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3.10.18

ALERTA VERMELHO: O QUADRO ELEITORAL SE TORNA AMEAÇADOR E EXIGE CORREÇÕES DRÁSTICAS NA CAMPANHA DE HADDAD

A desproporção entre o dano causado ao cidadão comum pelos ladrões de galinha da política e as atividades corriqueiras dos capitalistas é incomensurável.

O capitalismo nos acarreta:
  • emergências ecológicas como as alterações climáticas, que ameaçam a própria sobrevivência da nossa espécie;
  • recessões desnecessárias; 
  • a condenação de parcela considerável da humanidade a vegetar em condições subumanas;
  • o desperdício criminoso do potencial ora existente para assegurar-se a cada habitante deste sofrido planeta o mínimo condizente com uma sobrevivência digna;
  • a mobilização permanente dos homens para atividades improdutivas e desnecessárias ao invés da redução da jornada de trabalho para que todos possam desenvolver-se plenamente como seres humanos;
  • etc. (muitos, muitos etcetera!).
E, se quisermos ficar no confronto simplista de números, ainda assim o peso da corrupção política no orçamento de cada família continuará sendo uma fração ínfima do custo do capitalismo.

Apenas o ágio que nos é extorquido pelos agiotas do sistema financeiro já consome ao redor de um terço da nossa renda familiar. 

E a estratosférica desproporção entre o custo de fabricação de cada produto e seu preço final?!

Então, interessa aos defensores do capitalismo fazer a patuleia acreditar que a razão maior de seus apuros econômicos são os impostos; que estes acabam sendo, em grande parte, desviados pelos políticos; e que isto, e só isto, impediria nosso país de deslanchar.

Ademais, as intermináveis denúncias de corrupção acabam minando as esperanças do cidadão comum na transformação da realidade por meio da ação política. Se tudo não passa de um lodaçal, as pessoas de bem devem mesmo é cuidar de sua vida...

De quebra, fornecem pretextos para quarteladas, sempre que os meios de controle democráticos das massas não estão funcionando a contento.

Então, Paulo Francis dizia e eu assino embaixo: denúncias de corrupção política são bandeira da direita, que acaba sendo sempre sua beneficiária final, a despeito dos ganhos momentâneos que proporcionem à esquerda.

Esta deveria, isto sim, demonstrar que o capitalismo em si causa prejuízos imensamente maiores para o cidadão comum do que os desvios de recursos dos cofres públicos; e que a moralização da política não se dará com medidas policiais, mas sim com uma transformação maior da sociedade.

Não o faz. Desatinadamente, algumas de suas tendências reforçaram as denúncias que culminaram no suicídio de Getúlio Vargas em 1954 e as que deram pretexto à dita redentora de 1964 (que, claro, nada mudou exceto a relação dos beneficiários do butim).

Ingenuamente, a esquerda parece crer que se beneficiará com o descrédito absoluto das instituições, sem perceber que isto criaria, isto sim, cenários favoráveis ao golpismo de extrema-direita.

Então, digo e repito: em vez de pegar carona nos temas que a imprensa burguesa prefere trombetear, cabe à esquerda definir sua própria pauta e explicá-la aos cidadãos.

A corrupção política não é nossa prioridade, mas sim o combate ao capitalismo, verdadeira raiz dos principais males que infelicitam os brasileiros.

Precisamos ter a coragem de assumir a posição correta diante do povo, ao invés de tentar combater o inimigo num jogo de cartas marcadas, travado no terreno que só a ele convém.

*   *   *
.
Se você, caro leitor, considerou correto o enfoque do texto acima, fique sabendo que nada mais é do que um artigo meu de abril de 2009, intitulado O combate à corrupção é bandeira da direita, reproduzido com a exclusão de alguns detalhes factuais que não vêm mais ao caso (quem quiser conhecê-lo na íntegra, é só teclar aqui).

Ele respondia a um erro crasso de boa parte da esquerda brasileira: a de magnificar uma operação policial (a chamada Satiagraha) repleta de ilegalidades, desencadeada pela Polícia Federal para apurar desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro por parte de grandes grupos empresariais que disputavam o florescente mercado de telecomunicações. 

Só que não passava de um jogo de cartas marcadas: os policiais estavam, alguns chefões por cumplicidade, alguns paus mandados por ingenuidade, sendo peões numa briga entre tubarões do capitalismo. Quem regia o espetáculo, por trás do pano, eram os concorrentes dos denunciados.

As prisões do banqueiro Daniel Dantas e os habeas corpus prontamente a ele concedidos pelo ministro do STF Gilmar Mendes desencadearam um festival de oportunismo da esquerda descaracterizada, que se pôs a surfar repulsivamente na onda dos inimigos de classe, apresentando ao público uma disputa entre canalhas como se fosse uma guerra santa. O PC do B até até acolheu o delegado laranja Protógenes Queiroz e fez dele deputado!
Vencendo, Dilma agiu assim mesmo com o Bradesco

A partir de então, com o fim do boom das commodities  brasileiras e do crescimento econômico por ele propiciado na década passada, o contingente majoritário da esquerda passou a investir cada vez mais nas mensagens negativas (denuncismo, satanização dos adversários, etc.) para vencer os pleitos, transformando as campanhas eleitorais em batalhas de tortas de lama e sem parecer dar-se conta de que as vulnerabilidades do PT no quesito corrupção tornavam muito temerária esta postura. 

Não se cuidou mais de dar formação política aos ingressantes, nem se ergueram bandeiras que suscitassem esperança. O ódio e o fanatismo vicejaram livremente, extrapolando todos os limites.

Neste cenário de pesadelo, a Operação Lava Jato pôde encaixar sucessivos golpes demolidores no PT. E o partido, com sua recusa arrogante a reconhecer os erros cometidos e repensar toda a sua atuação, virou alvo fácil para quaisquer adversários, até mesmo a extrema-direita troglodita que tenta, com Jair Bolsonaro, conduzir o Brasil de volta aos anos de chumbo.

A megalomania do ex-presidente Lula ajudou. Não se contentando em apenas tentar tirar seu partido e a esquerda (da qual o PT ainda é a força hegemônica) do fundo do poço, ele tudo fez para transformar a campanha eleitoral numa revanche moral pelo impeachment de Dilma Rousseff e por seu próprio encarceramento. 

Desprezou a possibilidade de união da esquerda em torno de um candidato não pertencente às fileiras petistas e agora constata que a rejeição ao PT é (neste exato momento) quase tão grande quanto a rejeição ao candidato que é visto por grande parte dos brasileiros como fascista, racista, misógino e homófobo.
Tentar evitá-la só fez aumentar o prejuízo

São erros demais e tempo de menos para corrigi-los, pois a hora da verdade será daqui a pouco mais de três semanas, no próximo dia 28.


Só resta ao PT calçar as sandálias da humildade, pedindo ao povo brasileiro perdão por todos os desatinos que cometeu neste século e uma oportunidade para reparar seus erros. 

Precisa convencer o eleitorado de que, apesar de tudo, ainda tem condições melhores que as do inimigo para tirar o país da recessão e os brasileiros do sufoco, a partir da negociação e do diálogo, buscando a cooperação de todos para superarmos esta etapa terrível de nossa História. É a cartada que lhe resta.

Se insistir em lançar ódio contra ódio, causará o maior de todos os desastres: a tomada do Brasil por uma extrema-direita tão tosca como se imaginava impossível existir em pleno século 21.

Se conseguir fornecer um tantinho de esperança, de forma convincente (ou seja, sem a soberba que tanto o antipatizou com tantos brasileiros), ainda poderá, talvez, evitar a perda total.

Sua responsabilidade histórica, neste momento, é imensa.

13.6.17

RODRIGO JANOT QUER PORQUE QUER ESCANCARAR AS PORTAS DO INFERNO!

Há muita torcida nas redes sociais pela queda de Temer. E há um empenho desmedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disposto a fazer de tudo para satisfazer a galera. A insensatez e as vaidades desmedidas reinam.

Janot já pisou feio na bola ao armar uma arapuca óbvia para o presidente, cheia de ilegalidades que o ministro Edson Fachin abençoou (mesmo não tendo o direito de fazê-lo, pois estava obrigado a declarar-se impedido de intervir na delação premiada do grupo J&F, em função de haver mantido com o dito cujo notórias ligações perigosas).

A ação concertada com as Organizações Globo teria resultado caso Temer renunciasse ou se a Justiça Eleitoral cassasse o seu mandato. E o que teria então acontecido?

Eis o quadro bem realista que o veterano jornalista Clóvis Rossi nos expõe:
"Se Temer tivesse seu mandato cassado pelo TSE, a crise política estaria encerrada? Óbvio que não. 
Primeiro porque caberia recurso e sabe-se lá por quanto tempo se arrastaria o processo, mantendo-se na Presidência um cidadão notoriamente inadequado para o cargo. 
...[mas] digamos que a tal vox populi fosse ouvida pelo TSE e Temer caísse. Fim da crise? Não. 
Haveria, de um lado, o desejo da maioria dos congressistas de manter o privilégio de escolherem eles, e não o eleitorado, o novo presidente. Do outro lado, a pressão de grande parte do público por eleição direta, o que demandaria uma emenda constitucional de tramitação demorada, em meio a uma situação econômico-social desastrosa. 
Considerados o poder da rua e o poder dos grandes interesses envolvidos, a lógica elementar diria que a eleição seria mesmo indireta. 
Aí, o risco seria (...) a eleição de Rodrigo Maia, apontado como favorito de seus pares. 
É outra mediocridade como Temer, mas com menos experiência.
Temer com seu substituto legal, Rodrigo Maia: e se a montanha parir um rato?
Será que o Brasil aguentaria três governantes medíocres em sequência? Não dá para esquecer que Dilma Rousseff conduziu o país à mais profunda e prolongada recessão de sua história – prova factual de seu despreparo para o cargo".
PRESTES A DEIXAR O CARGO, JANOT NADA
 TEM A PERDER: "DEPOIS DE MIM, O DILÚVIO!"
.
O pior é que Janot, o grande responsável pelo prolongamento inútil de uma recessão que começava a perder força, quer infernizar de vez a vida dos brasileiros, apresentando uma denúncia de corrupção contra Temer. Não leva em conta que, via TSE, a substituição de Temer poderia ser razoavelmente rápida, ao passo que, com um impeachment, o desenlace ficaria para bem depois, só no ano que vem. 

Como a abertura do processo exige a aprovação da Câmara Federal e do plenário do Supremo Tribunal Federal, bota uns dois meses nisso (no mínimo!). 

Vamos supor que, vencidas estas duas barreiras, Temer seja afastado provisoriamente em agosto, com Rodrigo Maia herdando a cadeira e a caneta presidencial (Deus nos acuda!). Aí, mesmo que o processo não consuma os 180 dias de prazo-limite, só estaria concluído lá pelo final do ano. 

Marcada uma eleição indireta para 30 dias depois (com o adiamento do recesso dos parlamentares), poderíamos ter um novo presidente em fevereiro, para governar no máximo 11 meses. Mas, governo efetivo mesmo, só até agosto, quando a campanha presidencial ferve e passa a ser a prioridade nº 1 dos políticos profissionais. 
Tudo considerado, a tendência seria de que as incertezas se prolongassem, afugentando investimentos, até a posse do novo presidente, no dia 1º de janeiro de 2019. Ou seja, o que Janot quer é que tenhamos pela frente mais um ano e meio com a situação econômica tão ruim como está agora, ou pior ainda.

É inacreditável que uma autoridade supostamente responsável tudo faça para nos impor tal pesadelo! Não terá consideração nenhuma pelo povo sofrido, indefeso, massacrado, que anda matando cachorro a grito desde 2015?! 

E, quanto aos que se dizem esquerdistas mas se mostram fanaticamente empenhados em propiciar o caos, só me resta lembrar-lhes que quem pretende servir à causa do povo não pode fazer política movido pela bílis. Precisa ter idealismo, clareza de raciocínio e. mais do que tudo, identificação com os humildes e disposição solidária para atenuar suas desditas..

Três características extremamente escassas hoje em dia.
.
A CRISE É DE TODO O SISTEMA. AGONIZAM O CAPITAL, O ESTADO E SEUS REPRESENTANTES POLÍTICOS DA DIREITA E DA ESQUERDA.

RODRIGO JANOT QUER PORQUE QUER ESCANCARAR AS PORTAS DO INFERNO!

Há muita torcida nas redes sociais pela queda de Temer. E há um empenho desmedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disposto a fazer de tudo para satisfazer a galera. A insensatez e as vaidades desmedidas reinam.

Janot já pisou feio na bola ao armar uma arapuca óbvia para o presidente, cheia de ilegalidades que o ministro Edson Fachin abençoou (mesmo não tendo o direito de fazê-lo, pois estava obrigado a declarar-se impedido de intervir na delação premiada do grupo J&F, em função de haver mantido com o dito cujo notórias ligações perigosas).

A ação concertada com as Organizações Globo teria resultado caso Temer renunciasse ou se a Justiça Eleitoral cassasse o seu mandato. E o que teria então acontecido?

Eis o quadro bem realista que o veterano jornalista Clóvis Rossi nos expõe:
"Se Temer tivesse seu mandato cassado pelo TSE, a crise política estaria encerrada? Óbvio que não. 
Primeiro porque caberia recurso e sabe-se lá por quanto tempo se arrastaria o processo, mantendo-se na Presidência um cidadão notoriamente inadequado para o cargo. 
...[mas] digamos que a tal vox populi fosse ouvida pelo TSE e Temer caísse. Fim da crise? Não. 
Haveria, de um lado, o desejo da maioria dos congressistas de manter o privilégio de escolherem eles, e não o eleitorado, o novo presidente. Do outro lado, a pressão de grande parte do público por eleição direta, o que demandaria uma emenda constitucional de tramitação demorada, em meio a uma situação econômico-social desastrosa. 
Considerados o poder da rua e o poder dos grandes interesses envolvidos, a lógica elementar diria que a eleição seria mesmo indireta. 
Aí, o risco seria (...) a eleição de Rodrigo Maia, apontado como favorito de seus pares. 
É outra mediocridade como Temer, mas com menos experiência.
Temer com seu substituto legal, Rodrigo Maia: e se a montanha parir um rato?
Será que o Brasil aguentaria três governantes medíocres em sequência? Não dá para esquecer que Dilma Rousseff conduziu o país à mais profunda e prolongada recessão de sua história – prova factual de seu despreparo para o cargo".
PRESTES A DEIXAR O CARGO, JANOT NADA
 TEM A PERDER: "DEPOIS DE MIM, O DILÚVIO!"
.
O pior é que Janot, o grande responsável pelo prolongamento inútil de uma recessão que começava a perder força, quer infernizar de vez a vida dos brasileiros, apresentando uma denúncia de corrupção contra Temer. Não leva em conta que, via TSE, a substituição de Temer poderia ser razoavelmente rápida, ao passo que, com um impeachment, o desenlace ficaria para bem depois, só no ano que vem. 

Como a abertura do processo exige a aprovação da Câmara Federal e do plenário do Supremo Tribunal Federal, bota uns dois meses nisso (no mínimo!). 

Vamos supor que, vencidas estas duas barreiras, Temer seja afastado provisoriamente em agosto, com Rodrigo Maia herdando a cadeira e a caneta presidencial (Deus nos acuda!). Aí, mesmo que o processo não consuma os 180 dias de prazo-limite, só estaria concluído lá pelo final do ano. 

Marcada uma eleição indireta para 30 dias depois (com o adiamento do recesso dos parlamentares), poderíamos ter um novo presidente em fevereiro, para governar no máximo 11 meses. Mas, governo efetivo mesmo, só até agosto, quando a campanha presidencial ferve e passa a ser a prioridade nº 1 dos políticos profissionais. 
Tudo considerado, a tendência seria de que as incertezas se prolongassem, afugentando investimentos, até a posse do novo presidente, no dia 1º de janeiro de 2019. Ou seja, o que Janot quer é que tenhamos pela frente mais um ano e meio com a situação econômica tão ruim como está agora, ou pior ainda.

É inacreditável que uma autoridade supostamente responsável tudo faça para nos impor tal pesadelo! Não terá consideração nenhuma pelo povo sofrido, indefeso, massacrado, que anda matando cachorro a grito desde 2015?! 

E, quanto aos que se dizem esquerdistas mas se mostram fanaticamente empenhados em propiciar o caos, só me resta lembrar-lhes que quem pretende servir à causa do povo não pode fazer política movido pela bílis. Precisa ter idealismo, clareza de raciocínio e. mais do que tudo, identificação com os humildes e disposição solidária para atenuar suas desditas..

Três características extremamente escassas hoje em dia.
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A CRISE É DE TODO O SISTEMA. AGONIZAM O CAPITAL, O ESTADO E SEUS REPRESENTANTES POLÍTICOS DA DIREITA E DA ESQUERDA.

10.6.17

A BLITZKRIEG DO JANOT ATOLOU NO PÂNTANO DE BRASÍLIA

Se a toga fosse maior, daria para esconder também a cara...
Deu a lógica: Michel Temer continua como presidente, tendo sobrevivido a uma das mais estapafúrdias e destrambelhadas tramoias da política brasileira em todos os tempos. 

Espera-se que, agora, a sociedade apresente a conta aos conspiradores trapalhões, por terem virado o País de pernas pro ar a troco de nada, prolongando por mais alguns meses a agonia em que se debatem os brasileiros desde 2015, quando se iniciou a fase mais aguda da recessão atual.

O processo na Justiça Eleitoral não passava de um Plano B, uma garantia adicional de que Dilma Rousseff seria privada do seu mandato presidencial, mesmo que ocorresse algum acidente de percurso com o impeachment. 

Como o Plano A resolveu a questão, o B perdeu sua razão de ser, reduzido a um estorvo; mas, noblesse oblige,  era necessário manter em pé as ilusões jurídicas da democracia burguesa. Assim, não havendo mais como evitar a realização do julgamento, ele deveria terminar com a absolvição da chapa Dilma-Temer.

Ao iniciar-se a terceira semana de maio, já se sabia até qual seria o placar da absolvição: 5x2. De repente, no dia 17, o jornal O Globo desencadeou uma verdadeira blitzkrieg contra Temer, publicando peças da delação premiada do Grupo J&F que deveriam estar sob sigilo de Justiça. 

E o relator dos processos ligados à Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, fez o inusitado: como parte do material havia supostamente vazado, resolveu levantar o sigilo do todo. Agiu como um general que, informado de que o inimigo matara 20 dos seus comandados e 80 estavam feridos, ordenasse: bom, então vamos matar logo os outros 80 também...
O vencedor: Gilmar Mendes. Com muita cotovelada, chute na virilha e dedo no olho...
O pandemônio se instalou no noticiário, nos mercados e nos partidos políticos, enquanto movimentos sociais ligados ao petismo providenciaram um badernaço em Brasília, culminando no incêndio de Ministérios. A impressão de caos e descontrole era fundamental para forçar Temer a uma renúncia imediata. Tal ocorrendo, a guerra relâmpago teria sido coroada de êxito.

Mas, Temer resistiu. O grande capital, para o qual o importante mesmo é a continuidade do programa de reformas neoliberais, começou a trabalhar em seu favor, por falta de opção melhor (nenhum dos cogitados substitutos de Temer se mostrava especialmente apto para o papel). 

Enquanto isto, jornalões concorrentes passaram a mostrar o outro lado do furo d'O Globo:
— o fato de que a gravação ilegal da conversa de Joesley Batista com Temer fora precedida de uma aula a espiões amadores, ministrada por pessoal da Lava-Jato, embora ainda não estivesse decidido se seria ou não aceita a delação premiada de tais criminosos (isto dependeria do resultado da gravação); 
— o caráter inconclusivo das intervenções de Temer no diálogo, ficando evidente para qualquer pessoa isenta que a interpretação dada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot não era a única possível, mas sim a única que servia para incriminar o presidente; 
As regalias do Joesley colocaram em xeque as delações 
— as fortes suspeitas de que a gravação havia sido editada; 
— a sofreguidão de Janot, tão ansioso por tocar os procedimentos adiante que nem se preocupou em pedir aos peritos federais que verificassem se a gravação cumpria os requisitos legais para servir como prova; 
— a desatenção de Fachin, não só passando batido pelo fato de que a gravação deixara de ser periciada, como também por sua evidente ilegalidade (não houvera autorização judicial para que Joesley a fizesse) e pelos vários indícios de que Temer fora vítima de uma armadilha judicial; 
— as regalias e privilégios repulsivos que os irmãos bandidos obtiveram com a delação, os maiores até agora concedidos a qualquer réu da Lava-Jato.
.O RESCALDO DA TRAPALHADA
.
Os conspiradores não conseguiram tanger Temer à renúncia, nem fazer com que perdesse o mandato no julgamento do TSE. Ou seja, não conseguiram nada. Entraram como leões, saíram como cães.

O desvio de finalidade cometido por autoridades ligadas à Lava-Jato, ao direcionarem sua atuação para um objetivo flagrantemente político (a derrubada de um presidente) ao invés de se manterem no terreno do combate à corrupção, servirá, em muito, como munição para os políticos encalacrados unidos desfecharem um contra-ataque, movidos pelo instinto de sobrevivência. Tiro no pé.

Também começam a avolumar-se os questionamentos de arbitrariedades e excessos cometidos ou autorizados por policiais, promotores e procuradores. Reforça-se a suspeita de que se trata de uma devastadora cruzada moralista para destruir o status quo ante, sem clareza quanto ao que deva substituí-lo, assim como era carente de um objetivo maior o tenentismo de outrora (daí já estarem sendo chamados de tenentes togados). 
Nem os Irmãos Marx dariam um golpe tão bagunçado

E seus abusos, característicos de estados policiais, inspiram comparações com  os jacobinos da Grande Revolução Francesa. É bem capaz de a História repetir-se, com o pântano finalmente criando coragem para reagir contra o terror que Curitiba lhe inspira.

As Organizações Globo conseguiram reeditar um dos seus piores momentos, o escândalo Proconsult, tanto em termos de armação canhestra, quanto de resultados desastrosos. A demonstração de fraqueza que deu deverá custar-lhe caro, em termos de saúde financeira e de influência. 

Janot ficou com a credibilidade em frangalhos. Se antes sonhava com voos mais altos, agora terá de dar-se por feliz se conseguir permanecer no cargo atual até setembro, conforme estipulado. Terá ele sensibilidade suficiente para perceber quão exausta a sociedade brasileira está depois de tantos sobressaltos e de período tão longo de rigores, querendo acima de tudo sair do sufoco, sem mais paciência com relação a quem faz tempestades em copo d'água?  

Fachin até agora não desmentiu que Joesley Batista tenha colocado sua influência e poderio econômico a serviço da campanha dele, Fachin, para tornar-se ministro do Supremo. Se aceitou tomar decisões sobre a delação super-premiada de Joesley, não se declarando impossibilitado de atuar neste caso por dever um enorme favor a uma parte, pode perder não só a relatoria, como a própria condição de ministro. Tem de torcer muito para que Charles De Gaulle estivesse certo ao dizer que o Brasil não era um país sério.

Finalmente, parte da esquerda, ainda presa à narrativa do golpe, embarcou ingenuamente no derruba Temer!, sem sequer perguntar-se o que estava fazendo quando atendeu ao chamado da Globo. Respondo eu: colocando azeitona na empada alheia, ao aceitar servir como força auxiliar numa disputa de poder entre facções burguesas.
A esquerda precisa desistir das mordomias palacianas e reencontrar o caminho das ruas
A lição de casa continua por fazer: 
— uma profunda autocrítica do papel que tem desempenhado nos últimos anos, culminando na derrota acachapante em que se constituiu o impedimento da Dilma; e 
— a retomada da tarefa primordial de organizar o povo para o combate cotidiano ao capitalismo, como etapa necessária no sentido de acumular força para voos maiores.
Para recuperar o protagonismo, precisa ampliar e enrijecer suas fileiras – e muito! A participação destacada nas lutas sociais é bem mais importante para a esquerda neste momento do que vencer quaisquer eleições, inclusive a de presidente da República.

Quanto à derrubada de presidentes, só faz sentido quando se tem um programa alternativo verdadeiramente de esquerda para colocar em prática e as massas organizadas para darem sustentação ao governo popular. 

Como os dois requisitos inexistem neste instante, do ponto de vista de uma esquerda consequente, tentar fazê-lo mesmo assim seria, no mínimo, uma leviandade; afora o risco de fortalecer o inimigo, dando-lhe ensejo para trocar um presidente fraco por um bem mais competente, como decerto seria, p. ex., o FHC.

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