O
Chelsea não passa de um amontoado de estrelas de vários países, legião
estrangeira que um bilionário russo arrebanhou a peso de ouro.
O
Corinthians tem um elenco bem menos valorizado no mercado da bola, mas
força coletiva muito superior. Trata-se de um grupo homogêneo de
jogadores no mínimo bons, e sem nenhum elemento desagregador.
Conta,
ademais, com o melhor técnico brasileiro em termos de liderança e
organização tática. No jargão futebolístico, Tite tem o time na mão e
sabe exatamente como tirar o máximo proveito de cada peça.
Então,
repetindo o que fez com Vanderley Luxemburgo naquele célebre
Corinthians 1x3 Grêmio em pleno Pacaembu, decisão da Copa do Brasil de
2001, ele deu um
nó tático no treinador adversário Rafael Benitez.
A
jornada dispersiva do Emerson impediu que a superioridade do conjunto
corinthiano se traduzisse em gols já no 1º tempo. E, aproveitando seus
inegáveis talentos e alguns vacilos da zaga alvinegra, o Chelsea acabou
até levando mais perigo nas finalizações.
Mas,
além de tudo, Tite tem estrela. O goleiro no qual ele apostou às
vésperas da Libertadores --e que evitou a desclassificação do
Corinthians contra o Vasco no Pacaembu-- teve neste domingo atuação
simplesmente impressionante. Uma vez na vida sou obrigado a concordar
com o Galvão Bueno: "histórica".
E, se no primeiro
semestre a aposta de Tite no Romarinho permitiu que o Corinthians saísse
sem derrota do temido La Bombonera, agora quem decidiu tudo foi o
peruano Guerrero, por ele bancado até mesmo quando não havia certeza de
que se recuperasse a tempo de uma contusão.
Foi de lavar a alma.
O
Chelsea, que nem de longe mereceu superar o Barcelona na Liga dos
Campeões, recebeu o troco na mesma moeda: mais agudo do que o
Corinthians, foi vencido por um adversário extremamente determinado e
(reconheçamos) afortunado.
Tite mostrou ao Brasil inteiro como, no futebol moderno, se arma um time para diminuir a vantagem do favorito.
O arcaico Felipão atualmente não lhe chega aos pés, tanto que seu
retrospecto no Palmeiras, contra as duas equipes um pouco mais próximas
da modernidade futebolística (Corinthians e Fluminense), foi péssimo.
Chegou a perder até da equipe B alvinegra.
O goleiro
Cássio se consagrou, provando que Mano Menezes estava certíssimo em
convocá-lo para a Seleção Brasileira, mas ficou lhe devendo uma chance
entre os titulares.
Diego
Cavalieri é, sim, ligeiramente melhor. Mas, a envergadura do gigante
corinthiano talvez fale mais alto. Contra cracaços, ele conseguiu
atrapalhar finalizações que poderiam ser fatais, ao crescer diante dos
atacantes (sobra bem pouco espaço para enfiarem a bola e eles acabam
errando...).
Quanto ao Santos que o Barcelona fez de
gato e sapato no ano passado, recebeu também uma lição: quando se
disputa o jogo mais importante da carreira, espera-se, no mínimo,
personalidade e firmeza. Perder faz parte do jogo, mas entregar-se sem
luta é inadmissível. O Neymar só faltou pedir autógrafo ao Messi...
Outro
contraste significativo é a mudança que cada técnico efetuou depois da
semifinal: enquanto a de Muricy desarrumou a defesa do Santos, a troca
de Douglas por Jorge Henrique foi fundamental para o Chelsea não
encontrar as avenidas pelas quais desfilara contra o Monterrey.
De
resto, o Brasil deve muito ao Corinthians. Depois dos sucessivos
vexames em Mundiais de seleções e de clubes, Olimpíadas, etc., o (hoje
mais do que nunca!)
Timão pôs um fim nos vareios europeus.
Precisávamos
resgatar nossa moral futebolística, ainda mais ao entrarmos na fase
decisiva dos preparativos para a Copa do Mundo. Conseguimos.
Resta
cair a ficha para as viúvas da ditadura que comandam a CBF: descartado o
melhor técnico com o qual poderíamos contar (Pep Guardiola), sobra Tite
como o mais apto a nos proporcionar alguma chance de êxito.
Felipão, por sua vez, significa a certeza da derrota.