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27.8.13

PALMAS PARA O DIPLOMATA HUMANITÁRIO! VAIAS PARA OS OMISSOS E OS FARSANTES!

Todos saíram diminuídos dessa comédia de erros... 
O Brasil concedeu, porque quis, asilo a um senador boliviano considerado mero criminoso pelo governo de Evo Morales.

Mas, tal governo negava salvo-conduto para o político oposicionista deixar o país em segurança. Com isto, transgredia indiscutivel e grosseiramente as leis internacionais.

As autoridades brasileiras não recorreram à OEA, à ONU ou a quem quer que seja para desatar o nó. Preferiram continuar negociando indefinidamente com a Bolívia, mesmo sabendo que estavam sendo  enroladas. 

Um diplomata compassivo arriscou a carreira para salvar a vida do senador, cuja saúde declinava perigosamente em função do longo período mantido no que acabava sendo um cárcere privado.

Como recebeu apoio parlamentar e militar, não se sabe exatamente em que condição atuou: pode haver surpreendido seus superiores, mas também pode ter-lhes dado conhecimento ou, mesmo, seguido suas orientações. A única certeza é que ele não concordou em ser bode expiatório, pois agora se indigna com tal possibilidade.

Ele é o ÚNICO personagem digno e louvável da comédia de erros em questão.

Se a iniciativa foi realmente dele, Eduardo Sabóia deve ser aclamado como HERÓI.

Se seus superiores o estimularam a tirar a castanha do fogo para não queimarem as próprias mãos, temos de aplaudir seu espírito humanitário e vaiar os farsantes. 
...com exceção do digno Sabóia.

Não sei o que é pior, omitir-se de um problema ou resolvê-lo com falsidades e encenações, trocando até um ministro para salvar as aparências (mas, compensando-o com uma designação honrosa). País que quer ser protagonista da política internacional, ao invés de uma mera república das bananas, não pode sair pela tangente toda vez que enfrentar uma situação complicada. 

Dois trechos das declarações do diplomata Sabóia me sensibilizaram muito:
"Não me arrependo e aceito as consequências. Ouvi a voz de Deus. Estou amparado pela Constituição e pelos tratados internacionais assinados pelo Brasil. Fiz uma opção por um perseguido político, como a presidente Dilma fez em sua história". 
"Você imagina ir todo dia para o seu trabalho e ter uma pessoa trancada num quartinho do lado, que não sai? E você é quem a impede de receber visitas. Aí vem o advogado e diz que, se ele se matar, você será o responsável. O senador estava havia 452 dias sem tomar sol, sem receber visitas. Eu me sentia como se fosse o carcereiro dele, como se eu estivesse no DOI-Codi. O asilado típico fica na residência [do embaixador], mas ele estava confinado numa sala de telex, vigiado 24 horas por fuzileiros navais". 
Ele exagerou na comparação com o DOI-Codi, mas se trata de mero detalhe. O fundamental  é: quem deixou a situação se deteriorar a tal ponto, não tem moral para punir Sabóia. NENHUMA!

24.7.13

COMÉDIA DE ERROS BOLIVIANA ACABA EM PASTELÃO

No dia 20 de fevereiro o jovem boliviano Kevin Espada morreu, atingido por um sinalizador naval a respeito do qual, até hoje, existe uma única certeza: a de que jamais deveria ter passado pela catraca de um estádio de futebol.

Passaram-se três semanas e, por esnobismo, preconceito contra as torcidas organizadas, simpatia (neste caso) equivocada pelo governo de Evo Morales ou mera indiferença em relação ao destino dos injustiçados em geral, quase ninguém havia se posicionado, na imprensa brasileira ou mesmo na internet, contra a prisão abusiva dos 12 corinthianos laçados pelas  otoridades  bolivianas para aplacarem a indignação popular.  

Foi quando lancei o artigo Vergonha: Bolívia faz 12 brasileiros de bodes expiatórios (11/03).   

Ao qual seguiram-se Os 12 torcedores sequestrados na Bolívia e a tibieza brasileira (08/05), IstoÉ desmascara a farsa e expõe a chantagem boliviana. E agora, Dilma? (20/05) e Bolívia passa recibo de que prendeu os torcedores corinthianos a esmo (07/06). Este último, quando os sete iniciais foram reconhecidos inocentes das falsas acusações e colocados em liberdade.

A diplomacia do Patriota rima com letargia
Nesta 4ª feira (24/07), os cinco  gaviões da Fiel  restantes foram soltos, a partir de gestões mantidas pelo chanceler Antônio Patriota, por orientação (declarou ele) da presidenta Dilma Rousseff.

Dilma merece meus sinceros cumprimentos. Fez o seu papel.

Já Patriota... não deveria ter se mexido para resgatar os coitadezas muito, mas MMMUUIIITTTOOO antes?! Precisava que a presidenta lhe recordasse qual era o seu dever? Como teria procedido se fossem seus entes queridos a mofarem numa masmorra estrangeira, sem culpa, por cinco intermináveis meses?

De minha parte, também posso considerar o dever cumprido. 

Já para os que não estiveram à altura de suas responsabilidades, deixo o lembrete: ficaram devendo e têm a obrigação de atuarem bem melhor da próxima vez.

7.6.13

MENTIRA BOLIVIANA TEM PERNA CURTA

As autoridades bolivianas já admitiram que não tinham provas contra sete dos torcedores corinthianos laçados para servirem de bodes expiatórios pela morte do pobre Kevin, atingindo por um sinalizador naval que jamais poderia ter passado pelas catracas de um estádio de futebol. Espera-se que, nos próximos dias, reconheçam a falta de evidências contra os outros cinco e os libertem também.

Depois de manter os sete presos por 106 dias, nem sequer lhes pediram desculpas pela monstruosidade que é privar um ser humano arbitrariamente de sua liberdade.

Orgulho-me de ter sido um dos primeiros a denunciar a farsa (vide aqui), quando muitos se calavam por preconceito elitista contra  o futebol, aversão indiscriminada às torcidas organizadas ou por solidariedade descabida ao governo de Evo Morales, que não deve ser defendido em todas e quaisquer circunstâncias (isto para não tocar noutro aspecto da questão, o de que, talvez, a  armação  ilimitada  de Oruro tenha partido dos opositores de Evo e objetivasse criar-lhe embaraços).  

Falta resgatarmos os cinco sequestrados restantes, com urgência!

20.5.13

GOVERNO DILMA TEM OBRIGAÇÃO DE SER MAIS ENÉRGICO COM A BOLÍVIA

O advogado dos 12 torcedores corinthianos laçados pela polícia boliviana para servirem como bodes expiatórios da morte do jovem Kevin foi sondado pelo tio do pranteado defunto, o também advogado Jorge Ustarez Beltrán: a família se dispunha a reconhecer a inocência dos gaviões engaiolados, ajudando a defesa a desmontar a farsa, mediante o pagamento de 220 mil dólares (cerca de R$ 400 mil).

Como o Corinthians se recusou a ser extorquido e a Gaviões da Fiel não tem como arcar com um resgate tão vultoso, o dr. Sérgio de Moura Ribeiro Marques foi para o tudo ou nada, tornando pública a  proposta indecente. Pois, espertamente, gravara as conversas sem conhecimento do interlocutor. 

A história é contada na matéria de capa da revista IstoÉ desta semana, As provas da chantagem boliviana, e pode ser lida aqui. 

A  cantada  do titio ganancioso está neste trecho das gravações:
"...o que nós propomos a vocês é acabar de vez com esse processo. Uma vez retirada a denúncia, não é possível, portanto, um processo penal. Os familiares buscam uma reparação material, civil... entendo que essa responsabilidade poderia ser assumida pelo Corinthians... estou consciente de que os 12 não são culpados".
O  malandro otário  passou recibo da tentativa de extorsão, ao escrever de próprio punho a quantia ambicionada num papelucho que a IstoÉ reproduziu.

A revista também detalha o acordo costurado pelos dois advogados, mas frustrado por falta de quem se dispusesse a morrer numa grana preta: 
"...o tio de Kevin, segundo Marques, produziria uma petição na qual declararia, entre outros pontos, a inocência dos 12 brasileiros presos pela morte de Kevin.
E – mais importante – revelaria que o adolescente boliviano encontrava-se de costas para o campo quando foi alvejado pelo sinalizador. Além de Beltrán, Beymar Jonathan Trujillo Beltrán, primo de Kevin e única testemunha ouvida (em uma declaração de apenas cinco linhas) sobre a morte dele, assinaria o documento que seria incorporado ao processo de investigação.
Por ser uma declaração contundente de uma nova testemunha intimamente ligada ao adolescente morto, seria aberta uma grande possibilidade de libertação para os brasileiros. Apesar de não ter se pronunciado legalmente ainda, o tio de Kevin estava no jogo Corinthians e San José..."
Para completar a comédia de erros, o advogado Marques denuncia a existência de "pressão política" por parte do governo brasileiro e do Corinthians para que o escritório do qual é sócio seja afastado do processo. O motivo: “Querem que nós sejamos destituídos do caso e o governo colha o mérito da possível soltura dos torcedores”. 

Finalmente, eis a irrefutável conclusão do autor da reportagem, Rodrigo Cardoso:
"...se não há como provar a culpa dos 12 torcedores do Corinthians, eles têm de deixar a prisão em Oruro. Passou da hora de o governo brasileiro arregaçar as mangas de verdade e, livre de interesses paralelos, priorizar uma solução rápida para a prisão arbitrária de 12 de seus cidadãos que, na Bolívia, vivem dias de criminosos sem sequer terem sido acusados legalmente".
É a mesma posição que sustento há mais de dois meses. No artigo Vergonha: Bolívia faz 12 brasileiros de bodes expiatórios! (acesse aqui ), de 11/03/2013, já escrevi: 
"As autoridades de cá estão agindo com tibieza vergonhosa, ao não defenderem da forma mais enérgica BRASILEIROS FLAGRANTEMENTE INJUSTIÇADOS NOUTRO PAÍS.
Já passou da hora de mostrarem algum serviço, pois suas frouxas gestões não tiveram resultado prático nenhum e vêm sendo olimpicamente ignoradas pelos bolivianos".
Voltei ao assunto em Os 12 torcedores sequestrados na Bolívia e a tibieza brasileira (acesse aqui), do último dia 8, quando um grupo de deputados se reuniu em Brasília com representantes de três ministérios e da OAB para discutirem possíveis medidas a serem tomadas:
"Vamos ver se, a partir de hoje, nossas autoridades deixam de agir com a TIBIEZA VERGONHOSA que vem caracterizando sua atuação no episódio.
...Tenho certeza de que, se os injustiçados pertencessem à classe média ou à elite, as gestões brasileiras teriam sido incisivas e imediatas.
A Justiça boliviana está agindo de forma tão aberrante que já se justifica uma queixa à OEA.  É o caminho inescapável para o Brasil, caso o sequestro não cesse..."
Depois da revelação da IstoÉ, o nosso governo tem a obrigação moral de, finalmente, se fazer valer. Ou seremos obrigados a concluir que ele não vale nada.
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