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26.1.14

PEDIMOS AO PT NO GOVERNO QUE NÃO TRAIA OS IDEAIS DO PT DOS PALANQUES


Na manhã deste domingo, 26, a petição on line em favor da concessão de asilo no Brasil a Edward Snowden ultrapassou a impressionante marca de 1 milhão de assinaturas, conforme pode ser constatado aqui.

É um patamar dificílimo de ser alcançado, atestando, de forma cabal, que os melhores brasileiros não engoliram as desculpas esfarrapadas do nosso governo, que tem todos os motivos para receber Snowden de braços abertos (principalmente depois que a presidenta da República e a Petrobrás se descobriram espionados pelos estadunidenses com a mais chocante sem-cerimônia ) e apenas um para não fazê-lo: seu abjeto servilismo em relação aos EUA, seu medo de represálias com que os italianos também nos ameaçaram no Caso Battisti e depois deixaram pra lá. 

Daquela vez, pagamos para ver e desmascaramos o blefe. Desta, estamos fugindo como coelhos assustados. Por quê? 

Desde a primeira ocasião em que nossas autoridades saíram vexaminosamente pela tangente, há mais de meio ano (vide aqui), tenho sido um dos mais ferrenhos defensores de um posicionamento soberano por parte do Itamaraty e de Dilma Rousseff, bem como um dos mais veementes críticos destas demonstrações de vassalagem que eu jamais, JAMAIS, esperaria de um governo do PT -mesmo levando em conta a descaracterização que o partido já sofreu relativamente à sua identidade inicial, aos ideais em nome dos quais foi fundado, em fevereiro de 1980.

Está lá no manifesto de fundação, com todas as letras:
"Os trabalhadores querem a independência nacional. Entendem que a Nação é o povo e, por isso, sabem que o país só será efetivamente independente quando o Estado for dirigido pelas massas trabalhadoras". [Se, enquanto tal dia não chega, abdicarmos das mais ínfimas afirmações de independência, que exemplo estaremos dando às massas trabalhadoras?!] 
Também está lá, preto no branco:
"O PT pretende ser uma real expressão política de todos os explorados pelo sistema capitalista. Somos um Partido dos Trabalhadores, não um partido para iludir os trabalhadores". [O que são os subterfúgios para bater a porta na cara do Snowden, se não formas de iludir os trabalhadores e todos os brasileiros ciosos da soberania nacional?]
Já somos um milhão de cidadães exigindo que, pelo menos neste caso, o PT no governo não traia os princípios trombeteados pelo PT no palanque.

Seremos muito mais, se o governo continuar se comportando como avestruz.

21.1.14

VOLTAMOS, EM PLENO GOVERNO DO PT, A SER QUINTAL DOS EUA? É HORA DE TODOS RESPONDERMOS: "NÃO!"

"Edward Snowden desistiu de tudo para trazer à luz a operação de megaespionagem feita pelos EUA contra o Brasil e o restante do mundo inteiro. Seu passaporte foi revogado por seu próprio país e agora ele está preso em um limbo jurídico em Moscou, com um visto de um ano de duração. O Brasil, um dos principais alvos da espionagem, deveria oferecer abrigo a alguém que nos abriu os olhos para a vigilância norte-americana indiscriminada e em escala global. É hora de oferecer a Edward Snowden asilo imediato no Brasil!"

Esta é a justificativa do abaixo-assinado lançado por David Miranda, em favor do asilo de Edward Snowden no Brasil. Na manhã desta 3ª feira (21), o número de aderentes já está em 915 mil. Quem quiser colaborar para que seja atingido o objetivo de 1 milhão de signatários, clique aqui.  

Como bem disse o estimado companheiro Arthur José Poerner (um dos gigantes da resistência jornalística à ditadura militar), em mensagem que enviou ao governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, pedindo sua participação nesta cruzada:

"O ex-agente de informação Edward Snowden já é um benfeitor da Humanidade, muito mais merecedor do Prêmio Nobel da Paz do que o já agraciado presidente Obama, como o mundo inteiro começa, aos poucos, a reconhecer. E os excessos totalitários da espionagem norte-americana, que ousam violar até mesmo a privacidade da nossa presidenta da República, constituem gravíssima afronta à soberania nacional brasileira.

Não há, portanto, qualquer razão para negar ao Snowden generosa acolhida, inclusive de acordo com a histórica tradição de asilo político do Itamaraty. Seria, além disso, mais uma prova cabal de que está em pleno curso o processo de consolidação da nossa democracia. Tucídides já dizia, mais de quatro séculos antes de Cristo, que o segredo da felicidade é a liberdade; e o da liberdade, a coragem, Precisamos ter, na política externa, a mesma coragem que tivemos na resistência à ditadura".

Quanto a mim, repito a indagação que lancei há meio ano, quando o Itamaraty ignorou o primeiro apelo de Snowden ao governo brasileiro. Curta e grossa:

"Teremos voltado, em pleno governo do PT, a ser quintal dos EUA?!"

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SER BOM VASSALO O QUE É? 
É VOLTAR AS COSTAS AO SNOWDEN.


Deu na imprensa: Thomas Shannon, assessor especial do secretário de Estado John Kerry, qualificou de "positiva" a decisão do governo brasileiro, de desconsiderar o pedido de asilo de Edward Snowden e a sua disposição de ajudar-nos a combater a arapongagem estadunidense, expressos na Carta ao povo do Brasil.

"Há vários sinais positivos emitidos pelo governo brasileiro, (...) chegamos a um bom ponto", acrescentou Shannon.

Realmente, o governo brasileiro agiu com sabedoria. Aquela sabedoria sobre a qual discorreu o grande Brecht:
"Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria: 
manter-se afastado dos problemas do mundo
e sem medo passar o tempo que se tem para viver na terra; 
seguir seu caminho sem violência,
pagar o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los. 
Sabedoria é isso!" 
Só faltou o verso seguinte: "Mas, eu não consigo agir assim!".

E,  por falar em Brecht e brechtianos, ocorreu-me também que a situação presente tem tudo a ver com o trecho abaixo da magistral peça Arena conta Tiradentes, que é de 1968 mas continua atualíssima:
CORINGA
Ser bom vassalo o que é?
Me responda quem souber.
CORO
Ser bom vassalo é esquecer
aquilo que a gente quer.
Ser bom vassalo é morrer.
Ser bom vassalo, quem quer?
Me responda quem quiser.
CORINGA
Só quer ser um bom vassalo,
quem vive seu bom viver,
quem explora e não é explorado,
quem tem tudo pra perder!
Em tempos idos, os bons vassalos defendiam apenas seus privilégios. Agora a coisa piorou: até os que deveriam ser contra os privilégios acabam se tornando bons vassalos, pois temem que a governabilidade seja prejudicada se entrarem em atrito com o suserano. 

Uma característica, contudo, permanece imutável: ser bom vassalo é esquecer aquilo que a gente quer. Aquilo pelo que um dia lutamos. Aquilo em nome do qual companheiros estimados morreram e sofreram.

Por último, a boa notícia (uma, pelo menos!): o texto integral de Arena conta Tiradentes acaba de ser disponibilizado neste endereço. Recomendo enfaticamente.

Para quem quiser saber mais sobre a peça, eis alguns links: primeirosegundoterceiro e quarto.

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3.9.13

ARAPONGAS, APRENDIZES DE FEITICEIRO, ÍDOLOS TOMBADOS, ETC.

Os Estados Unidos, com extrema arrogância, recusam-se a encarar a arapongagem  que praticam sob a ótica das leis internacionais. Mesmo agora, ao serem flagrados espionando ninguém menos do que a presidenta do Brasil, deixam claro que continuarão agindo de acordo com as próprias leis e o resto do mundo que se dane. 

Da mesma forma, o presidente Barack Obama considera que só precisa do aval do seu Congresso para ordenar bombardeios à Síria. Com isto, a ONU perde a razão de existir. 

Se tivessem um pingo de dignidade, as demais nações dela se retirariam, já que seu papel é apenas de figurantes, enquanto o protagonista aplica a seu bel prazer a lei do mais forte.

* * *

Se dúvida havia sobre a perda de mandato de João Paulo Cunha, Valdemar Costa Neto, Pedro Henry e José Genoíno, condenados à prisão como  mensaleiros, não há mais nenhuma. A péssima repercussão da lambança perpetrada pela Câmara Federal, ao permitir que o presidiário Natan Donadon continuasse deputado, selou-lhes o destino e fechou o caixão. 

Então, se houve quem tenha livrado a cara de Donadon para abrir um precedente favorável ao quarteto, deu um formidável tiro pela culatra.

Certos aprendizes de feiticeiro de Brasília continuam ignorando os humores do cidadão comum e a capacidade da indústria cultural, de amplificar rejeições ao máximo. 

Quem é burro, pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue...

* * *

A imprensa dá destaque excessivo ao julgamento do  mensalão, como se ainda existisse algum coelho para ser tirado da cartola. 

Não há. As condenações serão confirmadas e as penas, cumpridas. A esta altura do campeonato, qualquer outra decisão deixaria a imagem do STF em frangalhos. E os ministros estão bem cientes disto.

Os advogados deram o seu showzinho, mas de antemão sabiam que nada mudaria. Os acusados jogaram fora o dinheiro que melhor fariam se tivessem guardado para pagar as multas.

É comum os revolucionários, tendo meios para escapar, não cumprirem decisões judiciais que consideram injustas. A questão é: o Zé Dirceu e o Genoíno ainda se veem como tais? 

E há outro aspecto, o da própria injustiça. Pois a opção pela fuga só se justificaria na hipótese de inocência, não na de terem sido condenados por práticas nas quais quase todos os políticos incidem sem ser punidos. 

Incomoda-me muito, admito, a perspectiva de ver o Dirceu e o Genoíno presos. O simbolismo será deprimente ao extremo. Por mais que eles tenham se distanciado dos ideais de 1968, a direita vai celebrar como uma vitória sobre os revolucionários da nossa geração.  Posso imaginar o triunfalismo estampado na capa da Veja, que tanto fez para colocar o Dirceu no pelourinho, chegando até a espioná-lo da forma mais abjeta.

Sem afirmá-lo taxativamente, o Cesare Battisti várias vezes deu a entender que, caso se tornasse inexorável sua extradição, preferiria a morte do que oferecer a cabeça para ser exibida na sala de troféus do Berlusconi. 

Mas, claro, tudo depende da convicção íntima de cada um. 

Melhor teria sido se os ex companheiros jamais houvessem superestimado seu poder e exposto o flanco de forma tão temerária. Deram sopa pro azar e estão pagando caro por isso.

* * *

Roger Federer, o maior tenista de todos os tempos, teima em continuar nas quadras quando seu momento passou. A marcha do tempo é impiedosa. 

Ter recuperado a posição de nº 1 em 2012 já foi uma moeda que caiu em pé, permitindo-lhe quebrar mais um recorde importante (o de semanas liderando o ranking da ATP), além de ampliar para 17 o número de conquistas de torneios grand slam. 

Quando foi novamente desalojado do topo, faltou-lhe humildade para reconhecer que se tratava do seu (magnífico) canto do cisne e, dali em diante, só desceria a ladeira. 

A temporada de 2013 está sendo humilhante ao extremo para ele. Quem o admira, torce para que não haja temporada de 2014. 
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