx -- a instauração do "reino da liberdade, para além da necessidade" -- é trocado, na prática, por outro bem mais prosaico, a instalação de fazendas-modelo, nas quais os animais sejam bem tratados enquanto se mantiverem submissos à vontade dos amos.

Então, quando as manifestações anticapitalistas deixam de ser necessariamente manifestações comunistas ou anarquistas, como está acontecendo na Europa, não temos do que nos queixar. Somos nós mesmo que estamos atraindo descrédito para nossas causas, pois as amesquinhamos em nome de um pretenso realismo político.

É hora de, escutando a voz das ruas, voltarmos a trilhar os caminhos de Marx e Proudhon.

Ou desempenharemos papel secundário neste momento em que as vítimas do capitalismo começam a despertar de sua letargia, depois de quatro décadas de conformismo.

27.10.11

QUEREM AS VÍTIMAS DA DITADURA FORA DA COMISSÃO DA VERDADE

Aprovada pelo Senado, a instituição da Comissão Nacional da Verdade será agora sancionada pela presidente Dilma Rousseff, que vai definir os sete conselheiros nas próximas semanas.

Quando me voluntariei para integrá-la, agi exatamente como procedo quando órgãos de imprensa violentam as boas práticas jornalísticas e eu reivindico direito de resposta e/ou de apresentar o  outro lado, sabendo de antemão que, apesar de pertinente, o pedido será ignorado: faço o que é certo, independentemente das chances de êxito. Se outros não cumprirem o seu papel, os problemas de consciência serão deles. Nunca me omito.

Então, como desde 2008 vinha reivindicando algo assim, senti-me responsável pelo êxito da iniciativa -- ainda mais quando tantos companheiros levantavam dúvidas sobre a determinação governamental de ir até o fim na apuração e exposição das atrocidades perpetradas pela ditadura militar (que deverá ser o foco real dos trabalhos, pois nada de gravidade remotamente equiparável aconteceu nos demais períodos que, por exigência direitista, serão também -- inutilmente -- abrangidos).

Segundo a Folha de S. Paulo, as cartas já teriam sido embaralhadas de outra forma:
"Em reunião no mês passado, Dilma concordou com os perfis gerais propostos: um religioso, um político conservador, um artista, dois intelectuais (um moderado e outro de esquerda), um defensor histórico dos direitos humanos e um jurista. Não deve haver militares nem notórios perseguidos políticos".
Não me surpreenderei nem vou ficar pessoalmente decepcionado se a informação for correta. Desde o começo falei em anticandidatura. Sabia muito bem que era quase impossível a política oficial reconhecer a credibilidade que adquiri nas redes sociais, na contramão da indústria cultural, que me mantém em suas listas negras tanto como profissional quanto como personagem do noticiário.

E, mesmo dentre os "notórios perseguidos políticos", há companheiros com mais méritos do que eu, como o incansável Ivan Seixas, que tanto fez para que investigações como a das ossadas do cemitério de Perus (SP) resultassem.

Mas, o critério de excluir algozes e vítimas, como se fossem grandezas equivalentes, seria aberrante e inaceitável, constituindo-se no pior de todos os defeitos até agora apontados na Comissão da Verdade.

Trata-se da mesmíssima equiparação de desiguais que a ditadura impôs quando da anistia de 1979. Só que, daquela vez, tivemos de aceitá-la sob chantagem, já que era o preço da liberdade de companheiros e da volta de exilados..

Se for para nos enfiarem goela adentro um sapo desses em pleno Estado de Direito, para que Comissão da Verdade, afinal?

Repito a ressalva: isto pode ser apenas algo  plantado  pela direita midiática na esperança de que se torne realidade.

Pelo sim, pelo não, lembro à presidente Dilma que o  direito à memória e à verdade  está vindo como uma espécie de prêmio de consolação, depois de nos ter sido negado o direito de ver punidos criminosos da pior espécie: torturadores, assassinos, estupradores, ocultadores de cadáveres.

Então -- e aqui acredito falar por todos os veteranos da resistência -- constituiria uma gravíssima ofensa o Governo democrático brasileiro presumir que seríamos tendenciosos como os que têm esqueletos no armário e tudo vêm fazendo desde 1985 para impedir que a verdade seja totalmente conhecida pelos brasileiros.
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