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26.7.12

SERRA ESCORREGA DE NOVO. E TOMBA SOBRE SEU PASSADO

José Serra perdeu o equilíbrio de novo.

Fez triste figura mais uma vez.

Desonrou novamente os ideais de outrora.

Embora tenha terceirizado o ataque jurídico e verbal contra o blogue Conversa Afiada  (do Paulo Henrique Amorim) e o site Luís Nassif OnLine, as responsabilidades política e moral são dele, Serra. Só dele. Pessoais e intransferíveis.

Pois foi em benefício de sua candidatura que o PSDB fez uma representação à Procuradoria Geral Eleitoral, pedindo investigações... com o evidente objetivo de promover intimidações!

E foi para evitar que Serra aparecesse como paladino da imposição da censura na internet, qual um  velho cavalheiro indigno  (1) a clamar pela volta da Dª Solange (2), que o presidente tucano Sérgio Guerra incumbiu-se de tentar justificar o injustificável nos papos com a imprensa.

Assim como era seu vice, Índio da Costa, quem cortejava os eleitores de extrema-direita durante a campanha eleitoral de 2010, poupando o ex-presidente da UNE da  saia justa  de aderir ele próprio à retórica de quem fechou a UNE.

Que moral tem para falar em "atentado à democracia brasileira" o dirigente máximo do partido de Geraldo Alckmin?!

A barbárie no Pinheirinho e a ocupação militar da USP não passam de balões de ensaio golpistas, para aferir a resistência da sociedade brasileira a uma recaída totalitária, a um novo 1964. 

Ou seja, estes episódios sim merecem ser qualificados de atentados à democracia --pois são reais, bem reais, tanto que houve até uma vítima fatal (ver aqui). Não virtuais e supostos.

Pior do que escorregar do skate é vacilar em relação ao próprio passado, perdendo a identidade que o sustentava e esborrachando-se no chão dos oportunistas.
  1. aos patrulheiros do politicamente correto, informo que não se trata de afronta aos idosos, mas sim de alusão irônica ao título de uma peça do Brecht, A velha dama indigna. 
  2. Solange Teixeira Hernandes, a censora-símbolo da ditadura militar.
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4.11.10

O MOMENTO MÁGICO DE UMA DILMA QUE AINDA DEVE SER VANDA

Sem falsa modéstia, acertei em praticamente tudo que escrevi sobre a campanha e o resultado do 2º turno da eleição presidencial.

Leitores contrariados com a derrota demotucana, entretanto, correram a me rotular de "petista", forma bem brasileira de desqualificar argumentações irrespondíveis.

No terreno minado em que se transformou o debate político na internet, não há mais espaço para nuances e sutilezas.

Caímos no maniqueísmo total: reduz-se tudo a uma disputa entre o Bem e o Mal, só diferindo o entendimento sobre quem seja o  mocinho  e quem seja o bandido.

Para veteranos de outros carnavais, entretanto, há uma infinidade de tons entre o branco e o negro. Foi assim que aprendemos a pensar a realidade e a direcionar nossas ações.

Não mudarei para satisfazer o primarismo de ninguém. Pois, mais do que êxitos, ganhos e prestígio, o que me importa é a coerência. Sou capaz de suportar a reprovação generalizada, quando intimamente sei que estou certo.

Nem imagino o que aconteceria se me sentisse um  safado -- como muitos que abriram mão dos seus ideais devem, lá no fundo, estar cientes de que são, embora finjam acreditar que  evoluíram.

Então, não me incomodei nem um pouco quando alguns me acusaram de ajudar  a direita, ao defender a posição de que cidadãos com convicções revolucionárias deveriam, no 1º turno, votar num dos quatro candidatos assumidamente anticapitalistas, e não na candidatura reformista com chance de liquidar logo a fatura.

E, como tudo confluía para (se houvesse) um 2º turno entre Dilma Rousseff e José Serra, também antecipei que, nesta hipótese, o certo seria apoiarmos a candidatura reformista contra a que, além de ser de centro-direita, englobava suspeitíssimos bolsões neofascistas.

REFORMA OU REVOLUÇÃO

Que eu me lembre, foi no final de 1968, ao redigir meu primeiro documento político mais ou menos autoral, que respondi à celebre questão colocada por Rosa Luxemburgo (reforma ou revolução) alinhando-me com os defensores da segunda, contra os esquerdistas que se conformavam com a primeira.

Para mim, não foi só uma besteirinha alinhavada para um congresso secundarista. Foi uma diretriz para a vida inteira.

Mais tarde, vim também a perceber quão insensata era a postura dos companheiros que faziam oposição meramente destrutiva às por eles chamadas  políticas econômicas burguesas, arriscando-se a atirar o Brasil numa depressão.

Ou seja, num momento de grande fragilidade econômica, sustentavam que seria bom se o caldo entornasse de vez, para as massas aprenderem na carne quão perverso é o capitalismo.

Contra esses eu argumentava que, nas crises econômicas (que eu havia estudado em profundidade para produzir uma série jornalística), a primeira coisa que acontece é o arrefecimento da combatividade dos trabalhadores.

Temerosos de perder o emprego numa época de vacas magras, eles, em sua maioria, abdicam de reivindicações, desertam dos sindicatos e enfiam a cabeça na areia.

Então, eu concluía, seria suicídio contribuírmos para o agravamento de qualquer recessão, além de uma desumanidade em relação aos humildes, que são sempre os que mais sofrem.

Dessa polêmica me veio a certeza de que o "quanto pior, melhor" não deve ter lugar nas lutas políticas e sociais.

Lembrei-me de haver lido, em Isaac Deutscher, que a democracia alemã fora detonada pelo ataque conjunto da direita e da esquerda: os comunistas, qualificando os socialistas de "sociais-fascistas", ajudaram Hitler a varrê-los do poder.

Acreditavam que, alijados os  intermediários, no confronto aberto com o  verdadeiro inimigo  levariam a melhor.

Mas, perderam. E, com sua aposta insensata, pavimentaram o terreno para os horrores da 2ª Guerra Mundial.

Lera sem muita atenção este relato. Mas, minhas próprias opções me levaram a perceber, posteriormente, sua enorme importância. Trata-se de um erro que jamais deveremos repetir.

Assim, no 2º turno, coloquei-me vigorosamente contra o retrocesso, enfatizando os riscos que a democracia brasileira correria na eventualidade de um governo com forte presença do DEM (herdeiro dos  arenosos  apoiadores da ditadura), um vice ultradireitista como o ìndio da Costa e uma relação pouco clara com as correntes virtuais neofascistas.

Isto incomodou aquelas tendências de esquerda que colocam o lulismo praticamente no mesmo plano dos inimigos capitalistas.

Fazer o quê?! Toquei minha caravana adiante. 

CIVILIZAÇÃO x BARBÁRIE

Na antevéspera da votação, com a certeza da eleição de Dilma, antecipei a postura a ser adotada no day after:
"[Dilma} já conseguiu evitar o retrocesso, parabéns!

"Torçamos para que ela seja igualmente bem sucedida em deslanchar o avanço, com determinação e ousadia".
Tornei mais clara ainda esta idéia no domingo da vitória:

"Torço para que a Dilma saiba aproveitar seu grande momento, não sendo apenas uma estátua de Davi, mas sim a aguerrida companheira que:
  • como Chaplin, queria chutar o traseiro dos ociosos;
  • como Cristo, trouxe uma espada para combater a injustiça; e
  • como Marx, pretendia proporcionar a cada trabalhador o necessário para a realização plena como ser humano".
Trocando em miúdos, com seus oito anos de políticas cautelosas, Lula melhorou a vida dos humildes e fez jus à sua gratidão.

Agora, com nossa economia deslanchando como não se via desde os melhores anos do  milagre brasileiro, Dilma pode desarquivar algumas propostas originais do PT que ficaram para trás, à espera de melhor oportunidade.
Tal oportunidade chegou e, se ela a aproveitar, desempenhará um papel de primeira grandeza na História escrita pelos explorados e oprimidos, que é bem diferente da História oficial.

Em sua primeira coletiva à imprensa, houve um momento mágico em que Dilma recolocou os valores humanitários no centro das decisões políticas, descartando o pragmatismo amoral:
"Mesmo considerando usos e costumes de outros países, continua sendo bárbaro o apedrejamento da Sakineh".
Sim, chega dessa relativização obscena que o Itamaraty vinha adotando em questões, estas sim, sem meio termo possível: ou se está ao lado dos homens, ou ao lado das bestas-feras!

A esquerda tem de voltar a alinhar-se, decidida e incondicionalmente, à civilização, contra a barbárie. Só assim tocará de novo os corações e mentes, atraindo para seu campo os melhores seres humanos -- aqueles que são movidos pela esperança num mundo melhor e disposição de contribuir para seu advento.

À Dilma que proferiu tal frase eu dou um voto de confiança: fez-me lembrar a vibrante companheira que conheci nos idos outubro de 1969, durante o Congresso de Teresópolis da VAR-Palmares.

Posso ser um incorrigível sonhador, mas espero sempre o melhor das pessoas.

Então, até prova em contrário, prefiro acreditar que, lá no fundo, sem  dar bandeira  porque isso em nada facilitaria sua jornada, Dilma ainda é Vanda -- e não um ex-Gabeira qualquer.

E mais Vanda será se a ajudarmos a ser Vanda.

29.10.10

RETROCESSO EVITADO, A PRIORIDADE SERÁ DESLANCHAR O AVANÇO

Como não há mal que sempre dure, chegará ao fim neste domingo a campanha presidencial mais tediosa e deseducativa desde que o Brasil voltou à civilização, em 1985, depois de 21 anos de trevas.

O ritual democrático desta vez ficou em descompasso com o estado de ânimo do povo brasileiro.

Vivendo seu melhor momento econômico das últimas décadas, com mais empregos, mais ganhos, mais consumo e perspectivas douradas pela frente (pré-sal, Copa do Mundo e Olimpíada), o que nossa gente queria mesmo era manter Lula na Presidência.

Felizmente, ele fechou os ouvidos ao canto das sereias, não consentindo numa mudança das regras do jogo.

A segunda reeleição, com certeza, seria legitimada por um plebiscito e pela previsível avalanche de votos... trazendo consigo, entretanto, o espantalho do chavismo, pretexto pelo qual há muito anseiam as correntes mais nocivas e retrógradas deste país, sempre à cata de uma oportunidade para reeditarem 1964.

Dilma Rousseff foi a aposta de Lula para manter a hegemonia petista sem a única grande liderança nacional que o PT produziu até agora.

Só que, depois de cinco eleições consecutivas em que ele foi ou vitorioso ou o principal adversário do candidato vencedor, Dilma necessariamente pareceria uma coadjuvante fazendo as vezes de protagonista.

Saiu-se até melhor do que o esperado, mas dificilmente chegaria aonde chegou se dependesse apenas de seu (escasso) carisma. Deverá a eleição a Lula, como Dutra deveu a dele a Vargas.

Quanto ao maior antagonista, sua missão era, de antemão, quase impossível. Mas, não há dúvidas de que ele maximizou a piora do, em si, já ruim.

Também pouco carismático – parece sempre um mestre-escola lecionando a alunos de compreensão lenta – José Serra começou tentando eleger-se como o administrador experiente que seria melhor continuador de Lula do que a candidata do próprio Lula. Bola fora.

À medida que se evidenciava sua importência para evitar a derrota anunciada a partir de uma agenda positiva, foi apelando para a negativa: desceu do pedestal e passou a jogar sujo.

Endossou a pregação alarmista do seu vice Índio da Costa, cujos clichês ultradireitistas eram visivelmente copiados de sites goebbelianos como o Ternuma.

Olhou para o outro lado enquanto uma escória virtual – as  viúvas da ditadura  e os cuervos por elas criados (os pupilos neofascistas) – movia, em seu benefício, uma sórdida campanha caluniosa contra Dilma. Imputavam-lhe responsabilidades indevidas (participação em episódios da luta armada com os quais nada teve a ver), apresentando como  crimes  e  terrorismo  o que foi, na verdade, corajosa resistência à tirania.

Desceu até o fundo do poço ao transformar o aborto em tema de campanha, como se a real convicção dele, de Dilma e dos cidadãos civilizados não fosse basicamente a mesma: o estado deve prioritariamente evitar que as mulheres corram altos riscos abortando em condições precárias, ao invés de se subjugar a dogmas medievais.

Caiu no ridículo ao querer erigir um episódio banal de campanha em ameaça à democracia, esquecendo que bolinhas de papel e rolinhos de fita crepe machucam muito menos do que os cassetetes da tropa de choque da PM, tantas vezes brandidos contra manifestantes pacíficos quando ele era governador de São Paulo.

Last but not least, resvalou também para a demagogia, com propostas como a de elevar o salário mínimo a R$ 600, aumentar em 10% o valor da aposentadoria e pagar 13º para os beneficiários do Bolsa Família.

Com tudo isso, só conseguiu transformar a previsível derrota do campo conservador numa acachapante derrota pessoal, da qual dificilmente se reerguerá.

Dilma, por sua vez, terá um desafio maior ainda a partir de 1º de janeiro: provar que mereceu ser a primeira mulher a chegar à Presidência do Brasil, imprimindo uma marca pessoal ao legado recebido de Lula.

Já conseguiu evitar o retrocesso, parabéns!

Torçamos para que ela seja igualmente bem sucedida em deslanchar o avanço, com determinação e ousadia.

20.7.10

O ANTIGO ZORRO E O CERTAMENTE TONTO

O professor Olavo
de Carvalho tem um
novo discípulo...

Os dois jornalões paulistas, inimigos históricos hoje irmanados nas cruzadas reacionárias, manchetearam, eufóricos, a reação do presidenciável José Serra às críticas que cidadãos equilibrados de vários partidos fizeram às declarações destrambelhadas e abestalhadas do seu vice Índio da Costa contra Dilma Rousseff e o PT.
O Estado de S.Paulo: 'Todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc', diz Serra

Folha de S.Paulo: "Serra sai em apoio ao vice e aponta ligação de PT e Farc

Eias o que declarou Serra em Belo Horizonte:
"A ligação do PT é com as Farc. Isso todo mundo sabe, tem muitas reportagens, tem muita coisa. Apenas isso. Agora, as Farc são uma força ligada ao narcotráfico, isso não significa que o PT faça o narcotráfico".
O próprio Índio da Costa, devidamente adestrado pelos caras pálidas, também recuou da acusação que nenhum demotucano pode provar, refugiando-se no abrigo seguro das insinuações:
"PT não faz narcotráfico. As Farc, sim".
Interessante o Serra repetir o todo mundo sabe da frase indefensável do seu vice que deflagrou esta polêmica ("Todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc, ao narcotráfico, ao que há de pior").

Todo mundo sabe, p. ex., que ele é um ex-presidente da UNE e teve de fugir do Brasil para não ser encarcerado pela ditadura militar.

Todo mundo sabe, também, que ele deveu sua liberdade e talvez sua vida às gestões solidárias de companheiros de vários países, quando prisioneiro de Pinochet.

E daí? Hoje o Serra coloca a tropa de choque da PM no campus da USP e nega solidariedade a Cesare Battisti.

Então, a insistência do antigo Zorro e do certamente Tonto num tema tão ao gosto do alarmista/fantasista Olavo de Carvalho e dos sites neointegralistas faz temer o pior.

Esta campanha presidencial começa a assumir os contornos de uma briga de foice no escuro, com tentativas desesperadas das aves de mau agouro e dos sempre demoníacos, no sentido de gerarem, artificialmente, um clima similar ao de 1964.

Com a única diferença de que as fileiras obscurantistas foram quantitativamente reforçadas pela adesão de José Serra.

Mas, para quem dá mais valor à qualidade e à integridade, não houve prejuízo nenhum.


19.7.10

UM ÍNDIO QUE NÃO SERVE PARA CACIQUE

Quando o deputado federal Índio da Costa (DEM/RJ) foi anunciado como vice de José Serra, andou se falando que o motivo seria a notoriedade supostamente adquirida como relator da Lei da Ficha Limpa.

Para mim continuava um desconhecido, e bem pouco ilustre. Tive de buscar informações sobre ele nos Googles e Yahoos da vida. O mais significativo foramsuas contribuições ao folclore político:
  • discursou na Câmara Federal pedindo a proibição de coxinhas e pirulitos em cantinas escolares;
  • apresentou na Câmara Municipal carioca projeto de lei para que fossem multados os cidadãos que dessem esmola a pedintes;
  • tentou proibir o comércio ambulante nas ruas do Rio, o que eliminaria da paisagem carioca os tradicionais vendedores de mate e biscoito de polvilho.
Logo conclui que não passava de um novo Enéas Carneiro.

Aliás, a tal Lei da Ficha Limpa é uma besteirinha digna do barbudo que berrava "meu nome é Enéas!": apenas vai tumultuar o processo eleitoral e desperdiçar espaços do noticiário com escaramuças inócuas e inúteis. [Para quem quiser saber mais, recomendo meu artigo O povo como objeto, não sujeito, das mudanças; e o de Ana Helena Tavares, Quando a limpeza não cheira bem.]

Também cheguei a escrever que o tal Índio da Costa não passava de um Fernando Collor em miniatura.

No fundo, isso me ocorreu mais por causa do visual jovem e dinâmico -- na minha avaliação, o fator determinante de sua inclusão na chapa de Serra.

Por quê? Porque o ex-presidente da UNE, pessoalmente, dá a impressão de que hoje só serve para presidir asilo.

Fiquei chocado com sua entrada na sabatina da Folha de S. Paulo: caminhando meio encurvado, sisudo, parecia bem mais acabado e, até mesmo, fisicamente menor do que imagina quem o vê na TV.

O público, cuja grande maioria era de seus admiradores, demorou alguns constrangedores segundos para decidir se era ele mesmo, Serra, quem tinha adentrado o palco. Aí começaram a soar, timidamente, os aplausos.

Então, para contrabalançar a aparência nada exuberante nem vigorosa do Serra, colocaram ao lado dele um sujeito com jeitão de surfista Zona Sul do Rio. Fica parecendo um papai bem gasto com um filho garotão.

Será que vai funcionar? Na sociedade do espetáculo e da falsidade, tudo é possível.

Só que os caras pálidas esqueceram de contar ao Índio o que dele se esperava: exibir a estampa que o Grande Espírito lhe deu e nada dizer além de obviedades e platitudes, porque tirocínio político Tupã não lhe concedeu.

Numa entrevista ao portal Mobiliza PSDB, entretanto, ele quis mostrar-se um vice de verdade -- e, verdadeiramente, fez pensarmos num aspirante a Mussolini ou Salazar dos trópicos.

É mesmo um Collor em miniatura -- mais direitista ainda do que o original.

Acusou o PT de ligação com o narcotráfico, com a guerrilha das Farc e com o que "há de pior", expondo-se a uma óbvia interpelação judicial que o obrigaria a provar as afirmações ou reconhecer tê-las feito levianamente.

E, como se tivesse uma bola de cristal que não apresentou ao distinto público, antecipou que Dilma Rousseff, uma vez eleita, vai apoiar-se em remanescentes do escândalo do mensalão (leia-se Zé Dirceu). Eis as frases:
"Quem nos garante que no dia seguinte à eleição ela não vai fazer o que no Brasil é comum entre criatura e criador? Dá um chute no Lula e vai governar sozinha, com as garras do PT por trás dela."

"Em janeiro, se a Dilma é [sic] eleita, o Lula volta para casa. Mas o PT fica, com todos aqueles mensaleiros. O Lula tem poder sobre eles, mas eles têm muito poder sobre a Dilma."
Finalmente, como moleque exibido a vangloriar-se de proezas imaginárias, disse que, durante visita a Cuba, fazia questão de mostrar a todos uma revista provocativa (qual, a Veja?):
"Ia para tudo que era canto com ela debaixo do braço. Até queria ser preso, para ver como é que era lá em Cuba essa história que tanto falam. Mas é um horror aquilo. Vocês não podem imaginar. Coitado do cubano!"
As bobagens prosseguiram no Twiter, com Índio da Costa assim reagindo à observação de Dilma de que ele seria "um vice caído do céu":
"Para uma atéia, deve ser duro ter um adversário que cai do céu".
Também a acusou de "dissimular sobre religião". E o melhor veio no fim:
"Ela nem consegue olhar nos olhos do eleitor. É uma esfínge [sic] do pau oco."
Para devorá-lo, a esfinge não precisaria nem propor um enigma difícil. Pedir-lhe que decifrasse a expressão "santo do pau oco" já seria suficiente...
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