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13.5.13

UMA PERDA SENTIDA: GLÓRIA KREINZ


Só agora tomei conhecimento da morte da estimada companheira Glória Kreinz, que fiquei conhecendo e respeitando como colaboradora do blogue Sarau para todos, do qual eu também participava.

Era gente finíssima e, ao mesmo tempo que resistia bravamente ao câncer, amargava injustiças que sofria numa USP submetida à escalada autoritária tucana. 

Fará muita falta num ambiente acadêmico em que os melhores são perseguidos e intimidados, enquanto os piores obtêm vantagens imerecidas capitulando a reitores retrógrados e obscurantistas.

Como tributo à inesquecível Glória, reproduzo trechos de um belo e abrangente necrológio da Associação Brasileira de Divulgação Científica (chamando a atenção para a passagem que destaquei em vermelho, referente à grande mágoa que ela carregou para o túmulo):
"A divulgação científica está de luto. Após cinco anos de luta contra o câncer, faleceu na madrugada do dia 4 de maio de 2013, aos 69 anos, Glória Kreinz.
Secretária-geral da Abradic e coordenadora de pesquisa do Núcleo José Reis de Divulgação Científica da USP, Glória se graduou em Letras Neolatinas pela PUC de Campinas (da qual era professora titular) e em Jornalismo pela Faculdade Casper Líbero (em que também lecionou), com mestrado em Literatura Brasileira e doutorado em Ciências da Comunicação pela USP.
Foi a idealizadora da Coleção Divulgação Científica, série de livros iniciada em 1998 com A Espiral em Busca do Infinito, da qual foi a organizadora em todos os seus números (13 até o momento), doze dos quais ao lado do inesquecível Crodowaldo Pavan, grande cientista de nosso país, presidente da Abradic até falecer em 2009.
...Ao lado de Pavan e de Osmir Nunes, seu dileto esposo e colaborador, nas funções diretivas (...) foi a verdadeira líder do Núcleo José Reis – até que, em 2010, um golpe perpetrado por quem lhe era (apenas) hierarquicamente superior interrompeu as atividades de um dos mais importantes centros de incentivo à divulgação científica no Brasil.
Cumpriu, talvez como nenhum outro, o preceito de José Reis segundo o qual, tanto quanto a ciência em si, a própria divulgação científica deve ser divulgada. Quando assumiu a coordenação de pesquisa (e a real liderança) do NJR, nos anos 1990, poucos tinham noção do que seria divulgação científica. Hoje, o noticiário sobre ciência cresceu, atividades diversas de popularização do saber científico se tornaram mais frequentes e o termo “divulgação científica” é mais conhecido e propalado, inclusive nas redes sociais.
Sem iniciativas como as coleções de livros Divulgação Científica e Temas da Ciência Contemporânea (esta pela Abradic), as revistas eletrônicas Espiral e Vox Scientiae, os boletins impressos e eletrônicos do Núcleo José Reis e da Abradic, o Curso de Especialização em Divulgação Científica e o Congresso Internacional de Divulgação Científica de 2002 – todas ou idealizadas ou com grande participação de Glória Kreinz –, certamente a divulgação da ciência estaria ao menos um passo atrás do que se encontra atualmente.
Enxergava a divulgação científica de modo amplo e dinâmico, com interações perenes com outros campos do conhecimento, em especial a filosofia (tinha forte admiração por Sartre e dominava, como poucos, conceitos de autores como Derrida e Deleuze ou de escolas como a fenomenologia), e transitando com fluidez pelos diferentes meios de informação, dos mais tradicionais aos mais recentes e de mobilidade por vezes caótica.
Não se furtava à polêmica e ao enfrentamento, mas também era fervorosa amante da poesia, tanto escrevendo (é autora de Fogos na Noite, publicado em 1975 pela Casa do Autor) como admirando – nos últimos anos especialmente os poemas do enigmático Marcelo Roque, com quem mantinha grande amizade e foi coautora de dois livros.
Deixará saudades, mas sem dúvida permanecerá sempre como fonte de grande inspiração por seu espírito jovial e perenemente atuante, bem como por tudo que ensinou aos que com ela conviveram".

8.10.12

BALANÇO ELEITORAL x FIM DE UMA FASE

Terra em Transe: "As coisas que vi naquela campanha...
uma tragédia muito maior do que as nossas próprias forças!"

Estamos salvos do espectro que assombrou a campanha paulistana: o de que Edir Macedo, o  apóstolo  Estevam e a  bispa  Sônia se apossassem da chave do cofre da Prefeitura paulistana e, colocando seu zumbis nas ruas, gerassem um populismo de direita que, a julgar-se pelos antecedentes (perseguição a gays, umbandistas, defensores do aborto, etc.), certamente teria características nazistóides.

Depois do  fogo de palha  constatado neste domingo --o equivalente político da expulsão dos vendilhões do templo--, a bancada evangélica no Congresso deverá continuar sendo apenas o que é atualmente, já suficientemente ruim: fisiológica e com viés direitista. Se, além disto, passasse a ser uma força autônoma, tudo pioraria.

O 2º turno se disputará entre José Serra, que tocaria adiante a escalada autoritária dos últimos anos, em parceria com Geraldo  blietzkrieg do Pinheirinho  Alckmin; e Fernando Haddad, uma incógnita (por enquanto, o único motivo que oferece aos eleitores para votarem nele é ser filhote do Lula e da Dilma, algo meio vexatório em se tratando de um marmanjo que se tornará cinquentão em janeiro...).

A forma pífia como o PT combateu o espantalho Russomanno --evitando caracterizá-lo como cavalo de Tróia dos exploradores da fé porque o PRB integra a base aliada-- não constitui bom augúrio. Ideologicamente, o partido criado em 1979 por sindicalistas do ABC, esquerdistas que lutaram contra a ditadura e adeptos da Teologia da Libertação é, na atualidade, firme como geléia.

Enfim, eu ainda o apoiarei no 2º turno caso se posicione incisivamente contra os balões de ensaio totalitários que têm marcado a atuação hegêmonica dos tucanos e seus aliados na cidade e no estado de São Paulo, começando por assumir o compromisso de demitir imediatamente os 30 oficiais da reserva da PM a quem Gilberto Kassab entregou todas as subprefeituras, menos uma.

Como dificilmente Haddad descerá do muro, tudo levando a crer que seguirá fazendo uma mera  campanha de consumo, é bem provável que o movimento pelo voto nulo cresça, pois o desalento com os principais partidos aumenta cada vez mais.

Em 2010 foi a última vez que favoreci uma  campanha de consumo  no 2º turno, e isto porque o adversário estava sendo apoiado pelas viúvas da ditadura e o que havia de pior na direita golpista. Mas, votando no menos pior, nunca chegaremos ao melhor.

Então, em todo e qualquer pleito no qual não houver uma  candidatura ideológica  merecedora do apoio da esquerda, acredito que o voto nulo seja hoje a opção mais coerente para nós.

O PSOL E EU

Terra em Transe: "Não conseguiu firmar o nobre pacto entre o
cosmo sangrento e a alma pura... tanta violência, mas tanta ternura".
A candidatura de Carlos Giannazi não foi tão longe quanto a de Marcelo Freixo, com a qual tinha muitas semelhanças e afinidades, por vários motivos. Os principais:
  • São Paulo é uma cidade bem mais conservadora e direitista do que o Rio de Janeiro, tendo inclusive um segmento eleitoral nitidamente fascista, que acaba de eleger três vereadores identificados com as execuções sumárias de bandidos pelos policiais;
  • na reta final Giannazi encontrou a postura correta (mais agressiva) para os debates eleitorais, mas o cancelamento dos dois últimos, os da Record e da Globo, impediu que se beneficiasse disto;
  • e, claro, sua extrema inferioridade em fundos de campanha, estrutura partidária e em tempo disponível no horário gratuíto.
A conquista de uma cadeira na Câmara Municipal foi uma pequena vitória do PSOL, mas continuarei sempre achando autofágica a disputa entre as tendências partidárias, que levou as principais delas a travarem uma guerra particular pela vitória do  seu  representante, com a vitória da encabeçada pelo presidente nacional do partido, Ivan Valente (à qual pertence o eleito professor de matemática Toninho Vespoli).

Quanto a mim, lamento não ter obtido um resultado à altura dos comoventes esforços dos poucos que me ajudaram muito, como o incansável poeta Marcelo Roque, o genial artista gráfico Eliseu de Castro Leão, as abnegadas Auriluz Pires Siqueira e Sônia Amorim, os injustiçados uspianos Gloria Kreinz e Osmir Nunes.

Os 6 mil folhetos impressos graças a uma doação que o grande escritor e revolucionário Chico de Assis enviou lá do Nordeste não se transformaram em votos; infelizmente, não encontrei  a trilha do labirinto.

Fico reconhecido também ao Carlos Lungarzo por, indiferente a eventuais danos à sua imagem no circuito dos DH, ter apoiado minha candidatura.

Há os que seguem seus princípios e são solidários. Há os que priorizam conveniências, são indiferentes ou preguiçosos. Lutas desiguais como as que eu costumo travar trazem sempre à tona o melhor e o pior das pessoas.

Evidentemente, não me candidatarei a deputado em 2014, nem a vereador em 2016. Esta etapa só fazia algum sentido se tivesse conseguido me eleger desta vez, aos 62 anos.

Como é uma hipótese remotíssima eu vir a receber o apoio de algum partido de esquerda para me candidatar ao Executivo ou a senador, eu diria que há 99,9% de chances de haver sido minha primeira e última tentativa eleitoral.

O meu desgaste físico e emocional foi enorme. Mas, inexiste repouso para guerreiros. Como esta empreitada não frutificou, decidi lançar o quanto antes a parte final do Náufrago da Utopia.

Até o Ano Novo, eu a estarei escrevendo. Nesse meio tempo, só me manifestarei nos meus blogues ou nas redes sociais se e quando houver assunto de real importância em que minha contribuição possa fazer alguma diferença.

E avaliarei cuidadosamente o que fazer em 2013. O certo é que uma fase terminou e ainda não tenho clareza quanto a novos rumos. 

Minha única certeza é a de que continuarei até o fim da vida lutando contra o capitalismo.
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