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7.6.13

MENTIRA BOLIVIANA TEM PERNA CURTA

As autoridades bolivianas já admitiram que não tinham provas contra sete dos torcedores corinthianos laçados para servirem de bodes expiatórios pela morte do pobre Kevin, atingindo por um sinalizador naval que jamais poderia ter passado pelas catracas de um estádio de futebol. Espera-se que, nos próximos dias, reconheçam a falta de evidências contra os outros cinco e os libertem também.

Depois de manter os sete presos por 106 dias, nem sequer lhes pediram desculpas pela monstruosidade que é privar um ser humano arbitrariamente de sua liberdade.

Orgulho-me de ter sido um dos primeiros a denunciar a farsa (vide aqui), quando muitos se calavam por preconceito elitista contra  o futebol, aversão indiscriminada às torcidas organizadas ou por solidariedade descabida ao governo de Evo Morales, que não deve ser defendido em todas e quaisquer circunstâncias (isto para não tocar noutro aspecto da questão, o de que, talvez, a  armação  ilimitada  de Oruro tenha partido dos opositores de Evo e objetivasse criar-lhe embaraços).  

Falta resgatarmos os cinco sequestrados restantes, com urgência!

20.5.13

GOVERNO DILMA TEM OBRIGAÇÃO DE SER MAIS ENÉRGICO COM A BOLÍVIA

O advogado dos 12 torcedores corinthianos laçados pela polícia boliviana para servirem como bodes expiatórios da morte do jovem Kevin foi sondado pelo tio do pranteado defunto, o também advogado Jorge Ustarez Beltrán: a família se dispunha a reconhecer a inocência dos gaviões engaiolados, ajudando a defesa a desmontar a farsa, mediante o pagamento de 220 mil dólares (cerca de R$ 400 mil).

Como o Corinthians se recusou a ser extorquido e a Gaviões da Fiel não tem como arcar com um resgate tão vultoso, o dr. Sérgio de Moura Ribeiro Marques foi para o tudo ou nada, tornando pública a  proposta indecente. Pois, espertamente, gravara as conversas sem conhecimento do interlocutor. 

A história é contada na matéria de capa da revista IstoÉ desta semana, As provas da chantagem boliviana, e pode ser lida aqui. 

A  cantada  do titio ganancioso está neste trecho das gravações:
"...o que nós propomos a vocês é acabar de vez com esse processo. Uma vez retirada a denúncia, não é possível, portanto, um processo penal. Os familiares buscam uma reparação material, civil... entendo que essa responsabilidade poderia ser assumida pelo Corinthians... estou consciente de que os 12 não são culpados".
O  malandro otário  passou recibo da tentativa de extorsão, ao escrever de próprio punho a quantia ambicionada num papelucho que a IstoÉ reproduziu.

A revista também detalha o acordo costurado pelos dois advogados, mas frustrado por falta de quem se dispusesse a morrer numa grana preta: 
"...o tio de Kevin, segundo Marques, produziria uma petição na qual declararia, entre outros pontos, a inocência dos 12 brasileiros presos pela morte de Kevin.
E – mais importante – revelaria que o adolescente boliviano encontrava-se de costas para o campo quando foi alvejado pelo sinalizador. Além de Beltrán, Beymar Jonathan Trujillo Beltrán, primo de Kevin e única testemunha ouvida (em uma declaração de apenas cinco linhas) sobre a morte dele, assinaria o documento que seria incorporado ao processo de investigação.
Por ser uma declaração contundente de uma nova testemunha intimamente ligada ao adolescente morto, seria aberta uma grande possibilidade de libertação para os brasileiros. Apesar de não ter se pronunciado legalmente ainda, o tio de Kevin estava no jogo Corinthians e San José..."
Para completar a comédia de erros, o advogado Marques denuncia a existência de "pressão política" por parte do governo brasileiro e do Corinthians para que o escritório do qual é sócio seja afastado do processo. O motivo: “Querem que nós sejamos destituídos do caso e o governo colha o mérito da possível soltura dos torcedores”. 

Finalmente, eis a irrefutável conclusão do autor da reportagem, Rodrigo Cardoso:
"...se não há como provar a culpa dos 12 torcedores do Corinthians, eles têm de deixar a prisão em Oruro. Passou da hora de o governo brasileiro arregaçar as mangas de verdade e, livre de interesses paralelos, priorizar uma solução rápida para a prisão arbitrária de 12 de seus cidadãos que, na Bolívia, vivem dias de criminosos sem sequer terem sido acusados legalmente".
É a mesma posição que sustento há mais de dois meses. No artigo Vergonha: Bolívia faz 12 brasileiros de bodes expiatórios! (acesse aqui ), de 11/03/2013, já escrevi: 
"As autoridades de cá estão agindo com tibieza vergonhosa, ao não defenderem da forma mais enérgica BRASILEIROS FLAGRANTEMENTE INJUSTIÇADOS NOUTRO PAÍS.
Já passou da hora de mostrarem algum serviço, pois suas frouxas gestões não tiveram resultado prático nenhum e vêm sendo olimpicamente ignoradas pelos bolivianos".
Voltei ao assunto em Os 12 torcedores sequestrados na Bolívia e a tibieza brasileira (acesse aqui), do último dia 8, quando um grupo de deputados se reuniu em Brasília com representantes de três ministérios e da OAB para discutirem possíveis medidas a serem tomadas:
"Vamos ver se, a partir de hoje, nossas autoridades deixam de agir com a TIBIEZA VERGONHOSA que vem caracterizando sua atuação no episódio.
...Tenho certeza de que, se os injustiçados pertencessem à classe média ou à elite, as gestões brasileiras teriam sido incisivas e imediatas.
A Justiça boliviana está agindo de forma tão aberrante que já se justifica uma queixa à OEA.  É o caminho inescapável para o Brasil, caso o sequestro não cesse..."
Depois da revelação da IstoÉ, o nosso governo tem a obrigação moral de, finalmente, se fazer valer. Ou seremos obrigados a concluir que ele não vale nada.

8.5.13

ATÉ QUANDO?!

Eis uma informação da Folha de S. Paulo desta 4ª feira (08/05): 
"O grupo de deputados que trata da prisão dos 12 corintianos na Bolívia se reuniu ontem com representantes de três ministérios e com a OAB para discutir os avanços no caso. 'Os próximos 15 dias serão decisivos', diz Nelson Pellegrino (PT- -BA). O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, viaja à Bolívia na próxima semana para conversar sobre o tema com autoridades locais". 
Eis o que escrevi há quase dois meses, no dia 11/03:
"...sendo um cidadão dotado de espírito de Justiça, considero ARBITRÁRIO, INCONCEBÍVEL e INACEITÁVEL que, por conta do homicídio culposo cometido por UM torcedor, DOZE estejam presos há 20 DIAS... 
...Estão servindo de BODES EXPIATÓRIOS para as autoridades de lá, PRINCIPAIS CULPADAS PELO OCORRIDO, já que aquele apetrecho naval jamais poderia ter entrado na Bolívia nem no estádio. 
É melhor para elas que a ira popular esteja sendo direcionada contra os detidos e ninguém se lembre de perguntar por que não houve revista policial na fronteira e, sequer, na catraca.
Desde quando se admite o ingresso com ARMA numa competição esportiva?! Granadas também podem? E metralhadoras?
As autoridades de cá estão agindo com tibieza vergonhosa, ao não defenderem da forma mais enérgica BRASILEIROS FLAGRANTEMENTE INJUSTIÇADOS NOUTRO PAÍS.
Já passou da hora de mostrarem algum serviço, pois suas frouxas gestões não tiveram resultado prático nenhum e vêm sendo olimpicamente ignoradas pelos bolivianos".
Demorou demais para a ficha cair, se é que realmente caiu.

Vamos ver se, a partir de hoje, nossas autoridades deixam de agir com a TIBIEZA VERGONHOSA que vem caracterizando sua atuação no episódio.

Por enquanto mantenho tal avaliação, pois ela é mais do que merecida. Tenho certeza de que, se os injustiçados pertencessem à classe média ou à elite, as gestões brasileiras teriam sido incisivas e imediatas.

A Justiça boliviana está agindo de forma tão aberrante que já se justifica uma queixa à OEA.  É o caminho inescapável para o Brasil, caso o sequestro não cesse nos próximos "decisivos" 15 dias.

16.12.12

AS LIÇÕES DA EPOPÉIA CORINTHIANA

A maior lição que a vitória do Corinthians sobre o Chelsea por 1 a 0 e consequente conquista do Mundial de Clubes 2012 deixa é a de que  A VONTADE DOS HOMENS PODE PREVALECER SOBRE O PODER DO DINHEIRO.

O Chelsea não passa de um amontoado de estrelas de vários países,  legião estrangeira  que um bilionário russo arrebanhou a peso de ouro.

O Corinthians tem um elenco bem menos valorizado no mercado da bola, mas força coletiva muito superior. Trata-se de um grupo homogêneo de jogadores no mínimo bons, e sem nenhum elemento desagregador.

Conta, ademais, com o melhor técnico brasileiro em termos de liderança e organização tática. No jargão futebolístico, Tite tem o time na mão e sabe exatamente como tirar o máximo proveito de cada peça.

Então, repetindo o que fez com Vanderley Luxemburgo naquele célebre Corinthians 1x3 Grêmio em pleno Pacaembu, decisão da Copa do Brasil de 2001, ele deu um  nó tático  no treinador adversário Rafael Benitez.

A jornada dispersiva do Emerson impediu que a superioridade do conjunto corinthiano se traduzisse em gols já no 1º tempo. E, aproveitando seus inegáveis talentos e alguns vacilos da zaga alvinegra, o Chelsea acabou até levando mais perigo nas finalizações.

Mas, além de tudo, Tite tem estrela. O goleiro no qual ele apostou às vésperas da Libertadores --e que evitou a desclassificação do Corinthians contra o Vasco no Pacaembu-- teve neste domingo atuação simplesmente impressionante. Uma vez na vida sou obrigado a concordar com o Galvão Bueno: "histórica".

E, se no primeiro semestre a aposta de Tite no Romarinho permitiu que o Corinthians saísse sem derrota do temido La Bombonera, agora quem decidiu tudo foi o peruano Guerrero, por ele bancado até mesmo quando não havia certeza de que se recuperasse a tempo de uma contusão.

Foi de lavar a alma.

O Chelsea, que nem de longe mereceu superar o Barcelona na Liga dos Campeões, recebeu o troco na mesma moeda: mais agudo do que o Corinthians, foi vencido por um adversário extremamente determinado e (reconheçamos) afortunado.

Tite mostrou ao Brasil inteiro como, no futebol moderno, se arma um time para diminuir a vantagem do favorito.

O arcaico Felipão atualmente não lhe chega aos pés, tanto que seu retrospecto no Palmeiras, contra as duas equipes um pouco mais próximas da modernidade futebolística (Corinthians e Fluminense), foi péssimo. Chegou a perder até da equipe B alvinegra.

O goleiro Cássio se consagrou, provando que Mano Menezes estava certíssimo em convocá-lo para a Seleção Brasileira, mas ficou lhe devendo uma chance entre os titulares.

Diego Cavalieri é, sim, ligeiramente melhor. Mas, a envergadura do gigante corinthiano talvez fale mais alto. Contra cracaços, ele conseguiu atrapalhar finalizações que poderiam ser fatais, ao crescer diante dos atacantes (sobra bem pouco espaço para enfiarem a bola e eles acabam errando...).

Quanto ao Santos que o Barcelona fez de gato e sapato no ano passado, recebeu também uma lição: quando se disputa o jogo mais importante da carreira, espera-se, no mínimo, personalidade e firmeza. Perder faz parte do jogo, mas entregar-se sem luta é inadmissível. O Neymar só faltou pedir autógrafo ao Messi...

Outro contraste significativo é a mudança que cada técnico efetuou depois da semifinal: enquanto a de Muricy desarrumou a defesa do Santos, a troca de Douglas por Jorge Henrique foi fundamental para o Chelsea não encontrar as avenidas pelas quais desfilara contra o Monterrey.

De resto, o Brasil deve muito ao Corinthians. Depois dos sucessivos vexames em Mundiais de seleções e de clubes, Olimpíadas, etc., o (hoje mais do que nunca!)  Timão  pôs um fim nos vareios europeus.

Precisávamos resgatar nossa moral futebolística, ainda mais ao entrarmos na fase decisiva dos preparativos para a Copa do Mundo. Conseguimos.

Resta cair a ficha para as viúvas da ditadura que comandam a CBF: descartado o melhor técnico com o qual poderíamos contar (Pep Guardiola), sobra Tite como o mais apto a nos proporcionar alguma chance de êxito.

Felipão, por sua vez, significa a certeza da derrota.
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